EFEITOS DA ACUPUNTURA NAS INTERCORRÊNCIAS GÁSTRICAS EM PACIENTES ONCOLÓGICOS SUBMETIDOS À QUIMIOTERAPIA

quarta-feira , 11, setembro 2013 Leave a comment
UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES
MARIANA JORDAN OKAZAKI MIYATAKE
LUCIANA FERNANDES SOARES
EFEITOS DA ACUPUNTURA NAS INTERCORRÊNCIAS GÁSTRICAS EM PACIENTES
ONCOLÓGICOS SUBMETIDOS À QUIMIOTERAPIA
Mogi das Cruzes, SP
2011
UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES
MARIANA JORDAN OKAZAKI MIYATAKE
LUCIANA FERNANDES SOARES
EFEITOS DA ACUPUNTURA NAS INTERCORRÊNCIAS GÁSTRICAS EM PACIENTES
ONCOLÓGICOS SUBMETIDOS À QUIMIOTERAPIA
Monografia apresentada ao programa de Pós–Graduação da
Universidade de Mogi das Cruzes como parte dos requisitos
para   a   obtenção do  título de Especialista em Acupuntura.
Orientadores: Prof.ª Bernadete Nunes Stolai e
Prof.º Luiz Bernardo Leonelli
Mogi das Cruzes, SP
2011
MARIANA JORDAN OKAZAKI MIYATAKE
LUCIANA FERNANDES SOARES
EFEITOS DA ACUPUNTURA NAS INTERCORRÊNCIAS GÁSTRICAS EM
PACIENTES ONCOLÓGICOS SUBMETIDOS À QUIMIOTERAPIA
Monografia apresentada ao programa de Pós–Graduação da
Universidade de Mogi das Cruzes como parte dos requisitos
para   a   obtenção do  título de Especialista em Acupuntura.
Aprovado em: ………………………………………………………………………………………………….
BANCA EXAMINADORA:
Prof.ª Bernadete Stolai Nunes
UMC – Universidade de Mogi das Cruzes
Prof.º Luiz Bernardo Leonelli
UMC – Universidade de Mogi das Cruzes
Prof.ª Romana de Souza Franco
UMC – Universidade de Mogi das Cruzes
 
“Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio – e eis que a verdade se me revela”.
ALBERT EINSTEIN
DEDICATÓRIA
Dedicamos este trabalho primeiramente a Deus, pois sem Ele, nada seria possível e não estaríamos aqui reunidos, desfrutando, juntos, destes momentos que nos são tão importantes.
Aos nossos pais pelo esforço, dedicação e compreensão, em todos os momentos desta e de outras caminhadas.
Aos nossos cônjuges, pelo incentivo, compreensão e apoio em todos os momentos desta importante etapa de nossas vidas.
AGRADECIMENTOS
A Deus, pela força espiritual para a realização desse trabalho.
Aos nossos familiares, pelo apoio, compreensão, ajuda, e, por todo carinho ao longo deste percurso.
Aos meus amigos e colegas de curso, pela cumplicidade, ajuda e amizade.
À professora Bernadete e Professor Luiz Leonelli, pela orientação deste trabalho.
RESUMO
O Câncer é uma doença que acomete milhões de pessoas no mundo todo, sendo um crescimento anormal e descontrolado das células que compõem o organismo. Quando modificadas, estas células se dispõem em formatos diferentes, isso é que irá diferenciar os vários tipos de câncer. O tratamento quimioterapêutico é bastante agressivo e seus efeitos colaterais trazem muitas alterações ao individuo, e duas dessas são: náusea e vômito. A Medicina Tradicional Chinesa aborda o câncer não somente tratando o tumor, mas o paciente como um todo, estimulando seu sistema imune, atuando em interações entre o paciente e o tumor, e atenuando os sintomas relativos ao câncer e os efeitos colaterais comumente observados em tratamentos convencionais. A presente revisão de literatura teve como objetivo analisar quais os benefícios que o tratamento com a Acupuntura traz aos pacientes oncológicos para diminuição dos efeitos das intercorrências gástricas. Vários autores verificaram e avaliaram a eficácia da Acupuntura na estimulação de pontos que amenizam a náusea e vômito em pacientes submetidos à quimioterapia, por exemplo: “Neiguan” CS-6, “Gongsun” BP-4, “Zusanli” E- 36 e auricular ponto “Wei” (Estômago). Com isso notou-se que a Acupuntura pode auxiliar os pacientes oncológicos, como terapia complementar, com intuito de minimizar os desagradáveis sintomas no tratamento da quimioterapia.
