TRATAMENTO DE ÚLCERAS VENOSAS ATRAVÉS DE MOXABUSTÃO E ACUPUNTURA SISTÊMICA

quarta-feira , 11, setembro 2013 2 Comments

UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES

DOUGLAS OLIVEIRA DOS SANTOS

RICARDO PASTORI

 

  

 

 

 

 

 

TRATAMENTO DE ÚLCERAS VENOSAS ATRAVÉS DE MOXABUSTÃO E ACUPUNTURA SISTÊMICA

 

 

 

 

Mogi das Cruzes – SP

2012

 

UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES

DOUGLAS OLIVEIRA DOS SANTOS

RICARDO PASTORI

 

 

 

 

TRATAMENTO DE ÚLCERAS VENOSAS ATRAVÉS DE MOXABUSTÃO E ACUPUNTURA SISTÊMICA

 

 

 

Monografia apresentada ao Programa de Pós-Graduação da

Universidade de Mogi das Cruzes, como parte dos requisitos

para   a   obtenção  do título de Especialista em Acupuntura.

 

 

Orientadores: Prof. Luiz A. Alfredo e 

  Profª. Bernadete Nunes Stolai 

 

 

 

MOGI DAS CRUZES – SP

2012

 

DOUGLAS OLIVEIRA DOS SANTOS

RICARDO PASTORI

 

 

 TRATAMENTO DE ÚLCERAS VENOSAS ATRAVÉS DE MOXABUSTÃO E ACUPUNTURA SISTÊMICA

 

 

 

 

 

 

Monografia apresentada ao Programa de Pós-Graduação da

Universidade de Mogi das Cruzes, como parte dos requisitos

para   a   obtenção  do título de Especialista em Acupuntura.

 

Aprovado em …………………………

 

 

 

BANCA EXAMINADORA:

 

 

___________________________________________________________________

Prof. Luiz A. Alfredo

UMC – UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES

 

 _________________________________________________________________

Profa.  Bernadete Nunes Stolai

UMC – UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES

 

 

DEDICATÓRIA

 

 

 

Dedico este trabalho a Deus, nosso criador e fonte de toda vida e toda sabedoria …

Dedico ainda, a instituição maior deixada por Deus a cada ser vivo desta terra, a Família, em especial à minha, Maria Salete, Domingos, Manoela, Alexandre e as minhas princesinhas Sarah e Julia Vitória, minhas sobrinhas abençoadas.

Dedico ainda, a minha namorada Natali Menezes, que pôde ser minha Intercessora maior nestes dias de abandono nos estudos (Obrigado por sua paciência!!)

E por último mas não menos importante, dedico este trabalho a todos os pacientes que passaram e por atendimento no ambulatório de Acupuntura da Universidade de Mogi das Cruzes, assim também como aos nossos mestres (Luíz Alfredo, Luíz Leoneli, Bernadete e Romana), nossa segunda família … além de dedicar aos nossos colegas de Turma 6, que tanto engrandeceram meu conhecimento e minha felicidade !!!

 

Douglas Oliveira dos Santos

 

 

 

 

 

 

 

 

Dedico este trabalho ao nosso Pai Eterno que sem Ele não temos sequer força para seguir diante nos obstáculos da vida.
À minha querida e amada esposa, que sempre me apoia, me dá forças nos momentos de fraqueza e é meu braço direito, te amo. Aos nossos filhos Rafael e Gabriela.

 

                   Ricardo Pastori                      

 

AGRADECIMENTOS

 

 

Agradeço a Deus ….

Agradeço a minha família ……

Agradeço aos meus irmãos da Paróquia São João Batista, em especial a Renovação Carismática Católica (RCC) Bertioga ……

Aos pacientes e aos nossos professores do curso de Especialização em Acupuntura da Universidade de Mogi das Cruzes …..

 

 

Douglas Oliveira dos Santos

 

Agradeço a minha sogra Suely e meu sogro Antônio pela força dada durante estes anos. Pai e Mãe obrigado !!

 

Ricardo Pastori

 

 

“Comece fazendo o que é necessário,

depois o que é possível, de repente você estará fazendo o Impossível”.                                                                                                                   (São Francisco de Assis)

                                           RESUMO                                           

 

Úlceras Venosas (UV) ocorrem devido à insuficiência venosa crônica. UV causam significante impacto social e econômico devido à natureza recorrente e ao longo tempo decorrido entre sua abertura e cicatrização. As doenças crônicas degenerativas, como a UV, vêm recorrendo a terapias ditas como alternativa e dentre essas, destaca-se a Acupuntura (AC) e a Moxabustão, que são práticas terapêuticas da Medicina Tradicional Chinesa (MTC). Portanto, o objetivo deste trabalho foi realizar uma revisão da literatura cientifica nacional e internacional, sobre os mecanismos de ação em nível fisiológico na aplicação de Acupuntura e Moxabustão em pacientes com UV, verificando a eficácia destas técnicas da MTC, principalmente no caráter regenerativo dos tecidos ulcerativos, além de buscar protocolos de atendimento condizentes com essa proposta reparativa. Desta maneira, a metodologia se constituiu por meio de uma criteriosa revisão de trabalhos científicos nacionais e internacionais, por meio de livros, artigos e bibliotecas virtuais, sempre norteados pelas normas da Universidade de Mogi das Cruzes. Sendo assim, a UV mostrou-se uma patologia de diferentes Padrões Sindrômicos corroborado pelos diferentes estudos verificados, sendo que, os Padrões mais evidenciados foram a Acumulação de Calor Umidade no Baço, Deficiência de Qi do Baço com Umidade, Estagnação de Qi e Estagnação de Sangue de Fígado e Deficiência de Yin do Fígado e dos Rins. Da mesma forma, o seu tratamento também variou bastante, porém alguns pontos foram assíduos nos diferentes padrões como BP6, B20, VB34, B17, B18 e B20. Logo, os estudos científicos comprovam que Acupuntura e Moxabustão agem na circulação sanguínea, promovendo relaxamento muscular, diminuindo dor e inflamação. Ainda, por trabalhar com efeitos sobre a circulação sanguínea e sobre os efeitos imunológicos como a inflamação, a Acupuntura e a Moxabustão podem atuar também acelerando a cicatrização tecidual.

 

Palavras-chave: Acupuntura, Moxabustão e Úlcera Venosa.

 

 

 

 

 

  

ABSTRACT

 

Venous Ulcers (UV) occur due to chronic venous insufficiency. UV cause significant social and economic impact due to the recurrence and the long interval between onset and healing. The chronic degenerative diseases, such as UV, are turning to so-called alternative therapies and among these, there is acupuncture (AC) and Moxibustion, which are therapeutic practices of Traditional Chinese Medicine (TCM). Therefore, the aim of this study was a review of national and international scientific literature on the mechanisms of action in a physiological level in the application of Acupuncture and Moxibustion in patients with UV, verifying the effectiveness of these techniques of TCM, especially in the character of regenerative tissue ulcerative, and seeks care protocols consistent with this proposal healing. Thus, the methodology was formed through a careful review of scientific papers nationally and internationally, through books, articles and virtual libraries, always guided by the standards of the University of Mogi das Cruzes. Thus, the UV proved to be a pathology of different syndromic patterns supported by different studies verified, and the patterns were more evident Accumulation of Damp Heat in the Spleen, Spleen Qi Deficiency with Damp Stagnation of Qi and stagnation Blood and Liver Yin Deficiency Liver and Kidney. Likewise, its treatment also varied widely, but some points were assiduous in different patterns as BP6, B20, VB34, B17, B18 and B20. Therefore, scientific studies show that acupuncture and moxibustion act in the bloodstream, promoting muscle relaxation, reducing pain and inflammation. Still, by working with effects on blood circulation and on the immunological effects such as inflammation, acupuncture and moxibustion may also act by accelerating tissue healing.

Key- Words: Acupuncture, Moxibustion and Venous Ulcers.

 

 

Lista de Abreviaturas e Siglas

 

MTC                                       Medicina Tradicional Chinesa;

IVC                                        Insuficiência Venosa Crônica;

DAOP                                    Doença Arterial Obstrutiva Periférica;

OMS                                      Organização Mundial de Saúde;

et al.                                       Abreviação do latim et alii, significando “e outros”;

mmHg                                    Milímetros de Mercúrio;

MMII                                       Membros Inferiores;

NO                                         Óxido Nítrico;

SP                                          Substância P;

NKA                                       Neurocinina A;

VIP                                         Peptídeo Intestinal Vasoativo;

CGRP                                     Peptídeo Relacionado ao Gene da Calcitonina;

 

 

 

SUMÁRIO

 

1  INTRODUÇÃO …………………………………………………………………………………. 12
1.1 ENVELHECIMENTO MUNDIAL ………………………………………………………..   13
1.2 Fisiopatologia da Insuficiência Venosa Crônica – Visão Ocidental ………………………………………………………………………………………..    

151.3 TRATAMENTO SEGUNDO A VISÃO OCIDENTAL …………………………….

2   METODOLOGIA ………………………………………………………………………………

        2.1 dELINEAMENTO………………………………………………………………………

        2.2 PROCEDIMENTOS…………………………………………………………………..18

20

20

203  MEDICINA TRADICIONAL CHINESA (mtc) E ACUPUNTURA …………….

4  Úlcera venosa segundo a mtc ……………………………………………….

4.1 Zang Fu envolvidos nos processos de Ulcerações ………..

4.2 PADRÕES SINDRÔMICOS DAS ÚLCREAS VENOSAS SEGUNDO A MTC ……………………………………………………………………………………………………

TRATAMENTO COM ACUPUNTURA E MOXABUSTÃO NAS ÚLCERAS VENOSAS ……………………………………………………………………………………………

6  CONCLUSÃO …………………………………………………………………………………..

    REFERÊNCIAS ………………………………………………………………………………..

    APÊNDICE  ………………………………………………………………………………………

 21

33

34

 

36

 

38

44

47

53

 

   

 

  

1 INTRODUÇÃO

 

As Úlceras Vasculares apresentam etiologia de origem venosa, arterial ou mista, contudo, as Úlceras Venosas, que são o alvo de nosso estudo, ocorrem devido à Insuficiência Venosa Crônica por varizes primárias, sequela de trombose profunda, anomalias valvulares venosas ou outras causas que interferem no retorno do sangue venoso. Surge após trauma e, muitas vezes, é precedida por episódio de erisipela, celulite ou eczema de estase (QUELEMENTE, MORITA E BALBI, 2009).

Segundo Abbade e Lastória (2006), as Úlceras Venosas causam significante impacto social e econômico devido à natureza recorrente e ao longo tempo decorrido entre sua abertura e cicatrização. Quando não manejadas adequadamente, cerca de 30% das Úlceras Venosas cicatrizadas recorrem no primeiro ano, e essa taxa sobe para 78% após dois anos. Dessa forma, devido à necessidade de terapêuticas prolongadas, o paciente portador de Úlcera Venosa precisa com frequência de cuidados médicos e de outros profissionais da saúde, além de se afastar do trabalho inúmeras vezes e com frequência se aposentam precocemente.

Neste sentido, Carmo et al. (2007) afirmam que essa inadequação do funcionamento do sistema venoso é comum na população idosa, sendo a frequência superior a 4% entre os idosos acima de 65 anos.

Apesar da elevada prevalência e da importância da Úlcera Venosa, ela é frequentemente negligenciada e abordada de maneira inadequada (ABBADE e LASTÓRIA, 2006), já no Brasil, os avanços nas pesquisas nacionais e internacionais não têm sido traduzidas na construção de diretrizes para nortear o tratamento tópico da Úlcera Venosa, persistindo ainda muitas dúvidas dos melhores tratamentos, o que gera uma diversidade de condutas (BORGES, 2005).

Sendo assim, Castro et al. (2010) referem que cada vez mais, as doenças crônicas e degenerativas, como é o caso das Úlceras Venosas, vem recorrendo a terapias ditas como alternativa e/ou complementar, consideradas como práticas que não fazem parte da tradição cultural de um determinado país ou do seu sistema oficial de saúde, ainda, associa-se essa crescente demanda por estas terapias não ocidentais à crise da Medicina Ocidental, que reflete certa descrença das pessoas na ideia de que a tecnologia, aliada à cientificidade das terapias ocidentais, é capaz de garantir o bem-estar da população, frente a alguns problemas de saúde (LOPES, 2005).

            Desta maneira, dentre essas terapias tidas como alternativa destaca-se a Acupuntura e a Moxabustão, que são práticas terapêuticas da Medicina Tradicional Chinesa, sendo que a Acupuntura consiste na aplicação de determinadas técnicas para estimular pontos específicos do corpo para atingir o equilíbrio necessário. Dentre as técnicas utilizadas pela Acupuntura para atingir esses estímulos desejados, a mais usada é a inserção de agulhas metálicas nesses pontos, daí vem à etimologia do nome (XIYAN et al., 2007). Já a Moxabustão (também chamada de Moxibustão) consiste no estímulo desses pontos de Acupuntura através da Moxa, sendo essa outra forma de estímulo energético pela Acupuntura, contudo todas elas possuem a mesma finalidade de restabelecer o equilíbrio energético do corpo, trazendo melhorias parciais ou totais nos estados físico e psicológico (emocional) do indivíduo (PEREIRA, 2005).

            Neste contexto de Úlcera Venosa, Acupuntura e Moxabustão, pesquisas mais recente vieram comprovar e ajudar a esclarecer o misticismo sobre a ação da Acupuntura e da Moxabustão, sendo que através de diversos estudos científicos, ficou comprovado que essas técnicas alteram a circulação sanguínea, modificando a dinâmica da circulação regional proveniente de microdilatações, relaxamento muscular, sanando espasmos, diminuindo a dor e a inflamação (DE LUCA, 2008).

            E é justamente por trabalhar com efeitos sobre a circulação sanguínea e sobre os efeitos imunológicos como a inflamação, que autores como Hayashi (2006) referem que a Acupuntura e a Moxabustão podem atuar também acelerando a cicatrização tecidual, que é o principal objetivo do tratamento das Úlceras Venosas.

           

1.1       Envelhecimento Mundial

 

Segundo Cheng et al. (2007), no século XXI, a população mundial estará envelhecendo em uma escala inédita e sem precedentes, onde, de agora até 2050 a população idosa mundial (ou seja, pessoas com ou mais de 60 anos de idade), aumentará de 600 milhões para 2 bilhões de habitantes. Do mesmo modo, Kaplan et al. (2008) referem que a proporção de idosos na população mundial subirá de 10% em 2005 para 22% em 2050. Sendo assim, hoje em alguns países desenvolvidos, a proporção de pessoas idosas é estimada perto de 1 idoso para cada 5 habitantes e se as tendências atuais continuarem, durante a primeira metade do século XXI, a proporção de idosos chegará a 1 idoso para cada 4 habitante em geral, podendo chegar a até 1 para 2 em certos países.

A Organização Mundial da Saúde classifica de “velhice ou idoso” como pessoas que têm 60 anos ou mais. Em 2020, nesta categoria de idade, um bilhão da população mundial terá 60 anos ou mais, além de que, 75% desse total viverão em países de baixa renda.  Considerando que o número de idosos está aumentando em 70% no mundo desenvolvido, a proporção de pessoas idosas no mundo menos desenvolvido irá aumentar cerca de 400% nas próximas décadas (WAHLIN et al., 2008).

Para tanto, a má distribuição de renda mundial, continua sendo um fator decisivo na hora de mensurar essa longevidade. Esses dados são comprovados no trabalho de Vaupel e Kistowski (2008), onde os mesmos referem que os três países mais antigos hoje, medida pela proporção de pessoas com 60 anos ou mais, são o Japão, Itália e Alemanha. Sendo que, além do Japão, os 20 países na lista dos que têm a maior proporção de idosos são exclusivamente europeus.

As alterações das taxas de fertilidade nos países desenvolvidos apontam um rápido declínio nos últimos anos e vem sendo substituída por um aumento significativo da longevidade. Esse fenômeno também vem sendo notado nos países em desenvolvimento (CHARNESS, 2008). Neste sentido, Lutz et al. (2008) em seu estudo referiram que todas as medidas da população mundial indicam um envelhecimento gradual e contínuo, sendo que a mediana da idade mundial em 2000 foi de 26,6 anos e em 2050 será de 37,3, progredindo para 45,6 anos em 2100, contudo essas previsões não levam em conta a nova longevidade da população, pois quando levado em consideração tal quesito essas medianas se tornam 31,1 no ano de 2050 e 32,9 em 2100, sendo essa queda atribuída a uma diminuição do crescimento populacional mundial.

            Esse aumento da expectativa de vida durante a segunda metade do século XX provocou mudanças drásticas não só na população de países desenvolvidos, como a americana, mas também em toda população mundial. Essa longevidade tem produzido consequências, como o crescente número de adultos em idade de 60 anos ou mais e desta forma, isso tem provocado grandes demandas sobre o sistema de saúde publica, como a utilização de médicos e serviços sociais, aumentando os custos com cuidados de saúde primaria e de cuidados a longo prazo. (BEAN et al., 2004).

            Como ocorreu previamente em países industrializados, junto com o envelhecimento da população brasileira, está ocorrendo uma transição epidemiológica, com mudança do perfil de morbimortalidade da população, com a redução das doenças infectocontagiosas e aumento de doenças crônico-degenerativas, incluindo doenças cardiovasculares e neoplasias (SCHERER, 2008).

            Silva e Nahas (2002) afirmam que as doenças cardiovasculares estão muito relacionadas ao público idoso, onde a prevalência aumenta significativamente com a idade, sendo maior após os 50 anos, em ambos os sexos. Assim, Cavalcante et al. (2010), referem que o envelhecimento traz consigo um perfil de risco para as doenças crônicas, especialmente as cardiovasculares, respiratórias e metabólicas que podem contribuir para o aparecimento de feridas como úlceras arteriais, úlceras diabéticas, Úlceras Venosas, úlceras por pressão, dentre outros. Essas enfermidades crônicas aumentam as incapacidades funcionais e cognitivas dos idosos, o número de internações hospitalares e comprometem significativamente a qualidade de vida desta população.

Segundo Meyer, Chacon e Lima (2006), dentre as consequências dessas desordens cardiovasculares, existe a Insuficiência Venosa Crônica (IVC) que é definida como um funcionamento anormal do sistema venoso causado por incompetência valvular, estando ou não associado à obstrução do fluxo sanguíneo. A IVC pode levar a alterações tróficas da pele e subcutâneas, á rigidez da articulação tíbio-társica e a dificuldades de deambulação, diminuindo a função da bomba muscular da panturrilha, podendo originar em longo prazo, úlceras e, consequentemente, prejuízos da capacidade funcional do paciente, comprometendo as atividades de vida diária.

 

1.2 FisiopAtologia da Insuficiência Venosa Crônica – Visão Ocidental

 

A insuficiência venosa crônica (IVC) é definida como “uma anormalidade do funcionamento do sistema venoso causada por uma incompetência valvular, associada ou não à obstrução do fluxo venoso. Pode afetar o sistema venoso superficial, o sistema venoso profundo ou ambos. Além disso, a disfunção venosa pode ser resultado de um distúrbio congênito ou pode ser adquirida” (FRANÇA, 2003).

O resultado dessa disfunção no sistema venoso é a instalação de um estado de hipertensão venosa. Essa sobrecarga venosa ocorre devido à intensificação do fluxo sanguíneo retrógrado que sobrecarrega o músculo da panturrilha a ponto deste não conseguir bombear quantidades maiores de sangue, na tentativa de contrabalançar a insuficiência das válvulas venosas. (FRANÇA, 2003).

A hipertensão venosa é responsável pelas alterações características da insuficiência venosa crônica. São sinais clínicos dessa patologia: a presença de veias varicosas – consequência da congestão do fluxo sanguíneo, decorrente da incompetência das válvulas venosas. As veias superficiais, principalmente as que possuem paredes mais delgadas, tornam-se dilatadas e tortuosas; edema de membros inferiores – a hipertensão venosa é alimentada durante o relaxamento muscular devido ao refluxo venoso, fato que impossibilita a pressão no interior do vaso sanguíneo atingir um valor abaixo de 60 mmHg.  (PIRES, 2005).

            Hiperpigmentação da pele – caracterizada pela liberação de hemoglobina após o rompimento dos glóbulos vermelhos extravasados para o interstício é degradada em hemossiderina, pigmento que confere a coloração castanho-azulada ou marrom-acinzentada aos tecidos (BERSUSA, LAGES, 2004); dermatite venosa – cuja causa possível é de reação autoimune desencadeada contra proteínas que extravasam para a hipoderme ou contra bactérias infectantes, manifestada através de eritema, edema, descamação e exsudato na extremidade do membro inferior, podendo apresentar prurido intenso (BORGES, 2005); e finalmente, lipodermato-esclerose – que consiste no endurecimento da derme e tecido subcutâneo, decorrente da substituição gradual destes por fibrose (POLETTI, 2000). A patogêne- se da Úlcera Venosa ainda é obscura, porém existe um consenso de que a hipertensão venosa é a condição mais comum para o aparecimento dessa lesão (BORGES, 2005).

A formação da Úlcera Venosa pode estar associada ao acúmulo de líquido e o depósito de fibrina, que leva à formação de manguitos, no interstício interferindo negativamente na nutrição dos tecidos superficiais. A deficiência no suprimento de oxigênio e nutrientes pode acarretar, nas regiões acometidas dos membros inferiores, em ulcerações e necroses. Outro mecanismo que elucida a Úlcera Venosa refere-se à reação entre os leucócitos e moléculas de adesão do endotélio havendo, consequentemente, liberação de citocina e radicais livres. Esse processo desencadeia inflamação que pode causar danos às válvulas venosas e ao tecido adjacente, aumentando a susceptibilidade a ulcerações (FRANÇA, 2003).

