VERIFICAÇÃO DA EFICÁCIA DO TRATAMENTO COM ACUPUNTURA NA PARALISIA FACIAL

quarta-feira , 11, setembro 2013 1 Comment

UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES

 

JEFFERSON DI POLITO

 

 

 

 

 

 

 VERIFICAÇÃO DA EFICÁCIA DO TRATAMENTO COM ACUPUNTURA NA PARALISIA FACIAL

 

 

 

 

 

 

Mogi das Cruzes, SP

2010

UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES

 

JEFFERSON DI POLITO

 

 

 

 

 

VERIFICAÇÃO DA EFICÁCIA DO TRATAMENTO COM ACUPUNTURA NA PARALISIA FACIAL

 

  

Monografia apresentada ao programa de Pós– Graduação da  

Universidade   de   Mogi  das  Cruzes, como exigência parcial,

para a obtenção  do  titulo  de   Especialista   em   Acupuntura.

 

  

                      Orientadores : Professora Bernadete Nunes Stolai e

                       Professor Luiz  A. Alfredo

 

  

 

Mogi das Cruzes, SP

2010

JEFFERSON DI POLITO

 

 

 

 VERIFICAÇÃO DA EFICÁCIA DO TRATAMENTO COM ACUPUNTURA NA PARALISIA FACIAL

 

 

Monografia apresentada ao programa de Pós– Graduação da  

Universidade   de   Mogi  das  Cruzes, como exigência parcial,

para a obtenção  do  titulo  de  Especialista  em   Acupuntura.

 

 

Aprovado em:________________________________________________________

 

  

BANCA EXAMINADORA

 

 

 

___________________________________________________________________

Orientadora: Profª. Ms. Bernadete Nunes Stolai

Universidade de Mogi das Cruzes

 

 

 ___________________________________________________________________

Co-Orientador: Prof⁰. Esp. Luiz A. Alfredo

Universidade de Mogi das Cruzes

 

 

 

 

___________________________________________________________________

 

 

 

 

Dedico este trabalho ao meu pai Julio Di Polito, por ter me apoiado nesses anos de faculdade que passei longe de casa.

À minha mãe Maria José Di Polito por ter me incentivado e ficado sempre ao meu lado nas horas mais difíceis.

 

 

 

AGRADECIMENTOS

 

 

Agradeço a todas as pessoas que desinteressadamente contribuíram para a elaboração deste trabalho.

 

 

 

RESUMO

 

 

A Paralisia Facial (PF) é uma doença que não escolhe raça, gênero, idade ou condição social, seu acometimento é apenas nas estruturas inervadas pelo nervo facial que ocorre fundamentalmente por alterações orgânicas ou por intercorrência traumática. A impossibilidade de utilizar a expressão de um dos lados da face, o comprometimento dos movimentos faciais e a desarticulação no momento da fala constituem uma desfiguração bastante significativa, sobretudo numa sociedade em que a estética relaciona-se diretamente com a aparência facial. De acordo com a Medicina Tradicional Chinesa (MTC), a PF se deriva de uma obstrução na circulação de Energia e Sangue nos meridianos Yang, onde os Canais de Energia freqüentemente acometidos são o Yang Ming da mão e Shao Yang da mão, que devido ao vazio de Qi dos Canais e Colaterais, ficam vulneráveis a invasão de agentes exógenos como o Vento-Frio. Sabendo da relação entre mente e corpo, cada vez mais as pessoas buscam equilíbrio entre estes, como também terapias alternativas, em complemento as terapias convencionais. No Oriente, a Acupuntura vem sendo usada com finalidades preventiva e terapêutica há vários milênios, além dos benefícios orgânicos a técnica não possui contra-indicações absolutas e os efeitos colaterais são praticamente inexistentes, desde que o paciente seja atendido por um profissional habilitado e que os princípios da técnica sejam seguidos à risca, considerando as condições sistêmicas apresentadas por cada individuo.

Os objetivos deste trabalho foram verificar, através de revisão literária, a eficácia da Acupuntura como terapia complementar no tratamento da PF, identificar os pontos de Acupuntura usuais e eficazes para tratamento específico, bem como verificar o momento do curso da patologia, em que a terapia se apresenta mais eficaz. Quando comparada ao tratamento medicamentoso e eletroestimulação, a Acupuntura Sistêmica foi a que se mostrou mais eficaz, com 10 a 20 sessões, sendo que na fase aguda foram realizadas 2 sessões por semana. Os melhores resultados foram obtidos em pacientes que iniciaram o tratamento com menor tempo de permanência e evolução da doença, não mais que 60 dias, com um percentual de melhora entre 70 a 80% dos casos.         

 

 

Palavra-chave: Acupuntura, Paralisia Facial Periférica, Medicina Tradicional Chinesa, Acupuncture e Peripheral Facial Paralysis, Bell’s Palsy.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

SUMÁRIO

 

 

1 INTRODUÇÃO ……………………………………………………………………………………8

 

2 METODOLOGIA ……………………………………………………………………………….12                                         

 

3 NERVO FACIAL ………………………………………………………………………………..13

 

3.1 ANATOMIA E FISIOPATOLOGIA DO NERVO FACIAL………………………………14

 

3.1.1 ETIOLOGIA DA PARALISIA FACIAL ………………………………………………….15

 

4 PARALISIA FACIAL NA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA………………………..18

 

4.1 ETIOLOGIA ORIENTAL………………………………………………………………………19

                                                                 

5 DIAGNÓSTICO SEGUNDO A  MTC………………………………………………………….21

 

6 PRINCÍPIOS DE TRATAMENTO NA MTC………………………………………………….26

 

6.1 PONTOS DE ACUPUNTURA……………………………………………………………….26

 

6.2 TÉCNICAS UTILIZADAS……………………………………………………………………..29

 

7 TRATAMENTO…………………………………………………………………………………..31

 

7.1 FUNÇÃO ENERGÉTICA DOS PONTOS………………………………………………..37

 

8 CONCLUSÃO……………………………………………………………………………………..45

 

REFERÊNCIAS …………………………………………………………………………………….46

 

 

 

 

1 INTRODUÇÃO 

 

            A impossibilidade de utilizar a expressão de um dos lados da face, o comprometimento dos movimentos faciais e a desarticulação no momento da fala constituem uma desfiguração bastante significativa, sobretudo numa sociedade em que a estética relaciona-se diretamente com a aparência facial. A mímica facial é fundamental para a expressão e comunicação humana, que são possíveis apenas através da integridade do nervo facial. Sendo assim, a paralisia facial periférica (PFP) pode deixar sequelas estéticas, funcionais e psicológicas. A causa mais comum é a paralisia de Bell (50 a 80 %), onde a maioria dos pacientes apresenta manifestação unilateral. O acometimento bilateral simultâneo é raro, sendo a leucemia a neoplasia que com maior freqüência pode resultar nesse tipo de manifestação (ANTUNES et al., 2004).

             A PFP é uma doença que não escolhe raça, gênero, idade ou condição social. O clima é fator importante na sua incidência, percebendo-se uma maior prevalência nos períodos de chuva, provavelmente, devido às pessoas estarem por mais tempo em contato nos ambientes fechados, proporcionando melhores condições de contágio por microorganismos que podem gerar infecção. A queda do sistema imunológico, possivelmente proporcionada por carência nutricional também é fator predisponente a essa afecção. Na paralisia facial (PF) o rosto fica assimétrico tanto no repouso como durante os movimentos. Os sulcos da testa somem, o olho afetado não fecha, o globo ocular levanta-se na tentativa de fechar a pálpebra (sinal de Bell). Os cílios do lado afetado ficam mais evidentes do que do lado sadio quando os olhos se fecham e a fenda palpebral aumenta. No lado comprometido, o sulco nasogeniano encontra-se apagado e há queda da comissura labial. A boca e a língua são desviadas para o lado sadio. Falar, assobiar, inflar a bochecha, representam dificuldade.   Hiperacusia encontra-se presente e há diminuição de secreções lacrimais e salivares. Os dois terços anteriores da língua perdem a sensação gustativa. A instalação dos sintomas é rápida e geralmente acontece durante a noite precedidos de dores mastoideanas. O acometimento é apenas nas estruturas inervadas pelo nervo facial. A PF ocorre fundamentalmente por alterações orgânicas ou por intercorrência traumática. Algumas das causas mais freqüentes da PFP são: idiopática, que é a mais comum (vascular, viral, hereditária, diabetes, inflamatória, imunológica, e psicossomáticas), síndrome de Ramsey-hut, otite média aguda e crônica, otite externa maligna, traumática, tumores e fatores neonatais. Independentemente da etiologia, o tratamento resgatará a recuperação dos movimentos faciais (BARROS; MELO; GOMES, 2004).

             Existem na Medicina Ocidental diversos tipos de tratamento para a PF, entretanto apresentamos nesse trabalho a Acupuntura como uma opção de tratamento, dentro  da Medicina Tradicional Chinesa (MTC).

             Acupuntura é uma especialidade que foi desenvolvida na China há mais de cinco mil anos e, com a Moxibustão, o Qi gong e a Fitoterapia, compõe a MTC; visa prevenir e tratar as doenças através do equilíbrio das energias circulantes no corpo, pois acredita-se que um organismo equilibrado não adoece. Baseia-se na existência de acupontos, distribuídos ao longo de doze linhas imaginárias chamadas meridianos, que percorrem o corpo no sentido vertical, formando pares simétricos nas faces dorsal e ventral da superfície corporal, os quais, devidamente estimulados, normalmente por agulhas, são capazes de promover  uma série de benefícios à saúde do indivíduo (VECTORE, 2005).

             Sabendo da relação entre mente e corpo, cada vez mais as pessoas buscam equilíbrio entre estes, como também terapias alternativas, em complemento as terapias convencionais (CERANTO; ALVES; ALENDE, 2008).    

             A Acupuntura é apenas uma das técnicas terapêuticas que compõem um conjunto de saberes e procedimentos culturalmente constituídos, e dos quais não pode ser dissociada. Além das agulhas, a MTC utiliza ervas, massagens, exercícios físicos, dietas alimentares, e prescreve normas higiênicas de conduta. Sua lógica é a mesma que orientou toda a vida social da China, no período em que foi desenvolvida: o calendário agrícola, as festas coletivas, os princípios de comportamento social, as regras de etiqueta no trato com as autoridades, a religião, a música, a arquitetura. Os princípios teóricos a partir dos quais as doenças são entendidas, classificadas e tratadas são os mesmos que servem para entender, classificar e lidar com as coisas do mundo, a natureza, o espaço e o tempo. No entanto, para se ter acesso ao saber tradicional, será preciso compreender os seus princípios, poder perceber claramente o Yin e o Yang no mundo, e a possibilidade do Tao; será preciso reconhecer na natureza, no céu e na Terra, as Seis Energias e os Cinco Elementos, aprender a distinguir, no exame do paciente, onde está o frio e onde está o calor, onde estão as insuficiências e onde estão os excessos. (PALMEIRA, 1990).

             Na concepção da filosofia taoísta, base da MTC, o ser humano é composto por Cinco Elementos: Fogo, Terra, Metal, Água e Madeira. Estes são a base da concepção do Universo e de todos os seus componentes, logo, todas as estruturas, sistemas fisiológicos, órgãos, vísceras ou estruturas psíquicas, na sua concepção, estão relacionadas a um dos elementos.      Sendo Cinco os Elementos (Madeira, Fogo, Terra, Metal e Água), e, segundo a concepção oriental, há cinco órgãos, cinco emoções básicas, cinco cores, cinco odores, cinco tipos “psicológicos” (conhecidos na Acupuntura como Acupuntura constitucional) e dessa forma, todas as coisas poderiam ser correlacionadas segundo suas características predominantes, que são as mesmas encontradas nos elementos. (SILVA, 2007).

             Para a MTC, os distúrbios e as doenças são resultados de determinantes multifatoriais e os seus recursos terapêuticos são vários: a Acupuntura, a Fitoterapia, a Dietoterapia, os exercícios físicos, respiratórios e mentais, a Moxabustão, a aplicação de Ventosas, as Massagens terapêuticas e o Feng shui. Sua principal característica é a ação harmonizadora que ela promove na modulação dos sistemas que estão em disfunção, melhora as funções viscerais e estimula os mecanismos auto-reguladores da homeostase (CRAIG; KEARNS, 1995).

