REAÇÕES EMOCIONAIS EM PORTADORES DE LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO E SUGESTÃO DE TRATAMENTO COM ACUPUNTURA

quinta-feira , 19, setembro 2013 Leave a comment

UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES

FRANCIANE GONÇALVES

 

 

 

 

 

REAÇÕES EMOCIONAIS EM PORTADORES DE LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO E SUGESTÃO DE TRATAMENTO COM ACUPUNTURA.

 

 

  

 

MOGI DAS CRUZES – SP

2009

UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES

FRANCIANE GONÇALVES

 

 

 

 

 

REAÇÕES EMOCIONAIS EM PORTADORES DE LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO E SUGESTÃO DE TRATAMENTO COM ACUPUNTURA.

 
 

Monografia apresentada ao programa de pós-graduação da Universidade de Mogi das Cruzes, como parte dos requisitos para a obtenção do título de Especialista em Acupuntura.

 

 

 

 

 

 

 

Orientadora: Prof.  Bernadete Nunes Stolai

Co-orientadora: Prof. Romana de Souza Franco

 

  

 

MOGI DAS CRUZES – SP

2009

REAÇÕES EMOCIONAIS EM PORTADORES DE LUPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO E SUGESTÃO DE TRATAMENTO COM ACUPUNTURA

 

Monografia apresentada ao Programa de Pós Graduação da

Universidade   de  Mogi  das Cruzes como exigência parcial

para  a  obtenção  do título de Especialista em Acupuntura.

 

  

    Aprovado em: ……………………………………………………………

 

  

BANCA EXAMINADORA

 

 

Profª. Bernadete Stolai Nunes

UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES

 

Profª. Romana de Souza Franco

UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES

 

 

 

 

 

 

 

DEDICATÓRIA

 

Dedico esta monografia primeiramente a Deus e a toda minha família, principalmente aos meus pais, que sempre me apóiam em tudo o que me proponho a fazer, ao meu filho Kauã e ao Dr. Hélio Teixeira que se tornou uma pessoa muito importante em minha vida.

Em especial à minha amiga Pâmela de Castro Barini que foi minha motivação para a conclusão desta pós-graduação e na realização deste trabalho, por todas as nossas viagens a outras cidades em busca de material e por fazer parte da minha vida.

 

 

 

 

 RESUMO

O trabalho teve como objetivo descrever as principais reações emocionais causadas em pacientes portadores de Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), como ansiedade e depressão, e dar uma sugestão de tratamento dessa patologia utilizando-se da Acupuntura. A metodologia utilizada foi a revisão da literatura científica e bibliográfica. Através dessa revisão foi constatado o satisfatório resultado do tratamento do LES e das reações emocionais, causada por esta patologia, com a Acupuntura e sugestão da utilização dos pontos: Huatuojiaji (M-DC-35), Hegu (IG-4), Dazhui (VG-14), Fuliu (R-7),Sanyinjiao (BP-6), Fengchi (VB-20), Jianshi (CS-5) e Zusanli (E-36). Porém, o tratamento deve ser interdisciplinar, ou seja, juntamente com o tratamento psicológico, a Acupuntura aparece como uma opção de terapia complementar que analisa os sintomas físicos e emocionais tratando o paciente de forma integral, sem os indesejáveis efeitos adversos, ou pelo menos pela minimização dos mesmos, trazendo assim bons resultados mais rapidamente.

Palavras-chave: Lupus Eritematoso Sistêmico, reações emocionais, acupuntura.

 

 

 

 

 

 

 

SUMÁRIO

 

1 INTRODUÇÃO …………………………………………………………………………………07

2 METODOLOGIA ………………………………………………………………………………09

3 VISÃO DA MEDICINA OCIDENTAL ……………………………………………………10

  3.1 O que é Lupus? …………………………………………………………………………..10

  3.1.1 História do Lúpus ………………………………………………………………………10

  3.1.2 Manifestações clínicas mais freqüentes ……………………………………….11

  3.1.3 Diagnóstico ………………………………………………………………………………12

  3.1.4 Tratamento ……………………………………………………………………………….13

  3.2 Doença Crônica …………………………………………………………………………..15

  3.3 Reações Emocionais no LES ………………………………………………………..17

            4 VISÃO DA MEDICINA ORIENTAL ……………………………………………………..20

              4.1 O que é Acupuntura? ……………………………………………………………………20

              4.1.1 Teoria da Acupuntura ………………………………………………………………..20

              4.1.2 Meridianos e pontos de Acupuntura …………………………………………….22

              4.1.3 Meridianos principais …………………………………………………………………23

              4.1.4 Meridianos extras ………………………………………………………………………23

              4.2 Diagnóstico do LES na Medicina Chinesa ……………………………………….24

              4.2.1 Fígado ……………………………………………………………………………………..25

              4.2.2 Pulmão …………………………………………………………………………………….26

              4.2.3 Rim ………………………………………………………………………………………….27

              4.3 Pontos de Acupuntura utilizados no tratamento do LES ……………………28

              4.3.1 Huatuojiaji (M-DC-35)…………………………………………………………………29

              4.3.2 Hegu (IG-4) ………………………………………………………………………………29

              4.3.3 Dazhui (VG-14)………………………………………………………………………….30

              4.3.4 Fuliu (R-7) ………………………………………………………………………………..31

              4.3.5 Sanyinjiao (BP-6) ………………………………………………………………………32

              4.3.6 Fengchi (VB-20) ………………………………………………………………………..32

              4.3.7 Jianshi (CS-5) …………………………………………………………………………..33

              4.3.8 Zusanli (E-36) …………………………………………………………………………..33

              4.4 Sugestão de Tratamento ………………………………………………………………34

            5 DISCUSSÃO ……………………………………………………………………………………35

            6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ……………………………………………………………….37

            REFERÊNCIAS ………………………………………………………………………………….38

 

 

 

 

1 INTRODUÇÃO

 

No Brasil, ainda não temos dados estatísticos suficientes para uma análise mais exata, porém o número de pessoas acometidas pelo Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é relativamente grande. Nos Estados Unidos estima-se que 2.000 pessoas tenham a doença. O LES é mais freqüente em mulheres com idade entre 15 e 40 anos, a proporção é de 9 mulheres afetadas para um homem. Estima-se que 1 em 700 mulheres entre 15 e 64 anos seja portadora da doença. Apesar de existirem pacientes com LES de 2 a 97 anos, a doença incide mais na idade fértil (16 aos 30 anos). As mulheres negras são mais afetadas que as brancas. (ZERBINI e FIDELIX, 1989)

Abu- Shakra (1994, p. 207 apud CONSTALLAT 1997, p. 205-209) referem que embora a sobrevida tenha aumentado significamente no Lúpus, a mortalidade na doença é ainda alta, cerca de três vezes maior que a da população geral. As causas de óbito dessa doença geralmente estão relacionadas à terapêutica e outras causas, principalmente quadros infecciosos, mas muitas vezes são difíceis precisar a causa primária. As manifestações clínicas mais freqüentes são lesões na pele, dores articulares, inflamação no rim, alterações no sangue, alterações relacionadas ao sistema nervoso, transtornos psiquiátricos, inflamações de pequenos vasos, queixas de febre e emagrecimento, disfunções cognitivas, manifestações oculares, aumento do fígado, baço e gânglios. Porém, segundo Iverson (1995 apud SANTOANTONIO 2004), “as manifestações mais freqüentes são a ansiedade e depressão, isto porque a convivência com uma doença crônica e imprevisível pode causar problemas adaptativos importantes associados ao estresse emocional”.

O tratamento oferecido pela Medicina Ocidental envolve, além do tratamento psicológico, altas doses de anti-inflamatórios, cortisona e corticoesteróides, medicamentos que apresentam reações adversas e efeitos colaterais. Apesar disto, muitos pacientes não respondem ao tratamento como esperado.

A Acupuntura aparece como uma opção de terapia complementar que analisa os sintomas físicos e emocionais tratando o paciente de forma integral, sem os indesejáveis efeitos adversos, ou pelo menos pela minimização dos mesmos.

Shu-fang (1985) realizou uma pesquisa com 3 grupos de portadores de LES, onde o primeiro grupo não apresentava nenhum acometimento renal e o tratamento realizado foi somente acupuntura; o segundo grupo apresentava sintomas mais graves e o tratamento foi feito com corticosteróides e acupuntura; e o terceiro grupo não foi utilizado acupuntura. Os resultados foram muito significativos apontando melhora nos sintomas e nos exames laboratoriais após o tratamento com acupuntura.