 

 

Figura 1 –  Úlceras Venosas Extensas em Membros Inferiores.

Fonte: Salomó et al. (2001, p. 264).

           

A IVC é responsável por 75% das úlceras de perna. As demais são provocadas por doença arterial obstrutiva periférica (DAOP), neuropatia periférica (diabetes melito, alcoolismo, lepra), doenças infectocontagiosas (erisipela, leishmaniose, tuberculose, etc.), doenças reumatológicas, doenças hematológicas e tumores. (AGUIAR et al., 2005).

A incidência da IVC é mais alta a partir da terceira década de vida, atingindo o indivíduo em plena maturidade, quando sua capacidade de trabalho é maior. Um estudo epidemiológico realizado em alguns países demonstrou a incidência de pelo menos uma forma de doença venosa em mais de 50% de mulheres e 30% de homens. A úlcera, complicação tardia da IVC, tem sido encontrada em 0,06 a 0,2% da população de países como França, Itália, Bélgica, Dinamarca e Canadá, com uma taxa de incidência de 3,5/1.000/ano em indivíduos com mais de 45 anos de idade. As úlceras presentes em membros inferiores são provenientes de disfunção venosa em 60 a 80% dos casos. Essa alta incidência é acompanhada por um custo substancial para seu tratamento. Nos Estados Unidos, estima-se que esse custo represente entre 1,9 a 2,5 bilhões de dólares por ano (LIMA et al., 2002). Já no Brasil, em estudos epidemiológicos foram evidenciados dados relacionados à prevalência das Doenças Vasculares Crônicas, entre elas a IVC em 35,5% da população, sendo 1,5% de úlcera varicosa aberta ou cicatrizada e à incidência de 50% dessas entre mulheres. Além disso, foi observado que o envelhecimento, o número de gestações e o sexo feminino são importantes fatores de risco para o desenvolvimento da doença e suas complicações (MOURA et al., 2010).

 

1.3 Tratamento Segundo a Visão Ocidental

 

Por acometer grande parte da população brasileira, a Úlcera de origem venosa constitui-se num problema epidemiológico que merece atenção especial por parte dos profissionais da área da saúde (Carmo et al., 2007).

Desta forma, as úlceras dos membros inferiores são muito frequentes em todo o mundo e têm grande importância médico-social, pois, sendo extremamente incapacitantes, afetam de modo significativo a produtividade e a qualidade de vida dos indivíduos, além de determinar gastos significativos para os serviços de saúde (Bergonse, Rivitti, 2006).

            O tratamento, geralmente de caráter ambulatorial, requer consultas frequentes ao médico, com comprometimento da qualidade de vida do paciente. Em número reduzido de casos, torna-se necessário efetuar o tratamento no âmbito hospitalar. As taxas de cicatrização são, em geral, baixas e as recidivas são frequentes (THOMAZ, 2002).

Entre os recursos terapêuticos empregados para o tratamento de úlceras, além dos tratamentos tradicionais com medicação e compressão, podem ser citados a Criogenia, o Ultra-Som, Eletroterapia, Oxigenoterapia Hiperbárica, Laser de baixa potência e ou o emprego conjugado destes recursos como a Oxigenoterapia Hiperbárica com LED (MARQUES et al., 2004).

Apesar da publicação de diversas recomendações de tratamento e das revisões sistemáticas realizadas, o tratamento adequado das Úlceras Venosas da perna é desafio contínuo para os profissionais de saúde. É fundamental a continua implementação de equipes multidisciplinares e estudos bem elaborados com recomendações baseadas na evidência e amplamente divulgadas para maximizar os benefícios a estes doentes (Siqueira et al., 2009).

Segundo Otálvarez (2011), o tratamento deve ser alcançar a cicatrização da úlcera, sendo que a responsabilidade interdisciplinar recai geralmente sobre o médico e o corpo de enfermagem, sendo esse último, responsável por realizar os curativos. Sendo assim, há três elementos importantes para se identificar: tratar os mecanismos fisiopatológicos, identificar e corrigir os fatores predisponentes e colaboradores, além de, proporcionar as medidas que favoreçam a cicatrização.

De posse de trabalhos como o de Castro et al. (2010) que referem à busca das terapias ditas como alternativas, para o tratamento dessas patologias crônicas e degenerativas (caso da Úlcera Venosa) e o trabalho de Bergonse e Rivitti (2006) que citam o custo social para os pacientes (limitando e muito suas atividades de vida diária) e a sobrecarga aos sistemas de saúde, por se tratar de uma patologia muito recidivante, que objetivou-se neste trabalho a realização de uma revisão da literatura cientifica nacional e internacional, sobre os mecanismos de ação em nível fisiológico na aplicação de Acupuntura e Moxabustão em pacientes com Úlceras Venosas, verificando a eficácia destas técnicas da MTC, principalmente no caráter regenerativo dos tecidos ulcerativos, além de buscar protocolos de atendimento condizentes com essa proposta reparativa.

 

 

 

2 METODOLOGIA

2.1 Delineamento

A metodologia se constituiu por meio de uma criteriosa revisão de trabalhos científicos nacionais e internacionais, por meio de Livros, Artigos e Bibliotecas Virtuais, seguindo as especificações e normas estabelecidas pela Universidade de Mogi das Cruzes referentes ao formato tradicional, que são baseadas nas descrições da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT-2002). Além disso, foi utilizado como critério de inclusão o ano de publicação entre 1990 a 2011.

 

2.2 Procedimentos

Para a realização deste estudo utilizou-se as palavras-chave: Moxabustão, Acupuntura, Úlcera Venosa, Tratamento e suas respectivas traduções em idiomas diferentes (Inglês e Espanhol). As fontes de coletas de dados foram principalmente, as bibliotecas da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), Universidade Cruzeiro do Sul (UNICSUL), Universidade Federal do Estado de São Paulo (UNIFESP), além de Revistas indexadas em sites de busca científica como: Bireme, Scielo, Med Line, Lilacs, PubMed, Cochrane Library, Web Science, entre outras. Foram encontrados artigos científicos nacionais e internacionais que correspondem aos critérios de inclusão e exclusão e também aos objetivos deste estudo.

 

 

 

 

3 MEDICINA TRADICIONAL CHINESA (MTC) E ACUPUNTURA

 

Segundo Gomes (2008), a Acupuntura é uma das técnicas de tratamento da Medicina Tradicional Chinesa (MTC). Originou-se na pré-história, através da descoberta casual de que a estimulação de certas regiões aliviava a dor em outro local. Sendo assim, durante muito tempo, a Acupuntura foi vista com desconfiança por pacientes e médicos adeptos da medicina ocidental. Hoje em dia a situação é bem diferente. Cada vez mais pessoas procuram a Acupuntura para tratar os mais variados problemas. E os médicos, antes receosos, hoje indicam a Acupuntura como complemento no tratamento de diversas doenças. Essa mudança de comportamento se deve aos resultados positivos que comprovam a eficácia da técnica chinesa na cura e tratamento de diversas enfermidades (LEITE, 2006).

Para Kurebayashi (2009) a Acupuntura é uma técnica antiga que objetiva diagnosticar doenças e promover cura pela estimulação de autocura do corpo. Esse processo se dá pelo realinhamento e redirecionamento da energia, por meio da estimulação de pontos de Acupuntura por meio de agulhas finas metálicas, laser, pressão e outras formas de abordagem.

            Segundo o mesmo autor, em 2003 para dar maior visibilidade e fundamentação à Acupuntura como terapêutica eficaz e segura para uma gama de enfermidades, a Organização Mundial de Saúde (OMS) fez a divulgação de doenças tratáveis pela Acupuntura. Foi feita uma listagem sobre estudos clínicos controlados de Acupuntura em diferentes enfermidades, coletados nos anos anteriores a 2002 e provenientes de diversos países do mundo. Segundo esse documento há uma grande gama de possibilidades terapêuticas da Acupuntura para doenças agudas e crônicas, para todas as faixas etárias, inclusive e especialmente para idosos. Embora a Acupuntura tenha credibilidade no Ocidente como sendo eficaz na analgesia, seu uso se estende para desordens do sistema respiratório, digestivo, nervoso, psicológicos, emocionais e endócrinos.

Com o tempo estabeleceu-se que muitos pontos de Acupuntura estão contidos em canais de energia específicos que perpassam todo o corpo, e mantêm influência sobre diversas partes do mesmo, como, por exemplo, os órgãos e vísceras. Tais canais recebem o nome de Meridianos. Dentre as técnicas utilizadas pela Acupuntura para atingir esses estímulos desejados, a mais usada é a inserção de agulhas metálicas nesses pontos, daí vem à etimologia do nome (ocidental), que foi dado a esta técnica pelos jesuítas que retornaram de suas viagens ao extremo Oriente, por volta do século XVII, e que em latim quer dizer “punção com agulha” através da adição dos nomes acus (agulha) + punctura (picada/punção). Estas agulhas podem ser feitas de diversos tipos de material, como ouro, prata ou aço inoxidável. O termo original no vocabulário chinês é Tchenntsiou, e pode ser traduzido como agulha e mocha (LOPES, 2005).

 

Figura 2 – Diferentes agulhas de Acupuntura

Fonte: CIEPH (2001, p. 01).

 

Uma técnica muito empregada da MTC, em conjunto com a Acupuntura é a Moxibustão (também chamada de Moxabustão) que consiste no estímulo desses pontos de Acupuntura através da moxa, que é um pequeno bastão confeccionado a partir das folhas de Artemísia (Artemisia vulgaris ou Artemisia sinensis). Esta erva possui a peculiaridade de lenta combustão, possibilitando que esses pontos sejam profundamente aquecidos através da energia térmica (calor) liberada durante sua queima, sendo essa, outra forma de estímulo energético pela Acupuntura (FIRMINO, 2009). Este modo de utilização da moxa é denominado Moxabustão indireta, justamente por não haver um contato do bastão em brasa com a pele, e sim apenas uma aproximação. Porém na Moxabustão direta, uma pequenina Moxa (do tamanho de um grão de arroz) é colocada em cima da pele, no lugar específico, e acesa. Posteriormente, antes de ocorrerem lesões devido a queimaduras, apaga-se com a pressão do dedo (LOPES, 2005). Contudo, Wen (2006, p. 217), refere ainda que além desses métodos de estimulação, há outros que atualmente também recebem o nome de Moxibustão, sendo utilizadas outras fontes de energias físicas tais como: raio infravermelho, energia elétrica, etc. que mediante o calor provocam o mesmo efeito da Moxa.

 

Figura 3 – Moxabustão para tratamento por aquecimento.

Fonte: Angelotti (2011)

 

Já Yamamura (2001, p.665) define com mais propriedade a utilização da moxa ao expor que a aplicação da Moxabustão tem por finalidade aquecer o Qi (Energia) e o Xue (Sangue), dos Canais de Energia Principais e Secundários, promovendo aumento da velocidade na circulação energética desses Canais de Energia, potencializando a nutrição e a atividade dos Zang Fu (Órgãos/Vísceras) e das Vísceras Curiosas, Otálvarez (2011) complementa ainda dizendo que a Moxa tem propriedades que aquecem e desobstruem esses canais, eliminando assim o Frio, a Umidade e promovendo assim, o funcionamento dos órgãos.

Para De La Cruz (2006), existem algumas indicações básicas para aplicação da Moxa: o ponto é interditado para agulhas, o ponto requer calor, o paciente está em local de clima muito frio, a doença é crônica, e o estímulo deve ser diário, o que é prejudicado pelo uso de agulhas e se o paciente é idoso e esgotado. A ação da Moxa é tonificante e está contra-indicada nos casos congestivos, febris e na hipertensão. O calor da Moxa deve ser suportado, pelo paciente, até o momento que não ofereça perigo à pele, queimando-a. Em geral utilizam-se Moxa nos estados Yin e agulhas nos estados Yang.

A utilização da Acupuntura e da Moxa também são muito notadas no aspecto imunológico, como relata Scognamillo-Szabó e Bechara (2001), ao afirmar que a Acupuntura pode exercer efeito sobre a produção de anticorpos, sendo observado tanto melhor tempo de produção dos mesmos quanto maior persistência quando comparado à produção corpórea normal. Verificou-se ainda, que a Eletroacupuntura e Moxabustão reduziram o número total de bactérias recuperadas no exsudato peritoneal frente à peritonite infecciosa, através do aumento de anticorpos fixadores de complementos, opsonizantes e aglutinantes. Ainda, observou-se que a Moxabustão pode dobrar o título sérico de aglutininas contra bacilo tifóide. Leite (2006) reforça a afirmação referindo que  a folha da planta Artemísia Vulgaris, possui propriedade anti-inflamatória.

Yamamura (2001, p. 667) complementa ainda, referindo que a Moxabustão é amplamente utilizada para restabelecer o equilíbrio energético nos quadros de Deficiência dos Canais de Energia Yang (Principais e Curiosos), assim como circular e regularizar a Água Orgânica dos Canais de Energia Principais e Curiosos Yang, e consequentemente levar essa Água para nutrir e regularizar o Yang dos Zang Fu e as Vísceras Curiosas. Por outro lado, a Deficiência de Qi e de Xue, nos Canais de Energia Principais Yin, propicia a penetração do Frio e da Umidade, em detrimento do Yin Qi e do Yang Qi.

Sendo assim, a Acupuntura apresenta ainda, os Princípios Fundamentais da Medicina Tradicional Chinesa (MTC), que segundo Kurebayashi (2009), referem-se a uma vasta gama de aplicações e terapêuticas, incluindo entre as mesmas, ervas dietas, massagens, exercícios, além da Acupuntura. Todas essas técnicas são desenvolvidas com base no principio da indissociabilidade do corpo com o ambiente, das relações intrínsecas entre o microcosmo e o universo, permeado com a mesma energia.

Contudo, Otálvarez (2011), ressalta que os conhecimentos básicos da MTC incluem principalmente as teorias de Yin – Yang, Qi ou Energia Vital e as Substâncias, Cinco Elementos, Zang Fu e Teoria dos Canais de Energia.

Desta forma temos o Yin – Yang, onde sua filosofia é a base fundamental da cultura chinesa. Literalmente, Yin e Yang referem-se ao lado escuro e ao lado iluminado da montanha, respectivamente (SILVEIRA, 2009). A teoria Yin-Yang afirma que todo fenômeno ou coisa no universo tem implícitos dois aspectos opostos: Yin e Yang, que são ao mesmo tempo contraditório e interdependente. A relação entre o Yin e o Yang é uma lei universal do mundo material, o princípio e a razão da existência de milhões de coisas e a causa primaria do aparecimento e desaparecimento de todas as coisas.

É um processo dinâmico, onde os opostos se complementam. O Yin não pode existir sem Yang, ambas as forças sempre se unem para criar o todo.
A teoria do Yin Yang consiste em vários princípios: o princípio da oposição,
interdependência, controle mútuo – crescimento e decrescimento e intertransformação do Yin em Yang. Estas relações entre o Yin e o Yang são usados ​​na Medicina Tradicional Chinesa para explicar a fisiologia e patologia do corpo humano e servir como um guia para diagnóstico e tratamento (DE LUCA, 2008).

 

 

Figura 4 – Tao ou TEI-GI, diagrama chinês que permeia toda filosofia de Yin-Yang.

Fonte: De Luca, (2008, p. 42).

 

Neste símbolo, o preto representa Yin e o branco representa Yang. O pequeno círculo preto dentro do círculo branco mostra que Yin está sempre dentro do branco Yang; da mesma maneira, o pequeno círculo branco dentro do preto mostra que Yang está sempre dentro do preto Yin. Em outras palavras, todas as coisas são ambas Yin e Yang, simultaneamente. Sendo que, o balanço e a harmonia do Yin e do Yang são governados pelos Cinco Elementos (Cinco Movimentos).

Já a teoria dos Cinco Elementos ou Movimentos, constitui o segundo pilar da filosofia e da MTC. A concepção dos Cinco Movimentos baseia-se na evolução dos fenômenos naturais, em como os vários aspectos que compõe a natureza geram e dominam uns aos outros. Assim, observa-se que todos os fenômenos naturais têm características próprias a partir das quais podem originar outros fenômenos e ao mesmo tempo sofrer destes, influências benéficas ou maléficas. Sendo assim, as características próprias dos fenômenos naturais podem ser agrupadas em cinco categorias diferentes que se encontram em constante movimento de Geração e Dominância entre si, constituindo o que foi denominado de Cinco Movimentos (YAMAMURA ,2001, p. XLVI).

Essa teoria sustenta que os Cinco Elementos que são: Madeira, Fogo, Terra, Metal e Água, são os elementos básicos que compõe o mundo material. Assim, todas as coisas e fenômenos do universo não estão isoladas e tão pouco estão imóveis e são o resultado dos movimentos e mutações das cinco matérias fundamentais. A MTC emprega essa teoria para classificar em diferentes categorias os fenômenos naturais da maioria dos órgãos, tecidos e emoções humanas e interpretá-las relacionando entre a fisiopatologia do corpo humano e o meio ambiente (OTÁLVAREZ, 2011).

 

Figura 5 – Ciclo Sheng e Ciclo Ko.

Fonte: Silveira (2009, p. 15).

 

Colocando essas fases em um círculo, é fácil visualizar as leis que governam os Cinco Elementos. Dois ciclos distintos são usados em diagnóstico e tratamento: Ciclo Sheng e Ciclo Ko. Desta forma o Ciclo Sheng é o ciclo de Criação ou Produção. Uma certa fase cria outra à sua direita, num sentido horário. Essa próxima fase, por sua vez, produz a próxima e assim por diante ao redor do pentagrama. Então, Fogo produz Terra, Terra produz Metal, Metal produz Água, Água produz Madeira e Madeira produz Fogo. É comum usar o termo mãe e filho para se referir a este ciclo. Considerando-se que um elemento promove o próximo, este elemento representa a mãe e aquele que ele promove, seu filho. Usando esses termos, a Madeira é a mãe do Fogo e o Fogo é filho da Madeira. Já o Ciclo Ko é o ciclo de Controle ou Dominação. Esse é o modo de se manter as coisas em equilíbrio, de forma que nada possa se tornar muito poderoso e causar dano. A Madeira restringe a Terra, a Terra restringe a Água, a Água restringe o Fogo, o Fogo restringe o Metal e o Metal restringe a Madeira.

Usando o Ciclo Sheng, a lei (mãe-filho) estabelece o que se segue: em uma condição de Deficiência, tonificar a mãe; em uma condição de Excesso, sedar o filho. Seguem-se os mesmos princípios de tonificação e sedação ao empregar o ciclo Ko, mas a teoria (lei) é a seguinte: “Em uma condição de Excesso, tonificar o Avô; em uma condição de Deficiência, sedar o Avô.” Nessa situação Avô é o elemento que restringe ou destrói (SILVEIRA, 2009).

Ainda dentro destas teorias da MTC, temos o Zang Fu, que refere sobre os Órgãos e Vísceras. Contudo, a concepção da MTC sobre os órgãos internos é diferente daquela do ocidente. Consideram-se três aspectos distintos: o energético, o funcional e o orgânico, sendo assim, a MTC denomina de Zang Fu o estudo dos órgãos e das vísceras sob esses três aspectos (YAMAMURA, 2001, p. LIII).

Embora a teoria do Zang-Fu tenha se baseado no conhecimento de anatomia da época antiga, o seu desenvolvimento ocorreu por meio da observação e análise dos resultados, com base no princípio: o que está no interior necessita do que está no exterior (SILVEIRA,2009). A teoria de Zang-Fu (órgãos e vísceras) descreve estas relações envolvidas nas funções fisiológicas e patológicas do organismo. Nela, cada órgão e víscera pertence a um elemento e é capaz de gerar e controlar outro (LIMA, 2007).

Neste contexto, Otálvarez (2011), define essa teoria afirmando que a teoria do Zang Fu, se refere às funções, manifestações patológicas e a relação entre os órgãos e as vísceras a partir da observação de sua fisiologia. Sendo que, essa denominação (Zang Fu) justamente significa genericamente a interação entre esses dois complexos, onde o Zang representa os órgãos, onde sua função é conservar a Essência e as Substancias Nutritivas, produzir, transformar e estocar a energia, o Sangue e os Líquidos Orgânicos. Já o Fu representa as vísceras e tem como papel receber e digerir os alimentos, assimilar as Substancias Nutritivas e transformar, transportar e descartar os resíduos.

Sendo assim, os órgãos são em número de seis, sendo eles: Coração (Xin), Fígado (Gan), Baço (Pi), Pulmão (Fei), Rim (Shen) e o Pericárdio (Xin Bao), já as vísceras, também em número de seis são: Intestino Delgado (Xiao Chang), Vesícula Biliar (Dan), Estômago (Wei), Intestino Grosso (Da Chang), Bexiga (Pang Guan) e o Triplo Aquecedor (San Jiao). Desta forma a MTC considera que nenhum órgão do corpo atua isoladamente (SILVEIRA, 2009).

 

Quadro 1– Principais correspondências dos Cinco Elementos

Fonte: Lima (2007, p.22).