             No Oriente, a Acupuntura vem sendo usada com finalidades preventiva e terapêutica há vários milênios. De fato, agulhas de pedra e de espinha de peixe foram utilizadas na China durante a Idade da Pedra (cerca de 3000 anos AC). Ney Jing, ou “Clássico do Imperador Amarelo sobre Medicina Interna”, texto clássico e fundamental da MTC, descreve aspectos anatômicos, fisiológicos, patológicos, diagnósticos e terapêuticos das moléstias à luz da medicina oriental. Nesse tratado, já se afirmava que o sangue flui continuamente por todo o corpo, sob controle do Coração. Cerca de 2000 anos depois, mais precisamente em 1628, William Harvey, proporia sua teoria sobre a circulação sangüínea (SZABÓ; BECHARA, 2001).

             Temos assistido a um crescente interesse pelas chamadas “práticas alternativas de saúde”. Sob esta designação genérica, destacam-se, pela freqüência com que são mencionados, especificamente, o uso de plantas medicinais, a homeopatia e a Acupuntura. No Brasil, a Acupuntura já vinha sendo incorporada como alternativa terapêutica, em geral associada a procedimentos da medicina cientifica ocidental, em vários hospitais universitários, desde o inicio dos anos 80 (PALMEIRA, 1990).

             Uma boa formação profissional e agulhas estéreis, que são de fácil manuseio e transporte, é o necessário para se realizar Acupuntura. O risco de transmissão de doenças através da técnica é mínimo, pois além de serem utilizadas agulhas estéreis, elas são individuais e descartáveis. Além dos benefícios orgânicos a Acupuntura representa economia, pois o material utilizado é barato, comparado a medicamentos, e o custo da sessão não é oneroso. Também se deve incluir a segurança do tratamento, já que a técnica não possui contra-indicações absolutas e os efeitos colaterais são praticamente inexistentes, desde que o paciente seja atendido por um profissional habilitado e que os princípios da técnica sejam seguidos a risca, considerando as condições sistêmicas apresentadas por cada individuo (CERANTO; ALVES; ALENDE, 2008).

             Em dezembro de 1979, a revista SAÚDE DO MUNDO, publicada pela ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, publica um número especial, com a opinião de vários estudiosos da Acupuntura, do ocidente e do oriente, em que apresenta uma relação básica das patologias tratáveis pela Acupuntura, entre elas a paralisia facial (SIDORAK, 1984, p.59-61).

             Os objetivos deste trabalho são coletar evidências científicas, realizando uma revisão literária, para verificar a eficácia da Acupuntura como terapia complementar no tratamento das paralisias faciais e dessa forma, identificar os pontos de Acupuntura usuais e eficazes para o tratamento específico.  Objetiva-se também verificar em qual momento do curso da patologia que a terapia por Acupuntura se apresenta mais eficaz.

 

 

  

2 METODOLOGIA       

 

             Foi realizada uma revisão da literatura científica nacional e internacional, nas bibliotecas da UMC, USP, UNIFESP, CAPES, em livros e artigos científicos publicados e indexados em sites de confiança como (Medline, Lilacs, Scielo e Bireme), na língua inglesa, espanhola e portuguesa, sendo pesquisadas as palavras chave: Medicina Tradicional Chinesa, Paralisia Facial Periférica, Paralisia de Bell, Acupuntura, Acupuncture e Peripheral  Facial Paralysis, Bell’s Palsy.

 

                         

3 NERVO FACIAL

 

          O nervo facial, VII par craniano, é o responsável pela inervação motora dos músculos cutâneos da cabeça. Fibras sensitivas proprioceptivas para esses músculos distribuem-se com as motoras. Admite-se ainda que a sensibilidade dolorosa profunda da face seja aferida pelo nervo facial (MOSCOVICI, 2009).

             É um nervo misto, possuindo funções motoras para os músculos da expressão facial e para o músculo estapédio, além de funções sensitivas somáticas (controlam a sensibilidade da parte do pavilhão auricular), sensitivas especiais (controlam a gustação dos dois terços anteriores da língua) e fibras do sistema nervoso autônomo (secretomotoras para as glândulas lacrimais e salivares). As lesões ao nervo facial podem ser congênitas ou adquiridas e manifestar-se, dependendo da origem e da região topográfica da lesão, em paralisia dos músculos da mímica facial, alterações da gustação, audição e salivação. As neuropatias do nervo facial podem ser classificadas do primeiro ao quinto grau de injúria e possuem implicações importantes no prognóstico de regeneração funcional. O primeiro grau é a neurapraxia, enquanto que o segundo é denominado de axonotmese. Nesses dois tipos de injúria, a regeneração é geralmente completa. O terceiro grau é classificado de neurotmese, no qual existe a perda do tubo endoneural para guiar a regeneração, comprometendo o retorno das funções do nervo facial, normalmente incompletas e demoradas. Rupturas parciais ou completas do perineuro resultam em injúrias do quarto e quinto grau (SANTOS et al., 2006).

             Entre os nervos motores, o nervo facial é o único que tem um longo percurso através de um canal ósseo estreito, o aqueduto de Falópio, apresentando múltiplas mudanças de direcionamento, desde o tronco cerebral até a periferia. Por isso, é o nervo motor que mais comumente sofre paralisia no corpo humano. A PFP decorre da interrupção do impulso do nervo facial em seu trajeto interior do osso temporal, em conseqüência de diferentes e variados fatores etiológicos. Entre estes, citam-se trauma, neoplasias, infecções, distúrbios metabólicos ou tóxicos, anormalidades congênitas e a idiopática (MOTA; GERVÁSIO, 2003).

              Azevedo (1984) acredita que, por ser a PFP causadora de graves alterações na estética do paciente, acarretando importantes alterações psicológicas e sociais, o paciente deve ser submetido a avaliação correta e precoce, a fim de ser estabelecido, o mais breve possível, um prognóstico quanto à sua evolução e escolha do tratamento adequado. Portanto, para que isso ocorra, é necessário que haja, por parte desses profissionais, conhecimento da anatomia, fisiologia, tipos de lesões, etiologia, diagnóstico clínico e avaliação.

            O grau de recuperação da função do nervo facial depende da idade do paciente, do tipo de lesão, da etiologia, nutrição do nervo, comprometimento neuromuscular e terapêutica instituída. A recuperação da lesão do nervo facial pode acorrer em algumas semanas, até quatro anos (GARANHANI et al., 2007).

  

3.1 ANATOMIA E FISIOPATOLOGIA DO NERVO FACIAL

 

            O nervo facial é o nervo de maior diâmetro que passa dentro de um conduto ósseo e é o nervo que mais freqüentemente sofre paralisia. Origina-se no núcleo do facial situado na ponte, emergindo da parte lateral do sulco bulbopontino.  Em seguida, penetra no osso temporal pelo meato acústico interno, emerge do crânio pelo forame estilomastóideo, passa pela glândula parótida e se distribui aos músculos da mímica por meio de ramos.  O trajeto intrapetroso completo percorrido pelo facial aproxima-se de 35mm e o diâmetro ocupado por ele é de 50 a 75% do canal ósseo (CALAIS et al., 2005).

             É um nervo misto constituído por fibras aferentes e eferentes, gerais e especiais. As fibras aferentes conduzem a informação do sabor dos dois terços anteriores da língua. As fibras eferentes gerais constituem o sistema nervoso parassimpático, assegurando a enervação das glândulas lacrimais, palatinas, parótidas, submandibulares e sublinguais. As fibras eferentes especiais enervam a musculatura facial superficial (exceto o elevador da pálpebra superior), o músculo auricular, o feixe posterior do músculo digástrico, o músculo estilohióideo e o platisma (músculo superficial do pescoço).  O primeiro neurônio do nervo facial tem origem no giro pré-central do córtex cerebral. Os seus axônios formam os feixes córtico-nucleares que se dirigem até ao núcleo do facial na protuberância. Cada núcleo do facial é constituído por um grupo ventral de neurônios (responsável pela motricidade da metade inferior da face) e um grupo dorsal (responsável pela motricidade da metade superior da face). A grande maioria dos feixes córtico-nucleares que se dirige para o grupo ventral cruza a linha média, enquanto que os que se dirigem para o grupo dorsal têm um trajeto ipsi e contralateral até aos núcleos dos nervos faciais (MADUREIRA; VASCONCELOS, 2008).

             As fibras nervosas constituintes dos núcleos parassimpático e sensorial constituem o nervo intermédio, que é dificilmente distinguível das fibras motoras no nervo facial. As fibras nervosas do nervo facial, ao deixarem o núcleo, dirigem-se posteriormente e contornam o núcleo do nervo abducente, voltando-se novamente anteriormente para sair lateralmente na transição bulbopontina. No espaço sub-aracnoídeo, o nervo facial (e intermédio) situa-se ao lado do nervo vestibulococlear (8º par craniano) para penetrar no osso temporal por meio do meato acústico interno. Dentro do osso temporal, segue pelo forame estilomastoideo. Ao atravessar a glândula parótida, o nervo facial abre-se como um leque para inervar toda a musculatura mímica da face (NAKANO; YAMAMURA, 2008, p.149). 

  

3.1.1 Etiologia da Paralisia Facial

 

            Vários critérios podem ser adotados para classificar as paralisias faciais e uma destas classificações se baseia na localização da lesão, o que permite não só um correto diagnóstico, mas também estabelecer o melhor prognóstico e tratamento. As paralisias faciais podem ser divididas em dois grandes grupos: paralisia facial central (PFC) ou supranucleares e paralisia facial periférica (PFP), sendo as nucleares e infranucleares. As supranucleares consistem em lesões dos neurônios motores piramidais do córtex frontal (responsáveis pelos movimentos voluntários), que chegam aos núcleos motores do facial ipsi (parte superior da face) e contralateralmente (parte superior e inferior). Nesta situação, os movimentos involuntários ou emocionais podem estar preservados. Geralmente são decorrentes de lesões vasculares, tumorais, processos degenerativos ou inflamatórios e costumam ser acompanhadas de outras manifestações neurológicas como hemiplegia e disartria. As paralisias nucleares apresentam etiologias similares as supranucleares, mas o local da lesão difere. A sintomatologia também é diferente, na qual ocorre a paralisia de todos os músculos da hemiface do mesmo lado da lesão tanto para movimentos voluntários como involuntários (reflexos e emocionais). Devido à proximidade do núcleo motor do facial com o núcleo motor do VI par (abducente) é freqüente o comprometimento associado a este par craniano. Já as infranucleares são aquelas em que o local da lesão se dá abaixo do núcleo motor do facial e se manifestam com quadros de paralisia facial completa (CALAIS et al., 2005).

            A PF pode se apresentar de várias maneiras: completa ou incompleta, súbita ou se desenvolver ao longo de vários anos, e vir acompanhada de acometimento auditivo ou não. Classifica-se PF: como paralisia facial central (PFC) ou PFP. Na PFC há alteração de mobilidade apenas dos músculos do terço inferior da hemiface contralateral à lesão nervosa, mantendo a movimentação normal da parte superior bilateralmente. A PFP caracteriza-se por uma dificuldade em toda movimentação de uma hemiface (superior e inferior), em que se podem encontrar alterações quanto ao lacrimejamento, fechamento da pálpebra, alterações na fala e mímica facial, mastigação ineficiente, impossibilidade de ocluir corretamente os lábios, além de sintomas como otalgia, zumbido, vertigens e outros. Quanto à etiologia, a paralisia facial pode ser dividida em: paralisia de Bell (ou idiopática), traumática, infecciosa, neoplásica, congênita, vascular, tóxica, metabólica (SANTOS; GANDA; CAMPOS, 2009).

             IDIOPÁTICA: Descrita pela primeira vez em 1821 pelo britânico Sir Charles Bell, a paralisia Idiopática ou Bell (PB) consiste na paralisia do sétimo par craniano (nervo facial) de forma aguda, sem causa detectável. A PB corresponde de 60% a 75% de todas as causas de paralisia facial. Estima-se que a incidência da doença seja de 13 a 34 casos por 100.000 pessoas por ano nos Estados Unidos e de 11,5 a 40,2 casos por 100.000 pessoas por ano na Espanha. Afeta ambos os sexos, no entanto a incidência é maior em mulheres grávidas (45 casos por 100.000). As hemifaces são acometidas com a mesma freqüência. A incidência é maior em pessoas com mais de 70 anos (53 por 100.000) e menor em indivíduos com menos de 10 anos (4 por 100.000)   (FALAVIGNA et al., 2008).

             TRAUMÁTICA: A segunda maior incidência da PFP é de origem traumática, podendo ocorrer como conseqüência tanto das fraturas da face, como as crânio-encefálicas. Seu diagnóstico é feito através de avaliações clínicas e testes eletrofisiológicos. O prognóstico dependerá do tipo de lesão, quantidade de tecido cicatricial, nutrição do nervo, idade do paciente e terapêutica instituída (VASCONCELOS et al., 2001).