            Por ser uma doença pouco conhecida e divulgada, adicionado a um interesse pessoal, a autora do presente trabalho resolveu pesquisar sobre o LES. Ao aprofundar o estudo dessa doença, chamou atenção as reações emocionais causadas em seus portadores e como estas poderiam ser tratados com acupuntura, tema que escolhi desenvolver neste trabalho.

             Essa monografia está dividida em seis capítulos, sendo que os três primeiros capítulos descritos na visão da medicina ocidental, onde o primeiro é uma breve descrição da doença – definição, histórico, manifestações mais freqüentes, diagnóstico e tratamento – no seguinte capítulo trataremos da definição de doença crônica e o terceiro capítulo sobre as reações emocionais causadas em pacientes com LES. A partir do quarto capítulo serão descritos na visão da medicina oriental, onde farei um breve relato sobre acupuntura e descreverei as funções dos pontos utilizados na pesquisa de Shu-fang (1985); já no quinto capítulo farei uma análise de quais desses pontos tratam a parte emocional. No último capítulo proponho um possível tratamento para essa enfermidade.

            Assim, este trabalho tem como objetivo descrever as reações emocionais apresentadas por portadores do LES e seu tratamento utilizando-se da Acupuntura.

           

           

 

2 METOLOGIA

 

            Foi realizada uma revisão da literatura científica e bibliográficas nas bibliotecas UMC, USP, UNIFESP e através de artigos indexados em sites de confiança como Méd Line, Lilacs, Scielo, sendo pesquisadas as palavras chaves Lúpus e Acupuntura.

                                                                                                            

 

 

 

3 VISÃO DA MEDICINA OCIDENTAL

 

3.1 O QUE É LÚPUS ?

 

O lúpus é uma doença inflamatória crônica, auto-imune, pouco freqüente, que acomete mulheres jovens e que causa inflamações em várias partes do corpo, especialmente na pele, articulações, sangue e rins. (ZERBINI E FIDELIX, 1989).

            Refere o mesmo autor que normalmente, o sistema imunológico produz proteínas chamadas anticorpos para proteger o corpo de viroses, bactérias e outros corpos estranhos. Estes corpos estranhos são chamados antígenos. Em uma desordem imunológica como o LES, o sistema defensivo perde sua habilidade de diferenciar entre substâncias de corpos estranhos (antígenos) e de suas próprias células e tecidos. O sistema imunológico passa então a direcionar anticorpos contra si mesmo. Estes anticorpos, chamados auto-anticorpos, reagem com antígenos próprios para formar complexos imunológicos. Esses complexos crescem nos tecidos e podem causar inflamação, danos aos tecidos e dor.

Classificada como o protótipo da doença auto-imune sistêmica, suas manifestações polimórficas e a inexistência de exame laboratorial sensível e específico dificultam seu diagnóstico. Tem evoluções crônicas, caracterizadas por períodos de atividade e remissões (sem manifestações) e sua evolução tem melhorado muito nas últimas décadas. Embora a causa do LES não seja conhecida, admite-se que a interação de fatores genéticos, hormonais e ambientais participe do desencadeamento desta doença. (ZERBINI E FIDELIX, 1989).

 

 

3.1.1 História do Lúpus

Segundo Zerbini e Fidelix (1989) o Lúpus foi primeiramente observado por Hipócrates (considerado “pai da medicina”), em aproximadamente 400 anos antes de Cristo, que descreveu uma doença caracterizada por lesões erosivas no rosto. Muito tempo se passou e só por volta de 1851 o médico francês Pierre Cazenave, comparou pessoas com lesões avermelhadas no rosto, que causava feridas e cobriam a pele do nariz e das bochechas, com mordidas de um lobo, dando o nome à doença de Lupus Eritematoso (Lupus = lobo, Eritematoso = vermelho).

Em 1895, o médico canadense Sir William Osler, trabalhando na época no hospital Johns Hopkins, em Baltimore, relatou alguns casos de pessoas com Lupus Eritematoso que tinham outros órgãos envolvidos pela doença e não apenas a pele. Para caracterizar melhor o envolvimento de várias partes do corpo, como articulações, vasos, pulmões, rins, ele adicionou a palavra sistêmico e a doença passou a ser denominada Lupus Eritematoso Sistêmico ( LES). 

 

3.1.2 Manifestações clínicas mais freqüentes

Referem Zerbini e Fidelix (1989) que, as manifestações clínicas mais frequentes são:

a) Lesões de pele: as lesões mais características são lesões avermelhadas em maçãs do rosto e dorso do nariz, denominadas lesões em vespertílio ou asa de borboleta (a distribuição da lesão lembra uma borboleta) e as lesões discóides que são bem delimitadas e mais profundas, deixando área central com hipotrofia e podendo causar alteração da cor da pele (mais clara ou escura). Muitas outras lesões cutâneas, principalmente em face, antebraços e região do decote podem aparecer e freqüentemente pioram após tomar sol.

b) Queixas articulares: dor e inchaço, principalmente nas articulações das mãos são freqüentes. Geralmente são transitórias e recidivantes. Mais raramente podem causar deformidades.

c) Inflamação de pleura, pericárdio ou peritônio (membranas que recobrem o pulmão, coração e órgãos do abdome) também podem ocorrer.

d) Inflamação no rim (nefrite) ocorre em cerca de 50% dos casos. Esta manifestação deve ser tratada precoce e adequadamente para se evitar a perda da função renal (insuficiência renal). A gravidade deste comprometimento é variável e quando os exames clínicos e laboratoriais não permitem a adequada avaliação do caso, necessita-se fazer a biópsia renal.

e) Alterações no sangue podem ocorrer em mais da metade dos casos: diminuição de glóbulos vermelhos (anemia), glóbulos brancos (leucopenia), dos linfócitos (linfopenia) ou de plaquetas (plaquetopenia).

f) Modrego, Venegas, Cuenca, Moreno e Delgado, (1994, p. 145); Ward e Studenski, (1991,p. 145 apud SANTOANTONIO, 2004, p. 145-151), descrevem que as alterações mais intimamente relacionadas ao sistema nervoso central são: psicose, epilepsia, estados confusionais, desorientação e distúrbios de atenção.

g) Ellis e Verity, (1979, p. 145; Wallace & Metzger, 1997 apud SANTOANTONIO, 2004, p. 145-151), referem que os transtornos neuropsiquiátricos são freqüentes, com uma incidência de 24% a 51%. A vasculite é a mais comumente responsável por transtornos cognitivos, cefaléia, mielopatia, papiledema, disfunções neurológicas focalizadas ou generalizadas e Síndrome Mental Orgância.

h) Inflamações de pequenos vasos (vasculites) podem causar lesões avermelhadas e dolorosas em palma de mãos, planta de pés, no céu da boca ou em membros. Muito raramente, a inflamação de vasos maiores pode causar dor e escurecimento de dedos, úlceras de extremidades etc. (ZERBINI E FIDELIX, 1989)

i) Queixas de febre sem ter infecção, emagrecimento e fraqueza são comuns quando a doença está ativa. (ZERBINI E FIDELIX, 1989)

j) Iverson, (1995, p. 146); Matsukawa, Sawada, Hayama, Usui e Horie, (1994); Segui, (1993); Ware e Sherbourne, (1992 apud SANTOANTONIO, 2004, p. 145-151), referem que a depressão e ansiedade são as queixas mais freqüentes em pacientes que procuram os serviços de saúde mental, estando presentes em até 78% dos casos. Isto porque a convivência com uma doença crônica e imprevisível pode causar problemas adaptativos importantes associados ao estresse emocional, tais como: irritabilidade, fadiga, instabilidade emocional, insônia, alteração na concentração e memória, problemas relacionados ao apetite, baixa auto-estima, insegurança, distúrbios na imagem corporal, ideação suicida, diminuição do interesse no ambiente e limitações nas atividades sociais devido aos cuidados que a enfermidade impõe.

k) Carbotte (1986, p. 71, apud APPZELLER, 1999, p. 70-74), relatam que as disfunções cognitivas são bastante comuns no LES e entre elas destacam-se déficit na capacidade de concentração e atenção, memória verbal e não verbal, produtividade verbal, percepção visuo-espacial, velocidade psicomotora, entre outros.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           

l) Outras manifestações como oculares, aumento do fígado, baço e gânglios também podem ocorrer em fase ativa da doença. (ZERBINI E FIDELIX, 1989)