 

Outra teoria segundo a MTC é a Teoria dos Canais, que segundo De Luca (2008), existem no corpo muitos pontos de Acupuntura e que ao se unir estes pontos obtêm-se linhas ou trajetórias longitudinais que foram denominados Jing ou Meridianos, e trajetos horizontais que foram denominados Luo ou Comunicação. Sendo assim, Jing Luo é o termo genérico que engloba os Meridianos e suas ramificações, sendo que Jing tem o sentido de “caminho” ou “via”, os Meridianos são os ramos principais do sistema canalar e Luo são os ramos dos Meridianos que se cruzam em diagonais e que cobrem o conjunto do corpo.

Segundo Otálvarez (2011), eles são à base da circulação de energia. Os Canais de Energia constituem meio de ligação entre o interior e o exterior transmitindo as diversas formas de energia entre esses dois meios. Os Canais de Energia Yang veiculam a Água Orgânica, o Yin Orgânico, enquanto os Canais de Energia Yin veiculam o Calor Orgânico ou o Yang Qi (Yamamura, 2001, p. LIII).

O sistema de Canais é composto por doze Canais regulares, oito Extraordinários e quinze Colaterais, sendo que é função dos Canais transportar o Qi e o Xue, aquecer e nutrir os tecidos, além de conectar todo o corpo de maneira que se mantenha integra todas as estruturas, coordenar os diversos órgãos (Zang Fu), membros e extremidades, ossos etc, fazendo com que o corpo seja uma unidade orgânica integrada (OTÁLVAREZ, 2011).

Patologicamente os Canais regulares e os Colaterais são responsáveis pela ocorrência e transmissão de enfermidades, pois, através deles estas podem se aprofundar a partir de um nível superficial do corpo. De fato, a existência de uma relação inter-visceral através dos Meridianos, permite que as enfermidades possam evoluir de uma víscera a outra. Sendo assim, as enfermidades são consequência de um funcionamento anormal dos órgãos e vísceras (OTÁLVAREZ, 2011), neste mesmo sentido Gomes (2008) complementa afirmando que o adoecimento é causado por um bloqueio dessa circulação vital, ou por uma invasão de fatores patogênicos, ou por uma deficiência do organismo. O desequilíbrio de cada um dos Canais gera Deficiência, Excesso, Estagnação e/ou Irregularidade. Através da manipulação das agulhas em pontos determinados pode-se remover o bloqueio, expulsar o fator patogênico e fortalecer o organismo. O estímulo dos pontos pode ser feito de diversas maneiras: ventosas, pressão digital, sementes, laser, eletroacupuntura, magnetos e o calor da moxa, através da queima de uma mistura de ervas medicinais.

O mesmo autor refere ainda que existe uma relação particular entre os Meridianos e cada um dos órgãos, de maneira, que se pode descobrir os aspectos anormais examinando e palpando o trajeto dos Meridianos. No mesmo sentido, Lima (2007) afirma que os Meridianos comunicam a superfície com o interior do corpo, relacionam órgãos e vísceras, órgãos dos sentidos, músculos, tendões etc. Por eles, a energia circula sempre em um mesmo sentido e o conhecimento preciso de seu trajeto é de grande importância para o diagnóstico e tratamento.

Por fim, Otálvarez (2011) refere que os principais Meridianos são: Pulmão, Pericárdio, Coração, Intestino Grosso, San Jiao (Triplo Aquecedor), Intestino Delgado, Baço, Fígado, Rim, Estômago, Vesícula Biliar e Bexiga e os maravilhosos Ren Mai e Du Mai.

Há ainda, dentro das teorias básicas da MTC, as Substâncias Fundamentais, sendo elas o Qi (Energia), o Xue (Sangue), o Jing (Essência), o Shen (Espírito) e o Jin Ye (Líquidos Orgânicos) (SILVEIRA, 2009). Desta forma, o Qi (Energia) que é a força criativa que origina, dentro de uma polaridade dinâmica entre Yin e Yang, um fluxo de uma força vital denominada Qi. Essa energia ou força vital pode ser vista em mudanças ou movimento. Em um corpo o Qi se acumula nos órgãos e flui pelos Canais ou Meridianos que os chineses chamavam de Jing Luo. As principais funções do Qi são: ser uma fonte de todos os movimentos voluntários, dos processos motores envolvidos na respiração, na função circulatória e na motilidade intestinal, gerar calor no corpo, a atividade mental e a vitalidade são algumas expressões do Qi que se conhece como Shen, também se encarrega das funções orgânicas, como a transformação dos alimentos em sangue e outros fluidos corporais, protege o corpo frente às influencias externas nocivas como os fatores climáticos, essa função protetora é muito importante na prevenção de enfermidades, sendo que esse Qi é conhecido como Wei Qi e se encontra na superfície do corpo (OTÁLVAREZ, 2011).

Segundo Yamamura (2001, p.LVI), a energia Qi é a forma imaterial que promove o dinamismo, a atividade do ser vivo. Manifesta-se sob dois aspectos principais, um de características Yang, que representa a energia que produz o calor, a expansão, a explosão, a ascensão, a claridade, o aumento de todas as atividades, e o outro de características Yin, a energia que produz o frio, o retraimento, a descida, o repouso, a escuridão, a diminuição de todas as atividades, ou seja, essa energia é imutável, recebendo denominações diferentes conforme suas funções.

Segundo Silveira (2009) a Essência dos Alimentos (Gu Qi) derivado dos alimentos e da bebida pela ação do Baço-Pâncreas (Pi) e do Estômago (Wei), combina com o ar do Pulmão (Fei) para formar o Zhong Qi e o Zhen Qi, sob a influência do Coração (Xin) e do Pulmão (Fei). O Zhong Qi e o Qi do Tórax estão intimamente relacionados com as funções do Coração (Xin) e do Pulmão (Fei) e com a circulação do Sangue (Xue) e do Qi pelo corpo. O Wei Qi (Qi da defesa) e o Yong Qi (Qi da nutrição) são os dois aspectos de Zhen Qi, o Qi verdadeiro. O Wei Qi circula principalmente na pele e nos músculos, enquanto o Yong Qi circula nos Canais e Colaterais (Jing Luo) e nos Vasos (Xue Mai).

Outra Substância é o Xue (Sangue), sendo que, o Sangue é a forma mais densa e material do Qi, que flui para todo o organismo com a função de nutrir e umedecer todos os órgãos e vísceras (Zang Fu) e todos os tecidos (DE LUCA, 2008).

A Essência dos Alimentos (Gu Qi) derivada dos alimentos e das bebidas é transformada em Xue no Tórax, pela ação do Coração e do Pulmão. O aspecto Yin do Jing, armazenado nos Rins (Shen) produz a medula óssea que produz o Sangue (Xue). Além disso, o aspecto Yang do Jing ou o Yuan Qi, ativa as transformações executadas pelo Coração e pelo Pulmão no aquecedor superior e pelo Baço-Pâncreas/Estômago no aquecedor médio (SILVEIRA, 2009).

Ainda dentro das Substâncias, temos o Jing (Essência), que para De Luca (2008), o Jing apresenta três tipos de manifestações que são: o Jing Congênito (Inato, Pré celestial ou do Céu anterior), que representa a carga genética herdada dos pais e determina a constituição básica dos indivíduos. É o único tipo de Jing presente no feto, o qual nutre o embrião e o feto durante a gestação e é dependente do Qi do Rim da mãe. Sua harmonia e equilíbrio podem ser influenciados pela vida sexual regrada, dieta balanceada e equilíbrio entre trabalho e repouso. O Jing Adquirido (Essência adquirida dos alimentos, Pós celestial ou céu posterior) que representa a Essência refinada extraída dos alimentos, água e grãos, pelo Baço (Pi) e Estômago (Wei), após o nascimento. Os alimentos são enviados ao Jiao Médio (Baço- Pi e Estomago- Wei), onde no estomago são macerados e pela ação do Qi do Baço são transformados em Jing Adquiridos (Essência adquirida dos alimentos). O Baço transporta o Jing adquirido dos alimentos para o Pulmão para ser misturado com o Ar (Qi Celeste, Tian Qi) e formar o Qi Torácico (Zong Qi). No Pulmão é enviado ao Coração onde é transformado em Sangue e distribuído para todo corpo pela ação do Qi torácico. E o último tipo que é a Essência do Rim (Shen Jing), que representa a Essência que se origina da interação do Jing Congênito e Adquirido e determina a constituição do individuo, é armazenada no Rim e circula por todo o organismo especialmente nos Vasos Maravilhosos (Meridianos).

      A Essência tem a função de controlar o crescimento ósseo das crianças, dentes, desenvolvimento cerebral normal e a maturidade sexual. Na mulher a Essência flui num ciclo de sete anos e no homem em um ciclo de oito anos.

Ainda dentro das Substâncias temos o Shen (Espirito ou Consciência), onde o Shen Pré Natal é derivado dos pais e o Shen Pós Natal derivado ou manifestado pela interação do Jing e Qi, enquanto o Sangue do Coração (Xin Xue) e Yin do Coração (Xin Yin) fornecem a moradia para o Shen (Espírito), visto que na compreensão da MTC, a consciência não reside tanto no Cérebro, mas sim no Coração (Xin). O Shen vitaliza o corpo e a consciência e fornece a força da personalidade (OTÁLVAREZ, 2011).

A última substância é o Jin Ye (Líquidos Orgânicos), que tem sua origem nos alimentos e água recebidos pelo Estômago, que são transformadas e transportadas pelo Baço, sendo assim compreendem: suor, saliva, lágrima, muco, urina e os líquidos próprios dos órgãos e vísceras e das articulações (DE LUCA, 2008).

 

 

4 ÚLCERA VENOSA SEGUNDO A  MTC

 

Patógenos como Sol e o Vento, Calor, Umidade e Intoxicação, atacam as partes inferiores. A energia patógena Frio, ao invadir o organismo provoca o entupimento da região Cou Li (subcutânea), de modo que a energia dos alimentos (Gu Qi) e a energia de proteção externa (Wei Qi) não circulam e se coagulam no interior. Assim, se estanca o Sangue (Xue) e se obstrui a circulação nos Canais e Tecidos, desta forma, não havendo nutrição se desenvolvem as Úlceras; se a evolução é crônica, se consome a energia do Sangue, diminuindo a energia antipatogênica, acumulando-se Umidade, Toxinas na Pele e Úlceras (HUA et al.,2007). O princípio terapêutico é para remover a Umidade, desintoxicar, tonificar e ativar a circulação sanguínea e energética, para gerar novos tecidos e evitar úlceras,
e desta forma diminuir a dor (LÓPEZ, 2009).

A Medicina Tradicional Chinesa (MTC) tem a sua própria concepção da pele, pois, considera que a mesma é composta por diferentes camadas e músculos, semelhante ao do Ocidente. As camadas da pele de acordo com o MTC são as seguintes: Camada superficial da pele (Fu), que corresponde a Epiderme, sendo influenciado principalmente pelos Pulmões; temos ainda, a camada profunda da pele (Ge) que corresponde a Derme, sendo influenciada pelos Pulmões, Fígado e Rins; há ainda, os Músculos Subcutâneos (Ji) que correspondem aos músculos subjacentes, sendo influenciados pelo Baço e o Fígado; outra camada é a Gordura e Músculo (Fen Rou) que corresponde a duas estruturas gordurosas, sendo influenciadas pelo Baço, Vasos Sanguíneos Renais diretos e Músculos e perto dos ossos são influenciados pelo Baço e Fígado; já o espaço entre a Pele e Músculos (Cou Li) é influenciado pelos Pulmões e Baço; e finalmente os Poros na Pele e Glândulas Sebáceas (Xuan Fu), através do suor que é influenciada pelos Pulmões e Baço. (MACIOCIA, 2004. p. 169-190, 701).

 Desta forma, qualquer desarmonia destes Zang Fu pode provocar esses quadros de ulcerações, sendo um exemplo claro citado por Otálvarez (2011) referindo que se os Rins são saudáveis ​​a pele está úmida e brilhante. Se os Rins são deficientes (Deficiência de Yin do Rim), os fluidos são fracos e a pele torna-se seca e sem brilho. Se o Yang do Rim está em Deficiência, o fluido pode acumular-se no espaço entre a pele e os músculos causando edema.  Segundo Otálvarez (2011 apud Maciocia, 2004. p. 169-190, 701), a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) acredita que existem dois tipos de úlceras: Úlceras Yang: que são caracterizadas por bordas bem definidas e salientes, em forma de vale e as Úlceras Yin que não tem as bordas bem definidas, não se destacam, são menos profundas e tendem a ser mais secretivas.

 

4.1 Zang Fu envolvidos nos processos de Ulcerações

 

O PULMÃO (FEI) governa o Qi e a respiração. Essa é a função mais importante do Pulmão, uma vez que é do ar que o Pulmão extrai o “Qi puro” para o organismo, o qual combina com o Qi do Alimento, que vem do Baço; a combinação do ar do Pulmão e do Qi do Alimento forma o Qi da Reunião (Zong Qi). Após sua formação, o Pulmão dispersa o Qi por todo o organismo, a fim de nutrir todos os tecidos e promover todos os processos fisiológicos (MACIOCIA, 2004, p.106).

De acordo com Auteroche e Navailh (1992, p.73), o Pulmão também controla a descida do ar inspirado até os Rins que devem recebê-los. É graças a essa função de descida ininterrupta de seu Qi, que o Pulmão concorre ao metabolismo normal da água que desce do Aquecedor Superior para o Aquecedor Inferior, seguindo a “via das águas”.

Como Ross (1994, p.139-140) cita, o Qi do Pulmão manifesta-se nos pêlos, que nada mais é que um dos aspectos da função do Pulmão de harmonizar o exterior que inclui a pele, os pêlos, as glândulas sudoríparas e resistência contra agressões. O Pulmão abre-se no nariz, que é a via de entrada da respiração para a garganta, conhecida como a “porta do Pulmão”.

O Pulmão controla a pele, sendo o mais “exterior” dos órgãos e influencia o Qi Defensivo; por todas essas razões, o Pulmão é o órgão mais fácil e diretamente invadido pelos fatores patogênicos exteriores, principalmente Vento, Calor, Fogo, Frio, Umidade e Secura. O Pulmão é, algumas vezes, denominado o órgão “delicado” por causa de sua suscetibilidade ao ser invadido pelos fatores patogênicos exteriores (MACIOCIA, 2004, p.110).

            Já o BAÇO-PÂNCREAS (PI), regula a transformação e transporte. Os alimentos e as bebidas, sob a influência do Qi do Baço-Pâncreas (BP) são digeridos e separados em frações puras e impuras. As frações impuras passam do Intestino Delgado para o Intestino Grosso onde se faz a absorção e depois à Bexiga para a excreção. A fração pura é enviada à custa do BP para o Pulmão, onde é transformado em Energia (Qi), Sangue (Xue) e Líquido Orgânico (Jin Ye) (ROSS, 1994, p.80).

            Maciocia (2004, p.120) diz, o Baço extrai do alimento o Qi do Alimento para nutrir todos os tecidos do organismo. Esse Qi refinado é transportado por todo o organismo pelo Baço. Se o Baço estiver forte, o Qi refinado é direcionado para os músculos, particularmente os referentes aos membros.

            O Qi do Baço permite ao Sangue correr normalmente nos vasos e impede que se espalhe fora dos mesmos. Se o Qi do Baço estiver fraco, o Sangue transborda manifestando-se pelos vários tipos de hemorragias (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p.71).

            Segundo Ross (1994, p.81), uma função restrita ao Yang Qi do Baço é a de ajudar a sustentar e a manter os Órgãos no interior do corpo. E abre-se na boca e manifesta-se nos lábios.

            Ainda neste contexto, os RINS (SHEN) têm a função de armazenar a Essência pré-celestial, ou seja, a Essência herdada antes do nascimento nutre o feto e, após o nascimento, controla o crescimento, a maturação sexual, a fertilidade e o desenvolvimento. Essa Essência determina nossa base constitucional, força e vitalidade. Também é à base da vida sexual e o alicerce material para a fabricação do esperma nos homens, do óvulo e do sangue menstrual nas mulheres (MACIOCIA, 2004, p.128).

De acordo com Auteroche e Navailh (1992, p.79), a regulação dos Líquidos Orgânicos é em grande parte devida à atividade do Qi dos Rins. Em seu ciclo normal a água passa pelo Estômago que a recebe, pelo Baço que a transforma, pelo Pulmão, que a distribui. Atravessa os Três Aquecedores, o que é puro vai para os órgãos, o que é impuro se transforma em suor e urinas que são expulsos do corpo.

O Pulmão encaminha o Qi para os Rins que o recebe e o mantém. Abre-se nas orelhas e manifesta-se nos cabelos (ROSS, 1994, p.68).

Por fim, o FÍGADO (GAN), situado na região do hipocôndrio direito, possui as funções de armazenar o Sangue, controlar a dispersão e o livre fluxo do Qi, determinar as condições dos tendões e dos ligamentos, ser responsável pelo movimento dos fluídos orgânicos, influenciar o ciclo menstrual, nutrir músculos e tendões, influenciar nas unhas e de se relacionar com os olhos (SALES, 2008).

4.2 PADRÕES SINDRÔMICOS DAS ÚLCREAS VENOSAS SEGUNDO A MTC

 

         Para Maciocia (2004, p.169-190), as principais Síndromes que podem gerar Úlceras são: Acumulação de Calor Umidade no Baço, que provocam Úlceras em membros inferiores (MMII), sendo elas vermelhas, doloridas e inchadas, inflamadas, com secreção viscosa, pegajosa e amarelada, pruriginosas e com as bordas duras após a secreção de fluidos, deixando o membro com sensação de peso. Otálvarez (2011) refere ainda, que há sensação de plenitude na região epigástrica e menor abdômen, perda de apetite, sensação de peso, sede, sem desejo de beber ou com desejo de beber em pequenos goles, náuseas, vômitos, dor abdominal, fezes moles e nauseante, sensação de queimação no ânus, urina escassa e amarela escura, leve febre e dores de cabeça. Apresenta saburra amarela e viscosa e Pulso escorregadio e rápido. Sendo assim o princípio de tratamento é eliminar a Umidade e diminuir o Calor.

            Outro Padrão que pode ser encontrado para Maciocia (2004, p.169-190) é a Deficiência de Qi do Baço com Umidade, que provoca Úlceras nos membros inferiores que são caracterizados por edema, indolor, de coloração vermelho pálido e secreção de fluidos serosos e não viscosos. Otálvarez (2011), refere ainda que há perda de apetite, distensão abdominal leve após comer, fadiga, palidez, fraqueza nas pernas, diarréia, distensão abdominal, sensação de peso, digestão lenta, permanência de alimento nas fezes, cefaléia frontal e náuseas. Apresenta língua pálida com saburra pegajosa. Nos casos crônicos podem notar um ligeiro inchaço das bordas e fissuras transversais, além de pulso vazio. Desta forma o principio de tratamento é Tonificar o Baço (Maciocia, 2001, p. 221-223).

O terceiro Padrão citado por Maciocia (2004, p.169-190) é a Estagnação de Qi e Estagnação de Sangue de Fígado, que apresenta Úlceras em membros inferiores, sendo elas escuras, dolorosas, duras, com secreção túrbida ou viscosa e com pele vermelha ao redor da úlcera. Otálvarez (2011) complementa ainda referindo que os pacientes podem apresentar sensação de distensão nos hipocôndrios, suspiros, soluços, depressão, náusea, vômitos, falta de apetite, arrotos, regurgitação ácida, menstruação dolorosa e irregular, irritabilidade pré-menstrual, diarréia. Quando há predomínio de Estagnação do Sangue, as fezes apresentam sangue escuro com coágulos, lábios e tez roxos além de dores abdominais. Apresenta ainda língua roxa em todas as bordas, com pulso tenso ou ligeiramente em corda, sendo que o princípio de tratamento consiste em dispersar e regular o QI e o Sangue do Fígado (Maciocia, 2001, p.249-257).

Por fim, segundo Maciocia (2004, p.169-190), o último Padrão é o de Deficiência de Yin do Fígado e dos Rins, que provoca Úlceras em membros inferiores, não sendo dolorosas e de aspecto vermelho pálido. Já Otálvarez (2011) acrescenta dizendo que os pacientes podem apresentar tonturas, fraqueza, dificuldade para ouvir, dor lombar, cefaléia occipital ou vertical, insônia, olhos secos, visão turva, garganta seca à noite, pele e cabelos secos, sudorese noturnos, dormência ou formigamento nas extremidades, unhas quebradiças, menstruação escassa ou amenorréia. Apresenta ainda língua de cor normal e sem saburra, com pulso lento ou flutuante. Desta forma o seu princípio de tratamento consiste em nutrir o Yin do Fígado e do Rim (Maciocia, 2001, p.250-257). Contudo, para López (2009) os Padrões Desarmônicos podem ser ainda: Deficiência de Qi, Estase de Qi, Estase de Sangue, Calor no Sangue, Estase de Qi de Fígado, Estase de Sangue de Fígado, Deficiência de Sangue de Fígado, Deficiência de Qi de Baço, Deficiência de Yang de Baço, Baço não controla Sangue e Deficiência de Yang de Rim.

 

 

  

5 TRATAMENTO COM ACUPUNTURA E MOXABUSTÃO NAS ÚLCERAS VENOSAS           

 

Segundo Beheregaray (2009), a cicatrização de feridas é um evento complexo, que envolve a interação de diversos componentes celulares e bioquímicos e ocorre espontaneamente, sem intervenções externas, mas que, quando tratada através de artifícios benéficos, tende a ocorrer de forma mais rápida e com melhores resultados funcionais e estéticos. A possibilidade de acelerar a cicatrização e o fechamento de lesões cutâneas, através de recursos químicomedicamentosos ou físicos, tem sido objeto de investigação de muitos pesquisadores.