             METABÓLICAS: Podem ser decorrentes de diabetes, hipotireoidismo e gravidez. Pesquisadores do assunto referem que, devido a estudos realizados, a diabetes podem afetar os nervos periféricos, apresentando alterações microangiopáticas similares às que ocorrem na pele, retina e rins. A incidência de paralisia em diabéticos é similar à da população em geral. Segundo Bento & Barbosa (1994), uma das complicações neurológicas do hipotireoidismo é o mixedema, alteração do nervo auditivo é, até certo ponto, comum, porém a do nervo facial é rara.

            TUMORAL: São vários os tumores que podem evoluir para paralisia facial. Pode ser intracraniao: schwannoma vestibular, schwannoma facial, o meningioma e em crianças os gliomas.Tumores do osso temporal frequentemente evoluem com paralisia facial. É importante salientar que a paralisia nos tumores costuma ser lenta e gradual, podendo haver recorrência da paralisia (NAKANO; YAMAMURA, 2008, p.154). 

 

            TÓXICA: Estudiosos do assunto afirmam que as lesões de origem tóxica são formas de paralisia facial raras, que se apresentam, em geral, bilaterais, encontradas na administração de drogas, que causam imunossupressão ou alterações vasculares, encontradas com maior evidência em pacientes que realizam tratamento quimioterápico (TESTA, 1997).

            CONGÊNITA: Como foi relatado, a Seqüência de Möbius é uma paralisia ou paresia normalmente bilateral do Nervo Facial devido à ausência total ou parcial do núcleo, caracterizada por produzir face em máscara ou falta de expressão facial e inabilidade para sorrir. Nas paralisias congênitas essas alterações têm sido associadas a alterações genéticas ou causadas pela interrupção de suplência sanguínea na fase embriogênica. Infelizmente em nosso País, uma das causas mais comuns para o aparecimento dessa doença tem sido o uso do misoprostol pelas mães na tentativa de aborto (GUEDES, 2008).

             VASCULARES: As lesões de origem vascular são paralisias raras, geralmente associadas a indícios mais evidentes de alteração patológica do Sistema Nervoso Central. Em qualquer ponto do Sistema Nervoso Central pode haver hemorragia ou trombose afetando o suprimento vascular do nervo facial (BENTO; BARBOSA, 1994).

             INFECCIOSA: Infecções do Sistema Nervoso Central, do osso temporal ou da face podem ser causas da paralisia facial, além de qualquer reação inflamatória do nervo facial e sua compressão; a otite média é a causa infecciosa mais freqüente da paralisia facial. Os casos de otite média aguda não são freqüentemente encontrados; sua fisiopatologia estaria relacionada a fatores predisponentes como o canal de Falópio delgado e comunicações entre o nervo facial e a cavidade timpânica que permitiriam a entrada de agentes infecciosos (TESTA, 1997).

 

  

4 PARALISIA FACIAL NA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA

 

            De acordo com a MTC a PF se deriva de uma obstrução na circulação de Energia e Sangue nos meridianos Yang, que se estendem pela região facial devido a invasão dos fatores patógenos e exógenos de Vento-Frio nos mesmos. Ao atacar a parte superior, a necessidade de unir-se a outros fatores patógenos para agredir o organismo, a facilidade de deprimir o Yang e a capacidade de contrair-se e causar Estagnação, provocam uma desnutrição dos tecidos dos músculos faciais com a aparição da enfermidade e sua deficiência motora  fundamentalmente (LATORRE et al., 2004).

             A PF é proveniente da invasão dos Jing Luo (Meridianos e Colaterais) da face pelo Vento-Frio que pode vir de uma deficiência constitucional (deficiência de Energia-Fonte). Outra causa energética é a ascensão do Yang de Fígado que provoca distúrbio no fluxo de Qi e de Xue (Sangue) levando a uma má nutrição dos músculos e tendões, o que compromete a contração e o relaxamento. Na fase inicial da PF ocorre síndrome de Estagnação ou de Deficiência com Estagnação dos Meridianos da face. Os sintomas de Estagnação são causados pela obstrução dos Meridianos e Colaterais, pelo Vento-Frio-Calor-Umidade ou Mucosidade do Gan (Fígado) e do Dan (Vesícula Biliar), ou lesão dos Meridianos e Colaterais na face pela Estagnação do Gan Qi (Energia do Fígado), resultando em estase de Qi e Xue (Sangue). A deficiência com Estagnação consiste em Deficiência de Qi e Xue (Sangue) com resistência corporal diminuída e invasão de Colaterais pelo Vento-Frio (ou Vento-Calor ou Vento-Umidade). A condição emocional pode ser um fator importante no desencadeamento da paralisia facial. A raiva intensa aguda gera Fogo de Fígado, que sobe, afetando o Xin-Shen (Coração e Mente). O nervo facial é o responsável pela mímica facial, a expressão das emoções. Se a raiva for acompanhada de sentimentos que não se pode expressar momentaneamente, este conflito entre o expressar pode paralisar a metade facial energeticamente mais comprometida no momento ao proporcionar a penetração do Vento-Frio (NAKANO; YAMAMURA 2008, p.154).

             O fator Vento pertence ao Yang, e se associa frequentemente aos fatores de Frio, Umidade e Calor de Fogo, causando doenças no ser humano. A apoplexia geralmente tem suas causas no fator Vento-Interior, no aumento do fator Fogo e na hipersecreção. Há paraplegia, paralisias faciais e oculares, quedas, confusão, perda de linguagem, hemiplegia, expectoração abundante, perda de consciência (WEN, 2006, p.44).

             Dependendo das combinações entre o Vento e o Qi defensivo, cujos sintomas variam de acordo com os Sistemas Internos afetados, pode-se encontrar inúmeros sintomas: sensação de prurido na garganta, desarranjo na abertura e no fechamento dos poros, com ou sem sudorese, possibilidade de febre, aversão ao Vento e Pulso Flutuante. Assim, uma gripe causada por Vento manifestar-se-á por cefaléia, obstrução nasal, amigdalite, prurido; veiculado a Umidade, provocará edemas ocular e facial, já que o Vento tem tendências a agredir a parte superior do corpo. Se o Vento associar-se a outros agentes etiológicos, como, por exemplo, a Fleuma, obstrui o fluxo do Qi e do Sangue, provocando sintomas do tipo paralisias, espasmos musculares, vertigem, convulsões, sensibilidade, dor e fadiga nas articulações, PF de inicio súbito, contraturas, paresias, anestesia, rigidez na nuca e opistótonos (MARTINS; LEONELLI, 2002, p.6-7).

             Em alguns casos, o Vento Exterior pode invadir os canais, a face, causando simplesmente PF ou PB: está é chamada na medicina ocidental, de PFP (já que envolve apenas os nervos periféricos) para distingui-las da PF; “central” causada por Acidente Vascular Cerebral (que envolve o sistema nervoso central). Como o Vento contrai e endurece as coisas, uma invasão de Vento Exterior nos canais da face causa PF; esta envolve especialmente os canais do Estômago e do Intestino Grosso. A medicina chinesa faz uma distinção adicional em termos de canais afetados: se o Vento Exterior afetar os canais da face, causa paralisia; se afetar só os canais de Conexão da face causa puramente entorpecimento. (MACIOCIA, 1996, p.553)

 

 

4.1 ETIOLOGIA ORIENTAL

 

             Na concepção oriental, uma enfermidade é a conseqüência do desequilíbrio entre o Yin e o Yang que resultará em uma preponderância entre o Yin e o Yang, determinando as características da doença que pode ser provocada por um somatório de agentes Internos e Externos que afetam a Energia Antipatogênica (Zheng Qi) do individuo, arrastando-o ao processo patológico que descreverá um circuito de acordo com a constituição orgânica de cada um. Na MTC, as teorias do Yin e do Yang, dos Cinco Movimentos, dos Canais Colaterais e dos Zang Fu fornecem as bases fisiológicas, sob o ponto de vista energético, para o atendimento da etiologia do desequilíbrio de um organismo (MARTINS; LEONELLI, 2002, p.1).

             As causas Externas da patologia decorrem de fatores climáticos, que são: Vento, Frio, Calor de Verão, Umidade, Secura, Fogo. Eles são denominados “Os Seis Climas Excessivamente Vitoriosos” e usualmente chamados de “Seis Excessos”. Estão intimamente relacionados ao tempo e às estações climáticas. Sob condições normais, o tempo não apresentará efeitos patológicos no organismo, uma vez que este pode proteger-se adequadamente contra os fatores patogênicos Exteriores. O tempo somente se torna uma causa patológica quando o equilíbrio entre o organismo e o meio ambiente é afetado, porque o tempo está excessivamente modificado (por exemplo, muito Frio no verão ou muito quente no inverno), ou por causa da debilidade do organismo em relação ao fator climático. Assim, podemos dizer que os fatores climáticos somente se tornam uma causa patológica quando o organismo está prejudicado em relação a eles. É importante enfatizar que o organismo está debilitado apenas em relação ao fator climático, não necessariamente a debilidade de forma fundamental. Em outras palavras, a pessoa não precisa estar debilitada para ser invadida pelos fatores patogênicos Exteriores. As outras causas patológicas são: compleição debilitada, excesso de exercícios físicos, excesso de atividade sexual, dieta irregular, trauma, parasitas, venenos e tratamento inadequado. Os traumas físicos causam uma Estagnação local do Qi ou do Sangue (Xue). Um trauma leve causa Estagnação de Qi e um severo causa estase do Sangue (Xue). Em ambos os casos originam dor, edema e hematoma. Embora o trauma possa parecer apenas uma causa transitória da patologia, na prática, o efeito do mesmo pode prolongar as manifestações com Estagnação local do Qi e/ou Sangue (Xue) na área afetada (MACIOCIA, 1996, p.209).

           A etiologia energética da PF é diferente quando se trata dos tipos central e periférica (Paralisia de Bell) e a fisiopatogenia da PF não é compartilhada por todos os estudiosos, pois é sabido que a PFP pode ter a mesma patogênese da PFC se for considerada  a deficiência anterior à entrada do Vento-Frio. Mas o tratamento é diferente quando é considerado totalmente periférico e tem um excelente resultado quando se atua perifericamente nos meridianos. No caso da PFC, geralmente há um envolvimento dos Zang Fu (Orgãos e Visceras) anterior ao acometimento do Meridiano.(NAKANO;  YAMAMURA 2008, p.155).

 

 

5 O DIAGNÓSTICO SEGUNDO A MEDICINA TRADICIONAL CHINESA

 

            Segundo a MTC, as desarmonias ou desequilíbrios podem ser verificados através de sinais físicos ou psíquicos, já que ambos os aspectos pertencem a mesma unidade. Esses sinais servem de base diagnóstica para se conhecer a causa inicial dos desequilíbrios. Os sinais e sintomas são classificados, agrupados e direcionam a hipótese diagnóstica para conclusões a respeito do que, na MTC, é denominado causas Externas, Internas ou nem Internas e Externas. Poderia se dizer, ainda, que o desequilíbrio entre o homem-cosmos poderia levar a um desequilíbrio físico-psíquico, em que um influencia o outro, causando sofrimento (SILVA, 2007).

           O Padrão de Desarmonia é a condição e a base do tratamento, que só será bem sucedido quando o Padrão for corretamente diferenciado; aliás, o melhor critério para verificar um diagnóstico perfeito é a eficácia do tratamento. Os Padrões básicos de Desarmonia do organismo caracterizam o conjunto de sinais e sintomas que determinam uma doença e podem ser analisados, na Medicina Tradicional Chinesa, por intermédio de vários focos de visão, como, por exemplo, perda do equilíbrio de Yin e Yang, em relação aos Cinco Movimentos, de acordo com os Sistemas Internos etc. Ao longo de diferentes épocas de seu desenvolvimento, surgiram vários métodos utilizados para identificar Padrões, que podem ser utilizados em diferentes situações, “métodos esses que tem suas próprias particularidades e exercem um papel diferente no diagnóstico, no entanto estão vinculados e se completam mutuamente” (MARTINS; LEONELLI, 2002, p.30).