Palavras-chave: câncer, vômitos, náuseas, Acupuntura.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO…………………………………………………………………………………………….8
2 METODOLOGIA…………………………………………………………………………………………11
3 CÂNCER NA VISÃO OCIDENTAL…………………………………………………………………..12
3.1 TRATAMENTO COM QUIMIOTERAPIA………………………………………………………….17
4 FUNDAMENTOS DA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA (MTC)……………………………19
5 CÂNCER NA MTC……………………………………………………………………………………….23
5.1 ESTAGNAÇÃO DE QI………………………………………………………………………………..24
5.2 ACÚMULO DE FLEUMA (TANYIN)………………………………………………………………..26
5.3 O CALOR – UMIDADE NO FÍGADO E NA VESÍCULA BILIAR………………………………26
5.4 ESTAGNAÇÃO DE SANGUE……………………………………………………………………….27
6 TRATAMENTO DOS SINTOMAS DE NÁUSEA E VÔMITO COM A MTC……………………28
7 CONCLUSÃO………………………………………………………………………………………………34
REFERÊNCIAS………………………………………………………………………………………………35
 
1 INTRODUÇÃO
O Câncer é uma doença que atinge milhões de pessoas no mundo todo. O tratamento é feito por meio de diversos medicamentos que causam aos pacientes vários efeitos colaterais desconfortantes, além das alterações de vida mexendo com um amplo campo; emocional, social e espiritual. Esta difícil fase na vida do paciente merece respeito para que haja melhora da sua autonomia e qualidade de vida.
A quimioterapia representa um avanço na cura e controle do câncer, aumentando a expectativa de vida do paciente. É essencial, no entanto, que os profissionais de saúde que atuam nessa área tornem efetiva sua orientação quanto aos objetivos e efeitos colaterais do tratamento quimioterápico, além, sobretudo, de oferecer apoio emocional.
Dois dos efeitos colaterais causados pela quimioterapia são a náusea e o vômito, que incomodam os pacientes e levam muitas vezes a desistência do tratamento. Segundo Collins e Thomas (2004) mesmo com os melhores agentes farmacológicos antiemético, 60% dos pacientes com câncer continuam a sentir náuseas e vômitos, quando submetidos a tratamentos de quimioterapia.
Segundo recente relatório da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC) / Organização Mundial da Saúde (OMS), o impacto global do câncer mais que dobrou em 30 anos. Estimou-se que, no ano de 2008, ocorreriam cerca de 12 milhões de casos novos de câncer e 7 milhões de óbitos. O contínuo crescimento populacional, bem como seu envelhecimento, afetará de forma significativa o impacto do câncer no mundo. Esse impacto recairá principalmente sobre os países de médio e baixo desenvolvimento. A IARC/OMS estimou que, em 2008, metade dos casos novos e cerca de dois terços dos óbitos por câncer ocorrerão nessas localidades. (INCA, 2009)
No Brasil, as estimativas, para o ano de 2010, foram válidas também para o ano de 2011, e apontaram para a ocorrência de 489.270 casos novos de câncer. Os tipos mais incidentes, à exceção do câncer de pele do tipo não melanoma, foram os cânceres de próstata e de pulmão no sexo masculino e os cânceres de mama e do colo do útero no sexo feminino, acompanhando o mesmo perfil da magnitude observada para a América Latina. (INCA, 20099).
Dados indicaram que em 2010, ocorreram 236.240 casos novos para o sexo masculino e 253.030 para sexo feminino. O câncer de pele do tipo não melanoma (114 mil casos novos) o mais incidente na população brasileira, seguido pelos tumores de próstata (52 mil), mama feminina (49 mil), cólon e reto (28 mil), pulmão (28 mil), estômago (21 mil) e colo do útero (18 mil) de observada no mundo. (INCA, 2009)
O diagnóstico do câncer implica não somente a descoberta das alterações teciduais já instaladas, mas, muitas vezes, mudanças psíquicas e comportamentais naqueles que o carregam. Não raramente, o medo do tratamento, da quimioterapia e de todas as possíveis complicações faz com que o paciente se afaste de seu meio e busque, inconscientemente, o isolamento. (FRIEDRICH et al, 2000, p. 198) Somam-se às ocorrências descritas anteriormente as complicações decorrentes da própria doença e de seu tratamento agressivo, tais como: fraqueza muscular, náuseas, vômitos, alterações cardiovasculares e respiratórias, e as mais incapacitantes delas: a dor e a fadiga. Toda essa combinação pode levar aos sentimentos de depressão e angústia e causar piora do prognóstico do indivíduo. (MOTA e PIMENTA, 2002)
A avaliação da Qualidade de Vida (QV) na Oncologia pode auxiliar na decisão sobre a efetividade do tratamento, melhorar a tomada de decisão do paciente através do esclarecimento dos efeitos colaterais do tratamento, servir como fator prognóstico para analisar os sintomas e/ou as necessidades de reabilitação, identificar os aspectos de impacto na sobrevida dos pacientes, a estimativa de custo-efetividade (auxilia na decisão de onde e quando investir os recursos existentes), melhorar a organização e a qualidade do cuidado, o desenvolvimento e a regulamentação de medicações, para conhecer as prioridades dos pacientes. (ARAÚJO et al, 2009)
A acupuntura é uma técnica que envolve a inserção de agulhas finas sobre a pele e tecido abaixo dela em pontos específicos, com propósitos terapêuticos ou prevenção cujo protocolo clínico desenvolvido para uso da acupuntura no tratamento de pacientes com câncer prevê suas indicações e algumas contra-indicações para esta prática (FILSHIE e HESTER, 2006).
Como técnica de inserção de agulhas a Acupuntura tem a finalidade de promover a mobilização, a circulação e o fortalecimento das energias humanas, bem como a expulsão de Energias Perversas que acometem o individuo (YAMAMURA, 2004).
Assim, este trabalho foi elaborado baseando na literatura de pesquisa com o objetivo de verificar a atuação da acupuntura sobre a diminuição dos efeitos de náusea e vômito em pacientes oncológicos submetidos ao tratamento quimioterápeutico.