Para Santervás (2003), apesar de um tratamento etiológico correto e uma variedade de curativos disponíveis, atualmente a porcentagem e a velocidade de cura das Úlceras ainda são baixos. Há necessidade, portanto, de tratamentos mais eficazes no manejo desses pacientes para alcançar uma taxa maior e mais rápida de cura dessas lesões, principalmente para aquelas que, pela sua duração e tamanho, são mais difíceis de tratar. Os recentes avanços no conhecimento da fisiopatologia de úlceras crônicas, bem como técnicas de cultura de células, têm permitido na última década o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas que podem representar um avanço significativo.

Apesar da publicação de diversas recomendações de tratamento e das revisões sistemáticas realizadas, o tratamento adequado das Úlceras Venosas da perna é desafio contínuo para os profissionais de saúde. É fundamental a contínua implementação de equipes multidisciplinares e estudos bem elaborados com recomendações baseadas na evidência e amplamente divulgadas para maximizar os benefícios a estes doentes (Siqueira et al., 2009).

Neste sentido Castro et al. (2010) referem que cada vez mais, as doenças crônicas e degenerativas vem recorrendo a terapias ditas como terapias alternativas sendo que nos Estados Unidos as terapias em questão mais usadas são Acupuntura, massagem, biofeedback e yoga.

Na Medicina Tradicional Chinesa, o diagnóstico das doenças é feito por meio da Diferenciação de Síndromes (conjuntos de sinais e sintomas). Do ponto de vista da Acupuntura, a Diferenciação das Síndromes e a definição do tratamento são inseparáveis (HARRES, 2008).

Sendo assim, com os Padrões citados anteriormente por Maciocia (2004, p. 221- 403) encontramos tratamentos corroborados por diferentes autores, desta forma colocou-se que sobre a Acumulação de Calor Umidade no Baço, Otálvarez (2011) e López (2009) prescrevem o tratamento com a finalidade comum de eliminar a Umidade e Dispersar o Calor, usando os pontos Yinlingquan (BP9), Sanyinjiao (BP6), Zhiyang (VG9),Quchi (IG11), Pishu (B20), Yanglingquan (VB34).

Outro Padrão citado por Maciocia (2004, p. 221- 403) é a Deficiência de Qi do Baço com Umidade, que o mesmo Maciocia (2004, p.169-190) e De Luca (2008), corroboram dizendo que o princípio de tratamento deve ser tonificar o Baço, usando pontos como Zhongwan (VC12), Zusanli (E36), Taibai (BP3), Sanyinjiao (BP6),Pishu, (B20) e Weishu (B21), com método de tonificação. Já para a Estagnação de Qi e Estagnação de Sangue de Fígado, Maciocia (2004, p.169-190) e López (2009) citam que o princípio do tratamento deve ser desobstruir e dispersar o Qi e o Sangue do Fígado, usando os pontos Yanglingquan (VB34), Taichong (F3), Zhangmen (F13), Qimen (F14), Zhigou (TA6), Neiguan (PC6), Ganshu (B18), Geshu (B17), Xuehai (B10) e Qihai (VC6), sendo utilizado a Moxabustão neste quadro.

Por fim, temos a Deficiência de Yin do Fígado e dos Rins, que segundo  Otálvarez (2011), López (2009) e Maciocia (2004, p.169-190) tem como princípio de tratamento nutrir o Yin do Fígado e do Rim, utilizando os pontos Taixi (R3), Zhaohai (R6), Ququan (F8), Guanyuan (VC4), Shenshu (B23), Pishu (B20), Geshu (B17), Ganshu (B18), Tianshu (B10) e Baihui (VG20).

Para um melhor entendimento dos benefícios diretos da Acupuntura e da Moxabustão sobre esses padrões e consequentemente sobre as Úlceras Venosas, cita-se trabalhos que realmente refletem sobre a ação cicatrizante e regenerativa proporcionada por essas técnicas da MTC, assim no trabalho de López (2009) o mesmo procurou comparar a eficácia do tratamento de Acupuntura e Moxabustão com o tratamento farmacológico (anti-inflamatório) nos pacientes com Úlceras Venosas, assim, o foco do estudo não foi a cicatrização das feridas, mas sim a diminuição da dor. Como resultado, não houve diferença estatística entre o grupo Acupuntura e o grupo que usou fármacos, contudo, o mesmo autor relata que houve melhora tanto na diminuição das algias provocadas pela Úlcera, quanto melhora no processo de cicatrização nos pacientes que fizeram uso da Acupuntura. O autor explica ainda, que essa diferença entre a analgesia e a cicatrização ou terapia curativa, se deve ao fato de que a Acupuntura focada na cura ou cicatrização requer um tratamento mais prolongado do que o que busca apenas a analgesia.

Para confirmar e demostrar a real eficácia do tratamento curativo de Úlceras Venosas e feridas, estudiosos realizaram diversos testes a fim de descobrir o efeito fisiológico que a Acupuntura e a Moxabustão realizam no organismo, sendo assim, em seu estudo sobre as diversas utilidades da Acupuntura, Harres (2008) referiu que hoje se dispõe de evidências dos eventos moleculares, celulares e teciduais que estão por trás da resposta à inserção de agulhas e aquecimento tecidual. Na observação clínica pelo menos quatro importantes resultados terapêuticos da Acupuntura e Moxabustão, se mostram evidentes, sendo: o alívio do estresse físico e emocional, a ativação e controle dos mecanismos imune e anti-inflamatório, a aceleração da regeneração e cicatrização tecidual, além de analgesia e alívio da dor. A inserção de agulhas de Acupuntura estimula os nervos periféricos, determinando à síntese e a liberação de vários peptídeos opióides endógenos, entre eles, as endorfinas, no Sistema Nervoso Central. Ocorre uma elevação do limiar da dor, uma ação sobre o sistema cardiovascular melhorando o aporte sanguíneo, a oxigenação e a drenagem de catabólitos; sobre o sistema imune, atua modulando as respostas ao mesmo tempo em que regula o equilíbrio do sistema endócrino. Como resultado, temos o incremento do processo regenerativo e a promoção de um relaxamento físico e emocional do paciente, pois substâncias como a serotonina e as endorfinas, que participam no controle da dor, também têm efeito tranquilizante e miorrelaxante.

No mesmo sentido, o trabalho de Oliveira e Min (2011) também refere que a Acupuntura apresenta uma ampla diversidade de efeitos: relaxante muscular, sedativo/hipnótico, anti hemético, ansiolítico, antidepressivo (leve), anti-secretor (de ácido clorídrico), anti-adição, anti-inflamatório, indutor de imunidade, facilitador na reabilitação após acidente vascular cerebral e estimulante da reparação e cicatrização tecidual.

Outro estudo que buscou analisar os efeitos endógenos e fisiológicos da Acupuntura e da Moxabustão em busca de reparação tecidual, como no caso das Úlceras, foi Vas et al.(2008) que detalharam mais este processo de cicatrização tecidual e consequentemente ulcerativa ao relatar que além de analgesia, a Acupuntura e a Moxabustão provocam vasodilatação periféricos na pele e nos músculos, provavelmente devido ao reflexo axônico. A estimulação das fibras C e A-delta, bem como agentes pró-inflamatórios, como o gene da calcitonina, peptídeo relacionado (CGRP), a substância P (SP), neurocinina A (NKA), opióides, somatostatina galanina e peptídeo intestinal vasoativo (VIP). A vasodilatação profunda e prolongada também pode ser mediada por CGRP. Alguns estudos têm sugerido que os neuropeptídeos liberados pelo nervo sensorial estimulado são benéficos na manutenção da integridade da pele, para tratar as úlceras e para desordens vasculares periféricos. Outro elemento-chave na regulação do tônus ​​vascular e fluxo sanguíneo é a síntese endotelial de óxido nítrico (NO), que é ativo em vasodilatação arteriolar e reduz a resistência periférica, facilitando fluxo normal de sangue para os tecidos. Tem sido demonstrado que a expressão de NO-sintase (NOS) é maior em regiões da pele onde os pontos de Acupuntura e os Canais são localizados. Nessas áreas, além disso, há níveis elevados de NO no sangue depois da Acupuntura, o que sugere que a estimulação do nervo sensorial da Acupuntura pode atuar como um modulador in vivo de níveis de NO.

No mesmo sentido, Luna e Taylor (1998), a Acupuntura pode apresentar aumento ou diminuição das concentrações plasmáticas de cortisol (Arantes et al.,2008), sendo este um dos glicocorticóides mais potentes, sua secreção é controlada pela liberação do hormônio liberador de corticotrofina (CRH), produzido no hipotálamo, que estimula a liberação do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), hormônio sintetizado na Adeno-hipófise, que atua intracelularmente, estimulando a síntese e secreção de hormônios no córtex da supra-renal. Em condições normais, a quantidade de cortisol não afeta os mecanismos de inflamação e de cicatrização, porém, quando o paciente é submetido a um estresse físico ou neurogênico ocorre aumento imediato da secreção do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), seguido em alguns minutos pelo aumento da secreção do cortisol, reduzindo o número de células inflamatórias e desta maneira agindo também nos processos cicatriciais.

Com o foco diferente, Otálvarez (2011), objetivou em seu estudo, verificar a eficácia da Acupuntura e da Moxabustão no processo de cicatrização das Úlceras Venosas e Traumáticas, desta forma, o mesmo pode verificar melhora significante no processo de regeneração tecidual com o uso das técnicas mencionadas. Com sua visão o autor refere que o efeito da Acupuntura sobre o fluxo sanguíneo e cicatrização tecidual foi investigada por vários autores, o mecanismo da sua ação parece ser tanto através da inibição simpática regional pela liberação de peptídeos vasodilatadores, especialmente peptídeo relacionado ao gene da Calcitonina (CGRP). A liberação de CGRP tem sido demonstrada tanto em pele como no músculo, como resultado da estimulação antidrômica de nervos aferentes. O aumento do fluxo sanguíneo após o uso da acupuntura supre necessidades locais ou regionais melhorando a oxigenação tecidual e a cicatrização, por isso pensa-se que a patologia subjacente de Ulceração Venosa é a hipóxia devido ao edema crônico e fibrose subsequente.

Sendo assim, após a comparação entre esses estudos, pode-se observar a importância do fluxo sanguíneo neste processo de reparação tecidual, desta forma todos os autores corroboram ao citarem a importância de se trabalhar com o Sangue (Xue) nesta regeneração tecidual. López (2009) relata que melhorando a circulação sanguínea local e a de distribuição, pode ser um dos principais aspectos dos quais a Acupuntura deriva seus efeitos sobre doenças inflamatórias e crônicas como as Úlceras. Já Otálvarez (2011), refere que o tratamento de Acupuntura restaura o fluxo perturbado ao estimular pontos chave de Acupuntura com efeito homeostático, como Quchi (IG11) e Zusanli (E36), juntamente com o ponto de influência sobre os vasos sanguíneos Taiyuan (P9), e os pontos extraordinários Baxie (M.MS22) e Bafeng (M.MI8). O mesmo refere ainda outros pontos com efeito sobre o fluxo de Sangue são: Taichong (F3), Hegu (IG4), Yanglingquan (VB34), Xinshu (B15), Shanzhong (VC17) e Shaohai (C3).

A Moxabustão também atua diretamente sobre o Sangue (Xue), proporcionando o aquecimento dos canais (JING LUO) e a dispersão de Umidade e Frio (OLIVEIRA, 2006) que são os principais agentes patogênicos da Úlcera Venosa citadas por López (2009) anteriormente. O embasamento vem ainda com CIEPH (2001, p.38), onde é mencionado que a Moxabustão tem a finalidade de aquecer e promover a circulação do Qi nos doze Meridianos, além de estimular nos três meridianos Yin a regularização do Qi e o Xue, eliminando o Frio e a Umidade. Ainda neste sentido, Leite (2006) ressalta que segundo a Medicina Tradicional Chinesa, a ação do Moxabustão é aquecer os Canais de Energia, dispersar o Frio e a Umidade, regular a circulação de Sangue (Xue), aumentando a atividade de energia Yang. O calor resultante deste processo produz estímulos que regularizam as funções fisiológicas do corpo, por intermédio dos Canais de Energia.

Referente ainda a utilização da Moxabustão para os processos de tratamento e cicatrização das Úlceras Venosas, Szabó e Bechara (2001) afirmam que o efeito da Acupuntura e Moxabustão sobre as funções imunológicas estão intimamente relacionado ao local da estimulação. Uma diferença significativa é notada quando são estimulados acupontos ou não-acupontos e também entre estímulos dados a diferentes acupontos. É uma característica da Acupuntura manter a função imunológica em um estado ótimo, regulando seus mecanismos. Em geral, a Acupuntura pode restaurar a homeostase de um organismo, diminuindo hiperfunções e ativando mecanismos em hipofunção.

Nesta relação de imunidade, Okazaki (1990) desenvolveu um trabalho para estudar o efeito de uma única ou de múltiplas aplicações de Moxabustão na atividade da função plaquetária, coagulação e fibrinólise de pacientes sem patologias previamente identificadas. Após a primeira sessão de Moxabustão a coagulação aumentou e após múltiplas sessões, a homeostase sanguínea e atividade fibrinolítica se mantiveram, bem como o trabalho que há melhora da atividade fagocitária no mecanismo de defesa do hospedeiro, sugerindo assim, uma ação eficaz da Moxabustão nos processos imunológicos e de cicatrização e reparação tecidual.

Por fim, para atestar a veracidade e a competência da Acupuntura e da Moxabustão, outros trabalhos tem demonstrado o poder de recuperação ou cicatrização tecidual tanto nas Úlceras Venosas como em outras lesões. Um desses estudos é o realizado por Hayashi (2006), onde o mesmo refere que a Acupuntura pode ser utilizada em afecções do disco intervertebral tóraco-lombar com o intuito de controlar a dor, normalizar a função motora e sensorial e alterações na micção, além de poder atuar também acelerando a cicatrização tecidual e ter efeito anti-inflamatório.

Assim sendo, para mostrar que realmente os estímulos causados pela Acupuntura fornecem aferências a níveis de Sistema Nervoso Central, produzindo eferências curativas como no caso das Úlceras, o autor De Luca (2008) refere que com a evolução de vários estudos sobre lesões celulares e cicatrização, observou-se que a inserção de agulhas de Acupuntura e aplicação de Moxabustão provocam alterações celulares que liberam substâncias algógenas que estimulam quimiorreceptores que podem atuar sobre o Sistema Nervoso Autônomo e Encéfalo, regiões muito importantes no processo autoimune ou imunológico.

 

 

6 CONCLUSÃO

           

            A Úlcera Venosa (UV) mostrou-se uma patologia multifatorial e de difícil tratamento, onde suas recidivas e suas consequências têm onerado e muito os sistemas de saúde em nível mundial.

De posse dos trabalhos revisados, pode-se concluir que diversos tratamentos estão sendo empregados para o tratamento das UV, porém o tratamento dito como convencional (Medicina Ocidental) pouco se tem conseguido em relação ao aumento da velocidade de cicatrização e amenização das consequências secundárias proporcionadas por esta patologia. De fato, pode-se evidenciar ainda, que a pesquisa destas soluções tem proporcionado uma busca muito mais ampla, tanto no sentido científico, quanto no sentido cultural, sendo que técnicas ditas como “Alternativas” até então desconhecidas ou descartadas pelo mundo médico voltam a ganhar importância devido aos bons resultados averiguados, ao vasto campo de estudo e principalmente ao baixo custo do tratamento, sendo entre essas a Acupuntura e a Moxabustão (técnicas pertencentes à Medicina Tradicional Chinesa ou MTC).

Pode-se identificar ainda, que assim como na medicina ocidental, o tratamento através da Acupuntura e da Moxabustão busca um diagnóstico preciso das raízes dos chamados “sinais e sintomas” proporcionados pela patologia vigente, compondo assim o chamado Padrão Sindrômico da patologia (na MTC), para desta forma buscar o tratamento e a técnica efetiva para o distúrbio apresentado. Com isso, pode-se analisar que segundo a literatura averiguada, a UV apresentou alguns Padrões Sindrômicos corroborados entre autores estudados, sendo estes a Acumulação de Calor Umidade no Baço, Deficiência de Qi do Baço com Umidade, Estagnação de Qi e Estagnação de Sangue de Fígado e a Deficiência de Yin do Fígado e dos Rins.

Desta forma, identifica-se entre todas as referências, quais os pontos mais utilizados dentro dos padrões averiguados, assim, na Acumulação de Calor Umidade no Baço temos: Yinlingquan (BP9), Sanyinjiao (BP6), Zhiyang (VG9),Quchi (IG11), Pishu (B20) e Yanglingquan (VB34). Já na Deficiência de Qi do Baço com Umidade temos: Zhongwan (VC12), Zusanli (E36), Taibai (BP3), Sanyinjiao (BP6),Pishu, (B20) e Weishu (B21). No mesmo sentido, na Estagnação de Qi e Estagnação de Sangue de Fígado temos: Yanglingquan (VB34), Taichong (F3), Zhangmen (F13), Qimen (F14), Zhigou (TA6), Neiguan (PC6), Ganshu (B18), Geshu (B17), Xuehai (B10) e Qihai (VC6). Por fim, na Deficiência de Yin do Fígado e dos Rins temos: Taixi (R3), Zhaohai (R6), Ququan (F8), Guanyuan (VC4), Shenshu (B23), Pishu (B20), Geshu (B17), Ganshu (B18), Tianshu (B10) e Baihui (VG20).

Outro ponto muito relevante e conclusivo neste estudo foi o grande contingente bibliográfico que apontou as evidências físico-fisiológicas sobre a eficácia do tratamento com Acupuntura e a Moxabustão no que diz respeito ao processo cicatricial e reparativo, onde não só a resposta local foi evidenciada, como também respostas sistêmicas que proporcionam uma melhor resposta ao que se entende como conseguinte secundário da UV, tendo assim respostas concretas e importantes como o alívio do estresse físico e emocional, ativação e controle dos mecanismos imune e anti-inflamatório, aceleração e cicatrização tecidual, além da tão desejada analgesia, sendo esses pontos importantes não apenas no que diz respeito a incapacidade funcional proporcionada pela patologia, mas também tendo ligação direta a respostas físico-psico-emocionais, que proporcionam uma integralidade muito relevante no processo de reabilitação deste paciente.

            Em nível fisiológico pode-se concluir que a vasodilatação periférica na pele e nos músculos, provavelmente devido ao reflexo axônico, estimulado tanto pela aplicação da agulha, quanto pelo aquecimento do tecido, proporcionam uma melhora do aporte sanguíneo local e sistêmico, provocando assim alterações celulares que liberam substâncias algógenas (dentre elas o Cortisol e o Óxido Nítrico) que ativam quimiorreceptores que podem estimular o Sistema Nervoso Autônomo e Encéfalo, que por sua vez reagem com processos autoimunes e/ou imunológicos, proporcionando assim uma gama de processos intrínsecos capaz de acelerar tanto a capacidade cicatricial, quanto envolver outros aspectos relacionados às incapacidades ou privações proporcionadas pela patologia em si (UV).

            Sendo assim, partindo dos objetivos traçados previamente, pode-se concluir precisamente que a Acupuntura e a Moxabustão são realmente eficazes no tratamento das Úlceras Venosas, proporcionando respostas fisiológicas devidamente argumentadas por diferentes autores, além de proporcionar congruência em seus Padrões Sindrômicos e pontos de tratamento, dando-nos assim possíveis protocolos de atendimento objetivando tanto a reparação propriamente dita, quanto a amenização das consequências e distúrbios secundários provocados pela Úlcera Venosa.

 

 

 

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APÊNDICE – Glossário

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

GLOSSÁRIO

 

Moxa                                     Moxabustão;

Qi                                           Energia;

Xue                                        Sangue;

Jing                                       Essência;

Shen                                     Espírito;

Jin Ye                                               Líquidos Orgânicos;

Zang Fu                                Órgãos e Vísceras;

Xin                                         Coração;

Gan                                       Fígado;

Pi                                           Baço ;

Fei                                         Pulmão;

Shen                                     Rim;

Xin Bao                                 Pericárdio;

Xiao Chang                         Intestino Delgado;

Dan                                       Vesícula Biliar;

Wei                                        Estômago;

Da Chang                            Intestino Grosso;

Pang Guan                          Bexiga;

San Jiao                               Triplo Aquecedor;

Fu                                          Camada superficial da pele ou Epiderme;

Ge                                          Camada profunda da pele ou a Derme;

Ji                                            Músculos Subcutâneos;

Fen Rou                               Estruturas gordura e Músculos;

Cou Li                                               Espaço entre a Pele e Músculos;

Xuan Fu                               Poros na Pele e Glândulas Sebáceas;

 

UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES

DOUGLAS OLIVEIRA DOS SANTOS

RICARDO PASTORI

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

TRATAMENTO DE ÚLCERAS VENOSAS ATRAVÉS DE MOXABUSTÃO E ACUPUNTURA SISTÊMICA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mogi das Cruzes – SP

                                                                       2012

UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES

DOUGLAS OLIVEIRA DOS SANTOS

RICARDO PASTORI

 

 

 

 

 

 

 

 

TRATAMENTO DE ÚLCERAS VENOSAS ATRAVÉS DE MOXABUSTÃO E ACUPUNTURA SISTÊMICA

 

 

 

 

Monografia apresentada ao Programa de Pós-Graduação da Universidade de Mogi das Cruzes, como parte dos requisitos para a obtenção do título de Especialista em Acupuntura.