 

3.1.3 Diagnóstico

 Não existe exame que seja positivo em todos os casos de LES (100% sensível) e que seja positivo somente nos casos de LES (100% específico). Tem exames que são positivos na maioria dos pacientes com LES como os anticorpos antinucleo (FAN) que procura um anticorpo dirigido contra uma substância do núcleo da célula, mas, que infelizmente são positivos também em outras doenças, ou mesmo em pessoas sadias, porém 95% dos pacientes portadores da doença tem FAN positivo. Outros testes laboratoriais como o anticorpo anti-DNA nativo – exame que apresenta, com maior precisão, a presença ou não de anticorpos anti DNA e a presença deste sugere a possibilidade de nefrite – e anti-Sm – anticorpo dirigido contra uma proteína do núcleo do sangue; esse anticorpo só aparece em portadores de LES, porém apenas uma pequena parte dos pacientes produzem este anticorpo –  são altamente específicos, mas, a positividade é de 50 e 35%, respectivamente. Além desses exames, também são realizados o de células LE – células brancas existentes no sangue que são capazes de “engolir” núcleos de outras células que foram atacadas pelo anticorpo antinúcleo; cerca de 80% dos pacientes portadores de LES tem esse exame positivo, – dosagem de imunocomplexos – os imunocomplexos podem circular com o sangue e se depositar em vários locais como veias, rins, pele e outros, causando lesões e a presença de imunocomplexos no sangue de um portador do LES significa que este está em atividade – e dosagem do complemento – complemento é uma substância existente no sangue “atraída” pelo imunocomplexo depositado e a queda dos níveis de complemento no sangue está associada à atividade da doença. Portanto, o diagnóstico deve ser feito pelo conjunto de alterações clínicas e laboratoriais, e não pela presença de apenas um exame ou uma manifestação clínica isoladamente. Em alguns casos o médico precisa examinar um fragmento do órgão que foi atacado pela doença. Para isso recorre a biopsia. Pele, rim e pleura são os locais onde geralmente as biopsias são solicitadas. (ZERBINI E FIDELIX, 1989).

3.1.4 Tratamento

Zerbini e Fidelix, (1989), referem que o tratamento do LES depende da manifestação apresentada por cada um dos pacientes, portanto, deve ser individualizada para cada um. Um mesmo paciente pode ter o tratamento modificado, de acordo com cada episódio de atividade. Assim, as queixas articulares geralmente são tratadas com antimaláricos, antiinflamatórios não hormonais e pequenas doses de cortisona ou cortisona tópica. Manifestações cutâneas são também tratadas com fotoprotetores, antimaláricos, cortisona tópica e pequenas doses de cortisona por via oral. Manifestações musculares, hematológicas, inflamações da pleura, pericardio ou vasculites de pequenos vasos podem ser tratados com corticoesteróides (cortisona) em doses variadas de acordo com a gravidade de cada caso. Comprometimento renal e do sistema nervoso geralmente são tratadas com cortisona em altas doses associados ou não a outras drogas denominadas imunossupressores como a azatioprina ou ciclofosfamida. Pulsoterapia com corticoesteróides (altas doses de cortisona dadas na veia por 3 dias consecutivos) podem ser prescritas quando se requer um rápido controle do processo inflamatório. A pulsoterapia com ciclofosfamida (altas doses de ciclofosfamida dadas na veia por um dia), a intervalos mensais ou trimestrais, geralmente é preferida ao uso de ciclofosfamida via oral diária, por causar menos efeitos colaterais. Na falta de resposta a estas medidas, outros medicamentos podem ser utilizados e as dúvidas devem ser discutidas com o médico.                                  

O adequado tratamento do LES tem permitido uma longa e produtiva vida para os pacientes. O objetivo do tratamento é permitir o controle da atividade da doença, a minimização dos efeitos colaterais dos medicamentos e uma boa qualidade de vida aos pacientes com LES. Evitar fatores que podem levar o desencadeamento da atividade do lúpus, como o sol e outras formas de radiação ultravioleta, tratar as infecções, evitar o uso de estrógenos e de drogas que podem desencadear o LES (como a hidralazina, hidrazida, a procainamida, etc), evitar a gravidez em fase ativa da doença, evitar o estresse são algumas condutas que os pacientes devem observar, na medida do possível. (ZERBINI E FIDELIX, 1989).

 

 

3.2 DOENÇA CRÔNICA

Sendo o LES uma doença crônica, torna-se importante uma descrição das suas principais características.

            As doenças crônicas são aquelas que têm uma ou mais das seguintes características: são permanentes, deixam incapacidade residual, são causadas por alteração patológica não reversível, requerem treinamento especial do paciente para reabilitação, pode-se esperar requerer um longo período de supervisão, observação ou cuidado.

            Cada individuo vivencia e enfrenta a doença de acordo com a personalidade, com a capacidade de tolerar frustrações, com as vantagens e desvantagens vindas da posição de doente, e também da relação com as pessoas e projeto de vida. Os pacientes que conseguem lidar melhor com o caráter crônico de sua enfermidade procuram se informar sobre sua doença, seu tratamento e prognóstico geralmente seguem as recomendações médicas e promovem uma série de mudanças em suas vidas a fim de se adaptarem, tendo novas ocupações. (BOTEGA, 2002).

            Um dos aspectos importantes neste sentido,  de se considerar na doença crônica é a adesão ao tratamento, uma vez que a maioria das doenças crônicas requerem tratamentos “para sempre”.

            Santos (2000, p. 49 apud BOTEGA, 2002, p. 43-50) refere que assim como alguns pacientes aderem ao tratamento, outros já tem dificuldades. Em relação a isso se deve conceber a adesão ao tratamento como um processo, com três componentes principais: a noção que o paciente possui sobre a doença, a idéia de cura ou melhora que se forma em sua mente, o lugar do médico no imaginário do doente. Cada um desses componentes contribui para a formação de uma opinião e tomada de decisões relacionadas à doença, sempre considerando a idéia de parar ou continuar o tratamento.

            Meichenbaum e Turk, (1976, p. 50 apud BOTEGA 2002, p. 43-50) referem existir fatores que são relacionados à falta de adesão ao tratamento divididos em paciente, tratamento, doença, instituição e profissional.

            Em relação ao paciente, ter concepções errôneas sobre a doença ou tratamento e não saber como proceder; não possuir recursos necessários ou capacidade para seguir o tratamento se julgando incapaz; ter dúvidas quanto ao tratamento e impaciência com a demora dos progressos, acreditando que os benefícios não valem os esforços; e ter outras preocupações para dar prioridade.

            Em relação ao tratamento, os custos de um tratamento normalmente são altos; os resultados são a longo prazo e muitas vezes com efeitos indesejáveis; todos esses fatores exigem muito do paciente modificando assim sua qualidade de vida.

            Já a doença tem alguns sintomas que dificultam o cuidar-se.

            Em relação a instituição, muitas vezes a distância dificulta o acesso ao serviço; o tempo de espera para ser atendido pode ser longo e este tem curta duração.

            E no lado do profissional, alguns são distantes, pouco cordiais, parecendo sempre estar ocupados, atendendo com várias interrupções. Esses não consideram as dúvidas e preocupações do paciente, não o informa ou o fez de maneira imprecisa. E também não oferece uma atenção contínua e personalizada, com retornos programados.

            Como algumas doenças crônicas impõem algumas limitações, às vezes, o paciente e seus familiares não conseguem aceitar. No ínicio da cronicidade, muitas famílias consideram o paciente como uma vítima doente, porém com o passar do tempo, podem passar a encará-lo como um peso e um aborrecimento (BOTEGA, 2002).

            A Associação de Medicina Brasileira (AMIB) entende família como a unidade social mais próxima ligada ao paciente através do amor, podendo ou não ter laços legais ou de consangüinidade. Quando um membro da família fica doente, o equilíbrio e os papéis ocupados por cada um são afetados. As crises e desajustes na família ocorrem desde o aparecimento da doença até o estabelecimento do diagnóstico e do prognóstico e esta precisa se sentir apoiada e segura, com suas dúvidas esclarecidas. A família de pacientes crônicos também se desorganiza, desestrutura, angustia, sofre, sente-se impotente diante da situação, assusta-se com a proximidade da morte e por esses motivos é importante que receba atenção do psicólogo, para que possa ser uma força afetiva no tratamento do paciente.