 
2 METODOLOGIA
Foi desenvolvido um levantamento bibliográfico minucioso de revistas cientificas e periódicos sobre o tema abordado, abrangendo o período de 1992 à 2011, nas bases de dados da Bireme (Biblioteca Regional de Medicina), no banco de dados da Scielo, Medline, Pubmed, CAPES e Biblioteca da Universidade de Mogi das Cruzes.
Foram incluídos nos resultados os artigos que utilizarão a acupuntura para alívio dos efeitos colaterais da quimioterapia nos sinais e sintomas de náusea e vômito, com resultados tanto positivos quanto negativos.
 
3 CÂNCER NA VISÃO OCIDENTAL
Câncer é o nome dado a um grupo de doenças malignas caracterizadas pelo crescimento anormal e descontrolado de células que sofreram alteração em seu material genético, em algum momento de seu ciclo celular. Essas células geneticamente modificadas podem invadir os tecidos e órgãos, espalhando-se para outras regiões do corpo. (ROBBINS, 1996, p. 213)
O câncer é causado, por mutação ou por ativação anômala dos genes celulares que controlam o crescimento e a mitose celulares. Muitos oncogenes diferentes já foram identificados. Também existem os antioncogenes capazes de suprimir a ativação de oncogenes específicos. Logo, a perda ou a inativação de antioncogenes pode permitir a ativação de oncogenes, causando o câncer. Somente uma fração diminuta das células corporais que sofrem mutação leva ao câncer. Existem diversas razões para isso: (1) A maioria das células mutantes apresenta menor capacidade de sobrevida que as células normais e, portanto, simplesmente morrem; (2) Apenas algumas das células mutantes que sobrevivem se tornam neoplásicas, visto que a maioria delas ainda conserva os controles normais por feedback que inibem o crescimento excessivo; (3) Aquelas células que são potencialmente neoplásicas, com freqüência, são destruídas pelo sistema imune do corpo, antes de formarem um tumor. Isso ocorre do seguinte modo: a maioria das células mutantes forma proteínas anormais no interior de seus corpos celulares, e essas proteínas, estimulam o sistema imune, levando a formar anticorpos ou linfócitos, sensibilizados contra as células neoplásicas, destruindo-as dessa forma; (4) Em geral, diversos e distintos oncogenes ativados são necessários, todos atuando ao mesmo tempo, para causar câncer. Por exemplo, um desses genes pode promover a reprodução acelerada de uma linhagem celular, mas não ocorre câncer, por não haver, simultaneamente, um gene mutante necessário á formação de vasos sanguíneos. (GUYTON e HALL, 2002, p.34)
Segundo o mesmo autor trilhões de células são formadas a cada dia em todos os indivíduos, e não se desenvolve grandes quantidades de células mutantes neoplásicas, pois, em cada célula, há grande precisão na replicação dos filamentos cromossômicos de DNA, e, também existe um processo de “leitura das provas” que corta e repara filamentos anormais de DNA, antes que ocorra a mitose. Contudo, a respeito de todas essas precauções celulares, provavelmente uma célula recém- formada, em cada alguns milhões, tem características mutantes significativas.
A probabilidade de mutações pode aumentar quando o indivíduo é exposto a determinados fatores químicos, físicos ou biológicos, como: (1) A radiação ionizante, como os raios X, raios gama e radiação de partículas de substâncias radioativas e, até mesmo, a luz ultravioleta pode predispor ao câncer. Os íons formados nas células teciduais sob influência dessas radiações são muito reativos e podem romper os filamentos de DNA, produzindo, por isso, muitas mutações; (2) Alguns tipos de substâncias químicas também apresentam muita propensão para causar mutações. Os carcinógenos que causam o maior número de mortes em humanos nas sociedades atuais são os dos cigarros; (3) Irritantes físicos também podem levar ao câncer, como a abrasão continuada de revestimento do trato digestivo por certos tipos de alimentos. A lesão desses tecidos leva à reposição mitótica muito rápida dessas células. Quanto mais rápida for a mitose, maior a probabilidade de mutações; (4) Existem tendências hereditárias para o câncer. Nas famílias particularmente predispostas ao câncer, presume-se que um ou mais genes já tenham mutado no genoma herdado. Logo, um número bem menor de mutações adicionais deve ocorrer nesses indivíduos antes que o câncer comece a crescer; (5) Certos tipos de vírus podem causar algumas formas de câncer, inclusive leucemia. Primeiro, no caso dos vírus de DNA, o filamento de DNA do vírus pode se inserir diretamente em um dos cromossomos, produzindo, dessa maneira, a mutação que leva ao câncer. No caso dos vírus de RNA, alguns deles carregam consigo uma enzima, chamada transcriptase reversa, que faz com que o DNA seja transcrito a partir do RNA. Então, o DNA assim transcrito se insere no genoma do animal, levando ao câncer. (GUYTON e HALL, 2002, p. 34)
As células neoplásicas são bastante invasivas. As principais diferenças entre as células neoplásicas e as normais são: (1) as células neoplásicas não respeitam os limites normais do crescimento celular; a razão para isso é que essas células não precisam dos mesmos fatores de crescimento necessários para produzir o crescimento das células normais; (2) as células neoplásicas se aderem umas às outras com intensidade muito menor do que fazem as células normais. Por conseguinte, elas têm tendência a vagar pelos tecidos para atingir a corrente sanguínea e serem transportadas por todo o corpo, onde vão formar ninhos para novos e numerosos crescimentos cancerosos; (3) alguns cânceres também produzem fatores angiogênicos que promovem o crescimento de vasos sanguíneos no interior dos tumores, suprindo, por esse meio, os nutrientes necessários ao seu crescimento. (GUYTON e HALL, 2002, p. 35)
O tratamento oncológico deve ser instituído o mais precocemente possível e deve também ser definido de acordo com as situações clínicas apresentadas durante a evolução da doença, visando, assim, a uma melhor qualidade de vida do paciente. Diante disso, torna-se necessário promover um sistema de suporte ao paciente oncológico para que ele possa viver da forma mais ativa possível e sentir-se satisfeito em suas atividades. (PIMENTA, 2003) Nesse contexto, a atuação multi e interdisciplinar contribui de maneira bastante efetiva para o sucesso do tratamento do câncer, já que consegue abordar as necessidades do indivíduo de forma específica e, ao mesmo tempo, global.