           A identificação de Padrões indica o processo de identificar a desarmonia básica que está por trás de todas as manifestações clínicas. Esta é a essência do diagnóstico e da patologia médica chinesa. Identificar um padrão envolve discenir o padrão subjacente da desarmonia, considerando o quadro formado por todos os sintomas e sinais. Em vez de analisar os sintomas e sinais um por um, tentando achar uma causa para eles, como faz a medicina ocidental, a medicina chinesa forma um quadro geral tomando todos os sintomas e sinais em consideração para identificar a desarmonia subjacente. Nesse aspecto, a medicina chinesa não procura principalmente causas, mas padrões. Assim, quando dizemos que um certo paciente apresenta-se com o padrão de desarmonia de deficiência do Yin do Rim, esta não é a causa da doença, mas sim a desarmonia subjacente da doença ou o modo em que a condição se apresenta. Naturalmente que em outros aspectos, após a identificação do padrão, a medicina chinesa vai um passo mais adiante para tentar identificar a causa da desarmonia (MACIOCIA, 1996, p.338).

             Existem vários tipos de padrões de identificação nos quais permitem ao terapeuta identificar os sinais e sintomas da patologia orientando o principio de tratamento e podem ser analisados por vários focos de visão: Cinco Elementos, Fatores Patogênicos, Meridianos, Oito Princípios e etc.

             Com base na apresentação das doenças e nos quatro princípios de diagnóstico, elaboram-se oito critérios para a classificação das síndromes. São eles: Externo-Interno, Frio-Calor, Deficiência-Excesso e Yin-Yang (WEN, 2006, p.39).

             A diferenciação de Exterior e Interior não é feita com base na causa da desarmonia, mas sim na localização da patologia. Por exemplo, a patologia pode ser causada por um fator patogênico Exterior, mas se isto afetar os Sistemas Internos, a condição será classificada como Interior. Uma condição de Exterior afeta a pele, os músculos e os Meridianos. Uma condição de Interior afeta os Sistemas Internos e os ossos. A pele, os músculos e os Meridianos também são denominados de “Exterior” do organismo, e os Sistemas Internos de “Interior”. No contexto das patologias do Exterior provocadas pelo Vento, o Exterior é algumas vezes denominado de “Porção do Qi Defensivo (Wei Qi) do Pulmão (Fei)”, uma vez que o Pulmão (Fei) controla tanto a pele como o Qi Defensivo que circula na pele e nos músculos. Quando dizemos que uma condição de Exterior afeta a pele, os músculos e os Meridianos, queremos dizer que essas áreas foram invadidas por um fator patogênico Exterior, originando manifestações clinicas do tipo “Exterior” (MACIOCIA, 1996, p.348-9).

             Calor e Frio descrevem a natureza do padrão e podem ser considerados manifestações objetivas do Yin e do Yang. O Yang tem a função de aquecer e o Yin, de resfriar, fato que nos leva a raciocinar que a deficiência de Yang provoca Frio e a do Yin Calor. Em geral, a desarmonia do Yin com excesso desse fator é manifestada na forma de Frio, Excesso de Yang apresenta-se com Calor. A deficiência de Yin é observada com sintomas de Calor, enquanto síndromes de Frio são encontradas na deficiência de Yang (MARTINS; LEONELLI, 2002, p.37).

             A síndrome de deficiência pode ser causada por insuficiência congênita ou pela má nutrição e esta é a causa principal. Por exemplo, a inconsistência da fonte do Qi adquirido devido a má alimentação, lesão nos órgãos Internos, na Energia de Sangue devido a fatores emocionais ou ao cansaço, consumo excessivo da energia essencial devido ao excesso de atos sexuais ou o dano aos fatores de resistência causado por uma doença prolongada e com tratamento inadequado. Já a síndrome de excesso é causada pela invasão dos fatores patogênicos. Em geral, a síndrome de excesso, ainda que seja causada pela proliferação dos fatores patogênicos, todavia os fatores de resistência ainda são capazes de combater e não estão debilitados, por isso, esta síndrome reflete muitas vezes luta violenta entre ambos (YAMAMURA, 1993, p.261).

            O Principio Yin está encarregado da nutrição, da criação de reservas e da elaboração da forma, tendo as funções de resfriamento, umidecimento, nutrição e relaxamento. A deficiência do principio de Yin irá se refletir, basicamente em sintomas gerais, que aparecem quando essas funções estiverem debilitadas e serão referidos aos sintomas de calor patogênico, como: febre, língua vermelha, saburra amarela e pulso rápido.  A Deficiência de Yang provoca o aparecimento de sintomas relacionados a suas funções de aquecimento, transporte, transformação e proteção, como, por exemplo,  sensação de frio, membros frios, fadiga etc (MARTINS;  LEONELLI, 2002, p.40-2).

             Originalmente, na China, designava-se os Cinco Elementos de Wu-Hsing; sendo que Wu significa Cinco e Hsing, andar. Os Cinco Elementos (a Madeira, o Fogo, a Terra, o Metal e a Água) são, na realidade, os Cinco Elementos básicos que constituem a natureza. Existem entre eles uma interdependência e uma inter-restrição que determinam seus estados de constante movimento e mutação. A teoria dos Cinco Elementos ocupa um lugar importante na Medicina Chinesa, porque todos os fenômenos dos tecidos e órgãos, da fisiologia e da patologia do corpo humano, estão classificados e são interpretados pelas inter-relações desses elementos. Essa teoria é usada como guia na prática médica (WEN, 2006, p.21).

            Os Cinco Elementos também simbolizam Cinco direções diferentes de movimentos dos fenômenos naturais. A Madeira representa o movimento expansivo e Exterior em todas as direções, o Metal representa o movimento contraído e interior, a Água representa o movimento para baixo, o Fogo indica o movimento para cima e a Terra representa a neutralidade ou estabilidade. Cada elemento corresponde a uma estação no ciclo anual: a Madeira corresponde a primavera, o Fogo ao verão, o Metal ao outono, a Água ao inverno e a Terra corresponde a estação tardia, associada a transformação. As emoções também são importantes no diagnóstico. Uma pessoa propensa a ter explosões de fúria manifestaria um desequilíbrio do elemento Madeira, a alegria é uma emoção relacionada ao elemento Fogo, o estado de ficar pensativo ou excesso de concentração é relacionada ao elemento Terra, a magoa e a tristeza relaciona ao elemento Metal e o medo relacionado ao Rim (MACIOCIA, 1996, p.17).

             A desarmonia entre as relações dos Cinco Movimentos pode causar desenvolvimento das mudanças anormais. A causa dessa desarmonia reside na transformação anormal das relações. A anormalidade da dominância tem dois fenômenos, o excesso na dominância e na contradominância. O excesso da dominância é como atacar quando a outra parte está débil, ou seja, a parte dominante controla excessivamente. A contradominância significa que a parte dominada é mais forte que a parte dominante e, por sua vez, acaba por dominar a parte dominante. A geração e a dominância são duas partes inseparáveis. Sem a geração, não haverá o movimento que muda as coisas; sem a dominação, as coisas não poderão manter a mudança e desenvolvimento normais de uma harmonia. Por isso, na geração não pode faltar a dominação e na dominação não pode faltar a geração. A geração e a dominância são dois aspectos opostos e ao mesmo tempo se apóiam mutuamente. O princípio da geração dos Cinco Movimentos estabelece que: Madeira gera o Fogo; o Fogo gera a Terra; a Terra gera o Metal; o Metal gera a Água e a Água gera a Madeira, estabelecendo assim um círculo, contínuo e constante. O princípio da dominância estabelece que a Madeira domina a Terra: a Terra domina a Água; a Água domina o Fogo; o Fogo domina o Metal e o Metal domina a Madeira. (YAMAMURA, 1993, p.10).

            De acordo com a MTC, todas as síndromes são causadas por algum fator, e qualquer sinal ou sintoma é reflexo de afecção do corpo pelas influências e as ações dos fatores etiológicos. Por isso, a MTC, quando enfoca as causas etiológicas, além de estudar as características dos fatores patogênicos, toma também como base, as manifestações clínicas das síndromes, buscando desta maneira a causa etiológica com finalidade de encontrar a razão do tratamento. Este método denomina-se “buscar a causa, que é a base da análise dos sintomas e dos sinais” (YAMAMURA, 1993, p.141).

            Os fatores patogênicos invadem o organismo de várias formas, tais como Vento, Frio, Umidade, Calor, Secura e Fogo. Cada um desses fatores pode ser de origem Exterior ou Interior. Eles sempre correspondem ao padrão Cheio de acordo com os Oito Princípios. O Vento é de natureza Yang e tende a danificar o Sangue (Xue) e o Yin. O Vento é frequentemente o meio pelo qual outros fatores climáticos invadem o organismo. Por exemplo, o Frio penetra no organismo frequentemente como Vento-Frio, e Calor como Vento-Calor. O Vento Interior origina-se de causas completamente diferentes daquelas do Vento Exterior. Muitas de suas manifestações também são diferentes. As principais manifestações clínicas de Vento Interior são: tremores, tiques, tontura intensa, vertigem e entorpecimento. Em casos graves ocorrem convulsões, inconsciência, opistótonos, hemiplegia e desvio da boca. O Vento Exterior invade a porção do Qi defensivo do Pulmão, causando sintomas Exteriores como aversão ao frio, febre, rigidez occipital, dor de cabeça e pulso flutuante. O Vento Exterior pode ser combinado com Frio, Calor, Umidade, Secura ou Água.  

            O Vento Exterior também pode invadir diretamente a face, causando desvio da boca e das sobrancelhas (paralisia facial). O Vento Exterior pode também invadir qualquer canal, principalmente os canais Yang e se instalar nas articulações, causando rigidez e dor das articulações (Sindrome de Obstrução Dolorosa). A dor seria tipicamente “migratória”, movendo-se de uma articulação para outra, em dias diferentes. Finalmente o Vento também pode afetar alguns órgãos Internos, principalmente o Fígado. O Vento pertence a Madeira e ao Fígado, de acordo com o sistema de correspondência dos Cinco Elementos. Essa relação pode ser observada quando uma pessoa propensa a enxaquecas é afetada por clima ventoso (particularmente um Vento leste), causando dores no pescoço e na cabeça (MACIOCIA, 1996, p.550-554).

             A Acupuntura clássica utiliza, como sistema de ordenação dos pontos, os denominados “meridianos”ordenados em 12 pares, como também dois meridianos que fluem sobre as linhas medianas ventral e dorsal . O grupo dos 12 meridianos representa as relações da pele ou “regiões mais profundas”, com os 12 órgãos; eles serão denominados meridianos-orgãos. A tradição divide os meridianos em de “oficina” (vísceras ocas) e de “celeiro”(órgãos maciços). Os primeiros possuem caráter Yang; seus meridianos fluem do extremo das extremidades. Os segundos possuem caráter Yin; seus meridianos encontram-se no lado Interno. Os “órgãos-oficinas”, aos quais cabe, segundo a tradição chinesa, a transformação do alimento em “Energia” (Qi) são: Estômago, Intestino Delgado, Intestino Grosso, Vesícula Biliar, Bexiga, e o chamado ‘Triplo Aquecedor”. Sob esta denominação, os chineses englobam as funções da respiração, da digestão e da eliminação líquida. Devem servir à produção de Calor, daí a designação “Triplo Aquecedor”. Os “órgãos-celeiros”, aos quais cabe o armazenamento de energia produzida pelos “órgãos-oficina” são: Coração, Pulmão, Baço-Pâncreas, Fígado, Rins e Circulação-Sexualidade (STIEFVATER, 1994, p.6).

            Nos doze Canais de Energia Principais e nos Secundários, normalmente circulam diversas formas de energia (Yong,Wei,Yuan) e o Xue (Sangue), levando nutrição energética e proteção aos Órgãos/Vísceras e aos tecidos, ajudando-os a manter sua fisiologia, fazendo uma verdadeira ligação bem como a transmutação do Yang e do Yin. Os Canais de Energia Principais podem ter seu Qi e o Xue (Sangue) alterados por agressão externa ou do desequilíbrio Yang-Yin dos Órgãos/Vísceras. Nesse casos, rompem-se a fisiologia normal dos Canais de Energia, surgindo manifestações energéticas, funcionais e/ou orgânicas ao longo do trajeto dos Canais de Energia Principais e Secundários, acompanhadas ou não de manifestações patológicas dos Cinco Órgãos e das seis vísceras (YAMAMURA, 2004, p.12)

6 PRINCÍPIOS DE TRATAMENTO NA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA

 

            Os caminhos evolutivos das Medicinas Ocidental e Oriental seguiram trilhas diferentes de acordo com a linha de seus próprios pensamentos. No Ocidente, a ênfase ficou por conta do estudo da anatomia, da neurofisiologia, da fisiologia dos aparelhos respiratório, circulatório, digestivo, endócrino, enquanto a Medicina Chinesa teve o mérito de desenvolver a fisiologia energética, respeitando a unidade do organismo humano e as relações das diferentes partes do corpo, compreendendo os fenômenos fisiológicos em diversos grupos de funções vitais que são essenciais à vida (MARTINS; LEONELLI, 2002, p.63).