            Segundo Kübler-Ross (2000), os membros da família devem medir suas energias para que, quando forem necessários, não estejam esgotados. Sendo assim, não se pode exigir muita atenção de algum dos membros, pois precisam renovar suas energias e tentar, na medida do possível, viver uma vida normal.

           

Conforme Rodrigues (2004): […] (p. 191) no caso das doenças crônicas há de se lançar um olhar e um cuidado diferenciado sobre as famílias, uma vez que as mudanças tendem a se cristalizar diante de uma situação que se estenderá por toda a vida do paciente. Portanto o diagnóstico de uma doença crônica representa para a família uma crise vital significativa.

            Quanto à relação com a equipe Botega, (2002) cita que: “O relacionamento entre médico-paciente será um exercício de paciência e perseverança, em que um acabará conhecendo muito a respeito do outro”.

            Em alguns momentos do tratamento essa relação médico-paciente estará abalada, o paciente poderá tornar-se exigente, hostil, pouco cooperativo. Alguns pacientes terão passado por diversos profissionais, inclusive os de maiores prestígio, transmitindo a sensação ao novo médico de que ele será apenas mais um em uma lista de fracassos. Nesses casos é necessário procurar compreender os sentimentos que esse paciente desperta, como frustração, raiva e tédio.

            Spitz, (1997, p. 50 apud BOTEGA 2002, p. 43-50) afirma que o os pacientes crônicos podem despertar sentimentos de impotência, desesperança e desvalorização para os médicos e para a equipe.

            Muitas vezes a indicação de uma psicoterapia para pacientes crônicos é necessária, porém deve ser realizada de tal forma que o paciente não se sinta rejeitado por seu médico ou mesmo ameaçado. 

 

3.3 REAÇÕES EMOCIONAIS NO LES

 

O LES causa várias reações emocionais em seus portadores, vários autores descrevem sobre estas:

Stoll (1997, p. 71 apud APPENZELLER 1999, pág. 70-74) relata que, utilizando-se de questionários padronizados que medem qualidade de vida, concluíram que os escores de qualidade de vida são determinados pelos níveis de atividade da doença e que a atividade da doença tem maior efeito sobre a qualidade de vida do que outros fatores.

Karlson (1997, p. 71 apud APPENZELLER 1999, pág. 70-74), diz que a atividade da doença e o estado da saúde estavam mais fortemente associados a fatores psicossociais potencialmente modificáveis, como a capacidade própria de lidar com a doença.

Segundo Santoantonio (2004), as limitações que são impostas, seja pelos cuidados para que a doença não entre em atividade, seja pela própria atividade que leva a internações e, muitas vezes, a seqüelas, acabam por restringir a interação social e, com isso, a possibilidade de troca e estimulação que o ambiente pode oferecer.

Sato (2000, p. 150 apud SANTOANTONIO 2004, p.145-151), em estudo realizado com adolescentes acometidos pelo LES, afirma que a presença de uma enfermidade crônica como o LES expõe as adolescentes a constantes situações de angústia, associadas com o sofrimento físico, e interferem no desenvolvimento da personalidade e inteligência. Já em pacientes adultos, as alterações físicas e a evolução da doença levam à insegurança, à baixa auto-estima e à depressão.

Iverson, (1995, p. 145, Matsukawa et al (1994); Segui, (1993); Ware e Sherbourne, (1992 apud SANTOANTONIO 2004, p. 145-150) afirmam que a depressão e a ansiedade são as queixas mais freqüentes em pacientes com LES, isto porque a convivência com uma doença crônica e imprevisível pode causar problemas adaptativos importantes associados ao estresse emocional, tais como: irritabilidade, fadiga, instabilidade, insônia, alteração na concentração e memória, problemas relacionados ao apetite, baixa auto-estima, insegurança, distúrbios na imagem corporal, ideação suicida, diminuição do interesse no ambiente e limitações nas atividades sociais devido aos cuidados que a enfermidade impõe.

Stein (1986, p. 216 apud SILVA 2001, p. 213-219) evidenciou que 20% dos adultos portadores de LES apresentam alteração da imagem corporal e, destes, 4% tem problemas sexuais. Os corticosteróides contribuem para a alteração da imagem corporal com obesidades, acne e estrias. Entre os vários fatores que contribuem para a depressão numa doença como o Lúpus estão os abalos emocionais causados pelo estresse e tensão associados à lida com a doença, os sacrifícios e esforços necessários aos ajustes que o paciente deve fazer na sua vida e os vários medicamentos usados no tratamento da doença.

            Vários estudos associam o estresse à diminuição da resposta do sistema imunológico, ou seja, o estresse está relacionado com o desencadeamento do LES, enfatizando que esses fatores diminuem a qualidade de vida, apesar dos tratamentos, medicações, psicoterapias de que dispõe a medicina ocidental.

            Através desses estudos realizados conclui-se que as principais reações emocionais causadas pela doença é a ansiedade e depressão, que são causadas por diversos fatores impostos pelo próprio LES. O que torna o quadro mais grave é o fato dessas reações emocionais agravarem a doença, ou seja, o tratamento deve ser realizado tanto do LES quanto também das reações emocionais.

            Por este motivo, no próximo capítulo será descrito a visão da medicina oriental sobre o LES, incluindo no tratamento as reações emocionais.

 

 

 

           

 

4 VISÃO DA MEDICINA ORIENTAL

 

4.1 O QUE É ACUPUNTURA?

 

De acordo com Yamamura (2005), a Medicina Tradicional Chinesa nasceu da combinação da prática da acupuntura, da moxabustão e da fitoterapia, realizando um complexo de meios terapêuticos cujos resultados e efeitos eram precisos e eficazes. Alguns dados desta época foram preservados até hoje; sob a dinastia Ming (1368-1644), a acupuntura e a moxabustão adquiriram o aspecto prático que se conhece atualmente.

            A Acupuntura originou-se na China, nasceu no vale do rio Amarelo, nas costas setentrionais do mar da China, há cerca de 5000 anos, embora práticas semelhantes à acupuntura sejam encontradas em outros povos antigos como os egípcios, sumerianos, persas, nas civilizações maia e asteca, nas populações africanas, e inúmeras reminiscências na medicina popular dos diferentes povos da Europa.

 

4.1.1 Teoria da Acupuntura

 

Segundo Yamamura (2005), a concepção filosófica chinesa a respeito do universo está apoiada em três pilares básicos: a teoria yin e yang, dos cinco movimentos e dos Zang Fu (órgãos e vísceras).

Teoria do yin e yang: conceito básico e fundamental de todas as ciências orientais que corresponde à condição primordial e essencial para a origem de todos os fenômenos naturais como, por exemplo, o princípio da energia e da matéria.

O ser vivo (humano, animal ou vegetal) possui uma energia primordial, chamada QI (pronuncia-se TCHI) .

Esta energia tem dois aspectos: Yin e Yang. O Yin é o aspecto material e interno, já o YANG é a manifestação da matéria exteriormente.

O bom funcionamento (saúde) do ser depende do bom equilíbrio entre estas duas forças que são antagônicas, porém sua oposição acaba por criar um equilíbrio dinâmico. Tanto o Yin como o Yang tem, cada um, suas funções. Quando estão em mesmo nível energético, um controla o outro, porém quando um se sobressai em relação ao outro ocorre o desequilíbrio, ou seja, ocorre a doença.

A desarmonia Yin / Yang pode ser causada por motivos exógenos, excesso de frio ou calor, alimentação inadequada, acidentes, poluição e mais uma infindável lista, ou endógenos, raiva, preocupação, pensamento excessivo(obsessão), pesar, medo, tristeza , entre outros.

Teoria dos cinco elementos: por meio deste conceito, procuram-se explicar os processos evolutivos da natureza, do universo, da saúde e da doença.

            Constitui o segundo pilar da Medicina Tradicional Chinesa. Observa-se que todos os fenômenos naturais têm características próprias, a partir das quais podem originar outros fenômenos e, ao mesmo tempo, sofrer influências benéficas ou maléficas destes.