Segundo Chevalier-Martinelli (2006), o princípio da quimioterapia é atingir e destruir as células malignas que têm a capacidade de se multiplicar indefinidamente. Todos os medicamentos anticancerígenos que participam dessa destruição têm toxicidade mais ou menos intensa, capaz de afetar a composição sanguínea, a pele, os pelos e outros órgãos. Quanto maior a dose, maior a chance de destruir um grande número de células malignas – e também maior o risco de atingir células sadias.
Ballatori e Roila (2003) revisaram o impacto negativo que náuseas e vômitos pós-quimioterapia têm sobre a QV dos pacientes, podendo causar fissuras esofágicas, má nutrição, distúrbios hidroeletrolíticos e até mesmo a recusa dos pacientes em prosseguirem nos ciclos quimioterápicos. Esse impacto é sentido principalmente nos quesitos físico ou corporal das mais variadas escalas de QV utilizadas. Esquemas quimioterápicos com menor probabilidade de náuseas ou vômitos e o asseguramento de esquemas seguros e eficientes de antieméticos têm impacto nessa questão. Salienta-se que, atualmente, devido a novas medicações antieméticas, a taxa de náuseas e vômitos seja de menos de 10%.
A náusea foi definida como uma experiência desagradável, mas não dolorosa, geralmente localizada na garganta e na parte superior do estômago, o que dá uma sensação de vômito que pode ser iminente. Em cuidados paliativos de pacientes com câncer a náusea é um sintoma comum e foi relatado que aproximadamente 40 – 70% deles sofrem de constante ou náusea intermitente na fase final da vida. (NYSTROM, RIDDERSTROM, LEFFLER, 2008)
 
Há 20 anos, náuseas e vômitos foram considerados inevitáveis conseqüências adversas da quimioterapia e responsável por 20-25% de abandono do tratamento antineoplásico (JORDAN, KASPER, SCHMOLL, 2005). Apesar dos avanços nas áreas farmacológicas e não-farmacológicas os cuidado com a náusea e o vômito são ainda alguns dos mais temidos e preocupação sintomas para o paciente e sua família. Esta toxicidade deve ser evitada e adequadamente, caso ocorra, utilize uma metodologia adequada para avaliação e tratamento. O controle desses sintomas aumenta a QV dos pacientes que receberam quimioterapia e é um esteio no tratamento.
Drogas são uma das causas principais de náusea e vômitos. Muitas drogas atuam na zona de gatilho da quimioterapia na área postrema, no assoalho do 4º ventrículo, induzindo náusea e vômitos. Os efeitos adversos da náusea e vômitos induzidos por droga no caso do tratamento do câncer, incidindo sobre o estado nutricional já comprometido pela doença, podem ser seriamente agravados, com a fadiga, a redução da massa muscular, e o aumento da suscetibilidade à infecções, com conseqüências potencialmente fatais. (EDELMAN, LUM, GANDARA, 2000)
Segundo Bonassa e Santana (2005) a náuseas e vômitos são os sinais e sintomas mais prevalentes em relação à toxicidade gastrintestinal decorrentes da quimioterapia antineoplásica. Podem afetar a condição nutricional, o equilíbrio hidroeletrolítico e a qualidade de vida do paciente, aumentando ansiedade e estresse, resultando no atraso ou até abandono do tratamento. Na última década ocorreram avanços importantes para compreensão da fisiologia de náuseas e vômitos induzidos pela quimioterapia, principalmente no que tange ao papel da serotonina no mecanismo antiemético. No entanto, estima-se que ainda um terço dos pacientes sob terapia oncológica não respondam plenamente à terapêutica antiemética disponível. Os principais agentes eméticos desse tipo são os agonistas da dopamina, os analgésicos opióides, as preparações digitálicas, e os quimioterápicos do câncer. Algumas drogas lesam a mucosa gástrica, como os antiinflamatórios não hormonais, induzindo náusea e vômitos por ativação de reflexos ascendentes para o centro do vômito a partir do tubo digestivo. O álcool atua dessa forma, e também sobre a zona de gatilho da quimioterapia. Alguns agentes quimioterápicos também estimulam uma grande liberação de serotonina no intestino, ativando o centro do vômito também pela via vagal aferente. A náusea e vômitos induzidos por drogas ocorrem com 
maior freqüência em pacientes com história de náusea e vômitos de viagem. (LEE e FELDMAN, 1998)
Segundo García et al. (2005) como os outros reflexos orgânicos, a náusea e o vômito apresentam um componente aferente, uma central de integração e um componente eferente. A integração é feita no centro do vômito (CV), estrutura funcional localizada na formação reticular lateral da medula. Essa estrutura recebe os estímulos dos vários sítios localizados em todo o trato gastrointestinal através de aferentes vagal e simpático, centros cerebrais superiores e da zona quimiorreceptora do gatilho. Estímulos adicionais são enviados do labirinto, útero, pelve renal e bexiga. O período anterior ao ato de vomitar compreende a náusea e vários outros sinais autônomos característicos como salivação, palidez, dilatação pupilar, bradicardia ou taquicardia e variações da pressão arterial. A ventilação torna-se profunda, rápida e irregular. O processo do vômito deve ser diferenciado da regurgitação, evento passivo de transferência do conteúdo gástrico até a faringe. Ao contrário da regurgitação, o vômito necessita que um determinado limiar de estimulação do CV seja atingido.