              Através dos séculos, a teoria médica chinesa tem respondido estas questões e fornecido um sistema de princípios coerentes de tratamento. Na prática, esses princípios fornecem um quadro lógico de acordo com o qual o acupunturista pode avaliar os objetivos do tratamento do paciente. Um princípio de tratamento deve ser estabelecido antes do início do mesmo. Isso é obtido através de uma análise rigorosa das manifestações clínicas e de uma síntese da condição do paciente e das necessidades terapêuticas naquele determinado momento. Os princípios de tratamento seguem logicamente o estabelecimento da desarmonia de um padrão relevante, podem ser discutidos a partir de quatro perspectivas: Questão da “Raiz” (Ben) e da “Manifestação” (Biao); Questão da força relativa do Qi Vertical e os fatores patogênicos, e quando sustentar o primeiro e eliminar o segundo; Questão de quando tonificar e quando sedar; Questão da avaliação da constituição do paciente. A Raiz é denominada de Ben em chinês, o que significa literalmente “raiz”, e a Manifestação é denominada de Biao, o que quer dizer literalmente “sinal externo” ou “manifestação”, ou seja manifestação externa de alguma raiz interna ou imperceptível. A Raiz e a Manifestação adquirem significados diferentes em contextos distintos, sob o ponto de vista do Qi Vertical e do fator patogênico: a Raiz do Qi Vertical e da Manifestação são os fatores patogênicos. Sob o ponto de vista etiológico-patológico: a Raiz é a raiz da patologia e a Manifestação é a manifestação clínica; do início da patologia: a Raiz é a condição inicial enquanto a Manifestação é a condição posterior; da duração da patologia: a Raiz é uma patologia crônica enquanto a Manifestação é uma patologia aguda. Dessa forma, quando o tratamento da Raiz ou da Manifestação for discutido, devemos estar certos quanto à perspectiva ou contexto a ser considerado (MACIOCIA, 1996, p.899-900). 

            Ao tratar a doença é necessário tomar medidas adequadas tendo em conta a diferenciação do tempo, do ambiente, das condições físicas e da idade do paciente, já que muitos fatores, tais como, o tempo, o ambiente geográfico, etc, podem afetar o aparecimento e a evolução de uma doença, razão pela qual, deve-se dar a devida importância a cada fator e analisá-lo concretamente, com a finalidade de aplicar terapêuticas adequadas. As mudanças climáticas das quatro estações podem exercer influências nas funções fisiológicas e nas alterações patológicas do corpo, razão pela qual, ao tratar uma doença, é necessário utilizar os métodos adequados, de acordo com as características das estações. Por exemplo, na primavera e no verão, como a temperatura vai subindo, a Energia Yang sobe e se dispersa, os tecidos do corpo ficam mais dilatados, deste modo apesar de ter uma agressão do Vento-Frio exógeno, não se pode dispersar em demasia para não prejudicar o Yin. No outono e no inverno, o tempo muda de ameno a Frio, o Yin vai predominando e o Yang vai enfraquecendo, os tecidos do corpo ficam mais contraídos, deste modo a Energia Yang esconde-se no Interior do corpo, então em um caso de agressão pela Energia Perversa sem muita febre não se pode dispersar excessivamente para não prejudicar o Yang. Em resumo, ao tratar de uma doença não se pode analisar apenas a síndrome, mas, também deve-se considerar as características de cada um e as circunstâncias em que se encontra o paciente. Sempre que se fizer uma análise cabal e concreta, poder-se-á conseguir resultados satisfatórios no tratamento (YAMAMURA, 1993, p.317-318).  

  

6.1 PONTOS DE ACUPUNTURA

 

            A palavra Acupuntura é de origem latina e significa acus (agulha) e punctura (picada), portanto, é a inserção de agulhas em pontos específicos na pele, chamados acupontos, com o objetivo de melhora e prevenção de doenças. A técnica baseia-se na busca da harmonia entre o corpo e a mente através de canais, conhecidos como “Meridianos de Energia”, que correspondem à linhas imaginárias que percorrem todo o corpo, ligando órgãos e vísceras, por onde trafega a energia corporal denominada “Qi”. O tratamento é feito pela inserção de finíssimas agulhas em determinados pontos dos canais, que são chamados de “pontos da Acupuntura”, localizados em áreas específicas nos meridianos. A estimulação desses pontos permite a ativação ou sedação da Energia que circula ao longo do seu respectivo meridiano (CERANTO; ALVES; ALENDE, 2008).

            Os acupontos foram empiricamente determinados no transcorrer de milhares de anos de prática médica, é uma região da pele em que é grande a concentração de terminações nervosas sensoriais. Essa região está em relação íntima com nervos, vasos sangüíneos, tendões, periósteos e cápsulas articulares.  Sua estimulação possibilita acesso direto ao SNC, sendo que estudos morfofuncionais identificaram plexos nervosos, elementos vasculares e feixes musculares como sendo os mais prováveis sítios receptores dos acupontos. Outros receptores encapsulados, principalmente o órgão de Golgi do tendão e bulbos terminais de Krause também podem ser observados.  Os acupontos podem ser divididos em tipo I ou pontos motores; tipo II, localizados nas linhas medianas posterior e anterior (ou dorsal e ventral) do organismo e tipo III, que apresentam leitura difusa com neurômetro. Quanto à sua localização, os acupontos dos membros estão situados sobre linhas que seguem o trajeto dos principais nervos e vasos sangüíneos, os do tronco, ao nível da inervação segmentar, local onde nervos e vasos sangüíneos penetram a fáscia muscular e os da cabeça e face, próximos aos nervos cranianos e cervicais superiores (SZABÓ; BECHARA, 2001).

            A combinação de pontos se faz do mesmo modo que à prescrição do tratamento, conforme as condições físicas e a gravidade da doença do paciente, selecionando os pontos de todo o corpo que são eficazes para o caso. A incorreta combinação dos pontos não trará os resultados esperados. Em referência à região onde se localizam os pontos, sabe-se que estes são eficazes para as doenças desta região. Por exemplo, os pontos da região dos olhos servem para tratar as doenças dos olhos; os da orelha, servem para tratar as doenças do ouvido; os pontos do tórax servem para tratar as doenças do aparelho respiratório e os pontos do abdome, para as doenças do sistema digestivo, etc. No que se refere aos pontos dos Canais de Energia, sabe-se que estes pontos servem para tratar as doenças dos órgãos do Canal de Energia a que pertence. Em referência à localização das afecções, sabe-se que as doenças que se encontram na parte anterior do corpo e dos membros são utilizados os pontos do Canal de Energia Yang Ming; para as da região lateral são utilizados os pontos do Canal de Energia Shao Yang; para as doenças da região dorsal são utilizados os pontos do Canal de Energia Tai Yang. Em termos práticos, face à gravidade da doença, deve-se fazer a combinação de pontos conforme a doença principal e a secundária. Alguns pacientes apresentam, ao mesmo tempo, várias doenças e, ainda que apresentem uma só doença, manifestam-se vários sintomas e sinais entre os quais existem uma diferença de ser mais grave ou menos grave ou, mais urgente ou menos urgente. Por estes motivos para a combinação dos pontos deve-se tomar como base a doença que prejudica mais o paciente ou a que o faz sofrer mais (YAMAMURA, 1993, p.410).

            Atualmente, existem aparelhos de alta precisão que permitem não só a detecção do ponto, como também a elaboração de diagnósticos a partir das variações do quantum energético apresentadas em determinados pontos de comando dos Meridianos. Estas aferições, associadas ao conhecimento da fisiologia energética tradicional, permitem ao profissional, além da detecção dos pontos, fazer um diagnóstico e programar um esquema terapêutico adequado. Eletronicamente, estes pontos apresentam uma menor impedância em relação as áreas vizinhas da pele, e cada um, dentro do complexo energético, apresenta um valor específico relacionado ás suas funções. Sua localização segue regras tradicionais básicas, como a de serem referidas sempre em relação a uma saliência ou reentrância sobre a pele. Sua profundidade é variável, segundo várias ocorrências em relação ao estado energético do organismo, mas, de maneira geral, encontram-se sob a epiderme. Existem classes de pontos com localização profunda, até a massa muscular, e suas indicações são particularidades a casos específicos de comando. Suas funções são as de possibilitarem o acesso à circulação energética em geral, permitindo assim mobilizá-la. (SIDORAK, 1984, p.40).

 

 

6.2 TÉCNICAS UTILIZADAS

 

            A crioterapia consiste em aplicação local de Frio com finalidade terapêutica. Ao aplicar Frio sobre a pele, durante períodos breves, se produz aumento da resposta motora como conseqüência da ativação do reflexo fuso motor, facilitando a “reeducação muscular”. A aplicação de um estimulo Frio produz no organismo vasoconstrição em especial nos vasos superficiais; para reduzir a ação anormal de Frio, em especial temperaturas inferiores a 15⁰C, produz uma vasodilatação reflexa com o aumento da temperatura em 5⁰C; este mecanismo aparece de 2 a 6 minutos iniciada a terapia. Existe outra reação fisiológica (indiferença reativa), que atua como mecanismo termo regulador que trata de compensar a perda local de um Calor, relacionado a temperatura da região tratada em volta. A vasodilatação é uma conseqüência do metabolismo que se mantém por maior tempo com aplicação local de Frio (DELGADO; TAPIAS; YÁÑES, 1991).

          A Eletroacupuntura desenvolveu-se tendo como base a Acupuntura, e é usado como método terapêutico pelo efeito geral que é produzido ao estimular, com a corrente elétrica, os pontos dos Canais de Energia. A corrente elétrica que passa ao corpo através  da agulha, além de provocar a indução ao penetrar os pontos, produz também os estímulos elétricos que substituem as manipulações manuais. Por isso a Eletroacupuntura é aplicada na clínica para tratar doenças, assim como para a analgesia por Acupuntura.

              A terapia conhecida como Crânio-Acupuntura consiste em puncionar determinadas áreas específicas do couro cabeludo para tratar as doenças de origem cerebral. A escolha da área para estimular é feita de acordo com os sintomas e sinais da doença.  A agulha deve ser inserida obliquamente a 30⁰ em relação ao couro cabeludo, e deve ser introduzida na aponeurose. É necessário girar a agulha durante 2 a 3 minutos, 200 vezes por minuto, em seguida, reter a agulha durante 5 a 10 minutos. Cada vez que se manipula a agulha é conveniente pedir ao paciente que mova os membros para ajudar a recuperar a função destes. Antes de retirar as agulhas, deve-se girá-la por mais duas vezes e, depois da agulha retirada, pressionar o ponto com bola de algodão seco, afim de evitar hemorragia.  Puncionar uma vez por dia ou em dias alternados para pacientes com paralisia. Dez a quinze vezes seguida de aplicação constituem um ciclo de tratamento. Reiniciar outro ciclo de tratamento após alguns dias de descanso.

              A Digitopuntura é um dos métodos terapêuticos tradicionais chineses que consiste em pressionar com os dedos determinados pontos ou partes do corpo, para tratar as doenças. São utilizadas, principalmente as pontas dos dedos polegar e médio, razão pela qual a Digitopuntura é também conhecida como método de punção ou estimulação com as pontas dos dedos. A Digitopuntura é segura, simples, fácil de manejar e é largamente usada, sendo aceita tanto pelos adultos como pelas crianças. Além disso, a Digitopuntura serve como um recurso de tratamento de urgência. A Digitopuntura é tão simples que pode ser aplicada onde houver necessidade, pois dispensa o uso de qualquer instrumento (YAMAMURA, p.362,373-377,1993).

 

 

7  TRATAMENTO

 

            A PF é proveniente da invasão dos meridianos e colaterais da face pelo Vento Frio, sendo que outra causa é ascensão de Yang do Fígado (NAKANO, 2008).

            Antes de iniciar um tratamento de PF por Acupuntura, deve-se conhecer as causas e a localização da doença, o que permite não só um correto diagnóstico, mas também a possibilidade de estabelecer o melhor prognóstico e tratamento (LATORRE, 2004).