 

 

 

Orientadores: Prof. Luiz A. Alfredo e

 

  Profª. Bernadete Nunes Stolai

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MOGI DAS CRUZES – SP

2012

UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES

DOUGLAS OLIVEIRA DOS SANTOS

RICARDO PASTORI

 

 

 

TRATAMENTO DE ÚLCERAS VENOSAS ATRAVÉS DE MOXABUSTÃO E ACUPUNTURA SISTÊMICA

 

 

 

 

 

 

Monografia apresentada ao Programa de Pós-Graduação da Universidade de Mogi das Cruzes, como parte dos requisitos para a obtenção do título de Especialista em Acupuntura.

 

 

 

Aprovado em …………………………

 

 

 

 

 

BANCA EXAMINADORA:

 

 

 

___________________________________________________________________

Prof. Luiz A. Alfredo

UMC – UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES

 

 

 

 

___________________________________________________________________

Profa.  Bernadete Nunes Stolai

UMC – UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES

 

 

DEDICATÓRIA

 

 

 

Dedico este trabalho a Deus, nosso criador e fonte de toda vida e toda sabedoria …

Dedico ainda, a instituição maior deixada por Deus a cada ser vivo desta terra, a Família, em especial à minha, Maria Salete, Domingos, Manoela, Alexandre e as minhas princesinhas Sarah e Julia Vitória, minhas sobrinhas abençoadas.

Dedico ainda, a minha namorada Natali Menezes, que pôde ser minha Intercessora maior nestes dias de abandono nos estudos (Obrigado por sua paciência!!)

E por último mas não menos importante, dedico este trabalho a todos os pacientes que passaram e por atendimento no ambulatório de Acupuntura da Universidade de Mogi das Cruzes, assim também como aos nossos mestres (Luíz Alfredo, Luíz Leoneli, Bernadete e Romana), nossa segunda família … além de dedicar aos nossos colegas de Turma 6, que tanto engrandeceram meu conhecimento e minha felicidade !!!

 

Douglas Oliveira dos Santos

 

 

 

 

 

 

 

 


Dedico este trabalho ao nosso Pai Eterno que sem Ele não temos sequer força para seguir diante nos obstáculos da vida.
À minha querida e amada esposa, que sempre me apoia, me dá forças nos momentos de fraqueza e é meu braço direito, te amo. Aos nossos filhos Rafael e Gabriela.

                   Ricardo Pastori                      

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

AGRADECIMENTOS

 

 

 

 

 

 

 

 

Agradeço a Deus ….

Agradeço a minha família ……

Agradeço aos meus irmãos da Paróquia São João Batista, em especial a Renovação Carismática Católica (RCC) Bertioga ……

Aos pacientes e aos nossos professores do curso de Especialização em Acupuntura da Universidade de Mogi das Cruzes …..

 

 

Douglas Oliveira dos Santos

 

 

 

 

 

 

Agradeço a minha sogra Suely e meu sogro Antônio pela força dada durante estes anos. Pai e Mãe obrigado !!

 

Ricardo Pastori

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Comece fazendo o que é necessário,

depois o que é possível,

e de repente você estará fazendo o impossível”.                                                                                                                   (São Francisco de Assis)

                                           Resumo                                          

 

Úlceras Venosas (UV) ocorrem devido à insuficiência venosa crônica. UV causam significante impacto social e econômico devido à natureza recorrente e ao longo tempo decorrido entre sua abertura e cicatrização. As doenças crônicas degenerativas, como a UV, vêm recorrendo a terapias ditas como alternativa e dentre essas, destaca-se a Acupuntura (AC) e a Moxabustão, que são práticas terapêuticas da Medicina Tradicional Chinesa (MTC). Portanto, o objetivo deste trabalho foi realizar uma revisão da literatura cientifica nacional e internacional, sobre os mecanismos de ação em nível fisiológico na aplicação de Acupuntura e Moxabustão em pacientes com UV, verificando a eficácia destas técnicas da MTC, principalmente no caráter regenerativo dos tecidos ulcerativos, além de buscar protocolos de atendimento condizentes com essa proposta reparativa. Desta maneira, a metodologia se constituiu por meio de uma criteriosa revisão de trabalhos científicos nacionais e internacionais, por meio de livros, artigos e bibliotecas virtuais, sempre norteados pelas normas da Universidade de Mogi das Cruzes. Sendo assim, a UV mostrou-se uma patologia de diferentes Padrões Sindrômicos corroborado pelos diferentes estudos verificados, sendo que, os Padrões mais evidenciados foram a Acumulação de Calor Umidade no Baço, Deficiência de Qi do Baço com Umidade, Estagnação de Qi e Estagnação de Sangue de Fígado e Deficiência de Yin do Fígado e dos Rins. Da mesma forma, o seu tratamento também variou bastante, porém alguns pontos foram assíduos nos diferentes padrões como BP6, B20, VB34, B17, B18 e B20. Logo, os estudos científicos comprovam que Acupuntura e Moxabustão agem na circulação sanguínea, promovendo relaxamento muscular, diminuindo dor e inflamação. Ainda, por trabalhar com efeitos sobre a circulação sanguínea e sobre os efeitos imunológicos como a inflamação, a Acupuntura e a Moxabustão podem atuar também acelerando a cicatrização tecidual.

 

Palavras-chave: Acupuntura, Moxabustão e Úlcera Venosa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Abstract

 

Venous Ulcers (UV) occur due to chronic venous insufficiency.UV cause significant social and economic impact due to the recurrence and the long interval between onset and healing. The chronic degenerative diseases, such as UV, are turning to so-called alternative therapies and among these, there is acupuncture (AC) and Moxibustion, which are therapeutic practices of Traditional Chinese Medicine (TCM). Therefore, the aim of this study was a review of national and international scientific literature on the mechanisms of action in a physiological level in the application of Acupuncture and Moxibustion in patients with UV, verifying the effectiveness of these techniques of TCM, especially in the character of regenerative tissue ulcerative, and seeks care protocols consistent with this proposal healing. Thus, the methodology was formed through a careful review of scientific papers nationally and internationally, through books, articles and virtual libraries, always guided by the standards of the University of Mogi das Cruzes. Thus, the UV proved to be a pathology of different syndromic patterns supported by different studies verified, and the patterns were more evident Accumulation of Damp Heat in the Spleen, Spleen Qi Deficiency with Damp Stagnation of Qi and stagnation Blood and Liver Yin Deficiency Liver and Kidney. Likewise, its treatment also varied widely, but some points were assiduous in different patterns as BP6, B20, VB34, B17, B18 and B20. Therefore, scientific studies show that acupuncture and moxibustion act in the bloodstream, promoting muscle relaxation, reducing pain and inflammation. Still, by working with effects on blood circulation and on the immunological effects such as inflammation, acupuncture and moxibustion may also act by accelerating tissue healing.


Key- Words: Acupuncture, Moxibustion and Venous Ulcers.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lista de Tabelas

 

Tabela 1 Principais correspondências dos Cinco Elementos ………………………..

28

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lista de Ilustrações

 

Figura 1 Úlceras Venosas Extensas em Membros Inferiores…………………………

17

Figura 2 Diferentes agulhas de Acupuntura………………………………………………..

22

Figura 3 Moxabustão para tratamento poraquecimento……………………………….

23

Figura 4 Tao ou TEI-GI, diagrama chinês que permeia toda filosofia de Yin-Yang……………………………………………………………………………………………………..

 

25

Figura 5 Ciclo Sheng e Ciclo Ko.……………………………………………………………….

26

 

 

 

 


 

Lista de Abreviaturas e Siglas

 

MTC                                       Medicina Tradicional Chinesa;

IVC                                        Insuficiência Venosa Crônica;

DAOP                                               Doença Arterial Obstrutiva Periférica;

OMS                                      Organização Mundial de Saúde;

et al.                                       Abreviação do latim et alii, significando “e outros”;

mmHg                                              Milímetros de Mercúrio;

MMII                                       Membros Inferiores;

NO                                         Óxido Nítrico;

SP                                          Substância P;

NKA                                       Neurocinina A;

VIP                                         Peptídeo Intestinal Vasoativo;

CGRP                                               Peptídeo Relacionado ao Gene da Calcitonina;

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

sumÁrio

 

1  INTRODUÇÃO ………………………………………………………………………………….

12

1.1 eNVELHECIMENTO mUNDIAL ………………………………………………………..  

13

1.2 Fisiopatologia da Insuficiência Venosa Crônica – Visão Ocidental ………………………………………………………………………………………..  

 

15

1.3 TRATAMENTO SEGUNDO A VISÃO OCIDENTAL …………………………….

2   METODOLOGIA ………………………………………………………………………………

        2.1 dELINEAMENTO………………………………………………………………………

        2.2 PROCEDIMENTOS…………………………………………………………………..

18

20

20

20

3  MEDICINA TRADICIONAL CHINESA (mtc) E ACUPUNTURA …………….

4  Úlcera venosa segundo a mtc ……………………………………………….

4.1 Zang Fu envolvidos nos processos de Ulcerações ………..

4.2 PADRÕES SINDRÔMICOS DAS ÚLCREAS VENOSAS SEGUNDO A MTC ……………………………………………………………………………………………………

TRATAMENTO COM ACUPUNTURA E MOXABUSTÃO NAS ÚLCERAS VENOSAS ……………………………………………………………………………………………

6  CONCLUSÃO …………………………………………………………………………………..

    REFERÊNCIAS ………………………………………………………………………………..

    APÊNDICE  ………………………………………………………………………………………

 

21

33

34

 

36

 

38

44

47

53

 

 

 

 

1 INTRODUÇÃO

 

As Úlceras Vasculares apresentam etiologia de origem venosa, arterial ou mista, contudo, as Úlceras Venosas, que são o alvo de nosso estudo, ocorrem devido à Insuficiência Venosa Crônica por varizes primárias, sequela de trombose profunda, anomalias valvulares venosas ou outras causas que interferem no retorno do sangue venoso. Surge após trauma e, muitas vezes, é precedida por episódio de erisipela, celulite ou eczema de estase (QUELEMENTE, MORITA E BALBI, 2009).

Segundo Abbade e Lastória (2006), as Úlceras Venosas causam significante impacto social e econômico devido à natureza recorrente e ao longo tempo decorrido entre sua abertura e cicatrização. Quando não manejadas adequadamente, cerca de 30% das Úlceras Venosas cicatrizadas recorrem no primeiro ano, e essa taxa sobe para 78% após dois anos. Dessa forma, devido à necessidade de terapêuticas prolongadas, o paciente portador de Úlcera Venosa precisa com frequência de cuidados médicos e de outros profissionais da saúde, além de se afastar do trabalho inúmeras vezes e com frequência se aposentam precocemente.

Neste sentido, Carmo et al. (2007) afirmam que essa inadequação do funcionamento do sistema venoso é comum na população idosa, sendo a frequência superior a 4% entre os idosos acima de 65 anos.

Apesar da elevada prevalência e da importância da Úlcera Venosa, ela é frequentemente negligenciada e abordada de maneira inadequada (ABBADE e LASTÓRIA, 2006), já no Brasil, os avanços nas pesquisas nacionais e internacionais não têm sido traduzidas na construção de diretrizes para nortear o tratamento tópico da Úlcera Venosa, persistindo ainda muitas dúvidas dos melhores tratamentos, o que gera uma diversidade de condutas (BORGES, 2005).

Sendo assim, Castro et al. (2010) referem que cada vez mais, as doenças crônicas e degenerativas, como é o caso das Úlceras Venosas, vem recorrendo a terapias ditas como alternativa e/ou complementar, consideradas como práticas que não fazem parte da tradição cultural de um determinado país ou do seu sistema oficial de saúde, ainda, associa-se essa crescente demanda por estas terapias não ocidentais à crise da Medicina Ocidental, que reflete certa descrença das pessoas na ideia de que a tecnologia, aliada à cientificidade das terapias ocidentais, é capaz de garantir o bem-estar da população, frente a alguns problemas de saúde (LOPES, 2005).

            Desta maneira, dentre essas terapias tidas como alternativa destaca-se a Acupuntura e a Moxabustão, que são práticas terapêuticas da Medicina Tradicional Chinesa, sendo que a Acupuntura consiste na aplicação de determinadas técnicas para estimular pontos específicos do corpo para atingir o equilíbrio necessário. Dentre as técnicas utilizadas pela Acupuntura para atingir esses estímulos desejados, a mais usada é a inserção de agulhas metálicas nesses pontos, daí vem à etimologia do nome (XIYAN et al., 2007). Já a Moxabustão (também chamada de Moxibustão) consiste no estímulo desses pontos de Acupuntura através da Moxa, sendo essa outra forma de estímulo energético pela Acupuntura, contudo todas elas possuem a mesma finalidade de restabelecer o equilíbrio energético do corpo, trazendo melhorias parciais ou totais nos estados físico e psicológico (emocional) do indivíduo (PEREIRA, 2005).

            Neste contexto de Úlcera Venosa, Acupuntura e Moxabustão, pesquisas mais recente vieram comprovar e ajudar a esclarecer o misticismo sobre a ação da Acupuntura e da Moxabustão, sendo que através de diversos estudos científicos, ficou comprovado que essas técnicas alteram a circulação sanguínea, modificando a dinâmica da circulação regional proveniente de microdilatações, relaxamento muscular, sanando espasmos, diminuindo a dor e a inflamação (DE LUCA, 2008).

            E é justamente por trabalhar com efeitos sobre a circulação sanguínea e sobre os efeitos imunológicos como a inflamação, que autores como Hayashi (2006) referem que a Acupuntura e a Moxabustão podem atuar também acelerando a cicatrização tecidual, que é o principal objetivo do tratamento das Úlceras Venosas.

           

1.1       Envelhecimento Mundial

 

Segundo Cheng et al. (2007), no século XXI, a população mundial estará envelhecendo em uma escala inédita e sem precedentes, onde, de agora até 2050 a população idosa mundial (ou seja, pessoas com ou mais de 60 anos de idade), aumentará de 600 milhões para 2 bilhões de habitantes. Do mesmo modo, Kaplan et al. (2008) referem que a proporção de idosos na população mundial subirá de 10% em 2005 para 22% em 2050. Sendo assim, hoje em alguns países desenvolvidos, a proporção de pessoas idosas é estimada perto de 1 idoso para cada 5 habitantes e se as tendências atuais continuarem, durante a primeira metade do século XXI, a proporção de idosos chegará a 1 idoso para cada 4 habitante em geral, podendo chegar a até 1 para 2 em certos países.

A Organização Mundial da Saúde classifica de “velhice ou idoso” como pessoas que têm 60 anos ou mais. Em 2020, nesta categoria de idade, um bilhão da população mundial terá 60 anos ou mais, além de que, 75% desse total viverão em países de baixa renda.  Considerando que o número de idosos está aumentando em 70% no mundo desenvolvido, a proporção de pessoas idosas no mundo menos desenvolvido irá aumentar cerca de 400% nas próximas décadas (WAHLIN et al., 2008).

Para tanto, a má distribuição de renda mundial, continua sendo um fator decisivo na hora de mensurar essa longevidade. Esses dados são comprovados no trabalho de Vaupel e Kistowski (2008), onde os mesmos referem que os três países mais antigos hoje, medida pela proporção de pessoas com 60 anos ou mais, são o Japão, Itália e Alemanha. Sendo que, além do Japão, os 20 países na lista dos que têm a maior proporção de idosos são exclusivamente europeus.

As alterações das taxas de fertilidade nos países desenvolvidos apontam um rápido declínio nos últimos anos e vem sendo substituída por um aumento significativo da longevidade. Esse fenômeno também vem sendo notado nos países em desenvolvimento (CHARNESS, 2008). Neste sentido, Lutz et al. (2008) em seu estudo referiram que todas as medidas da população mundial indicam um envelhecimento gradual e contínuo, sendo que a mediana da idade mundial em 2000 foi de 26,6 anos e em 2050 será de 37,3, progredindo para 45,6 anos em 2100, contudo essas previsões não levam em conta a nova longevidade da população, pois quando levado em consideração tal quesito essas medianas se tornam 31,1 no ano de 2050 e 32,9 em 2100, sendo essa queda atribuída a uma diminuição do crescimento populacional mundial.

            Esse aumento da expectativa de vida durante a segunda metade do século XX provocou mudanças drásticas não só na população de países desenvolvidos, como a americana, mas também em toda população mundial. Essa longevidade tem produzido consequências, como o crescente número de adultos em idade de 60 anos ou mais e desta forma, isso tem provocado grandes demandas sobre o sistema de saúde publica, como a utilização de médicos e serviços sociais, aumentando os custos com cuidados de saúde primaria e de cuidados a longo prazo. (BEAN et al., 2004).

            Como ocorreu previamente em países industrializados, junto com o envelhecimento da população brasileira, está ocorrendo uma transição epidemiológica, com mudança do perfil de morbimortalidade da população, com a redução das doenças infectocontagiosas e aumento de doenças crônico-degenerativas, incluindo doenças cardiovasculares e neoplasias (SCHERER, 2008).

            Silva e Nahas (2002) afirmam que as doenças cardiovasculares estão muito relacionadas ao público idoso, onde a prevalência aumenta significativamente com a idade, sendo maior após os 50 anos, em ambos os sexos. Assim, Cavalcante et al. (2010), referem que o envelhecimento traz consigo um perfil de risco para as doenças crônicas, especialmente as cardiovasculares, respiratórias e metabólicas que podem contribuir para o aparecimento de feridas como úlceras arteriais, úlceras diabéticas, Úlceras Venosas, úlceras por pressão, dentre outros. Essas enfermidades crônicas aumentam as incapacidades funcionais e cognitivas dos idosos, o número de internações hospitalares e comprometem significativamente a qualidade de vida desta população.

Segundo Meyer, Chacon e Lima (2006), dentre as consequências dessas desordens cardiovasculares, existe a Insuficiência Venosa Crônica (IVC) que é definida como um funcionamento anormal do sistema venoso causado por incompetência valvular, estando ou não associado à obstrução do fluxo sanguíneo. A IVC pode levar a alterações tróficas da pele e subcutâneas, á rigidez da articulação tíbio-társica e a dificuldades de deambulação, diminuindo a função da bomba muscular da panturrilha, podendo originar em longo prazo, úlceras e, consequentemente, prejuízos da capacidade funcional do paciente, comprometendo as atividades de vida diária.

 

1.2 FisiopAtologia da Insuficiência Venosa Crônica – Visão Ocidental

 

A insuficiência venosa crônica (IVC) é definida como “uma anormalidade do funcionamento do sistema venoso causada por uma incompetência valvular, associada ou não à obstrução do fluxo venoso. Pode afetar o sistema venoso superficial, o sistema venoso profundo ou ambos. Além disso, a disfunção venosa pode ser resultado de um distúrbio congênito ou pode ser adquirida” (FRANÇA, 2003).

O resultado dessa disfunção no sistema venoso é a instalação de um estado de hipertensão venosa. Essa sobrecarga venosa ocorre devido à intensificação do fluxo sanguíneo retrógrado que sobrecarrega o músculo da panturrilha a ponto deste não conseguir bombear quantidades maiores de sangue, na tentativa de contrabalançar a insuficiência das válvulas venosas. (FRANÇA, 2003).

A hipertensão venosa é responsável pelas alterações características da insuficiência venosa crônica. São sinais clínicos dessa patologia: a presença de veias varicosas – consequência da congestão do fluxo sanguíneo, decorrente da incompetência das válvulas venosas. As veias superficiais, principalmente as que possuem paredes mais delgadas, tornam-se dilatadas e tortuosas; edema de membros inferiores – a hipertensão venosa é alimentada durante o relaxamento muscular devido ao refluxo venoso, fato que impossibilita a pressão no interior do vaso sanguíneo atingir um valor abaixo de 60 mmHg.  (PIRES, 2005).

            Hiperpigmentação da pele – caracterizada pela liberação de hemoglobina após o rompimento dos glóbulos vermelhos extravasados para o interstício é degradada em hemossiderina, pigmento que confere a coloração castanho-azulada ou marrom-acinzentada aos tecidos (BERSUSA, LAGES, 2004); dermatite venosa – cuja causa possível é de reação autoimune desencadeada contra proteínas que extravasam para a hipoderme ou contra bactérias infectantes, manifestada através de eritema, edema, descamação e exsudato na extremidade do membro inferior, podendo apresentar prurido intenso (BORGES, 2005); e finalmente, lipodermato-esclerose – que consiste no endurecimento da derme e tecido subcutâneo, decorrente da substituição gradual destes por fibrose (POLETTI, 2000). A patogêne- se da Úlcera Venosa ainda é obscura, porém existe um consenso de que a hipertensão venosa é a condição mais comum para o aparecimento dessa lesão (BORGES, 2005).

A formação da Úlcera Venosa pode estar associada ao acúmulo de líquido e o depósito de fibrina, que leva à formação de manguitos, no interstício interferindo negativamente na nutrição dos tecidos superficiais. A deficiência no suprimento de oxigênio e nutrientes pode acarretar, nas regiões acometidas dos membros inferiores, em ulcerações e necroses. Outro mecanismo que elucida a Úlcera Venosa refere-se à reação entre os leucócitos e moléculas de adesão do endotélio havendo, consequentemente, liberação de citocina e radicais livres. Esse processo desencadeia inflamação que pode causar danos às válvulas venosas e ao tecido adjacente, aumentando a susceptibilidade a ulcerações (FRANÇA, 2003).