Essa estimulação é sempre indireta, pois não se conhece ação direta de qualquer composto nesse centro. Os impulsos eferentes são enviados pelo quinto, sétimo, nono, décimo e décimo – segundo nervos cranianos, nervos frênicos e nervos espinhais para o esôfago, estômago e diafragma. Essa atividade eferente é responsável por muitas das alterações autônomas que acompanham a êmese. Após a chegada dos impulsos eferentes na periferia, ocorre uma série de eventos estereotipados que envolvem: o abaixamento do diafragma e contração da musculatura abdominal após inspiração profunda, com o conseqüente aumento da pressão intragástrica; contração do piloro, prevenindo o esvaziamento gástrico para o duodeno; relaxamento do fundo gástrico, cardia e esfíncter esofágico inferior, forçando o conteúdo em direção ao esôfago; a laringe e o osso hióide movem-se para cima e para frente, acelerando o movimento do conteúdo gástrico, para cima; o pálato mole eleva-se, prevenindo a entrada do vômito no nasofaringe; a glote fecha-se, prevenindo a aspiração para a traquéia; após o fechamento da glote a pressão intratorácica aumenta, exercendo pressão no esôfago; o esôfago contrai-se e impulsiona o conteúdo em direção à boca. (GARCIA et al.,2005)
 
3.1 TRATAMENTO COM QUIMIOTERAPIA
Segundo Instituto Nacional do Câncer – INCA (2010) a quimioterapia é o método que utiliza compostos químicos, chamados quimioterápicos, no tratamento de doenças causadas por agentes biológicos. Quando aplicada ao câncer, a quimioterapia é chamada de quimioterapia antineoplásica ou quimioterapia antiblástica. O primeiro quimioterápico antineoplásico foi desenvolvido a partir do gás mostarda, usado nas duas Guerras Mundiais como arma química. Após a exposição de soldados a este agente, observou-se que eles desenvolveram hipoplasia medular e linfóide, o que levou ao seu uso no tratamento dos linfomas malignos. A partir da publicação, em 1946, dos estudos clínicos feitos com o gás mostarda e das observações sobre os efeitos do ácido fólico em crianças com leucemias, verificou-se avanço crescente da quimioterapia antineoplásica. Atualmente, quimioterápicos mais ativos e menos tóxicos encontram-se disponíveis para uso na prática clínica. Os avanços verificados nas últimas décadas, na área da quimioterapia antineoplásica, têm facilitado consideravelmente a aplicação de outros tipos de tratamento de câncer e permitido maior número de curas.
A quimioterapia antineoplásica consiste na utilização de agentes químicos, isolados ou em combinação, com finalidade de eliminar células tumorais do organismo. Por se tratar de tratamento sistêmico, age indiscriminadamente nas células em rápida proliferação, ocasionando reações adversas. Faz-se necessário o conhecimento dos tratamentos dessas reações para que se possa intervir visando à melhoria da qualidade de vida e minimizando efeitos colaterais. (FONSECA et al, 2000, p. 164)
A quimioterapia não é apenas utilizada para casos oncológicos, é também utilizada para tratamentos de psoríase, esclerose múltipla, artrite reumatóide e alguns tipos de insuficiência renal (BARACAT et al., 2000, p.120)
 
4 FUNDAMENTOS DA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA
A acupuntura foi idealizada dentro do contexto global da filosofia do Tao e das concepções filosóficas e fisiológicas que nortearam a Medicina Tradicional Chinesa (MTC). A concepção dos canais de Energia e dos pontos de acupuntura, o diagnóstico energético e o tratamento baseam-se nos preceitos do Yin e do Yang, dos Cinco elementos, da Energia (Qi) e do Sangue (Xue) (YAMAMURA, 2004, p.57).
Os princípios do Yin e Yang estão presentes em todos os aspectos da teoria chinesa. São utilizados para explicar a estrutura orgânica do corpo humano, as suas funções fisiológicas, as leis referentes à causa e à evolução das doenças, para servir de guia no diagnóstico e no tratamento clinico (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p. 17).