            Movimento água representa os fenômenos naturais que se caracterizam por retração, profundidade, frio, declínio, queda, eliminação. Ponto de partida e de chegada da transmutação dos movimentos. Movimento madeira representa o aspecto de crescimento, movimento, florescimento, síntese. Movimento fogo representa todos os fenômenos naturais que se caracterizam por ascensão, desenvolvimento, expansão, atividade. Movimento terra representa os fenômenos naturais que se traduzem por transformações, mudanças. Movimento metal caracteriza os processos naturais de purificação, de seleção, de análise, de limpeza. (YAMAMURA, 2005)

Segundo o mesmo autor, a teoria Zang Fu (órgãos e vísceras): aborda a fisiologia energética dos órgãos, das vísceras e das vísceras curiosas do ser humano, que constituem o alicerce para a compreensão da fisiologia e da propedêutica energética e da fisiopatologia das doenças e seu tratamento.

Existe uma inter-relação entre os sentimentos e os órgãos do nosso corpo.

Determinada emoção influencia um órgão, e este também mantém uma influência sobre a emoção relacionada a ele. Pulmão – tristeza; Coração – alegria; Fígado – raiva; Baço – concentração; Rim – medo (YAMAMURA, 2005).

 

 

4.1.2 Meridianos e pontos de Acupuntura

 

Os orientais defendem a teoria da existência de energia, Ki ou Qi, existindo assim o Macrocosmo (Universo), e o Microcosmo (homem), além da existência de duas forças opostas, Yin e Yang, que se complementam. (YAMAMURA, 2005)

Dentro desta teoria, o homem está com os pés na terra e as mãos para o céu. A terra é Yin e o céu é Yang. Os meridianos Yang são do céu e vão para a terra e os meridianos Yin são da terra e vão para o céu.

Energia Yin elevando-se da terra para o céu pela frente do corpo.

Energia Yang descendo do céu para a terra, pelo dorso do corpo.

Como estas duas tendências são opostas e complementares, atraindo-se, o homem é um transformador de energias do céu e da terra. A energia Yang do céu percorre o homem, pelo plano dorsal, e busca a terra. A energia Yin da terra percorre o homem, pelo plano ventral, e busca o céu. (YAMAMURA, 2005)

Segundo o mesmo autor, os caminhos ou linhas por onde passam a energia Qi são chamados de Meridianos. Nestes canais imateriais condutores de energia diferenciada em variadas combinações de Yin e Yang, os fluxos de energia se intercambiam alternadamente um sistema responsável pela defesa, regulação e ressonância do organismo em relação às influências cósmicas.

São 14 (quatorze) os principais Meridianos, sendo 12 principais e 2 extras, ou maravilhosos; os outros, destituídos de pontos próprios, são chamados de meridianos virtuais, somente se manifestando nos estados patológicos, e os meridianos de ligação, chamados de vasos secundários. Os 12 meridianos principais são pares e simétricos bilaterais, responsáveis pelo funcionamento dos “órgãos primários”. Os 2 outros meridianos são ímpares, passam verticalmente pelo centro do corpo e têm como função regular o fluxo de energia Ki dos outros 12 meridianos (YAMAMURA, 2001).

De acordo com Yamamura 2001, são meridiano Yang das mãos – meridiano do intestino grosso Yang das mãos – meridiano do intestino grosso, meridiano do triplo aquecedor, meridiano do intestino delgado. Meridiano Yin das mãos – meridiano do coração, meridiano do sistema nervoso, meridiano dos pulmões. Meridiano Yin dos pés – meridiano do baço, meridiano do fígado, meridiano dos rins. Meridiano Yang dos pés – meridiano do estômago, meridiano da vesícula, meridiano da bexiga.

4.1.3 Meridianos principais

 

Meridiano dos Pulmões – 11 pontos

Meridiano do Intestino grosso – 20 pontos

Meridiano do Estômago – 45 pontos

Meridiano do Baço-Pâncreas – 21 pontos

Meridiano do Coração – 9 pontos

Meridiano do Intestino Delgado – pontos 19

Meridiano da Bexiga – 67 pontos

Meridiano dos Rins – 27 pontos

Meridiano da Circulação-Sexo – 9 pontos

Meridiano do Triplo Aquecedor – 23 pontos

Meridiano da Vesícula Biliar – 44 pontos

Meridiano do Fígado – 14 pontos (YAMAMURA, 2001)

 

4.1.4 Meridianos extras

 

Meridiano do Vaso da Concepção – 24 pontos.

Meridiano do Vaso Governador – 28 pontos (YAMAMURA, 2001).

 

A Acupuntura é um dos recursos utilizados para restaurar o fluxo do Qi pela inserção de agulhas em pontos específicos localizados no trajeto dos Meridianos. Essas inserções são feitas para limpar qualquer bloqueio ou dano, de modo a liberar o fluxo para melhor alimentar o corpo por inteiro. (CHONGHUO, 1993).

Cada órgão tem seu meridiano próprio e em cada meridiano existem vários pontos cutâneos com funções específicas cada um. Quando inserimos uma pequena agulha em um destes pontos ocorre uma estimulação energética desencadeando reações bioquímicas no nosso organismo. (LIN LIAN, 2005)

A localização dos pontos pode ser feita pela sensibilidade manual ou através do uso de aparelho eletrônico específico para esta finalidade. (YAMAMURA, 2001).

 

 

4.2 Diagnóstico do LES na medicina chinesa

 

         Na Medicina Tradicional Chinesa, entende-se a palavra saúde como o resultado do equilíbrio entre o Yin e o Yang. Quando esses estão em desequilíbrio, observa-se o processo de adoecimento. A doença não surge de uma hora para outra; é fruto de uma sucessão de experiências estressantes acompanhadas por uma fragilidade do mecanismo de proteção. Muitos eventos ficam internalizados e, em uma situação específica, podem ser reativados como um alarme, desencadeando uma reação em cascata que culmina com a doença. (CAMPIGLIA, 2004).

De acordo com Campiglia (2004), os fatores de adoecimento na Medicina Tradicional Chinesa apontam para duas direções: interna e externa. O individuo pode adoecer por deficiência de seu sistema de defesa (meio interno) ou por sofrer muitas agressões do ambiente em que vive (meio externo).

            Os fatores internos consideram a estrutura genética e hereditária, o modo de vida e os sentimentos. Os fatores externos dependem do clima, em suas manifestações diversas e do meio ambiente. Deve-se considerar, ainda, que se pode adoecer no físico, na mente ou em ambos.

            A partir do advento da abordagem psicossomática e das muitas terapias com enfoque corporal, passou-se a acreditar que as doenças físicas como gastrite, dores articulares, cefaléia, doenças intestinais e, até mesmo, câncer teriam como base alterações emocionais. Até certo ponto, isso é importante, para que se possa observar as doenças com novos olhos, talvez mais otimistas, uma vez que o paciente tem importante papel a cumprir na profilaxia e no tratamento dos problemas, que antes só o médico resolvia. Contudo, o exagero dessa visão pode levar a algumas colocações falsas, o fato é que não é bem assim, pois pessoas muito bem resolvidas emocionalmente também ficam doentes.

            Devido a escassez de literatura sobre essa patologia, não foi encontrado um diagnóstico na medicina tradicional chinesa específico para Lupus Eritematoso Sistêmico. Porém, através de seus principais sintomas podemos relacionar o LES com os seguintes órgãos: Fígado, Pulmão e Rim.

 

 

4.2.1 Fígado

 

Segundo Chonghuo (1993), as funções fisiológicas energéticas do Fígado são de armazenar o sangue, controlar a dispersão (regular a distribuição do sangue por todo o corpo acomodando o volume nas diversas partes do corpo humano que varia de acordo com as mudanças fisiológicas), controla a drenagem (essa função pode afetar a circulação da energia que percorre todo o corpo e se divide em atividades emocionais – regula as atividades mentais fazendo a comunicação nervosa para promover as atividades funcionais do corpo – e transporte e transformação – ajuda a subida e descida de energia do Estômago e Baço Pâncreas e também a secreção e excreção de bile) e determinar as condições dos tendões e dos ligamentos (significa o controle dos tendões e ligamentos que estão presentes nas articulações, fazendo com que os mesmos possam mover-se livremente, e para isso necessitam da nutrição do sangue do Fígado).

Campiglia (2004) refere que o Fígado também tem como função controlar os sentimentos. Possui duas vertentes de movimentos: a atividade, o movimento expansivo representado pelo Fígado Yang e o movimento de espera e recolhimento representado pelo Fígado Yin. O elemento madeira, a qual o órgão Fígado pertence, imprimi o ritmo biológico e psicológico de cada um. Este é ligado a figura do general, que comanda e ordena suas tropas. Expressa-se pelos olhos e está associado aos tendões, aos ligamentos e as unhas.