 

Figura 1 –  Úlceras Venosas Extensas em Membros Inferiores.

Fonte: Salomó et al. (2001, p. 264).

           

A IVC é responsável por 75% das úlceras de perna. As demais são provocadas por doença arterial obstrutiva periférica (DAOP), neuropatia periférica (diabetes melito, alcoolismo, lepra), doenças infectocontagiosas (erisipela, leishmaniose, tuberculose, etc.), doenças reumatológicas, doenças hematológicas e tumores. (AGUIAR et al., 2005).

A incidência da IVC é mais alta a partir da terceira década de vida, atingindo o indivíduo em plena maturidade, quando sua capacidade de trabalho é maior. Um estudo epidemiológico realizado em alguns países demonstrou a incidência de pelo menos uma forma de doença venosa em mais de 50% de mulheres e 30% de homens. A úlcera, complicação tardia da IVC, tem sido encontrada em 0,06 a 0,2% da população de países como França, Itália, Bélgica, Dinamarca e Canadá, com uma taxa de incidência de 3,5/1.000/ano em indivíduos com mais de 45 anos de idade. As úlceras presentes em membros inferiores são provenientes de disfunção venosa em 60 a 80% dos casos. Essa alta incidência é acompanhada por um custo substancial para seu tratamento. Nos Estados Unidos, estima-se que esse custo represente entre 1,9 a 2,5 bilhões de dólares por ano (LIMA et al., 2002). Já no Brasil, em estudos epidemiológicos foram evidenciados dados relacionados à prevalência das Doenças Vasculares Crônicas, entre elas a IVC em 35,5% da população, sendo 1,5% de úlcera varicosa aberta ou cicatrizada e à incidência de 50% dessas entre mulheres. Além disso, foi observado que o envelhecimento, o número de gestações e o sexo feminino são importantes fatores de risco para o desenvolvimento da doença e suas complicações (MOURA et al., 2010).

 

1.3 Tratamento Segundo a Visão Ocidental

 

Por acometer grande parte da população brasileira, a Úlcera de origem venosa constitui-se num problema epidemiológico que merece atenção especial por parte dos profissionais da área da saúde (Carmo et al., 2007).

Desta forma, as úlceras dos membros inferiores são muito frequentes em todo o mundo e têm grande importância médico-social, pois, sendo extremamente incapacitantes, afetam de modo significativo a produtividade e a qualidade de vida dos indivíduos, além de determinar gastos significativos para os serviços de saúde (Bergonse, Rivitti, 2006).

            O tratamento, geralmente de caráter ambulatorial, requer consultas frequentes ao médico, com comprometimento da qualidade de vida do paciente. Em número reduzido de casos, torna-se necessário efetuar o tratamento no âmbito hospitalar. As taxas de cicatrização são, em geral, baixas e as recidivas são frequentes (THOMAZ, 2002).

Entre os recursos terapêuticos empregados para o tratamento de úlceras, além dos tratamentos tradicionais com medicação e compressão, podem ser citados a Criogenia, o Ultra-Som, Eletroterapia, Oxigenoterapia Hiperbárica, Laser de baixa potência e ou o emprego conjugado destes recursos como a Oxigenoterapia Hiperbárica com LED (MARQUES et al., 2004).

Apesar da publicação de diversas recomendações de tratamento e das revisões sistemáticas realizadas, o tratamento adequado das Úlceras Venosas da perna é desafio contínuo para os profissionais de saúde. É fundamental a continua implementação de equipes multidisciplinares e estudos bem elaborados com recomendações baseadas na evidência e amplamente divulgadas para maximizar os benefícios a estes doentes (Siqueira et al., 2009).

Segundo Otálvarez (2011), o tratamento deve ser alcançar a cicatrização da úlcera, sendo que a responsabilidade interdisciplinar recai geralmente sobre o médico e o corpo de enfermagem, sendo esse último, responsável por realizar os curativos. Sendo assim, há três elementos importantes para se identificar: tratar os mecanismos fisiopatológicos, identificar e corrigir os fatores predisponentes e colaboradores, além de, proporcionar as medidas que favoreçam a cicatrização.

De posse de trabalhos como o de Castro et al. (2010) que referem à busca das terapias ditas como alternativas, para o tratamento dessas patologias crônicas e degenerativas (caso da Úlcera Venosa) e o trabalho de Bergonse e Rivitti (2006) que citam o custo social para os pacientes (limitando e muito suas atividades de vida diária) e a sobrecarga aos sistemas de saúde, por se tratar de uma patologia muito recidivante, que objetivou-se neste trabalho a realização de uma revisão da literatura cientifica nacional e internacional, sobre os mecanismos de ação em nível fisiológico na aplicação de Acupuntura e Moxabustão em pacientes com Úlceras Venosas, verificando a eficácia destas técnicas da MTC, principalmente no caráter regenerativo dos tecidos ulcerativos, além de buscar protocolos de atendimento condizentes com essa proposta reparativa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2 METODOLOGIA

2.1 Delineamento

A metodologia se constituiu por meio de uma criteriosa revisão de trabalhos científicos nacionais e internacionais, por meio de Livros, Artigos e Bibliotecas Virtuais, seguindo as especificações e normas estabelecidas pela Universidade de Mogi das Cruzes referentes ao formato tradicional, que são baseadas nas descrições da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT-2002). Além disso, foi utilizado como critério de inclusão o ano de publicação entre 1990 a 2011.

 

2.2 Procedimentos

Para a realização deste estudo utilizou-se as palavras-chave: Moxabustão, Acupuntura, Úlcera Venosa, Tratamento e suas respectivas traduções em idiomas diferentes (Inglês e Espanhol). As fontes de coletas de dados foram principalmente, as bibliotecas da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), Universidade Cruzeiro do Sul (UNICSUL), Universidade Federal do Estado de São Paulo (UNIFESP), além de Revistas indexadas em sites de busca científica como: Bireme, Scielo, Med Line, Lilacs, PubMed, Cochrane Library, Web Science, entre outras. Foram encontrados artigos científicos nacionais e internacionais que correspondem aos critérios de inclusão e exclusão e também aos objetivos deste estudo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3 MEDICINA TRADICIONAL CHINESA (MTC) E ACUPUNTURA

 

Segundo Gomes (2008), a Acupuntura é uma das técnicas de tratamento da Medicina Tradicional Chinesa (MTC). Originou-se na pré-história, através da descoberta casual de que a estimulação de certas regiões aliviava a dor em outro local. Sendo assim, durante muito tempo, a Acupuntura foi vista com desconfiança por pacientes e médicos adeptos da medicina ocidental. Hoje em dia a situação é bem diferente. Cada vez mais pessoas procuram a Acupuntura para tratar os mais variados problemas. E os médicos, antes receosos, hoje indicam a Acupuntura como complemento no tratamento de diversas doenças. Essa mudança de comportamento se deve aos resultados positivos que comprovam a eficácia da técnica chinesa na cura e tratamento de diversas enfermidades (LEITE, 2006).

Para Kurebayashi (2009) a Acupuntura é uma técnica antiga que objetiva diagnosticar doenças e promover cura pela estimulação de autocura do corpo. Esse processo se dá pelo realinhamento e redirecionamento da energia, por meio da estimulação de pontos de Acupuntura por meio de agulhas finas metálicas, laser, pressão e outras formas de abordagem.

            Segundo o mesmo autor, em 2003 para dar maior visibilidade e fundamentação à Acupuntura como terapêutica eficaz e segura para uma gama de enfermidades, a Organização Mundial de Saúde (OMS) fez a divulgação de doenças tratáveis pela Acupuntura. Foi feita uma listagem sobre estudos clínicos controlados de Acupuntura em diferentes enfermidades, coletados nos anos anteriores a 2002 e provenientes de diversos países do mundo. Segundo esse documento há uma grande gama de possibilidades terapêuticas da Acupuntura para doenças agudas e crônicas, para todas as faixas etárias, inclusive e especialmente para idosos. Embora a Acupuntura tenha credibilidade no Ocidente como sendo eficaz na analgesia, seu uso se estende para desordens do sistema respiratório, digestivo, nervoso, psicológicos, emocionais e endócrinos.

Com o tempo estabeleceu-se que muitos pontos de Acupuntura estão contidos em canais de energia específicos que perpassam todo o corpo, e mantêm influência sobre diversas partes do mesmo, como, por exemplo, os órgãos e vísceras. Tais canais recebem o nome de Meridianos. Dentre as técnicas utilizadas pela Acupuntura para atingir esses estímulos desejados, a mais usada é a inserção de agulhas metálicas nesses pontos, daí vem à etimologia do nome (ocidental), que foi dado a esta técnica pelos jesuítas que retornaram de suas viagens ao extremo Oriente, por volta do século XVII, e que em latim quer dizer “punção com agulha” através da adição dos nomes acus (agulha) + punctura (picada/punção). Estas agulhas podem ser feitas de diversos tipos de material, como ouro, prata ou aço inoxidável. O termo original no vocabulário chinês é Tchenntsiou, e pode ser traduzido como agulha e mocha (LOPES, 2005).

Figura 2 – Diferentes agulhas de Acupuntura

Fonte: CIEPH (2001, p. 01).

 

Uma técnica muito empregada da MTC, em conjunto com a Acupuntura é a Moxibustão (também chamada de Moxabustão) que consiste no estímulo desses pontos de Acupuntura através da moxa, que é um pequeno bastão confeccionado a partir das folhas de Artemísia (Artemisia vulgaris ou Artemisia sinensis). Esta erva possui a peculiaridade de lenta combustão, possibilitando que esses pontos sejam profundamente aquecidos através da energia térmica (calor) liberada durante sua queima, sendo essa, outra forma de estímulo energético pela Acupuntura (FIRMINO, 2009). Este modo de utilização da moxa é denominado Moxabustão indireta, justamente por não haver um contato do bastão em brasa com a pele, e sim apenas uma aproximação. Porém na Moxabustão direta, uma pequenina Moxa (do tamanho de um grão de arroz) é colocada em cima da pele, no lugar específico, e acesa. Posteriormente, antes de ocorrerem lesões devido a queimaduras, apaga-se com a pressão do dedo (LOPES, 2005). Contudo, Wen (2006, p. 217), refere ainda que além desses métodos de estimulação, há outros que atualmente também recebem o nome de Moxibustão, sendo utilizadas outras fontes de energias físicas tais como: raio infravermelho, energia elétrica, etc. que mediante o calor provocam o mesmo efeito da Moxa.

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Figura 3 – Moxabustão para tratamento por aquecimento.

Fonte: Angelotti (2011)

 

Já Yamamura (2001, p.665) define com mais propriedade a utilização da moxa ao expor que a aplicação da Moxabustão tem por finalidade aquecer o Qi (Energia) e o Xue (Sangue), dos Canais de Energia Principais e Secundários, promovendo aumento da velocidade na circulação energética desses Canais de Energia, potencializando a nutrição e a atividade dos Zang Fu (Órgãos/Vísceras) e das Vísceras Curiosas, Otálvarez (2011) complementa ainda dizendo que a Moxa tem propriedades que aquecem e desobstruem esses canais, eliminando assim o Frio, a Umidade e promovendo assim, o funcionamento dos órgãos.

Para De La Cruz (2006), existem algumas indicações básicas para aplicação da Moxa: o ponto é interditado para agulhas, o ponto requer calor, o paciente está em local de clima muito frio, a doença é crônica, e o estímulo deve ser diário, o que é prejudicado pelo uso de agulhas e se o paciente é idoso e esgotado. A ação da Moxa é tonificante e está contra-indicada nos casos congestivos, febris e na hipertensão. O calor da Moxa deve ser suportado, pelo paciente, até o momento que não ofereça perigo à pele, queimando-a. Em geral utilizam-se Moxa nos estados Yin e agulhas nos estados Yang.

A utilização da Acupuntura e da Moxa também são muito notadas no aspecto imunológico, como relata Scognamillo-Szabó e Bechara (2001), ao afirmar que a Acupuntura pode exercer efeito sobre a produção de anticorpos, sendo observado tanto melhor tempo de produção dos mesmos quanto maior persistência quando comparado à produção corpórea normal. Verificou-se ainda, que a Eletroacupuntura e Moxabustão reduziram o número total de bactérias recuperadas no exsudato peritoneal frente à peritonite infecciosa, através do aumento de anticorpos fixadores de complementos, opsonizantes e aglutinantes. Ainda, observou-se que a Moxabustão pode dobrar o título sérico de aglutininas contra bacilo tifóide. Leite (2006) reforça a afirmação referindo que  a folha da planta Artemísia Vulgaris, possui propriedade anti-inflamatória.

Yamamura (2001, p. 667) complementa ainda, referindo que a Moxabustão é amplamente utilizada para restabelecer o equilíbrio energético nos quadros de Deficiência dos Canais de Energia Yang (Principais e Curiosos), assim como circular e regularizar a Água Orgânica dos Canais de Energia Principais e Curiosos Yang, e consequentemente levar essa Água para nutrir e regularizar o Yang dos Zang Fu e as Vísceras Curiosas. Por outro lado, a Deficiência de Qi e de Xue, nos Canais de Energia Principais Yin, propicia a penetração do Frio e da Umidade, em detrimento do Yin Qi e do Yang Qi.

Sendo assim, a Acupuntura apresenta ainda, os Princípios Fundamentais da Medicina Tradicional Chinesa (MTC), quesegundo Kurebayashi (2009), referem-se a uma vasta gama de aplicações e terapêuticas, incluindo entre as mesmas, ervas dietas, massagens, exercícios, além da Acupuntura. Todas essas técnicas são desenvolvidas com base no principio da indissociabilidade do corpo com o ambiente, das relações intrínsecas entre o microcosmo e o universo, permeado com a mesma energia.

Contudo, Otálvarez (2011), ressalta que os conhecimentos básicos da MTC incluem principalmente as teorias de Yin – Yang, Qi ou Energia Vital e as Substâncias, Cinco Elementos, Zang Fu e Teoria dos Canais de Energia.

Desta forma temos o Yin – Yang, onde sua filosofia é a base fundamental da cultura chinesa. Literalmente, Yin e Yang referem-se ao lado escuro e ao lado iluminado da montanha, respectivamente (SILVEIRA, 2009). A teoria Yin-Yang afirma que todo fenômeno ou coisa no universo tem implícitos dois aspectos opostos: Yin e Yang, que são ao mesmo tempo contraditório e interdependente. A relação entre o Yin e o Yang é uma lei universal do mundo material, o princípio e a razão da existência de milhões de coisas e a causa primaria do aparecimento e desaparecimento de todas as coisas.

É um processo dinâmico, onde os opostos se complementam. O Yin não pode existir sem Yang, ambas as forças sempre se unem para criar o todo.
A teoria do Yin Yang consiste em vários princípios: o princípio da oposição,
interdependência, controle mútuo – crescimento e decrescimento e intertransformação do Yin em Yang. Estas relações entre o Yin e o Yang são usados ​​na Medicina Tradicional Chinesa para explicar a fisiologia e patologia do corpo humano e servir como um guia para diagnóstico e tratamento (DE LUCA, 2008).

 

Figura 4 – Tao ou TEI-GI, diagrama chinês que permeia toda filosofia de Yin-Yang.

Fonte: De Luca, (2008, p. 42).

 

Neste símbolo, o preto representa Yin e o branco representa Yang. O pequeno círculo preto dentro do círculo branco mostra que Yin está sempre dentro do branco Yang; da mesma maneira, o pequeno círculo branco dentro do preto mostra que Yang está sempre dentro do preto Yin. Em outras palavras, todas as coisas são ambas Yin e Yang, simultaneamente. Sendo que, o balanço e a harmonia do Yin e do Yang são governados pelos Cinco Elementos (Cinco Movimentos).

Já a teoria dos Cinco Elementos ou Movimentos, constitui o segundo pilar da filosofia e da MTC. A concepção dos Cinco Movimentos baseia-se na evolução dos fenômenos naturais, em como os vários aspectos que compõe a natureza geram e dominam uns aos outros. Assim, observa-se que todos os fenômenos naturais têm características próprias a partir das quais podem originar outros fenômenos e ao mesmo tempo sofrer destes, influências benéficas ou maléficas. Sendo assim, as características próprias dos fenômenos naturais podem ser agrupadas em cinco categorias diferentes que se encontram em constante movimento de Geração e Dominância entre si, constituindo o que foi denominado de Cinco Movimentos (YAMAMURA ,2001, p. XLVI).

Essa teoria sustenta que os Cinco Elementos que são: Madeira, Fogo, Terra, Metal e Água, são os elementos básicos que compõe o mundo material. Assim, todas as coisas e fenômenos do universo não estão isoladas e tão pouco estão imóveis e são o resultado dos movimentos e mutações das cinco matérias fundamentais. A MTC emprega essa teoria para classificar em diferentes categorias os fenômenos naturais da maioria dos órgãos, tecidos e emoções humanas e interpretá-las relacionando entre a fisiopatologia do corpo humano e o meio ambiente (OTÁLVAREZ, 2011).

Figura 5 – Ciclo Sheng e Ciclo Ko.

Fonte: Silveira (2009, p. 15).

 

Colocando essas fases em um círculo, é fácil visualizar as leis que governam os Cinco Elementos. Dois ciclos distintos são usados em diagnóstico e tratamento: Ciclo Sheng e Ciclo Ko. Desta forma o Ciclo Sheng é o ciclo de Criação ou Produção. Uma certa fase cria outra à sua direita, num sentido horário. Essa próxima fase, por sua vez, produz a próxima e assim por diante ao redor do pentagrama. Então, Fogo produz Terra, Terra produz Metal, Metal produz Água, Água produz Madeira e Madeira produz Fogo. É comum usar o termo mãe e filho para se referir a este ciclo. Considerando-se que um elemento promove o próximo, este elemento representa a mãe e aquele que ele promove, seu filho. Usando esses termos, a Madeira é a mãe do Fogo e o Fogo é filho da Madeira. Já o Ciclo Ko é o ciclo de Controle ou Dominação. Esse é o modo de se manter as coisas em equilíbrio, de forma que nada possa se tornar muito poderoso e causar dano. A Madeira restringe a Terra, a Terra restringe a Água, a Água restringe o Fogo, o Fogo restringe o Metal e o Metal restringe a Madeira.

Usando o Ciclo Sheng, a lei (mãe-filho) estabelece o que se segue: em uma condição de Deficiência, tonificar a mãe; em uma condição de Excesso, sedar o filho. Seguem-se os mesmos princípios de tonificação e sedação ao empregar o ciclo Ko, mas a teoria (lei) é a seguinte: “Em uma condição de Excesso, tonificar o Avô; em uma condição de Deficiência, sedar o Avô.” Nessa situação Avô é o elemento que restringe ou destrói (SILVEIRA, 2009).

Ainda dentro destas teorias da MTC, temos o Zang Fu, que refere sobre os Órgãos e Vísceras. Contudo, a concepção da MTC sobre os órgãos internos é diferente daquela do ocidente. Consideram-se três aspectos distintos: o energético, o funcional e o orgânico, sendo assim, a MTC denomina de Zang Fu o estudo dos órgãos e das vísceras sob esses três aspectos (YAMAMURA, 2001, p. LIII).

Embora a teoria do Zang-Fu tenha se baseado no conhecimento de anatomia da época antiga, o seu desenvolvimento ocorreu por meio da observação e análise dos resultados, com base no princípio: o que está no interior necessita do que está no exterior (SILVEIRA,2009). A teoria de Zang-Fu (órgãos e vísceras) descreve estas relações envolvidas nas funções fisiológicas e patológicas do organismo. Nela, cada órgão e víscera pertence a um elemento e é capaz de gerar e controlar outro (LIMA, 2007).

Neste contexto, Otálvarez (2011), define essa teoria afirmando que a teoria do Zang Fu, se refere às funções, manifestações patológicas e a relação entre os órgãos e as vísceras a partir da observação de sua fisiologia. Sendo que, essa denominação (Zang Fu) justamente significa genericamente a interação entre esses dois complexos, onde o Zang representa os órgãos, onde sua função é conservar a Essência e as Substancias Nutritivas, produzir, transformar e estocar a energia, o Sangue e os Líquidos Orgânicos. Já o Fu representa as vísceras e tem como papel receber e digerir os alimentos, assimilar as Substancias Nutritivas e transformar, transportar e descartar os resíduos.

Sendo assim, os órgãos são em número de seis, sendo eles: Coração (Xin), Fígado (Gan), Baço (Pi), Pulmão (Fei), Rim (Shen) e o Pericárdio (Xin Bao), já as vísceras, também em número de seis são: Intestino Delgado (Xiao Chang), Vesícula Biliar (Dan), Estômago (Wei), Intestino Grosso (Da Chang), Bexiga (Pang Guan) e o Triplo Aquecedor (San Jiao). Desta forma a MTC considera que nenhum órgão do corpo atua isoladamente (SILVEIRA, 2009).

 

Quadro 1– Principais correspondências dos Cinco Elementos

Fonte: Lima (2007, p.22).