Segundo Macciocia (1996, p.38) o modelo de correspondência dos 5 elementos é amplamente utilizado no diagnóstico, sendo baseado sobretudo na correspondência entre os Elementos (Zang Fu).
Auteroche e Navailh (1992, p.23) relatam que a teoria dos cinco elementos considera que o universo é formado pelo movimento e a transformação dos cinco princípios: a Madeira, o Fogo, a Terra, o Metal e a Água.
A MTC considera a função do corpo e da mente como resultado da interação de determinadas substâncias vitais. Essas substâncias manifestam-se em vários níveis de “substancialidade”, de maneira que algumas delas são muito rarefeitas e outras totalmente imateriais. O corpo e a mente não são vistos como um mecanismo, mas como um círculo de energia e substâncias vitais interagindo uns com os outros para formar o organismo (MACIOCIA, 1996, p. 51).
A base de tudo é o Qi (Energia): todas as outras substâncias vitais são manifestações do Qi em vários graus de materialidade, variando do completamente material, tal como fluidos corpóreos (Jin Ye), para o totalmente imaterial, tal com a Mente (Shen). O Qi dos seres humanos é resultado da interação do Qi do Céu e da Terra, havendo assim interação entre o Qi dos seres humanos e as forças naturais. A medicina Chinesa enfatiza o relacionamento entre os seres humanos e seu meio ambiente, e leva isto em consideração para determinar a etiologia, o diagnostico e o tratamento (MACIOCIA, 1996, p. 50).
De acordo com os chineses, há muitos “tipos” diferentes de Qi no homem, variando do mais tênue e rarefeito ao mais denso e duro. Todos os tipos de Qi, todavia são na verdade um único Qi, que simplesmente se manifesta de diferentes formas. O Qi modifica-se em sua forma de acordo com a localização e função. Embora seja fundamentalmente o mesmo, o Qi coloca “diferentes vestimentas” em diversos lugares e assume inúmeras funções (MACIOCIA, 1996, p. 52).
O Sangue (Xue) na MTC é em si mesmo uma forma de Qi muito denso e material. A principal função do sangue consiste em nutrir o organismo, complementando a ação nutriente do Qi. Além disso, o Sangue também possui a função de hidratar, o que o Qi não possui. O Coração (Xin), o Baço e o Fígado são os sistemas mais importantes em relação ao sangue. O Coração governa o Sangue, o Baço controla o Sangue e o Fígado armazena o Sangue (MACIOCIA, 1996, p. 68).
O mesmo autor sita que há um relacionamento muito próximo entre o Qi e o Sangue. O Qi gera o Sangue uma vez que o Qi dos Alimentos é a base do Sangue, e também o Qi do Pulmão é essencial para a produção do Sangue. O Qi movimenta o Sangue, visto que sem o Qi, o Sangue seria uma substância inerte, logo, se o Qi é deficiente ou estagnante, não pode impulsionar o Sangue, sendo que este também estagna. O Qi Controla o Sangue nos Vasos Sanguíneos (Xue Mai) prevenindo hemorragias, apesar de essa ser uma função primária do Baço. O Sangue nutre o Qi e providencia uma base material e “densa” que previne o Qi de “flutuar” e originar sintomas de Calor-Vazio. O Sangue e a Essência (Jing) afetam-se mutuamente, uma vez que a Essência é importante na formação do Sangue, que por sua vez, nutre e abastece continuamente a Essência.
A principal função do Baço (Pi) consiste em auxiliar a digestão do Estômago (Wei), por meio do transporte e da transformação das Essências (Jing) alimentares, absorvendo a nutrição dos alimentos e separando as partes puras das impuras (YAMAMURA, 2004, p. 117).
Segundo Yamamura, (2004, p. 119), o Baço (Pi) produz um efeito de “elevação” ao longo da linha media do corpo. Esta é a força que faz os sistemas internos permanecerem no local correto. Se o Qi do Baço é deficiente e sua função de “elevar o Qi” estiver deficiente poderá ocorrer prolapso de vários órgãos tais como: útero, estômago, rim, bexiga ou ânus. O movimento ascendente do Qi do Baço (Pi) é coordenado com movimento descendente do Qi do Estomago (Wei). A união dos dois é importante para o movimento adequado do Qi no organismo durante a digestão de maneira que o Qi puro é direcionado em ascendência pelo Baço (Pi) e o Qi impuro em descendência pelo Estômago (Wei). O Qi conecta-se em ascendência com Pulmão (Fei) e o Coração (Xin) e em descendência com Fígado (Gan) e o Rim (Shen). Somente se estes movimentos ascendentes do Qi forem coordenados, poderá o Yang puro ascender para o orifício (órgão dos sentidos) superiores e Yin impuro descender para os dois orifícios inferiores. Se os movimentos descendentes e ascendentes estiverem debilitados, o Yang puro não ascenderá o Qi refinado extraído dos alimentos não poderá ser estocado e o Qi impuro não poderá ser excretado. O Estomago (Wei) e o Baço (Pi) são pertencentes ao elemento Terra, se for tonificado também tonificará indiretamente todos os outros sistemas.
O Baço está situado no aquecedor médio suas principais funções são de dirigir o transporte e a transformação da essência dos alimentos (Jing Qi), fez a subida do que é puro e contem o sangue nos vasos (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p.68 ).