A emoção principal do elemento madeira é a raiva, apesar do Fígado ser responsável pelo controle e expressão de todas as emoções. A raiva é uma emoção se que se move para fora, que possibilita demarcar território e avançar em direção a um objetivo.

Nas patologias associadas a madeira, encontram-se grandes alterações emocionais, como irritação, ansiedade, estresse, depressão ansiosa. No sistema digestivo, tudo aquilo que se traduz pelo fluxo contra-corrente de energia: eructação, inchaços, vômitos, soluços. Problemas do Fígado e Vesícula Biliar, cefaléia, tontura, problemas nos olhos. Alterações ligadas ao sangue e ao movimento de Qi: irregularidades menstruais (aparecimento da tensão pré-menstrual), cólicas, formação de coágulos, visão embaçada, tendinites, vertigem, tiques, espasmos, olhos vermelhos, hematêmese e espistaxe. Dificuldade de decisão e escolha, apego, frustração, dificuldade de mudança. (CAMPIGLIA, 2004).

O LES está ligado ao órgão do Fígado por sua principal manifestação clínica ser fortes dores nas articulações, e as manifestações emocionais a irritação, ansiedade, estresse e depressão ansiosa.

 

4.2.2 Pulmão

 

Os pulmões têm como funções fisiológicas de controlar o Qi (estritamente relacionado à geração e a circulação de Zhong Qi) e a respiração (muito importante na troca do ar turvo e do puro dentro e fora do corpo), comunicar e regular as vias dos líquidos e controlar a difusão e descida (somente quando a função da difusão é normal o Wei Qi e os líquidos orgânicos podem ser distribuídos por todo o corpo para aquecer e umedecer os músculos, os poros cutâneos e a pele). Relacionam-se à superfície do corpo através do nariz e refletem-se na pele, nos pêlos e penugem (estes estão na superfície do corpo e têm a função de proteger o corpo contra os fatores patogênicos exógenos e de regular a temperatura do corpo para adaptar as mudanças do meio ambiente, e estas funções são desenvolvidas quando esses tecidos estão nutridos pela essência e pelos líquidos distribuídos pelos pulmões, através da função de difusão). (CHONGHUO, 1993).

De acordo com Campiglia (2004), o Pulmão é considerado o mestre das energias, pois controla a difusão, a direção, a descida e a eliminação de energia, a respiração e regula a circulação da via das águas. É o “ministro”, acumula e depois difunde, organizando a distribuição de Qi.

Quando há alteração da energia do elemento metal, cujo órgão é o Pulmão, observam-se doenças respiratórias como asma, pneumonia, dispinéia, enfisema, tuberculose etc. E ainda, astenia, voz fraca, alterações olfativas, rinite e sinusite, obstipação, depressão, doenças de pele e estase dos líquidos corporais, formando edemas e derrames. (CAMPIGLIA, 2004).

O Pulmão está fortemente ligado ao LES por seus portadores apresentarem problemas e sensibilidade da pele, e novamente a depressão.

 

 

4.2.3 Rim

        

Os Rins têm as funções fisiológicas de armazenar a essência (Jing) (a essência é a matéria fundamental, da qual constitui o corpo). É também a matéria fundamental necessária para efetuar diversas atividades funcionais do corpo), controlar os líquidos (os Rins têm a função de regular o metabolismo dos líquidos que entram no estômago, e são transportados ao Pulmão pelo Baço Pâncreas e que reúnem-se na Bexiga pelas funções do Pulmão de descida, de dispersão e de comunicar e de regular as vias dos líquidos, ocorrendo também o processo de separação do límpido do turvo), receber o Qi, controlar os ossos, gerar a medula e chegar ao cérebro. ( CHONGHUO, 1993).

De acordo com Campiglia (2004), na Medicina Tradicional Chinesa os Rins são a raiz da vida, controlam a reprodução, a herança genética, são a base do Yin e do Yang no organismo.

Dividem-se os Rins em Rim Yin e Rim Yang. O Yin é o substrato material para o funcionamento do corpo, o Yang é a energia que irá circular fornecendo vida e força a esse substrato material.

Se o Yin do Rim está intimamente conectado a nossa história passada, a dos nossos antepassados e a herança genética, o Yang do Rim está conectado a nossa história futura, à possibilidade de projetar, de criar e de mover-se para frente, em busca de novos objetivos e metas. 

         Doenças ligadas aos Rins incluem, além das doenças renais, impotência, esterilidade masculina e feminina, polaciúria, oligúria, incontinência urinária, dentes e ossos fracos, dores lombares e nos joelhos, corpo e membros frios, zumbido, alteração da acuidade auditiva, astenia, falta de vontade e ânimo, perturbações de memória, fobias. (CAMPIGLIA, 2004).

            Segundo Zerbini e Fidelix (1989), as causas do LES são desconhecidas, porém admite-se que a interação de fatores genéticos participe do desencadeamento da doença.

            Através desse fator faz se a ligação da doença com o órgão do Rim, pois este é responsável por controlar a herança genética, e mais especificamente ligado ao Yin do Rim, que está intimamente conectado a nossa história passada.

As principais e mais freqüentes manifestações do LES são as dores articulares, problemas de pele e renais, ansiedade, depressão e estresse o que está ligado com os órgãos do Fígado, Pulmão e Rim. Por isso o próximo assunto a ser tratado será alguns pontos de acupuntura utilizado no tratamento do LES, escolhidos através da pesquisa realizada por Shu-Fang.

 

4.3 PONTOS DE ACUPUNTURA UTILIZADOS NO TRATAMENTO DO LES

 

Shu-Fang (1985) realizou uma pesquisa com 3 grupos de portadores de Lupus Eritematoso Sistêmico; o primeiro grupo foi apenas utilizado acupuntura, no segundo grupo foi utilizado acupuntura e medicamentos alopáticos (como corticosteróides) e no terceiro grupo não foi usado acupuntura. 

Foram usados, intercalados, dois grupos de pontos em três sessões por semana, em um total de 20 sessões:

1º grupo de pontos: Huatuojiaji (M-DC-35) na T3, T7 e T11/ Hegu (IG4)/ Dazhui (VG14)/ Fuliu (R7)/ Sanyinjiao (BP6);

2º grupo de pontos: Huatuojiaji (M-DC-35) na T5, T9 e L1/ Fengchi (VB20)/ Jianshi (CS5)/ Zusanli (E36).

            Os resultados se deram através de melhora nos sintomas e através de exames clínicos, que comprovaram que a Acupuntura no tratamento de pacientes portadores dessa doença é muito significativa, o que mostram os quadros 1 e 2.

 

Quadro 1: Melhora dos sintomas e sinais nos grupos 1 e 2 depois do tratamento

Sintomas e Sinais

Antes do tratamento

 

Depois do tratamento

Casos observados

Casos anormais

Melhora dos casos


Grupo 1


Grupo 2


Grupo 1


Grupo 2


Grupo 1


%


Grupo 2


%


Fadiga


 


15


10


15


8


80


12


80

Febre

10

15

2

3

2

100

3

100

Erupções de pele

10

15

10

10

8

80

8

80

Dores nas articulações

10

15

10

12

8

80

10

83

Fenômeno de Reynaud

10

15

2

0

2

100

Envolvimento cardíaco

10

15

0

4

4

100

Envolvimento gastro-intestinal

10

15

2

9

2

100

6

67

Ampliação do fígado

10

15

0

7

4

57

Ampliação do baço

10

15

0

1

1

100

Edema

10

15

0

12

9

75

Barriga d’água

10

15

0

1

1

100

Amenorréia

10

15

3

2

3

100

2

100

Fonte: Shu-Fang, (1985)

 

Quadro 2: Resultado da terapia com acupuntura

Grupo

Grupo 1

Grupo 2


Casos


10


15

Marcadamente efetiva

4

4

Eficiente

4

5

Ineficiente

2

6

Efetividade (%)

80

60

Dias necessários para demonstração de melhora

33

42

Fonte: Shu-Fang, (1985)

Abaixo serão descritas e analisadas as especificidades dos pontos de Acupuntura utilizados no estudo realizado por Shu-Fang (1985), apresentando-se a função dos mesmos nas reações emocionais causadas por esta patologia.