 

Outra teoria segundo a MTC é a Teoria dos Canais, que segundo De Luca (2008), existem no corpo muitos pontos de Acupuntura e que ao se unir estes pontos obtêm-se linhas ou trajetórias longitudinais que foram denominados Jing ou Meridianos, e trajetos horizontais que foram denominados Luo ou Comunicação. Sendo assim, Jing Luo é o termo genérico que engloba os Meridianos e suas ramificações, sendo que Jing tem o sentido de “caminho” ou “via”, os Meridianos são os ramos principais do sistema canalar e Luo são os ramos dos Meridianos que se cruzam em diagonais e que cobrem o conjunto do corpo.

Segundo Otálvarez (2011), eles são à base da circulação de energia. Os Canais de Energia constituem meio de ligação entre o interior e o exterior transmitindo as diversas formas de energia entre esses dois meios. Os Canais de Energia Yang veiculam a Água Orgânica, o Yin Orgânico, enquanto os Canais de Energia Yin veiculam o Calor Orgânico ou o Yang Qi (Yamamura, 2001, p. LIII).

O sistema de Canais é composto por doze Canais regulares, oito Extraordinários e quinze Colaterais, sendo que é função dos Canais transportar o Qi e o Xue, aquecer e nutrir os tecidos, além de conectar todo o corpo de maneira que se mantenha integra todas as estruturas, coordenar os diversos órgãos (Zang Fu), membros e extremidades, ossos etc, fazendo com que o corpo seja uma unidade orgânica integrada (OTÁLVAREZ, 2011).

Patologicamente os Canais regulares e os Colaterais são responsáveis pela ocorrência e transmissão de enfermidades, pois, através deles estas podem se aprofundar a partir de um nível superficial do corpo. De fato, a existência de uma relação inter-visceral através dos Meridianos, permite que as enfermidades possam evoluir de uma víscera a outra. Sendo assim, as enfermidades são consequência de um funcionamento anormal dos órgãos e vísceras (OTÁLVAREZ, 2011), neste mesmo sentido Gomes (2008) complementa afirmando que o adoecimento é causado por um bloqueio dessa circulação vital, ou por uma invasão de fatores patogênicos, ou por uma deficiência do organismo. O desequilíbrio de cada um dos Canais gera Deficiência, Excesso, Estagnação e/ou Irregularidade. Através da manipulação das agulhas em pontos determinados pode-se remover o bloqueio, expulsar o fator patogênico e fortalecer o organismo. O estímulo dos pontos pode ser feito de diversas maneiras: ventosas, pressão digital, sementes, laser, eletroacupuntura, magnetos e o calor da moxa, através da queima de uma mistura de ervas medicinais.

O mesmo autor refere ainda que existe uma relação particular entre os Meridianos e cada um dos órgãos, de maneira, que se pode descobrir os aspectos anormais examinando e palpando o trajeto dos Meridianos. No mesmo sentido, Lima (2007) afirma que os Meridianos comunicam a superfície com o interior do corpo, relacionam órgãos e vísceras, órgãos dos sentidos, músculos, tendões etc. Por eles, a energia circula sempre em um mesmo sentido e o conhecimento preciso de seu trajeto é de grande importância para o diagnóstico e tratamento.

Por fim, Otálvarez (2011) refere que os principais Meridianos são: Pulmão, Pericárdio, Coração, Intestino Grosso, San Jiao (Triplo Aquecedor), Intestino Delgado, Baço, Fígado, Rim, Estômago, Vesícula Biliar e Bexiga e os maravilhosos Ren Mai e Du Mai.

Há ainda, dentro das teorias básicas da MTC, as Substâncias Fundamentais, sendo elas o Qi (Energia), o Xue (Sangue), o Jing (Essência), o Shen (Espírito) e o Jin Ye (Líquidos Orgânicos) (SILVEIRA, 2009). Desta forma, o Qi (Energia) que é a força criativa que origina, dentro de uma polaridade dinâmica entre Yin e Yang, um fluxo de uma força vital denominada Qi. Essa energia ou força vital pode ser vista em mudanças ou movimento. Em um corpo o Qi se acumula nos órgãos e flui pelos Canais ou Meridianos que os chineses chamavam de Jing Luo. As principais funções do Qi são: ser uma fonte de todos os movimentos voluntários, dos processos motores envolvidos na respiração, na função circulatória e na motilidade intestinal, gerar calor no corpo, a atividade mental e a vitalidade são algumas expressões do Qi que se conhece como Shen, também se encarrega das funções orgânicas, como a transformação dos alimentos em sangue e outros fluidos corporais, protege o corpo frente às influencias externas nocivas como os fatores climáticos, essa função protetora é muito importante na prevenção de enfermidades, sendo que esse Qi é conhecido como Wei Qi e se encontra na superfície do corpo (OTÁLVAREZ, 2011).

Segundo Yamamura (2001, p.LVI), a energia Qi é a forma imaterial que promove o dinamismo, a atividade do ser vivo. Manifesta-se sob dois aspectos principais, um de características Yang, que representa a energia que produz o calor, a expansão, a explosão, a ascensão, a claridade, o aumento de todas as atividades, e o outro de características Yin, a energia que produz o frio, o retraimento, a descida, o repouso, a escuridão, a diminuição de todas as atividades, ou seja, essa energia é imutável, recebendo denominações diferentes conforme suas funções.

Segundo Silveira (2009) a Essência dos Alimentos (Gu Qi) derivado dos alimentos e da bebida pela ação do Baço-Pâncreas (Pi) e do Estômago (Wei), combina com o ar do Pulmão (Fei) para formar o Zhong Qi e o Zhen Qi, sob a influência do Coração (Xin) e do Pulmão (Fei). O Zhong Qi e o Qi do Tórax estão intimamente relacionados com as funções do Coração (Xin) e do Pulmão (Fei) e com a circulação do Sangue (Xue) e do Qi pelo corpo. O Wei Qi (Qi da defesa) e o Yong Qi (Qi da nutrição) são os dois aspectos de Zhen Qi, o Qi verdadeiro. O Wei Qi circula principalmente na pele e nos músculos, enquanto o Yong Qi circula nos Canais e Colaterais (Jing Luo) e nos Vasos (Xue Mai).

Outra Substância é o Xue (Sangue), sendo que, o Sangue é a forma mais densa e material do Qi, que flui para todo o organismo com a função de nutrir e umedecer todos os órgãos e vísceras (Zang Fu) e todos os tecidos (DE LUCA, 2008).

A Essência dos Alimentos (Gu Qi) derivada dos alimentos e das bebidas é transformada em Xue no Tórax, pela ação do Coração e do Pulmão. O aspecto Yin do Jing, armazenado nos Rins (Shen) produz a medula óssea que produz o Sangue (Xue). Além disso, o aspecto Yang do Jing ou o Yuan Qi, ativa as transformações executadas pelo Coração e pelo Pulmão no aquecedor superior e pelo Baço-Pâncreas/Estômago no aquecedor médio (SILVEIRA, 2009).

Ainda dentro das Substâncias, temos o Jing (Essência), que para De Luca (2008), o Jing apresenta três tipos de manifestações que são: o Jing Congênito (Inato, Pré celestial ou do Céu anterior), que representa a carga genética herdada dos pais e determina a constituição básica dos indivíduos. É o único tipo de Jing presente no feto, o qual nutre o embrião e o feto durante a gestação e é dependente do Qi do Rim da mãe. Sua harmonia e equilíbrio podem ser influenciados pela vida sexual regrada, dieta balanceada e equilíbrio entre trabalho e repouso. O Jing Adquirido (Essência adquirida dos alimentos, Pós celestial ou céu posterior) que representa a Essência refinada extraída dos alimentos, água e grãos, pelo Baço (Pi) e Estômago (Wei), após o nascimento. Os alimentos são enviados ao Jiao Médio (Baço- Pi e Estomago- Wei), onde no estomago são macerados e pela ação do Qi do Baço são transformados em Jing Adquiridos (Essência adquirida dos alimentos). O Baço transporta o Jing adquirido dos alimentos para o Pulmão para ser misturado com o Ar (Qi Celeste, Tian Qi) e formar o Qi Torácico (Zong Qi). No Pulmão é enviado ao Coração onde é transformado em Sangue e distribuído para todo corpo pela ação do Qi torácico. E o último tipo que é a Essência do Rim (Shen Jing), que representa a Essência que se origina da interação do Jing Congênito e Adquirido e determina a constituição do individuo, é armazenada no Rim e circula por todo o organismo especialmente nos Vasos Maravilhosos (Meridianos).

      A Essência tem a função de controlar o crescimento ósseo das crianças, dentes, desenvolvimento cerebral normal e a maturidade sexual. Na mulher a Essência flui num ciclo de sete anos e no homem em um ciclo de oito anos.

Ainda dentro das Substâncias temos o Shen (Espirito ou Consciência), onde o Shen Pré Natal é derivado dos pais e o Shen Pós Natal derivado ou manifestado pela interação do Jing e Qi, enquanto o Sangue do Coração (Xin Xue) e Yin do Coração (Xin Yin) fornecem a moradia para o Shen (Espírito), visto que na compreensão da MTC, a consciência não reside tanto no Cérebro, mas sim no Coração (Xin). O Shen vitaliza o corpo e a consciência e fornece a força da personalidade (OTÁLVAREZ, 2011).

A última substância é o Jin Ye (Líquidos Orgânicos), que tem sua origem nos alimentos e água recebidos pelo Estômago, que são transformadas e transportadas pelo Baço, sendo assim compreendem: suor, saliva, lágrima, muco, urina e os líquidos próprios dos órgãos e vísceras e das articulações (DE LUCA, 2008).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

4 úlcera Venosa segundo MTC

 

Patógenos como Sol e o Vento, Calor, Umidade e Intoxicação, atacam as partes inferiores. A energia patógena Frio, ao invadir o organismo provoca o entupimento da região Cou Li (subcutânea), de modo que a energia dos alimentos (Gu Qi) e a energia de proteção externa (Wei Qi) não circulam e se coagulam no interior. Assim, se estanca o Sangue (Xue) e se obstrui a circulação nos Canais e Tecidos, desta forma, não havendo nutrição se desenvolvem as Úlceras; se a evolução é crônica, se consome a energia do Sangue, diminuindo a energia antipatogênica, acumulando-se Umidade, Toxinas na Pele e Úlceras (HUA et al.,2007). O princípio terapêutico é para remover a Umidade, desintoxicar, tonificar e ativar a circulação sanguínea e energética, para gerar novos tecidos e evitar úlceras,
e desta forma diminuir a dor (LÓPEZ, 2009).

A Medicina Tradicional Chinesa (MTC) tem a sua própria concepção da pele, pois, considera que a mesma é composta por diferentes camadas e músculos, semelhante ao do Ocidente. As camadas da pele de acordo com o MTC são as seguintes: Camada superficial da pele (Fu), que corresponde a Epiderme, sendo influenciado principalmente pelos Pulmões; temos ainda, a camada profunda da pele (Ge) que corresponde a Derme, sendo influenciada pelos Pulmões, Fígado e Rins; há ainda, os Músculos Subcutâneos (Ji) que correspondem aos músculos subjacentes, sendo influenciados pelo Baço e o Fígado; outra camada é a Gordura e Músculo (Fen Rou) que corresponde a duas estruturas gordurosas, sendo influenciadas pelo Baço, Vasos Sanguíneos Renais diretos e Músculos e perto dos ossos são influenciados pelo Baço e Fígado; já o espaço entre a Pele e Músculos (Cou Li) é influenciado pelos Pulmões e Baço; e finalmente os Poros na Pele e Glândulas Sebáceas (Xuan Fu), através do suor que é influenciada pelos Pulmões e Baço. (MACIOCIA, 2004. p. 169-190, 701).

 Desta forma, qualquer desarmonia destes Zang Fu pode provocar esses quadros de ulcerações, sendo um exemplo claro citado por Otálvarez (2011) referindo que se os Rins são saudáveis ​​a pele está úmida e brilhante. Se os Rins são deficientes (Deficiência de Yin do Rim), os fluidos são fracos e a pele torna-se seca e sem brilho. Se o Yang do Rim está em Deficiência, o fluido pode acumular-se no espaço entre a pele e os músculos causando edema.  Segundo Otálvarez (2011 apud Maciocia, 2004. p. 169-190, 701), a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) acredita que existem dois tipos de úlceras: Úlceras Yang: que são caracterizadas por bordas bem definidas e salientes, em forma de vale e as Úlceras Yin que não tem as bordas bem definidas, não se destacam, são menos profundas e tendem a ser mais secretivas.

 

4.1 Zang Fu envolvidos nos processos de Ulcerações

 

O PULMÃO (FEI) governa o Qi e a respiração. Essa é a função mais importante do Pulmão, uma vez que é do ar que o Pulmão extrai o “Qi puro” para o organismo, o qual combina com o Qi do Alimento, que vem do Baço; a combinação do ar do Pulmão e do Qi do Alimento forma o Qi da Reunião (Zong Qi). Após sua formação, o Pulmão dispersa o Qi por todo o organismo, a fim de nutrir todos os tecidos e promover todos os processos fisiológicos (MACIOCIA, 2004, p.106).

De acordo com Auteroche e Navailh (1992, p.73), o Pulmão também controla a descida do ar inspirado até os Rins que devem recebê-los. É graças a essa função de descida ininterrupta de seu Qi, que o Pulmão concorre ao metabolismo normal da água que desce do Aquecedor Superior para o Aquecedor Inferior, seguindo a “via das águas”.

Como Ross (1994, p.139-140) cita, o Qi do Pulmão manifesta-se nos pêlos, que nada mais é que um dos aspectos da função do Pulmão de harmonizar o exterior que inclui a pele, os pêlos, as glândulas sudoríparas e resistência contra agressões. O Pulmão abre-se no nariz, que é a via de entrada da respiração para a garganta, conhecida como a “porta do Pulmão”.

O Pulmão controla a pele, sendo o mais “exterior” dos órgãos e influencia o Qi Defensivo; por todas essas razões, o Pulmão é o órgão mais fácil e diretamente invadido pelos fatores patogênicos exteriores, principalmente Vento, Calor, Fogo, Frio, Umidade e Secura. O Pulmão é, algumas vezes, denominado o órgão “delicado” por causa de sua suscetibilidade ao ser invadido pelos fatores patogênicos exteriores (MACIOCIA, 2004, p.110).

            Já o BAÇO-PÂNCREAS (PI), regula a transformação e transporte. Os alimentos e as bebidas, sob a influência do Qi do Baço-Pâncreas (BP) são digeridos e separados em frações puras e impuras. As frações impuras passam do Intestino Delgado para o Intestino Grosso onde se faz a absorção e depois à Bexiga para a excreção. A fração pura é enviada à custa do BP para o Pulmão, onde é transformado em Energia (Qi), Sangue (Xue) e Líquido Orgânico (Jin Ye) (ROSS, 1994, p.80).

            Maciocia (2004, p.120) diz, o Baço extrai do alimento o Qi do Alimento para nutrir todos os tecidos do organismo. Esse Qi refinado é transportado por todo o organismo pelo Baço. Se o Baço estiver forte, o Qi refinado é direcionado para os músculos, particularmente os referentes aos membros.

            O Qi do Baço permite ao Sangue correr normalmente nos vasos e impede que se espalhe fora dos mesmos. Se o Qi do Baço estiver fraco, o Sangue transborda manifestando-se pelos vários tipos de hemorragias (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p.71).

            Segundo Ross (1994, p.81), uma função restrita ao Yang Qi do Baço é a de ajudar a sustentar e a manter os Órgãos no interior do corpo. E abre-se na boca e manifesta-se nos lábios.

            Ainda neste contexto, os RINS (SHEN) têm a função de armazenar a Essência pré-celestial, ou seja, a Essência herdada antes do nascimento nutre o feto e, após o nascimento, controla o crescimento, a maturação sexual, a fertilidade e o desenvolvimento. Essa Essência determina nossa base constitucional, força e vitalidade. Também é à base da vida sexual e o alicerce material para a fabricação do esperma nos homens, do óvulo e do sangue menstrual nas mulheres (MACIOCIA, 2004, p.128).

De acordo com Auteroche e Navailh (1992, p.79), a regulação dos Líquidos Orgânicos é em grande parte devida à atividade do Qi dos Rins. Em seu ciclo normal a água passa pelo Estômago que a recebe, pelo Baço que a transforma, pelo Pulmão, que a distribui. Atravessa os Três Aquecedores, o que é puro vai para os órgãos, o que é impuro se transforma em suor e urinas que são expulsos do corpo.

O Pulmão encaminha o Qi para os Rins que o recebe e o mantém. Abre-se nas orelhas e manifesta-se nos cabelos (ROSS, 1994, p.68).

Por fim, o FÍGADO (GAN), situado na região do hipocôndrio direito, possui as funções de armazenar o Sangue, controlar a dispersão e o livre fluxo do Qi, determinar as condições dos tendões e dos ligamentos, ser responsável pelo movimento dos fluídos orgânicos, influenciar o ciclo menstrual, nutrir músculos e tendões, influenciar nas unhas e de se relacionar com os olhos (SALES, 2008).

4.2 PADRÕES SINDRÔMICOS DAS ÚLCREAS VENOSAS SEGUNDO A MTC

 

         Para Maciocia (2004, p.169-190), as principais Síndromes que podem gerar Úlceras são: Acumulação de Calor Umidade no Baço, que provocam Úlceras em membros inferiores (MMII), sendo elas vermelhas, doloridas e inchadas, inflamadas, com secreção viscosa, pegajosa e amarelada, pruriginosas e com as bordas duras após a secreção de fluidos, deixando o membro com sensação de peso. Otálvarez (2011) refere ainda, que há sensação de plenitude na região epigástrica e menor abdômen, perda de apetite, sensação de peso, sede, sem desejo de beber ou com desejo de beber em pequenos goles, náuseas, vômitos, dor abdominal, fezes moles e nauseante, sensação de queimação no ânus, urina escassa e amarela escura, leve febre e dores de cabeça. Apresenta saburra amarela e viscosa e Pulso escorregadio e rápido. Sendo assim o princípio de tratamento é eliminar a Umidade e diminuir o Calor.

            Outro Padrão que pode ser encontrado para Maciocia (2004, p.169-190) é a Deficiência de Qi do Baço com Umidade, que provoca Úlceras nos membros inferiores que são caracterizados por edema, indolor, de coloração vermelho pálido e secreção de fluidos serosos e não viscosos. Otálvarez (2011), refere ainda que há perda de apetite, distensão abdominal leve após comer, fadiga, palidez, fraqueza nas pernas, diarréia, distensão abdominal, sensação de peso, digestão lenta, permanência de alimento nas fezes, cefaléia frontal e náuseas. Apresenta língua pálida com saburra pegajosa. Nos casos crônicos podem notar um ligeiro inchaço das bordas e fissuras transversais, além de pulso vazio. Desta forma o principio de tratamento é Tonificar o Baço (Maciocia, 2001, p. 221-223).

O terceiro Padrão citado por Maciocia (2004, p.169-190) é a Estagnação de Qi e Estagnação de Sangue de Fígado, que apresenta Úlceras em membros inferiores, sendo elas escuras, dolorosas, duras, com secreção túrbida ou viscosa e com pele vermelha ao redor da úlcera. Otálvarez (2011) complementa ainda referindo que os pacientes podem apresentar sensação de distensão nos hipocôndrios, suspiros, soluços, depressão, náusea, vômitos, falta de apetite, arrotos, regurgitação ácida, menstruação dolorosa e irregular, irritabilidade pré-menstrual, diarréia. Quando há predomínio de Estagnação do Sangue, as fezes apresentam sangue escuro com coágulos, lábios e tez roxos além de dores abdominais. Apresenta ainda língua roxa em todas as bordas, com pulso tenso ou ligeiramente em corda, sendo que o princípio de tratamento consiste em dispersar e regular o QI e o Sangue do Fígado (Maciocia, 2001, p.249-257).

Por fim, segundo Maciocia (2004, p.169-190), o último Padrão é o de Deficiência de Yin do Fígado e dos Rins, que provoca Úlceras em membros inferiores, não sendo dolorosas e de aspecto vermelho pálido. Já Otálvarez (2011) acrescenta dizendo que os pacientes podem apresentar tonturas, fraqueza, dificuldade para ouvir, dor lombar, cefaléia occipital ou vertical, insônia, olhos secos,
visão turva, garganta seca à noite, pele e cabelos secos, sudorese noturnos, dormência ou formigamento nas extremidades, unhas quebradiças, menstruação escassa ou amenorréia. Apresenta ainda língua de cor normal e sem saburra, com pulso lento ou flutuante. Desta forma o seu princípio de tratamento consiste em nutrir o Yin do Fígado e do Rim (Maciocia, 2001, p.250-257). Contudo, para López (2009) os Padrões Desarmônicos podem ser ainda: Deficiência de Qi, Estase de Qi, Estase de Sangue, Calor no Sangue, Estase de Qi de Fígado, Estase de Sangue de Fígado, Deficiência de Sangue de Fígado, Deficiência de Qi de Baço, Deficiência de Yang de Baço, Baço não controla Sangue e Deficiência de Yang de Rim.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

5 TRATAMENTO COM ACUPUNTURA E MOXABUSTÃO NAS ÚLCERAS VENOSAS           

 

Segundo Beheregaray (2009), a cicatrização de feridas é um evento complexo, que envolve a interação de diversos componentes celulares e bioquímicos e ocorre espontaneamente, sem intervenções externas, mas que, quando tratada através de artifícios benéficos, tende a ocorrer de forma mais rápida e com melhores resultados funcionais e estéticos. A possibilidade de acelerar a cicatrização e o fechamento de lesões cutâneas, através de recursos químicomedicamentosos ou físicos, tem sido objeto de investigação de muitos pesquisadores.