A preocupação ou excesso de concentração é uma “emoção” relacionada com elemento Terra. O uso excessivo de nossas faculdades mentais e o estudo podem resultar na Deficiência de Baço (YAMAMURA, 2004, p. 41).
O mesmo autor afirma que o Qi deficiente do Estomago (Wei) falhará ao descender, causando uma sensação vagamente desconfortável no epigástrio e debilidade nos membros, condição de deficiência (se for decorrente de uma condição de Excesso, será sensação forte de desconforto, dor, náuseas). De acordo com a MTC a atividade mental e a consciência residem no Coração (Xin), elemento Fogo. Significa que um Coração (Xin) saudável é essencial para o suprimento adequado do Sangue (Xue) deficiente podem ocorrer alterações mentais, (como depressão), falte de memória, pensamento afetado, insônia ou sonolência, em casos extremos a inconsciência.
 
O elemento metal que é o Pulmão (Fei) governa o Qi e a respiração, controla os vasos sanguíneos (Xue – Mai) onde Qi do Pulmão (Fei) auxilia o Coração (Xin) no controle da circulação sanguínea. Tendo um papel vital nos movimentos dos Fluidos Corpóreos (Jin Ye). Se o Qi do Pulmão (Fei) é fraco o Qi não será capaz de empurrar o sangue (Xue) para os membros, assim as mãos ficarão frias. Se a função do Pulmão (Fei) de dispersar os Fluidos Corpóreos (Jin Ye) for obstruídas podem se acumular sob a pele causando edema. Tendo as funções dispersoras o Pulmão (Fei) é, portanto responsável pela excreção dos Fluidos Corpóreos (Jin Ye) serão eliminados por meio da sudorese e da urina. Em um nível emocional é diretamente afetada pelas emoções de tristeza, lamento e depressão nas quais obstruem seus movimentos afetando a Alma Corpórea (YAMAMURA, 2004, p. 109- 114).
O Fígado (Gan) elemento madeira é um dos sistemas mais importantes para o armazenamento do Sangue (Xue) no organismo inteiro a qualquer tempo. Se, por outro lado, a função do Fígado (Gan) for anormal afetará a qualidade de Sangue (Xue), causando determinados tipos de patologia, ex: cansaço, problemas de pele, alterações ginecologias, visão turva, câimbras musculares, contrações nos tendões, etc (YAMAMURA, 2004, p. 101).
Afirma ainda que de acordo com os cinco elementos o Rim (Shen) pertence a água, é referido como a Raiz da Vida. Isto porque armazena a Essência (Jing) que é parcialmente derivada dos pais, estabelecida na concepção. É o fundamento essencial para o nascimento, crescimento e produção. A debilidade dos Rins (Shen) resulta pouca vitalidade, infertilidade ou debilidade sexual, ossos fracos. Pois os Rins (Shen) determinam a força física e mental do individuo e também a força de vontade.
 
5 CÂNCER NA VISÃO ORIENTAL
Yamamura (2004, p. 8) refere que o fluxo energético dos Canais de Energia refletem o estado dos Zang Fu (órgãos/vísceras), assim como as alterações energéticas ocasionais do meio ambiente. Os canais de Energia Principais e seus pontos de acupuntura são sede de manifestações interiores, assim como o local para a entrada das Energias Perversas. Todos esses fatores alteram a quantidade, a qualidade e o fluxo de Qi nos Canais de Energia, podendo ocasionar o aparecimento de manifestações clínicas, conseqüências a falta ou excesso de Qi ou mesmo pela estagnação de Qi e de Xue (sangue).
O Qi e o Xue são transportados pelos Canais de Energia, cuja circulação obedece aos princípios da polaridade Yang- Yin, do movimento alto e baixo (subida e descida) das contraturas e relaxamento musculares. Por meio desses fenômenos o Qi circula nos canais de Energia e o Xue circula nos vasos sanguíneos, promovendo a nutrição, a defesa, à harmonização energética dos Órgãos, das Vísceras e dos Tecidos. (YAMAMURA, 2004, p. 7)
A circulação debilitada pode resultar na condensação excessiva de Qi, o que significa que o Qi se transforma patologicamente em denso, formando tumores, massas ou aumentos de volume (MACIOCIA, 1996, p.127).
Os tumores viscosos (TanYin) e os acúmulos de sangue (Yu Xue) são produções patológicas consecutivas a um mau funcionamento de órgãos, porém como essas formações podem direta ou indiretamente, agredir as vísceras (Zang Fu) e os tecidos orgânicos, podem ser consideradas como verdadeiros os fatores patogênicos. As mucosidades e os tumores viscosos são produtos da interrupção parcial do metabolismo dos líquidos orgânicos, provocando uma condensação dos tumores. Tem-se o hábito de chamar “Mucosidade (Tan) o que é espesso e Tumores (Yin) o que é fluído. Por outro lado, chama-se ”Mucosidade e tumores viscosos sem aparência material” (Wu Xing Zhi Tan Yin), as manifestações patológicas que apresentam sintomas, tais como: vertigens, ofuscações, náuseas, vômitos, respiração curta, palpitações, demência, perde de sentido, confusão mental: isso, sem que a haja sinais exteriores de tumores viscosos ou mucosidade (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p. 128-129).