 

4.3.1 Huatuojiaji (M-DC-35)

 

Yamamura (2001) refere que esse ponto é chamado de “pinçar a coluna vertebral”, porque situa-se bilateralmente à coluna vertebral que parece prendê-lo pelos dois lados. São 48 pontos localizados, lateralmente, de meio a 1 tsun da extremidade inferior do processo espinhoso das vértebras cervicais, torácicas e lombares. Da 3º vértebra cervical à 9° vértebra torácica: afeccções energéticas dos órgãos /vísceras da cavidade torácica. Da 11º vértebra torácica à 5º vértebra lombar: afecções energéticas das regiões lombar e sacra; o jiaji da 11° vértebra torácica tem efeito específico sobre o Pâncreas.

Tem como funções energéticas restaurar o fluxo do Qi e de Xue (Sangue) do Vaso Governador e do canal de energia principal da Bexiga (pangguang); fortalece e relaxa os tendões; fortalece a coluna vertebral; drena o excesso de Qi do canal de energia principal da Bexiga (pangguang) (YAMAMURA, 2001).

Restaurar o equilíbrio dos órgãos Zang e Fu; segmentarmente em doenças e distúrbios; das vértebras T1 – T3 pulmões e extremidade superior; T4 – T7 coração; T8 – T10 fígado e Vesícula Biliar; T11 e T12 Baço Pâncreas e Estômago; L1 e L2 Rins  (LIN LIAN, 2005).

 

4.3.2 Hegu (IG – 4)

 

Segundo Yamamura (2001) chama-se Hegu por sua semelhança anatômica com o vale e essa semelhança se acentua com o movimento de abdução do polegar. Localiza-se na metade do 2º metacarpo, entre o 1º e 2º ossos metacarpos, ou sobre a saliência muscular, quando se faz a abdução do polegar.

Tem como funções energéticas facilitar o trânsito e descida dos alimentos do Estômago (Wei) para os intestinos; liberar o calor perverso interno para a superfície do corpo; dispersar o vento, o vento calor e o vento-frio; dispersar o excesso de Coração (Xin Qi); Promover a desobstrução de Qi estagnado dos canais de energia; ativar a circulação de Qi e de Xue (sangue) nos vasos sanguineos; clareiar a visão; reanimar o estado de inconsciência; transformar a mucosidade, a umidade-calor; tonificar o Wei Qi (energia de defesa).

Suas Indicações são para: cefaléia, amigdalite, odontalgia, rinite, obstrução nasal, faringite, paralisia facial, afonia, astenia mental, dores oculares, artrite temporomandibular, dor e paralisia dos membros superiores, neurastenia, dores em geral, epilepsia, depressão, mania, parto prolongado, urticária, dor abdominal. (YAMAMURA, 2001).

Suas características são: apresenta uma influência forte sobre a mente e pode ser utilizado, para acalmar a mente e aliviar a ansiedade. Também pode combinar com R – 7 para regularizar a sudorese, ou seja, pode reduzir a sudorese nos casos excessivos ou estimular a sudorese para expelir o vento-frio. IG – 4 pode harmonizar a ascendência do yang e a descendência do yin, pode aumentar o Qi quando este estiver submergindo (tal como a submersão do Qi do Baço (Pi)). (MACIOCIA, 1996)

 

4.3.3 Dazhui (VG – 14)

 

Chama-se “a grande vértebra” porque está situado logo acima da 1° vértebra torácica, que é a maior vértebra da coluna. Situa-se na transição entre o pescoço e o tórax, entre os processos espinhosos da 7º vértebra cervical e da 1º vértebra torácica (YAMAMURA, 2001).

O mesmo autor refere que este ponto tem como funções energéticas exteriorizar o calor; faz transitar as energias perversas nos três canais yang do corpo; fazer circular o yang Qi do corpo; fortalecer o Wei Qi; acalma o shen (mente) e clareiar a mente; dispersar o vento e o vento-calor; fazer a limpeza do fogo e do calor perverso.

Suas indicações são para: febre, desmaio pelo calor, esquizofrenia, epilepsia, asma, bronquite, psicose, contratura muscular da coluna cervical e do ombro, calafrios e febre, hemiplegia, tuberculose pulmonar, eczema, hepatite, doenças do sangue. (YAMAMURA, 2001)

Caracteriza-se por poder apresentar efeitos opostos de acordo com método de punção: em sedação – libertará o exterior e eliminará o vento-calor. Também regulariza o Qi defensivo e nutritivo quando a pessoa for atacada pelo vento exterior e apresentar sudorese. Também elimina calor interior. Em tonificação – tonifica o yang e pode ser utilizado em qualquer padrão de deficiência do yang. Uma vez que também é o ponto de encontro de todos os meridianos yang que transportam o yang puro em ascendência para a cabeça, este ponto pode também desobstruir a mente e estimular o cérebro. (MACIOCIA, 1996).

 

 

4.3.4 Fuliu (R – 7)

 

Informa Yamamura (2001) que chama-se “o fluxo regresso” porque o Qi do canal de energia principal de shen (Rins) circunda e enlaça o maléolo medial, retorna e segue para esse ponto. Localiza-se a 2 tsun proximais ao R – 3.

Tem como funções energéticas tonificar o Shen Qi (Rins); tonificar o Wei Qi, fortalecer e restaurar o yin Qi; harmonizar o Qi da Bexiga (pangguang), orientando sua circulação; harmonizar a via das águas; dissipar a umidade e umidade-calor; umedecer a secura.

Indicado para diarréia, distúrbios de equilíbrio dos líquidos orgânicos, edema e inchaço, distensão abdominal, afecções devido ao fogo, patologia renal e testicular, sudorese noturna, lombalgia, paralisia de membros inferiores, leucorréia, infecções do trato urinário, disfunção urinária. (YAMAMURA, 2001)

Caracteriza por ser melhor para tonificar o yang do rim. É um ponto importante para resolver a umidade no aquecedor inferior e eliminar edema das pernas. (MACIOCIA, 1996)

 

4.3.5 Sanyinjiao (BP – 6)

 

Refere Yamamura (2001) que chama-se Sanyinjiao porque é o local onde os 3 yin do pé se cruzam. Situa-se a 3 tsun proximais a parte mais saliente do maléolo medial, junto a margem medial da tíbia.

Tem como funções energéticas: harmonizar, fortalecer e tonificar o Qi do Baço Pâncreas (Pi); tonificar o Qi dos Rins (Shen) e a essência; harmonizar o Qi do Fígado (Gan); fortalecer o Qi dos 3 yin do pé; harmonizar a circulação de Qi e de sangue (xue); harmonizar o Qi do estômago (Wei) e dos aquecedores médio e inferior; tonificar o Qi e o sangue (Xue); harmonizar a via das águas; harmonizar o Qi do útero e da próstata; dissolver a umidade e a umidade-calor; drenar a umidade e a umidade-frio.

É indicado para plenitude do tórax e do abdome, dor no escroto, amenorréia, menstruações irregulares, disúria, enurese noturna, ejaculação precoce, impotência sexual, astenia mental, afecções do sistema reprodutor, retenção de placenta, trabalho de parto difícil, infertilidade da mulher, distensão do epigástrio, diarréia, tontura, desmaios, insônia, palpitação, estupor, preocupação, tristeza, choros, amnésia, letargia.

Caracteriza-se, sob o ponto de vista emocional, como auxiliar o Qi suave do Fígado para acalmar a mente e aliviar a irritabilidade. Apresenta uma ação calmante forte sobre a mente, sendo freqüentemente utilizado para insônia, particularmente se decorrente da deficiência do yin ou do sangue. Tonificar BP – 6 nutre o sangue e acalma a mente. (YAMAMURA, 2001).

 

4.3.6 Fengchi (VB – 20)

 

De acordo com Yamamura (2001) chama-se Fengchi “o lago do vento”, porque está situado em uma depressão óssea no crânio, semelhante ao pequeno lago, e por ser um ponto importante para a dispersão do vento perverso. Situa-se por baixo do osso occipital, ao nível de Du 16, na depressão entre o ínicio da apófise esternocleidomastoideo e o músculo trapézio.  

Tem como funções energéticas: clareiar a visão; nutrir o encéfalo; harmonizar o excesso de yang Qi; melhorar as funções das articulações; exteriorizar as energias perversas; ativar a circulação de sangue (Xue); remover as obstruções de Qi dos canais de energia; relaxar os músculos e tendões; dispersar o vento, o vento-frio, o vento-calor e frio; dispersar o vento do fígado (Gan).