            Na clínica terapêutica observa-se com freqüência a paralisia dos nervos periféricos, principalmente a facial. Esta afecção ocorre em todas as idades com predomínio entre 20 e 40 anos e no sexo masculino. Na MTC é causada pelo vazio de Qi dos Canais e dos Colaterais fazendo com que o Vento Frio perverso penetre os Canais Yang Ming da mão e Shao Yang da mão, causando a obstrução na circulação de energia destes Canais, o que leva a má nutrição dos tendões levando ao relaxamento muscular. Selecionam-se como pontos principais os dos Canais Yang Ming da mão e do pé e os do canal Shao Yang e do Tai Yang da mão e do pé como secundários. Usa-se o método de combinação dos pontos locais com os distantes e aplica-se uma inserção pouco profunda, transversal ou oblíqua nos pontos locais. Prescrição: VB20, VB14, B2, E2, E4, IG4, F3, IG20, VG26, VC24 e TA17 (YAMAMURA, 1993, p.584).

            É importante conhecer exatamente as causas da PF (traumas, inflamações, espasmos de vasos, tumores). A paralisia imediata, de condição traumática, evidencia uma solução de continuidade do nervo. Ela torna necessária a intervenção cirúrgica imediata. Paralisias tardias são tratadas conservadoramente. A gênese formal desta enfermidade é vista atualmente numa perturbação da irrigação do Sangue, espástica com estase, edema consecutivo e estrangulamento do nervo no seu canal ósseo estreito. A gênese causal ainda é controversa. A maioria dos pacientes pode ser curada conservadoramente, a intervenção cirúrgica geralmente não é necessária. Os pontos devem ser aplicados inicialmente 2-3 vezes por semana, em série de 10 tratamentos, recomenda-se intervalo de 2 semanas e o tempo de permanência das agulhas deverá ser de 15 minutos. Os pontos utilizados pelo autor são: ID2, ID16, ID19, E1, E2, E8, E42, TA5, VB3, IG4 e IG10 (STIEFVATER, 1994, p.181-2).

            No entanto, Jingsheng (1996), aplicou Acupuntura de escalpe e Acupuntura sistêmica para tratar 24 casos de paralisia facial, 13 homens e 11 mulheres, com 5 casos entre 12-30 anos, 13  casos entre 30-60, e 6  casos entre 60-80. 14 pacientes foram tratados dentro de 1 semana de doença, 7 pacientes mais de 1 semana, e 3 pacientes de 6 a 24 meses. A Acupuntura sistêmica foi aplicada em Taiyang (EX-CP5), B1, B2, IG20, E2, E4, E6 no lado afetado, e IG4 ou C7 no lado saudável. Ambas, a Acupuntura de escalpe e Acupuntura sistêmica foram aplicadas uma vez dia sim dia não, com 10 sessões de 30 minutos constituindo um curso terapêutico com intervalo de 2 dias  entre os  cursos. Depois de dois cursos de tratamento, 17 dos 24 casos foram curados, e os outros 7 casos notadamente foram melhorados. Os pacientes que responderam prontamente ao tratamento conseguiam fechar as suas pálpebras, depois de duas sessões de Acupuntura, e basicamente recuperado depois de seis sessões. Os pacientes que responderam lentamente ao tratamento apresentaram melhora depois de 5-10 sessões.

            Sola (2008), tratou uma paciente de 39 anos com paralisia facial bilateral, e o objetivo de seu estudo foi melhorar as deficiências neurológicas apresentada pela paciente, a expressão facial, os transtornos da deglutição, fonação, dificuldade respiratória e alterações musculoesqueléticas. O método utilizado foi de 10 sessões, com 20 minutos de duração. Os pontos utilizados foram: B13, B17, B20, B23, para tonificar Rim, Baço, Pulmão e Sangue, B46, B49, B52 para ajudar no aspecto emocional, F3 e F8 tonificar o Yin do Fígado, VB39 ponto de medula, IG4 ponto geral, BP9, BP5 e E40 eliminar Fleuma, Umidade e sedar o Yin do Baço.  Como pontos locais para paralisia facial foram utilizados: E4, E6, ID18 e VB14. Os resultados obtidos mesmo se tratando de um único caso clínico, apresentaram-se satisfatórios, desde a primeira sessão a paciente apresentou melhora na mímica facial, depois de 3 sessões começaram a diminuir as dores articulares, os ruídos e as secreções respiratórias. A partir da 6ª sessão a paciente começou a movimentar a comissura labial e nasal da hemiface afetada, à esquerda.

             Outro estudo foi realizado em 60 pacientes de ambos os sexos e idades entre 12 e 60 anos, com paralisia facial periférica de Bell com tempo de evolução maior de 60 dias. Através de seleção natural aleatória, da amostra, formou-se dois grupos de 30 pacientes cada um. O grupo experimental recebeu tratamento com Acupuntura, o grupo controle, foi indicado tratamento com esteróides (prednisona 40 mg diárias em doses únicas por espaço de uma semana e redução de 5 mg a cada dois dias, até suspende-lo), calor infra-vermelho durante 10 minutos do lado afetado, estímulo elétrico com impulsos exponenciais de 200 a 500 ms de duração e 500 a 2000 ms de pausa por método monopolar em pontos motores dos músculos faciais afetados, massagem manual de 5 minutos e exercícios para mímica facial 3 vezes ao dia, até completar 20 sessões. Pontos de Acupuntura selecionados: VB14, B2, EX-CP5, EX-CP3, E2, ID18, E4, VC24, VG26.  Como resultado, em 53,3% dos pacientes que receberam tratamento com Acupuntura tiveram uma recuperação total. Os melhores resultados se deram nos pacientes com menor tempo de evolução da paralisia. Os resultados dos tratamentos não estão relacionados com idade e sexo (ROIG; BAGLANS; GUIBERT, 1994).

            Diferentemente dos estudos anteriormente citados, He et al.(2009), avaliaram a eficácia da Acupuntura em relação aos medicamentos, onde participaram 130 pacientes com idades entre 8 a 75 anos, sendo divididos em dois grupos: experimental e controle. No grupo experimental, o tratamento consistiu em inserir até 12 agulhas (30×45 mm) em vários pontos: VB14, E2, B1, ID18, EX-CP5, B2, VB1, TA17, E4, IG20, VB20 e IG4. O tempo de aplicação foi de 30 minutos. As agulhas foram manipuladas até alcançar o Te Qi. No grupo controle foi adiministrado deltacorte, vitamina B e Dibazol. Os pacientes foram avaliados antes na intervenção e no fim da ultima intervenção.  O índice de melhora, índice eficiente, índice ineficaz e índice total, no grupo experimental eram de 74% índice de melhora (48 casos), 23% índice eficiente (15 casos) e 3% índice ineficaz (2 casos ) e 97% índice de eficiência total (63 casos) respectivamente, enquanto no grupo controle eles tinham 45% índice de melhora (30 casos), 31% índice eficiente (20 casos), 23% índice ineficaz (15 casos) e 77% índice  eficiente  total (50 casos) respectivamente. Nos dados estatísticos mostrados havia uma diferença significativa entre o experimental e o grupo de controle em cada um dos resultados de estudo (P < 0.01) tal que o efeito terapêutico no grupo de Acupuntura estava superior ao grupo de droga (HE et al., 2009).                                                                                                                                                                                                                              Dentro da mesma linha de pesquisa, Latorre et al.,(2004) realizaram ensaio clínico com 93 pacientes, de ambos os sexos entre as idades de 5 a 20 anos, na Clínica de Medicina Natural e Tradicional ISCM Carlos J Finlay, com o diagnóstico de paralisia facial periférica, no período de Janeiro de 2001 a Julho de 2002. A amostra foi dividida em dois grupos: controle e estudo com 62 pacientes e 31 respectivamente. Os objetivos foram determinar a conduta terapêutica a ser seguida para avaliar resultados do tratamento e demonstrar a eficácia da Acupuntura terapêutica para alcançar a qualidade no tratamento de paralisia facial periférica. Um grupo com o tratamento de esteróides e Acupuntura e outro Acupuntura sozinha. Os pontos de Acupuntura utilizados foram: B1, B2, E4, E6, TA17, VG26, VC24 e IG4. Ao aplicar o tratamento de Acupuntura (segunda, terça e quarta-feira) levou-se em conta a posição do paciente e a boa esterilização de agulhas. Em todos os pacientes do grupo controle do tratamento com esteróides, foram administradas as seguintes dosagens de        prednisolona (5 mg): do 1º ao 4º dia 6 comprimidos (60 mg) 2 vezes ao dia, no 5º dia 4 comprimidos (40 mg) 2 vezes ao dia, no 6º dia 3 comprimidos (30 mg) 2 vezes ao dia, no 7º dia 2 comprimidos (20 mg) 2 vezes ao dia, a partir do 8º ao 10º dia 1 comprimido (5 mg) na parte da manhã. Conclui-se que sexo e idade não interferiram com o êxito do desenvolvimento de uma paralisia facial periférica; nos pacientes que foram tratados apenas com Acupuntura terapêutica foi mais rápida a evolução, de 10 a 20 sessões; em pacientes que utilizaram esteróides e Acupuntura a evolução foi satisfatória, mas o tempo de recuperação foi mais lento (11 a 30 sessões); o uso indiscriminado de esteróides conduz a efeitos adversos não mais favorável, quanto mais rápida introdução do tratamento com Acupuntura, maior a recuperação dos pacientes e com melhor qualidade.

            Apesar de ser controverso, o uso de Eletroacupuntura na fase aguda da paralisia facial, devido à possibilidade de fasciculações posteriores, o que se observa na prática é que a maioria dos pacientes que são encaminhados para este tratamento e que apresentam tais manifestações não receberam nenhum tipo de estímulo elétrico, acreditando-se que são casos que evoluiriam para fasciculação independentemente do tratamento. Nestes casos, o tratamento com Eletroacupuntura em dispersão local, em alta freqüência (100-200 Hz) por 20-30 minutos, ajuda no relaxamento muscular local, assim como podem ser utilizados em dispersão os pontos de Acupuntura para o tratamento do Vento Perverso VB20, TA17, B12, VB12 com a utilização de Eletroacupuntura (NAKANO; YAMAMURA, 2008, p.156).

            Em estudo onde foi utilizado a Eletroacupuntura, selecionaram-se 279 casos de paralisia facial com pacientes que sofreram ataque a 3 dias e foram divididos em 4 grupos: A (n=74), B (n=70), C (n=74), Controle (n=61). Os 4  grupos foram tratados com predinisona no 3º dia depois do ataque, e Acupuntura foi adicionada nos grupos A, B, C. Os pontos utilizados foram: VB20, VB14, EX-CP5, E2, IG20. No lado afetado e bilateralmente, IG4 e os pontos próximos da orelha e do rosto foram inseridos superficialmente sem manipulação de agulhas, sendo a Eletroacupuntura adicionada a partir da 5º sessão do tratamento, com método de tonificação e sedação para os pontos selecionados. As agulhas foram mantidas por 20 minutos e o tratamento foi realizado por 25 sessões, uma vez ao dia.  Os efeitos terapêuticos e as mudanças foram comparadas na eletroneurografia, entre os grupos.  A porcentagem do efeito total clínico nos grupos foram: A ( 98.6%),  B ( 95.7%), C (94.6%)  e (72.1%) no grupo controle com uma significativa diferença (P < 0.05). Na eletroneurografia não houve significativa diferença entre os quatro grupos (P > 0.05) no 3º e 14º dia (SHEN et al., 2009).

            Yang et al., (2009), compararam o efeito de dois aparelhos de estimulação elétrica: o SXDZ-100 e o G6805 na eletroacupuntura para tratamento da paralisia facial. Um total de 87 pacientes foi dividido em 2 grupos : 44 casos no grupo de  tratamento e 43 casos no grupo controle. Os pontos utilizados nos dois grupos foram: VB14, E2, E4, IG20, (M-CP-18) Jiachengjiang, ID18, E7, E6, (N-CP-20) Qianzheng, TA17, TA5, IG4, BP6 e F3. As ondas foram escolhidas via painel. O eletrodo positivo foi conectado no ponto TA17 e o eletrodo negativo foi conectado em Qianzheng. A intensidade foi regulada de acordo com o limiar da dor, um estímulo suave para a síndrome de deficiência, estímulo forte para a síndrome excesso. O tratamento foi aplicado uma vez por dia, 25 minutos cada vez, constituindo de 10 sessões um curso terapêutico, e um intervalo de 3 dias  entre os cursos. Os pacientes receberam 3 cursos de  tratamento na maioria. O resultado obtido foi de 100% de eficácia em ambos os grupos, mas a melhora total se obteve em 90,9% e 73% no grupo controle, indicando uma diferença significativa entre os grupos. Com o estimulador SXDZ-100 se obteve uma maior efetividade que o G6805, no tratamento da PFP.