Para Santervás (2003), apesar de um tratamento etiológico correto
e uma variedade de curativos disponíveis, atualmente a porcentagem e a velocidade de cura das Úlceras ainda são baixos. Há necessidade, portanto, de tratamentos mais eficazes no manejo desses pacientes para alcançar uma taxa maior e mais rápida de cura dessas lesões, principalmente para aquelas que, pela sua duração e tamanho, são mais difíceis de tratar. Os recentes avanços no conhecimento da fisiopatologia de úlceras crônicas, bem como técnicas de cultura de células, têm permitido na última década o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas que podem representar um avanço significativo.

Apesar da publicação de diversas recomendações de tratamento e das revisões sistemáticas realizadas, o tratamento adequado das Úlceras Venosas da perna é desafio contínuo para os profissionais de saúde. É fundamental a contínua implementação de equipes multidisciplinares e estudos bem elaborados com recomendações baseadas na evidência e amplamente divulgadas para maximizar os benefícios a estes doentes (Siqueira et al., 2009).

Neste sentido Castro et al. (2010) referem que cada vez mais, as doenças crônicas e degenerativas vem recorrendo a terapias ditas como terapias alternativas sendo que nos Estados Unidos as terapias em questão mais usadas são Acupuntura, massagem, biofeedback e yoga.

Na Medicina Tradicional Chinesa, o diagnóstico das doenças é feito por meio da Diferenciação de Síndromes (conjuntos de sinais e sintomas). Do ponto de vista da Acupuntura, a Diferenciação das Síndromes e a definição do tratamento são inseparáveis (HARRES, 2008).

Sendo assim, com os Padrões citados anteriormente por Maciocia (2004, p. 221- 403) encontramos tratamentos corroborados por diferentes autores, desta forma colocou-se que sobre a Acumulação de Calor Umidade no Baço, Otálvarez (2011) e López (2009) prescrevem o tratamento com a finalidade comum de eliminar a Umidade e Dispersar o Calor, usando os pontos Yinlingquan (BP9), Sanyinjiao (BP6), Zhiyang (VG9),Quchi (IG11), Pishu (B20), Yanglingquan (VB34).

Outro Padrão citado por Maciocia (2004, p. 221- 403) é a Deficiência de Qi do Baço com Umidade, que o mesmo Maciocia (2004, p.169-190) e De Luca (2008), corroboram dizendo que o princípio de tratamento deve ser tonificar o Baço, usando pontos como Zhongwan (VC12), Zusanli (E36), Taibai (BP3), Sanyinjiao (BP6),Pishu, (B20) e Weishu (B21), com método de tonificação. Já para a Estagnação de Qi e Estagnação de Sangue de Fígado, Maciocia (2004, p.169-190) e López (2009) citam que o princípio do tratamento deve ser desobstruir e dispersar o Qi e o Sangue do Fígado, usando os pontos Yanglingquan (VB34), Taichong (F3), Zhangmen (F13), Qimen (F14), Zhigou (TA6), Neiguan (PC6), Ganshu (B18), Geshu (B17), Xuehai (B10) e Qihai (VC6), sendo utilizado a Moxabustão neste quadro.

Por fim, temos a Deficiência de Yin do Fígado e dos Rins, que segundo  Otálvarez (2011), López (2009) e Maciocia (2004, p.169-190) tem como princípio de tratamento nutrir o Yin do Fígado e do Rim, utilizando os pontos Taixi (R3), Zhaohai (R6), Ququan (F8), Guanyuan (VC4), Shenshu (B23), Pishu (B20), Geshu (B17), Ganshu (B18), Tianshu (B10) e Baihui (VG20).

Para um melhor entendimento dos benefícios diretos da Acupuntura e da Moxabustão sobre esses padrões e consequentemente sobre as Úlceras Venosas, cita-se trabalhos que realmente refletem sobre a ação cicatrizante e regenerativa proporcionada por essas técnicas da MTC, assim no trabalho de López (2009) o mesmo procurou comparar a eficácia do tratamento de Acupuntura e Moxabustão com o tratamento farmacológico (anti-inflamatório) nos pacientes com Úlceras Venosas, assim, o foco do estudo não foi a cicatrização das feridas, mas sim a diminuição da dor. Como resultado, não houve diferença estatística entre o grupo Acupuntura e o grupo que usou fármacos, contudo, o mesmo autor relata que houve melhora tanto na diminuição das algias provocadas pela Úlcera, quanto melhora no processo de cicatrização nos pacientes que fizeram uso da Acupuntura. O autor explica ainda, que essa diferença entre a analgesia e a cicatrização ou terapia curativa, se deve ao fato de que a Acupuntura focada na cura ou cicatrização requer um tratamento mais prolongado do que o que busca apenas a analgesia.

Para confirmar e demostrar a real eficácia do tratamento curativo de Úlceras Venosas e feridas, estudiosos realizaram diversos testes a fim de descobrir o efeito fisiológico que a Acupuntura e a Moxabustão realizam no organismo, sendo assim, em seu estudo sobre as diversas utilidades da Acupuntura, Harres (2008) referiu que hoje se dispõe de evidências dos eventos moleculares, celulares e teciduais que estão por trás da resposta à inserção de agulhas e aquecimento tecidual. Na observação clínica pelo menos quatro importantes resultados terapêuticos da Acupuntura e Moxabustão, se mostram evidentes, sendo: o alívio do estresse físico e emocional, a ativação e controle dos mecanismos imune e anti-inflamatório, a aceleração da regeneração e cicatrização tecidual, além de analgesia e alívio da dor. A inserção de agulhas de Acupuntura estimula os nervos periféricos, determinando à síntese e a liberação de vários peptídeos opióides endógenos, entre eles, as endorfinas, no Sistema Nervoso Central. Ocorre uma elevação do limiar da dor, uma ação sobre o sistema cardiovascular melhorando o aporte sanguíneo, a oxigenação e a drenagem de catabólitos; sobre o sistema imune, atua modulando as respostas ao mesmo tempo em que regula o equilíbrio do sistema endócrino. Como resultado, temos o incremento do processo regenerativo e a promoção de um relaxamento físico e emocional do paciente, pois substâncias como a serotonina e as endorfinas, que participam no controle da dor, também têm efeito tranquilizante e miorrelaxante.

No mesmo sentido, o trabalho de Oliveira e Min (2011) também refere que a Acupuntura apresenta uma ampla diversidade de efeitos: relaxante muscular, sedativo/hipnótico, anti hemético, ansiolítico, antidepressivo (leve), anti-secretor (de ácido clorídrico), anti-adição, anti-inflamatório, indutor de imunidade, facilitador na reabilitação após acidente vascular cerebral e estimulante da reparação e cicatrização tecidual.

Outro estudo que buscou analisar os efeitos endógenos e fisiológicos da Acupuntura e da Moxabustão em busca de reparação tecidual, como no caso das Úlceras, foi Vas et al.(2008) que detalharam mais este processo de cicatrização tecidual e consequentemente ulcerativa ao relatar que além de analgesia, a Acupuntura e a Moxabustão provocam vasodilatação periféricos na pele e nos músculos, provavelmente devido ao reflexo axônico. A estimulação das fibras C e A-delta, bem como agentes pró-inflamatórios, como o gene da calcitonina, peptídeo relacionado (CGRP), a substância P (SP), neurocinina A (NKA), opióides, somatostatina galanina e peptídeo intestinal vasoativo (VIP). A vasodilatação profunda e prolongada também pode ser mediada por CGRP. Alguns estudos têm sugerido que os neuropeptídeos liberados pelo nervo sensorial estimulado são benéficos na manutenção da integridade da pele, para tratar as úlceras e para desordens vasculares periféricos. Outro elemento-chave na regulação do tônus ​​vascular e fluxo sanguíneo é a síntese endotelial de óxido nítrico (NO), que é ativo em vasodilatação arteriolar e reduz a resistência periférica, facilitando fluxo normal de sangue para os tecidos. Tem sido demonstrado que a expressão de NO-sintase (NOS) é maior em regiões da pele onde os pontos de Acupuntura e os Canais são localizados. Nessas áreas, além disso, há níveis elevados de NO no sangue depois da Acupuntura, o que sugere que a estimulação do nervo sensorial da Acupuntura pode atuar como um modulador in vivo de níveis de NO.

No mesmo sentido, Luna e Taylor (1998), a Acupuntura pode apresentar aumento ou diminuição das concentrações plasmáticas de cortisol (Arantes et al.,2008), sendo este um dos glicocorticóides mais potentes, sua secreção é controlada pela liberação do hormônio liberador de corticotrofina (CRH), produzido no hipotálamo, que estimula a liberação do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), hormônio sintetizado na Adeno-hipófise, que atua intracelularmente, estimulando a síntese e secreção de hormônios no córtex da supra-renal. Em condições normais, a quantidade de cortisol não afeta os mecanismos de inflamação e de cicatrização, porém, quando o paciente é submetido a um estresse físico ou neurogênico ocorre aumento imediato da secreção do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), seguido em alguns minutos pelo aumento da secreção do cortisol, reduzindo o número de células inflamatórias e desta maneira agindo também nos processos cicatriciais.

Com o foco diferente, Otálvarez (2011), objetivou em seu estudo, verificar a eficácia da Acupuntura e da Moxabustão no processo de cicatrização das Úlceras Venosas e Traumáticas, desta forma, o mesmo pode verificar melhora significante no processo de regeneração tecidual com o uso das técnicas mencionadas. Com sua visão o autor refere que o efeito da Acupuntura sobre o fluxo sanguíneo e cicatrização tecidual foi investigada por vários autores, o mecanismo da sua ação parece ser tanto através da inibição simpática regional pela liberação de peptídeos
vasodilatadores, especialmente peptídeo relacionado ao gene da Calcitonina (CGRP). A liberação de CGRP tem sido demonstrada tanto em pele como no músculo, como resultado da estimulação antidrômica de nervos aferentes. O aumento do fluxo sanguíneo após o uso da acupuntura supre necessidades locais ou regionais melhorando a oxigenação tecidual e a cicatrização, por isso
pensa-se que a patologia subjacente de Ulceração Venosa é a hipóxia
devido ao edema crônico e fibrose subsequente.

Sendo assim, após a comparação entre esses estudos, pode-se observar a importância do fluxo sanguíneo neste processo de reparação tecidual, desta forma todos os autores corroboram ao citarem a importância de se trabalhar com o Sangue (Xue) nesta regeneração tecidual. López (2009) relata que melhorando a circulação sanguínea local e a de distribuição, pode ser um dos principais aspectos dos quais a Acupuntura deriva seus efeitos sobre doenças inflamatórias e crônicas como as Úlceras. Já Otálvarez (2011), refere que o tratamento de Acupuntura restaura o fluxo perturbado ao estimular pontos chave de Acupuntura com efeito homeostático, como Quchi (IG11) e Zusanli (E36), juntamente com o ponto de influência sobre os vasos sanguíneos Taiyuan (P9), e os pontos extraordinários Baxie (M.MS22) e Bafeng (M.MI8). O mesmo refere ainda outros pontos com efeito sobre o fluxo de Sangue são: Taichong (F3), Hegu (IG4), Yanglingquan (VB34), Xinshu (B15), Shanzhong (VC17) e Shaohai (C3).

A Moxabustão também atua diretamente sobre o Sangue (Xue), proporcionando o aquecimento dos canais (JING LUO) e a dispersão de Umidade e Frio (OLIVEIRA, 2006) que são os principais agentes patogênicos da Úlcera Venosa citadas por López (2009) anteriormente. O embasamento vem ainda com CIEPH (2001, p.38), onde é mencionado que a Moxabustão tem a finalidade de aquecer e promover a circulação do Qi nos doze Meridianos, além de estimular nos três meridianos Yin a regularização do Qi e o Xue, eliminando o Frio e a Umidade. Ainda neste sentido, Leite (2006) ressalta que segundo a Medicina Tradicional Chinesa, a ação do Moxabustão é aquecer os Canais de Energia, dispersar o Frio e a Umidade, regular a circulação de Sangue (Xue), aumentando a atividade de energia Yang. O calor resultante deste processo produz estímulos que regularizam as funções fisiológicas do corpo, por intermédio dos Canais de Energia.

Referente ainda a utilização da Moxabustão para os processos de tratamento e cicatrização das Úlceras Venosas, Szabó e Bechara (2001) afirmam que o efeito da Acupuntura e Moxabustão sobre as funções imunológicas estão intimamente relacionado ao local da estimulação. Uma diferença significativa é notada quando são estimulados acupontos ou não-acupontos e também entre estímulos dados a diferentes acupontos. É uma característica da Acupuntura manter a função imunológica em um estado ótimo, regulando seus mecanismos. Em geral, a Acupuntura pode restaurar a homeostase de um organismo, diminuindo hiperfunções e ativando mecanismos em hipofunção.

Nesta relação de imunidade, Okazaki (1990) desenvolveu um trabalho para estudar o efeito de uma única ou de múltiplas aplicações de Moxabustão na atividade da função plaquetária, coagulação e fibrinólise de pacientes sem patologias previamente identificadas. Após a primeira sessão de Moxabustão a coagulação aumentou e após múltiplas sessões, a homeostase sanguínea e atividade fibrinolítica se mantiveram, bem como o trabalho que há melhora da atividade fagocitária no mecanismo de defesa do hospedeiro, sugerindo assim, uma ação eficaz da Moxabustão nos processos imunológicos e de cicatrização e reparação tecidual.

Por fim, para atestar a veracidade e a competência da Acupuntura e da Moxabustão, outros trabalhos tem demonstrado o poder de recuperação ou cicatrização tecidual tanto nas Úlceras Venosas como em outras lesões. Um desses estudos é o realizado por Hayashi (2006), onde o mesmo refere que a Acupuntura pode ser utilizada em afecções do disco intervertebral tóraco-lombar com o intuito de controlar a dor, normalizar a função motora e sensorial e alterações na micção, além de poder atuar também acelerando a cicatrização tecidual e ter efeito anti-inflamatório.

Assim sendo, para mostrar que realmente os estímulos causados pela Acupuntura fornecem aferências a níveis de Sistema Nervoso Central, produzindo eferências curativas como no caso das Úlceras, o autor De Luca (2008) refere que com a evolução de vários estudos sobre lesões celulares e cicatrização, observou-se que a inserção de agulhas de Acupuntura e aplicação de Moxabustão provocam alterações celulares que liberam substâncias algógenas que estimulam quimiorreceptores que podem atuar sobre o Sistema Nervoso Autônomo e Encéfalo, regiões muito importantes no processo autoimune ou imunológico.

 

 

6 Conclusão

           

            A Úlcera Venosa (UV) mostrou-se uma patologia multifatorial e de difícil tratamento, onde suas recidivas e suas consequências têm onerado e muito os sistemas de saúde em nível mundial.

De posse dos trabalhos revisados, pode-se concluir que diversos tratamentos estão sendo empregados para o tratamento das UV, porém o tratamento dito como convencional (Medicina Ocidental) pouco se tem conseguido em relação ao aumento da velocidade de cicatrização e amenização das consequências secundárias proporcionadas por esta patologia. De fato, pode-se evidenciar ainda, que a pesquisa destas soluções tem proporcionado uma busca muito mais ampla, tanto no sentido científico, quanto no sentido cultural, sendo que técnicas ditas como “Alternativas” até então desconhecidas ou descartadas pelo mundo médico voltam a ganhar importância devido aos bons resultados averiguados, ao vasto campo de estudo e principalmente ao baixo custo do tratamento, sendo entre essas a Acupuntura e a Moxabustão (técnicas pertencentes à Medicina Tradicional Chinesa ou MTC).

Pode-se identificar ainda, que assim como na medicina ocidental, o tratamento através da Acupuntura e da Moxabustão busca um diagnóstico preciso das raízes dos chamados “sinais e sintomas” proporcionados pela patologia vigente, compondo assim o chamado Padrão Sindrômico da patologia (na MTC), para desta forma buscar o tratamento e a técnica efetiva para o distúrbio apresentado. Com isso, pode-se analisar que segundo a literatura averiguada, a UV apresentou alguns Padrões Sindrômicos corroborados entre autores estudados, sendo estes a Acumulação de Calor Umidade no Baço, Deficiência de Qi do Baço com Umidade, Estagnação de Qi e Estagnação de Sangue de Fígado e a Deficiência de Yin do Fígado e dos Rins.

Desta forma, identifica-se entre todas as referências, quais os pontos mais utilizados dentro dos padrões averiguados, assim, na Acumulação de Calor Umidade no Baço temos: Yinlingquan (BP9), Sanyinjiao (BP6), Zhiyang (VG9),Quchi (IG11), Pishu (B20) e Yanglingquan (VB34). Já na Deficiência de Qi do Baço com Umidade temos: Zhongwan (VC12), Zusanli (E36), Taibai (BP3), Sanyinjiao (BP6),Pishu, (B20) e Weishu (B21). No mesmo sentido, na Estagnação de Qi e Estagnação de Sangue de Fígado temos: Yanglingquan (VB34), Taichong (F3), Zhangmen (F13), Qimen (F14), Zhigou (TA6), Neiguan (PC6), Ganshu (B18), Geshu (B17), Xuehai (B10) e Qihai (VC6). Por fim, na Deficiência de Yin do Fígado e dos Rins temos: Taixi (R3), Zhaohai (R6), Ququan (F8), Guanyuan (VC4), Shenshu (B23), Pishu (B20), Geshu (B17), Ganshu (B18), Tianshu (B10) e Baihui (VG20).

Outro ponto muito relevante e conclusivo neste estudo foi o grande contingente bibliográfico que apontou as evidências físico-fisiológicas sobre a eficácia do tratamento com Acupuntura e a Moxabustão no que diz respeito ao processo cicatricial e reparativo, onde não só a resposta local foi evidenciada, como também respostas sistêmicas que proporcionam uma melhor resposta ao que se entende como conseguinte secundário da UV, tendo assim respostas concretas e importantes como o alívio do estresse físico e emocional, ativação e controle dos mecanismos imune e anti-inflamatório, aceleração e cicatrização tecidual, além da tão desejada analgesia, sendo esses pontos importantes não apenas no que diz respeito a incapacidade funcional proporcionada pela patologia, mas também tendo ligação direta a respostas físico-psico-emocionais, que proporcionam uma integralidade muito relevante no processo de reabilitação deste paciente.

            Em nível fisiológico pode-se concluir que a vasodilatação periférica na pele e nos músculos, provavelmente devido ao reflexo axônico, estimulado tanto pela aplicação da agulha, quanto pelo aquecimento do tecido, proporcionam uma melhora do aporte sanguíneo local e sistêmico, provocando assim alterações celulares que liberam substâncias algógenas (dentre elas o Cortisol e o Óxido Nítrico) que ativam quimiorreceptores que podem estimular o Sistema Nervoso Autônomo e Encéfalo, que por sua vez reagem com processos autoimunes e/ou imunológicos, proporcionando assim uma gama de processos intrínsecos capaz de acelerar tanto a capacidade cicatricial, quanto envolver outros aspectos relacionados às incapacidades ou privações proporcionadas pela patologia em si (UV).

            Sendo assim, partindo dos objetivos traçados previamente, pode-se concluir precisamente que a Acupuntura e a Moxabustão são realmente eficazes no tratamento das Úlceras Venosas, proporcionando respostas fisiológicas devidamente argumentadas por diferentes autores, além de proporcionar congruência em seus Padrões Sindrômicos e pontos de tratamento, dando-nos assim possíveis protocolos de atendimento objetivando tanto a reparação propriamente dita, quanto a amenização das consequências e distúrbios secundários provocados pela Úlcera Venosa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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APÊNDICE – Glossário

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

GLOSSÁRIO

 

Moxa                                     Moxabustão;

Qi                                           Energia;

Xue                                        Sangue;

Jing                                       Essência;

Shen                                     Espírito;

Jin Ye                                               Líquidos Orgânicos;

Zang Fu                                Órgãos e Vísceras;

Xin                                         Coração;

Gan                                       Fígado;

Pi                                           Baço ;

Fei                                         Pulmão;

Shen                                     Rim;

Xin Bao                                 Pericárdio;

Xiao Chang                         Intestino Delgado;

Dan                                       Vesícula Biliar;

Wei                                        Estômago;

Da Chang                            Intestino Grosso;

Pang Guan                          Bexiga;

San Jiao                               Triplo Aquecedor;

Fu                                          Camada superficial da pele ou Epiderme;

Ge                                          Camada profunda da pele ou a Derme;

Ji                                            Músculos Subcutâneos;

Fen Rou                               Estruturas gordura e Músculos;

Cou Li                                               Espaço entre a Pele e Músculos;

Xuan Fu                               Poros na Pele e Glândulas Sebáceas;

2 thoughts on “ : TRATAMENTO DE ÚLCERAS VENOSAS ATRAVÉS DE MOXABUSTÃO E ACUPUNTURA SISTÊMICA”
  • Douglas disse:

    Trabalho muito valoroso para meu conhecimento científico. Obrigado a todos que nos ajudaram nessa construção, especialmente aos nossos mestres e aos queridos pacientes. Deus abençoe a todos.

    • admin disse:

      A persistência no esforço sem cessar leva a valorosas conquistas. Você merece todos os créditos desta contribuição à pesquisa científica, auxiliando outros profissionais a continuarem onde você parou e assim, melhorar a qualidade de vida daqueles que sofrem. Congratulations!!!! Profa. Bernadete

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