É indicado para hemicrania, nevralgias da cabeça, torcicolo, apoplexia e coma devido ao vento perverso, surdez, zumbido, afecções oculares e nasais, hipertensão, resfriados, vertigem, doenças cerebrais, insônia e desmaio. (YAMAMURA, 2001).

 

 

4.3.7 Jianshi (CS – 5)

 

Segundo Yamamura (2001) chama-se Jianshi porque está situado no espaço entre dois tendões, no canal de energia principal do circulação-sexo (Xin Bao) e Xin Bao equivale ao ministro que tem função de auxiliar e de receber ordens do imperador (Xin). Situa-se a 3 tsun proximais à prega distal do punho, no meio da face anterior do antebraço, entre os tendões dos músculos palmar longo e flexor radial do carpo.

Tem como funções energéticas: harmonizar o Qi do coração (Xin) e do estômago (Wei); acalmar o shen (mente); fazer aumentar o Wei Qi; dispersar a estagnação de mucosidade; dispersar a energia perversa alojada no Jue Yin e no Shao Yang.

Segundo Maciocia: ponto de encontro dos 3 yin do braço; resolve fleuma do Coração; elimina calor; abre o tórax

É indicado para afecções devido ao calor perverso, mal-estar no coração, medo, sobressaltos, alegria excessiva, febre, epilepsia, esquizofrenia, palpitações, doença cardíaca reumática, gastralgia, dor torácica, menstruações irregulares. Ponto importante para baixar a pressão. (YAMAMURA, 2001).           

 

4.3.8 Zusanli (E – 36)

 

Chama-se Zusanli porque situa-se a 3 tsun do joelho. Situa-se a 3 tsun distais ao E – 35 e a um tsun lateral a margem anterior da tíbia, entre os músculos tibial anterior e extensor longo dos dedos.

Tem como funções energéticas: regularizar, harmonizar e fortalecer o Qi mediano (Baço Pâncreas / Estômago); tonificar o Qi nutritivo (Yong Qi), o Qi e o sangue (xue); regularizar e umedecer os intestinos; harmonizar e tonificar o Qi do pulmão (Fei); tonificar o Qi dos Rins (Shen) e o yuan Qi; tonificar o Wei Qi, restaurar o yang Qi e formar o Jin Ye (líquido orgânico); fazer circular o Qi e o sangue (Xue); aumenta a energia essencial; redirecionar o Qi contracorrente; transformar a umidade e umidade-calor; drenar a umidade e umidade-frio; dispersar o vento e o frio.

É indicado para gastrites aguda e crônica, úlceras gástrica e duodenal, enterites aguda e crônica, pancreatite aguda, indigestão, gastralgia, hemiplegia, estado de choque, fraqueza geral, anemia, alergia, hipotensão, icterícia, convulsão, asma, enurese, neurastenia, afecções do sistema reprodutor, dor e distensão abdominal, náuseas, vômitos, dificuldade de urinar, epilepsia, palpitação, estupor, depressão e mania, gritos histéricos.

Caracteriza-se por ser o ponto mais importante para tonificar o Qi e o sangue nos padrões de deficiência. É utilizado em todos os casos de deficiência de Estômago e Baço Pâncreas e fortalece o corpo e a mente em pessoas muito debilitadas ou após uma patologia crônica. (YAMAMURA, 2001).

 

4.4 SUGESTÃO DE TRATAMENTO

 

         O estudo dos pontos utilizados na pesquisa de Shu-Fang mostra que alguns destes auxilia no tratamento das principais reações emocionais causadas nos portadores de LES, como: Hegu (IG-4) por acalmar a mente e aliviar a ansiedade (YAMAMURA, 2001); Sanyinjiao (BP-6) ajudar a diminuir a irritabilidade, os estados de ansiedade e insônia por diminuição do Yin e do sangue (CAMPIGLIA, 2004); Jianshi (CS-5) acalmar o Shen, remove a estase de Qi e a estase de Qi do Fígado causado por alterações emocionais como frustração e raiva, indicado para depressão (CAMPIGLIA, 2004); Zusanli (E-36) fortalecer o corpo e a mente em pessoas muito debilitadas ou após patologia crônica (YAMAMURA, 2001).

            Por tanto a sugestão de tratamento para essa patologia seria a utilização dos pontos: Huatuojiaji, Hegu, Dazhui, Fuliu, Sanyinjiao, Fengchi, Jianshi e Zusanli.

 

5 DISCUSSÃO

 

            O interesse da autora no presente trabalho foi descrever as principais reações emocionais apresentadas em pacientes portadores de LES e seu tratamento utilizando-se da acupuntura. Para atingir o objetivo proposto, começou-se com um capítulo onde os autores Zerbini e Fidelix (1989) esclarecem o que é essa doença e como é realizado seu diagnóstico, tratamento e apontando as principais manifestações clínicas.

Já no segundo capítulo foi descrito sobre as características do doente crônico, fazendo uma ligação com as reações emocionais, que é mais detalhado no terceiro capítulo.

            Conforme os dados da literatura apresentados anteriormente, o aparecimento do LES causa várias reações emocionais, onde as principais são a ansiedade e a depressão.

            De acordo com os autores Santoantonio (2004) e Appenzeller (1999), essas reações já são comuns entre os pacientes lúpicos no curso da doença, uma vez que são vários os sacrifícios impostos pela doença e as limitações.

            A depressão em portadores de LES pode ser induzida pela própria doença, pelos medicamentos usados no tratamento, e por incontável número de fatores vivenciais com relação a essa doença crônica.

            Alguns estudos realizados por Santoantonio (2004) e Appenzeller (1999) mostram que uma grande porcentagem dos lúpicos sofre de transtorno depressivo, porém embora esse transtorno seja muito mais comum em portadores de doença crônica, como LES, do que no resto da população, nem todos esses pacientes vão sofrer de depressão obrigatoriamente. 

            A população em geral tem a noção distorcida de que as pessoas com uma doença crônica tem razões para se sentirem deprimidas porque estão doentes, dificultando assim o diagnóstico precoce, o tratamento e a melhora do quadro. (BOTEGA, 2002).

            O atendimento psicológico com pacientes portadores de LES pode favorecer não só a reflexão frente às dificuldades vividas, mas também oferecer uma possibilidade de contato com o outro e com o meio externo. Pode, ainda, facilitar a constituição de novos recursos emocionais como auto-aceitação e ampliar a capacidade de adaptação frente às questões limitantes relacionadas com a doença, aspectos importantes no estabelecimento de sua identidade. (SANTOANTONIO, 2004).

As emoções são consideradas fatores internos de adoecimento e podem gerar desarmonia nos Zang Fu (órgãos e vísceras), levando à doença. Do mesmo modo, os Zang Fu desarmônicos geram emoções alteradas e distorção da realidade. (CAMPIGLIA, 2004).

            Juntamente com o tratamento psicológico, a Acupuntura pode ser de grande valia por ajudar a minimizar esses sintomas, tanto da patologia em si quanto das reações emocionais causadas por estas, trazendo assim um resultado satisfatório mais rápido. (SHU-FANG, 1985).

            Um espaço referencial de convivência pode colaborar com a aderência ao tratamento, fator decisivo para que os efeitos da doença sejam menos debilitantes, levando a uma melhora na qualidade de vida do paciente. (SANTOANTONIO, 2004).

           

  

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

            O presente trabalho apontou as reações emocionais mais freqüentes apresentadas em pacientes portadores de LES e uma sugestão de tratamento com acupuntura.

            Através desta revisão bibliográfica, foram esclarecidos e adicionados conhecimentos importantes para o exercício profissional de toda a equipe interdisciplinar envolvida no tratamento dos pacientes portadores dessa enfermidade.

            Esse esclarecimento será relevante para vários profissionais e até mesmo aos próprios portadores do LES.

            Trata-se de um tema interessante e necessário de ser abordado na área da Saúde, porém dificuldades foram encontradas pelo reduzido número de artigos publicados a respeito.

            Por ser uma doença grave e que impõe grandes limitações para o seu portador, será importante a realização de outros estudos quantitativos e qualitativos a fim de que se possa melhorar a atenção multiprofissional a estes pacientes proporcionando uma melhor qualidade de vida.

 

  

 

REFERÊNCIAS

 

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