            Delgado et al.,(1991) realizaram um estudo em pacientes com diagnóstico de PFP  (68 pacientes no total). Mediante método aleatório simples se incluíram no presente estudo 9 pacientes (13,25% do total), 5 do sexo masculino e 4 do sexo feminino com idades entre 17 e 60 anos (media 35,4 anos), foram divididos em três grupos. Grupo 1: 22 pacientes, aplicação da Eletrocrioterapia: aplicou-se corrente farádica de onda quadrangular, utilizando o método monopolar. Cada músculo facial foi estimulado seletivamente 80 vezes por ponto motor, dividido em 4 séries de 20 contrações cada uma, quantificou-se a temperatura inicial do gelo e a primeira medição corporal, se umidecia o eletrodo em um vasilhame com gelo para evitar o aumento da temperatura do eletrodo, repetindo-se mais duas vezes.

            Grupo 2: 23 pacientes, aplicação de Digitopuntura: Foram utilizados os seguintes critérios: a) tonificação: mediante pressão ligeira sobre o ponto a estimular, associado com rotação no sentido horário, três vezes seguidas em cada ponto durante um tempo que não ultrapasse os 30 segundos por ponto em cada série (tempo Máximo de 1 minuto a 30 segundos por ponto tonificado); b) dispersão: se realiza mediante pressão forte sobre cada ponto associada com uma rotação em sentido anti-horário, em 5 séries de 40 segundos sobre ponto dispersado; c) estimulação neutra: pressão forte associado com rotação no sentido  horário durante 1 minuto, duas vezes seguidas por ponto.

            Grupo 3: 23 pacientes, aplicou-se primeiro a Eletrocrioterapia, posteriormente a Digitopuntura e finalmente o plano de exercícios de mímica. Os pontos utilizados foram: E4, E8, VB2, VB8, TA21, VC24.  O tempo real abrange desde o início da Eletrocrioterapia até a finalização do plano de exercícios.

           Os resultados demonstram o beneficio terapêutico de cada uma das técnicas aplicadas (Eletrocrioterapia, Digitopuntura e Eletrocriodigitopuntura) sugerindo a maior eficácia da Eletrocriodigitopuntura, tomando em conta a limitação e o tamanho da amostra estudada. Aliás, se comprova a menor duração por sessão de tratamento de Eletrocriodigitopuntura em comparação com a terapia convencional com as respectivas vantagens enquanto à utilização de recursos humanos-materiais e maior economia, com claros benefícios sobre o paciente e a instituição que realiza.

            Diferente dos estudos anteriormente mencionados, onde em sua maioria realizou-se a comparação da Acupuntura com outros métodos terapêuticos dentro da MTC, a proposta desse estudo foi de selecionar pontos para o tratamento da paralisia facial de acordo com a temperatura da face detectados no termograma. O exame facial do termograma foi executado antes do primeiro tratamento com Acupuntura, na primeira visita os pontos foram selecionados perto das regiões onde diferenças de temperatura entre ambos os lados eram superior a 0.5⁰C, e Acupuntura foi administrada.  Antes de cada curso terapêutico, o exame acima mencionado foi repetido e os pontos foram re-selecionados até o fim do tratamento. 180 pacientes diagnosticados com paralisia facial foram divididos em 2 grupos: no grupo de teste os pontos foram selecionados pelo termograma facial e no grupo  controle  tratado com Acupuntura convencional. O grupo de teste com 60 pacientes, 37 homens e 23 mulheres sendo a lesão da face do lado esquerdo com 25 casos e a lesão do lado direito com 35 casos. O grupo controle consiste de 120 casos, 65 homens e 55 mulheres sendo 66 casos da lesão da face do lado esquerdo e 54 do lado direito. No grupo controle os pontos foram selecionados de acordo com os métodos convencionais, do lado afetado, utilizando os pontos: E8, B2, VB14, TA23, Yuyao (EX-CP4), Taiyang (EX-CP5), E2, ID18, E7, Qiazheng (N-CP-20), IG 20, IG19, VG26, E4, E6, VC24, TA17, VB20, IG4, F3, E36 e BP6, sendo selecionados de 8 a10 pontos para cada sessão, em cada paciente. As sessões foram de 20 minutos, uma vez ao dia num total de 10 sessões. Os resultados mostraram que o índice de melhora foi de 90% no grupo teste, onde a seleção foi por Termografia e 77,5% no grupo controle, as sessões de Acupuntura e o curso de tratamento eram mais curtos no grupo teste que no grupo controle. Em conclusão, a Acupuntura na seleção dos acupontos por Termografia para o tratamento da PF, o curso terapêutico e sessões de Acupuntura foram significativamente superiores que a Acupuntura de maneira convencional e o método de seleção de acupontos da mesma apresentou-se benéfico devido a sua objetividade e modernização na seleção dos pontos para o tratamento por Acupuntura (ZHANG, 2007).

            As diversas opções de tratamento aqui apresentados: com medicamentos, eletroacupuntura, crioterapia, digitopuntura, foram associados em alguns casos com a Acupuntura sistêmica, sendo que todos os tratamentos apresentaram bons resultados.                                                                               

            Os tratamentos menos eficazes quando comparados com Acupuntura foram os medicamentosos. Segundo Latorre, (2004) os pacientes que fizeram uso de medicamentos tiveram uma recuperação mais lenta e o uso de medicamentos (esteróides) conduz a efeitos adversos não favoráveis ao tratamento.

            Já os tratamentos com eletroacupuntura tiveram boa resposta.  Nakano, (2008) diz que apesar de controvertido o uso da eletroterapia principalmente em pacientes na fase aguda, devido à fasciculações, o que se observa na pratica é que todos os pacientes que apresentaram fasciculações não receberam nenhum tipo de estimulo elétrico, acreditando-se que são casos que evoluíram para fasciculação independente do tratamento. Outras técnicas foram associadas, como a digitopuntura, crioterapia e eletroacupuntura e foram comparadas entre si com a Acupuntura sistêmica.

            Foi verificado uma pequena vantagem para a eletrocriodigitopuntura em relação à Acupuntura sistêmica.  Mas devido ao fato de ser apenas um artigo com varias técnicas, a diferença não chega a ser significativa.

            Outro estudo mostrou a seleção de pontos por termografia associado à Acupuntura com melhor resultado que a Acupuntura convencional, só que não é algo prático, pois seria necessário a realização do exame para depois selecionar os pontos. Vendo pelo lado prático e eficiente constatou-se que a Acupuntura sistêmica apresenta eficácia comprovada entre 70 a 80% dos casos, principalmente em pacientes com menos de 60 dias de evolução da patologia.

 

 

7.1 FUNÇÃO ENERGÉTICA DOS PONTOS

 

            Neste parágrafo mostraremos a função energética e características dos pontos utilizados no tratamento da PF citados nos artigos, com descrição de (YAMAMURA, 2004, p.56-468) e (LIAN et al., 2005, p.304).

 

B1: Função energética: Liberta o Calor e melhora a acuidade visual.

Característica: É o ponto de Acupuntura que recebe os Canais de Energia Secundários dos Canais de Energia Principais do Xiao Chang (Intestino Delgado) e do Wei (Estômago), assim como dos Canais de Energia Curioso Yang Qiao Mai e Du Mai.

 

B2: Função energética: Clareia a visão; dispersa o Vento e o Calor Perverso.

 

B12: Função energética: Harmoniza e difunde o Fei Qi (Pulmão); Harmoniza o Qi do tórax; faz circular o Qi pelo Canal de Energia Principal do Pangguang (Bexiga); superficializa e Harmoniza o Qi; dispersa o Vento, o Vento-Frio, o Vento-Calor e o Frio Perverso; transforma a Umidade-Calor.

 

B13: Função energética: Harmoniza, tonifica e difunde o Fei Qi (Pulmão); Harmoniza o Qi do tórax; Harmoniza o Yang Qi; Faz limpeza do Falso-Calor do Fei (Pulmão ); Dispersa o Vento, Vento-Frio, Vento-Calor e o Frio Perverso. Característica: É o ponto Shu do dorso ou de Assentimento ou de Harmonização da Energia Yang do Fei (Pulmão-Yang); Ponto de dispersão da Energia Yang dos cinco órgãos.

 

B17: Função energética: Harmoniza, tonifica  o Xue Qi (Sangue); Fortalece o Yin Qi e o Xue;  Facilita a formação de Jin Ye (Liquido Orgânico); Facilita a circulação do Xue; Fortalece o diafragma; Refresca o Calor do Xue; Harmoniza o Qi do Tórax, Estômago, Baço/Pâncreas; Fortalece e Recupera as deficiências do Xue Qi. Característica: É o ponto Shu do dorso do diafragma ou ponto específico de Harmonização de Energia Yang, localizado no diafragma e no Wei (Estômago); Ponto de Reunião do Xue (Sangue).

 

B20: Função energética: Harmoniza o Pi Qi (Baço/Pâncreas) e do Gan (Fígado); Harmoniza o Qi do (Estômago) e do Zhongjiao (Aquecedor Médio); Faz aumentar a Energia  Terra, Harmoniza  o Xue Qi (Sangue)  e o Yong Qi; Drena a Umidade e a Água em excesso; Afasta a Umidade e a Umidade-Calor. Característica: É o ponto Shu do dorso do Pi (Baço/Pâncreas); ponto de  Harmonização de Energia Yang do Pi (Baço/Pâncreas); Ponto de dispersão do Yang dos cinco órgãos .

 

B23: Função energética: Tonifica o Shen Qi (Rins), a Essência e o Yuan Qi. Aumenta a Energia da Água do Shen (Rins); Harmoniza a via das Águas; Fortalece o Qi do encéfalo e da audição; Aquece o Yang Qi, o Frio e o Calor do Xin (Coração). Característica: Constitui uma das fontes de Energia para a região lombar L2 e L3; Ponto de dispersão do Yang dos cinco órgãos. É o ponto shu do dorso do Shen (Rins).

 

B46: Função energética: Diminui o Qi invertido e Harmoniza o estômago.

 

B49: Função energética: Ponto Jing do Pi (Baço/Pâncreas).

B52: Função energética: Ponto Jing do Shen (Rins); Tonifica o Shen Qi (Rins) e a Essência; Harmoniza a via das Águas; Drena a Umidade e Dissipa a Estagnação do Shen Qi (Rins); Aumenta a Energia Essencial.

 

BP5: Função energética: Fortalece o Pi Qi  (Baço/Pâncreas) e o Qi do Wei (Estômago); Harmoniza o Qi do Zhongjiao (Aquecedor Médio); Transforma a Umidade-Calor; Remove a Umidade. Característica: Ponto Dispersão do Canal de Energia Principal do Pi (Baço/Pâncreas).

 

BP6: Função energética: Fortalece o Baço, decompõe e elimina a Umidade; restaura o equilíbrio do Yin e do Sangue, Fígado e Rins.

 

BP9: Função energética: Harmoniza, tonifica e aquece o Pi Qi (Baço/Pâncreas); Harmoniza o  Qi do Wei (Estômago) e do Xiaojiao (Aquecedor Inferior); Harmoniza o Pangguang Qi (Bexiga) e da via das Águas; Dissolve a Umidade e a Umidade-Calor; Remove a obstrução de S            anjiao Qi  (Triplo Aquecedor).

 

C7: Função energética: Harmoniza o Xin Qi (Coração); Harmoniza o Yong Qi; acalma o Shen (Mente), Fortalece a mente; transforma a Mucosidade do Xin (Coração); faz a limpeza de Calor do Xin (Coração); refresca o Calor do Xue (Sangue); dispersa a Mucosidade e o Vento Perverso.Característica: Ponto Yuan (Fonte), correspondente ao movimento  Terra, Dispersão.

 

E1: Função energética: Ativa a circulação de Xue (Sangue) nos Canais de Energia; clareia a visão; dispersa o Vento Perverso do Yang Ming; dispersa o Calor do Yang Ming.

Característica: Ponto de reunião com o Canal de Energia Curioso Yang Qiao Mai e com o Canal de Energia do Vaso Concepção (Ren Mai).

 

E2: Função energética: Clareia a visão; faz a difusão do Gan Qi (Fígado); Fortalece o Dan Qi (Vesícula Biliar); elimina o Vento Perverso e o Frio; relaxa o Qi dos músculos faciais; remove a obstrução de Qi dos Canais de Energia Principais; faz a limpeza do Calor.

 

E4: Função energética: Regulariza a circulação de Qi e remove a obstrução de Qi dos Canais de Energia; Fortalece as funções energéticas do Wei (Estômago); relaxa o Qi dos músculos da face; dispersa o Vento e o Frio do Yang Ming. Característica: Ponto de reunião com o Canal de Energia Curioso Vaso-Concepção (Ren Mai) e com o Yang Qiao Mai.

 

E6: Função energética: Harmoniza o Qi do Wei (Estômago); Fortalece os dentes e a mandíbula; melhora o Qi da articulação temporomandibular; remove a obstrução de Qi dos Canais de Energia; dispersa o Vento e o Frio Perversos; faz a limpeza do Calor Perverso; relaxa os músculos faciais.

 

E7: Função energética: Dispersa o Vento; o Vento-Calor e o Frio do Yang Ming; melhora as funções energéticas da orelha e da articulação temporomandibular; ponto específico para o tratamento das doenças do maxilar.

 

E8: Função energética: Clareia a visão; dispersa o Vento e o Calor do  Yang Ming.

Características: Ponto de reunião com o Canal Energia Principal do Dan (Vesícula Biliar). Alguns autores consideram como ponto de reunião dos três Canais de Energia  Tendinomusculares Yang da Mão.

 

E36: Função energética: Fortalece o corpo e Baço, Harmoniza o Estômago, restaura o equilíbrio de Qi, descongestiona e ativa os meridianos. Características: Ponto Ho do Canal de Energia do Wei (Estômago) correspondente ao movimento Terra; ponto que apresenta a máxima concentração de Energia Terra no Canal de Energia Principal do Wei (Estômago).

 

E40: Função energética: Harmoniza o Qi do Wei (Estômago) e fortalece o Pi Qi (Baço/Pâncreas); Acalma o Shen (Mente) e transforma a Mucosidade do Xin (Coração); Faz a limpeza do Calor do Wei ( Estômago) e do Calor Perverso; Transforma e dissolve a Umidade, a Umidade-Calor e a Mucosidade; Drena a Umidade, a Umidade-Frio; É usado para todas as doenças crônicas.

 

E42: Função energética: Fortalece o Pi Qi (Baço/Pâncreas) e do Wei (Estômago); acalma o Shen (Mente); Harmoniza a circulação de Qi dos Canais de Energia Luo; dispersa a Umidade e o Vento Perverso; faz a limpeza  do Calor do Wei (Estômago) e  do Calor Perverso;  circula o Qi para o pé. Característica: Ponto Yuan (Fonte), correspondente ao Movimento Madeira.

 

EX-CP3: Função energética: Dispersa o Vento e alivia a dor, melhora a acuidade visual e ativa as extremidades da parte superior do corpo.

 

EX-CP4: Função energética: Melhora a acuidade visual e reduz o edema, relaxa os tendões e ativa os vasos.

 

EX-CP5: Função energética: Liberta o Calor e reduz o edema, alivia a dor e ativa os vasos.

 

F3: Função energética: Harmoniza e tonifica o Gan Qi (Fígado) e do Xue (Sangue); Harmoniza o Qi e o Dan Qi (Vesícula Biliar); redireciona o Qi em tumulto (Afluxo Contrário); dispersa a Umidade-Calor; faz a limpeza do Fogo do Gan (Fígado) e do Calor; refresca o Xue (Sangue); relaxa os tendões e os músculos. Característica: Ponto Yuan (Fonte), correspondente movimento Terra, faz a união Yang/Yin, Alto/Baixo.

 

F8: Função energética: Harmoniza e tonifica o Gan Qi (Fígado) e do Xue Qi (Sangue); Fortalece o Qi do Joelho; Dissipa o Yang excessivo do Gan (Fígado-Yang) e do Canal de Energia Principal do Gan (Fígado); Tonifica e circula o Qi do Pangguang (Bexiga); Circula o Qi do Xia Jiao (Aquecedor Inferior); dissipa a Umidade-Calor; relaxa os tendões e os músculos. Característica: Ponto de tonificação do Canal de Energia do Gan (Fígado).

 

ID2: Função energética: Umedece a garganta; melhora o Qi da orelha; dispersa o Vento-Calor. Característica: Ponto Iong do Canal de Energia do Xiao Chang (Intestino Delgado) correspondente ao Movimento Água.

 

ID16: Função energética: Aumenta a audição e alivia os orifícios da parte superior do corpo.

Característica: É uma das cinco pequenas “Janelas-do-Céu”.

 

ID18: Função energética: Dispersa o Vento e o Frio Perversos; faz a limpeza do Calor Perverso. Característica: Ponto de reunião dos Canais Tendinomusculares Yang do pé.

 

ID19: Função energética: Harmoniza o Qi da audição; remove a obstrução de Qi e de Xue (Sangue) dos vasos sanguíneos; acalma o Shen (Mente). Característica: Ponto de Intersecção com os Canais de Energia do Shao Yang da Mão Sanjiao (Triplo Aquecedor) e do Pé Dan (Vesicula Biliar).

IG4: Função energética: Facilita o trânsito e a descida dos alimentos do Wei (Estômago) para os Intestinos; libera o Calor Perverso Interno para a superfície do corpo; dispersa o Vento, o Vento-Calor e o Vento-Frio; dispersa o excesso de Xin Qi (Coração); promove a desobstrução de Qi estagnado dos Canais de Energia; ativa a circulação de Qi e de Xue (Sangue)  nos vasos sanguíneos; clareia a visão; reanima o estado de inconsciência; transforma a Mucosidade, a Umidade-Calor; tonifica o Wei Qi (Energia de Defesa). Característica: Ponto Yuan (Fonte), Harmoniza a energia do Alto/Baixo, circula o Yang Ming.

 

IG10: Função energética: Harmoniza o Qi do Wei (Estômago) e do Da Chang (Intestino Grosso); regulariza e Harmoniza o Qi do Zhongjiao (Aquecedor Médio); faz transitar o Qi nos Canais de Energia Luo (Conexão); dispersa o Vento Perverso; promove a desobstrução da Estagnação de Qi nos Canais de Energia.

 

IG20: Função energética: Circula o Qi do nariz; dissipa o Vento, o Vento-Frio e o Vento-Calor; dissipa o Calor Perverso alojado no Qi; remove a Estagnação de Qi do nariz.

 

M-CP-18: Indicação: Nevralgia do trigêmio, paralisia facial ou espasmo facial.

             

N-CP-20: Indicação: Parotidite, paralisia facial, úlcera da boca.

 

TA5: Função energética: Harmoniza o Sanjiao Qi (Triplo Aquecedor) e o Yang Qiao Mai; libera para o Exterior as Energias Perversas; relaxa e fortalece os tendões; facilita a circulação de Qi nos bloqueios de Qi nos Canais de Energia. Característica: Ponto Luo do Canal de Energia do Sanjiao (Triplo Aquecedor) de onde parte o Canal Luo Longitudinal e Luo Transversal, e este se dirige para o ponto CS7 (Daling). Ponto de abertura do Canal de Energia Curioso Yang Wei Mai.

 

TA17: Função energética: Harmoniza e fortalece o Sanjiao Qi (Triplo Aquecedor); Fortalece o Qi da audição e da visão; dispersa o Vento e o Calor-Perversos; relaxa os tendões e os músculos. Característica: Ponto de Reunião dos Canais de Energia Principal  do Sanjiao (Triplo Aquecedor) com o Canal de Energia Principal do Dan (Vesicula Biliar).

 

TA21: Função energética: Ativa o meridiano e aumenta a audição.

TA23: Função energética: Dispersa o Vento e liberta o Calor, aumenta a acuidade visual e alivia a dor.

 

VB1: Função energética: Faz circular o Qi no Canal de Energia, Clareia a visão e Dispersa o Vento e o Calor Perversos.

 

VB2: Função energética: Desperta os sentidos e aumenta a audição, ativa o meridiano e alivia a dor.

 

VB3: Função energética: Fortalece a audição; dispersa o Vento e o Calor-Perverso.

 

VB8: Função energética: Acalma o Fígado e dispersa o Vento, diminui o Qi invertido.

 

VB12: Função energética: Acalma o Shen (Mente); dispersa a Umidade-Calor, o Vento e o Frio; acalma convulsões.

 

VB14: Função energética: Clareia a visão; aumenta a circulação de Qi nos Canais de Energia; dispersa o Vento e o Calor Perverso. Característica: Ponto de Reunião do Canal de Energia Principal do Dan (Vesícula Biliar) com o Canal de Energia Yang Wei e o Canal de Energia Tai Yang do Pé (Bexiga).

 

VB20: Função energética: Clareia a visão; nutre o encéfalo; Harmoniza o excesso de Yang Qi; melhora as funções das articulações; exterioriza as Energias Perversas; ativa a circulação de Xue (Sangue); remove as obstruções de Qi dos Canais de Energia; relaxa os músculos e os tendões; dispersa o Vento, o Vento-Frio, o Vento-Calor e o Frio; dispersa o Vento do Gan (Fígado). Característica: Ponto comum do Canal de Energia Principal do Dan (Vesicula Biliar) com o Canal de Energia Curioso Yang Wei Mai.

 

VB39: Função energética: Harmoniza o Dan (Vesicula Biliar); Fortalece o Qi dos ossos; Redireciona o Qi em tumulto (doença do Afluxo Contrario); Dispersa o Calor do encéfalo e das medulas; Dissipa o Yang excessivo do Dan (Vesícula Biliar); Dissipa o Vento, a Umidade e a Umidade-Calor.

VC24: Função energética: Aumenta a circulação de Qi do Canal de Energia; relaxa os tendões, os músculos e as articulações; dispersa o Vento e o Frio Perverso; dissipa a Umidade e a Mucosidade; faz a limpeza do Fogo contracorrente.

 

VG26: Função energética: Harmoniza o Qi do Du Mai; revigora o Qi e o Yang Qi; reanima o estado de inconsciência; acalma o Shen (Mente) e clareia a mente; Fortalece a região lombar; dissipa as obstruções de Qi do Envoltório do Xin (Coração); dispersa o Vento, o Vento-Mucosidade e a Mucosidade.

 

  

8 CONCLUSÃO

 

            Ao iniciar um tratamento de Paralisia Facial com Acupuntura, deve-se, antes de mais nada, conhecer as causas e a localização da doença. O sucesso do tratamento por Acupuntura na PF irá depender de uma anamnese adequada que a partir dos dados colhidos e obtidos, irá permitir que o acupunturista obtenha o diagnóstico adequado.

            Com base no levantamento literário, os Canais de Energia freqüentemente acometidos são o Yang Ming da mão e Shao Yang da mão, que devido ao vazio de Qi dos Canais e Colaterais ficam vulneráveis a invasão de agentes exógenos como o Vento-Frio.

            Dentre os tratamentos realizados com Acupuntura na Paralisia Facial, os melhores resultados foram obtidos em pacientes que iniciaram o tratamento com menor tempo de permanência e evolução da doença, não mais que 60 dias. Sua maior incidência se dá no sexo masculino, com idade entre 20 a 40 anos.

            Quando comparada ao tratamento medicamentoso e eletroestimulação, a Acupuntura sistêmica foi a que se mostrou mais eficaz. O tratamento variou entre 10 a 20 sessões, sendo que na fase aguda foram realizadas 2 sessões por semana, o percentual de melhora variou de 70 a 80% dos casos.

            As diversas opções de tratamento aqui apresentados tais como: medicamentos, eletroacupuntura, crioterapia, digitopuntura, foram associados em alguns casos com a Acupuntura sistêmica, sendo que todos os tratamentos tiveram bons resultados.   

            Não foi possível traçar um protocolo de tratamento já que a quantidade de pontos é muito variada e cada paciente deve ter um tratamento específico e individual. Os pontos mais usuais e com maior eficácia no tratamento da PF com base no estudo foram: E2, E4, E6, E7, E8, B1, B2, F3, ID18, IG4, IG20, TA5, TA17, VB14, VB20, VC24, VG26, EXCP4 e EX-CP5.

            O tratamento por Acupuntura na PF mostrou-se de grande eficácia, no entanto, é necessário que as pesquisas sobre esse assunto continuem.

 

  

 

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One thought on “ : VERIFICAÇÃO DA EFICÁCIA DO TRATAMENTO COM ACUPUNTURA NA PARALISIA FACIAL”
  • Cristina Delvalle disse:

    Fui acometida por uma PF e estou tratando com Acupuntura e este estudo foi esclarecedor e me deu uma situada em termos de eficácia e tempo de tratamento.

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