 
Há 3 causas possíveis à formação dos tumores e das mucosidades: A propensão por álcool e alimentos condimentados (açucarados e gordos) acumula a umidade que se condensará em tumores e mucosidades sob a influência do calor; um ferimento interno causado pelas emoções pode acarretar a estagnação do Qi do Fígado (Gan). Esta estagnação poderá se transformar em Fogo, o qual diminuirá e concentrará os líquidos orgânicos, transformando-os em mucosidade e tumores; a atividade funcional dos órgãos Pulmão (Fei), Baço (Pi) e Rins (Shen), pode ficar embaraçada, a circulação pela Via das águas do Triplo Aquecedor pode ser estorvada, o que afetará a distribuição e a drenagem dos líquidos orgânicos. Com efeito; se o Pulmão não efetuar mais sua função de “difusão – descida”, os líquidos orgânicos não podem ser distribuídos e se acumulam; se o Baço não efetuar mais sua atividade de “transporte-transformação”, a água e a umidade não mais circulam e se acumulam; se os Rins não cumprirem mais sua ação no controle da água, esta não mais poderá ser transformada e vai se acumular; se o Triplo Aquecedor não mantiver mais sua atividade de passagem, a água e o Qi estagnam e se juntam. Em todos os casos, essa concentração de água e de umidade se transformará em tumores e mucosidades (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p. 129).
Há quatro patologias relacionadas ao câncer: Estagnação de Qi, Acúmulo de Fleuma (TanYin), Calor – Umidade do fígado e na Vesícula Biliar, Estagnação de Sangue.
5.1 ESTAGNAÇÃO DE QI
Tumores abdominais que aparecem e desaparecem e sem formato definido são manifestações da estagnação do Qi, além de sensação de distensão, dor em distensão que se move de um lado para outro, depressão mental, irritabilidade, sensação de tristeza, mudanças de humor, bocejos freqüentes, pulso em corda ou apertado e língua levemente púrpura. A sensação de distensão pode afetar hipocôndilo, epigástrio, garganta, abdome e hipogástrio, sendo os sintomas mais característicos e importantes da Estagnação de Qi. O Fígado é o Sistema mais afetado pela estagnação de Qi (MACIOCIA, 1996, p.281).
 
Essas produções de tumores e mucosidades podem realizar-se em todas as partes do corpo, criar perturbações em todos os órgãos, ou então estorvar o funcionamento normal do Qi (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p. 130).
Maciocia, (1996, p. 458), também afirma que em todos os casos de massas abdominais, há sempre um Deficiência latente de Qi. O Qi deficiente falha ao transportar e transformar e, gera a Estagnação de Qi e sangue, assim permitindo que as massas de formem.
5.2 ACÚMULO DE FLEUMA (TANYIN)
A Fleuma origina-se de uma disfunção do Baço de transformar e transportar os fluidos, enquanto a estase de Sangue é normalmente causada pela Estagnação de Qi. Ambas são, portanto fatores patogênicos. Em condições crônicas, tornam-se, causas adicionais das patologias em si mesmas (MACIOCIA, 1996, p. 321).
O Pulmão e o Rim também estão envolvidos na formação da fleuma. Se o Pulmão falhar ao dispersar e descender os Fluidos Corpóreos e se o Rim falhar ao transformá-los e excretá-los, estes poderão se acumular e se transformar em fleuma. A fleuma afeta primariamente as partes média e superior do organismo. A fleuma pode “obscurecer” a Mente causando alterações mentais (MACIOCIA, 1996, p.344). Assim também cita Auteroche e Navailh, (1992, p. 102), quando existe uma fraqueza na capacidade de se transporte e transformação do Baço, a umidade se concentra e se transforma em humores viscoso (TanYin). Este estado afetará a difusão e descida do Qi do Pulmão e causará: tosse asmática, abundância de viscosidade e de mucosidade.
O mesmo autor acumulo de Fleuma causam massas abdominais macias, que podem ter a forma de faixas, distensão abdominal, obstipação ou diarréia, pouco apetite, náusea e sensação de plenitude. Os sinais da língua são: inchada, com revestimento pegajoso e escorregadio e o pulso escorregadio.
Há dois tipos de Fleuma: a substancial, que pode ser vista, tal como expectoração; e a não substancial, que pode ser retida no subcutâneo ou nos meridianos.
 
5.3 O CALOR – UMIDADE NO FÍGADO E NA VESÍCULA BILIAR
O acúmulo de Umidade nos Meridianos do Fígado e da Vesícula Biliar obstrui o fluxo suave do Qi e causa a Estagnação do Qi do Fígado resultando em distensão, dor no epicôndilo e no tórax. A umidade pode obstruir o fluxo da bile que se acumula e flui em abundância sob a pele causando a icterícia (MACIOCIA, 1996, p.296).
A estagnação do Qi do Fígado deriva do acúmulo de Umidade, faz o Qi do Fígado invadir o Estomago (Wei) e origina náusea, vômito, anorexia e distensão abdominal (MACIOCIA, 1996,p. 282).
Conforme Maciocia (1996, p. 324) este padrão origina-se de uma combinação do calor no Fígado e da Umidade surgindo da Deficiência do Baço. A deficiência do Baço é provavelmente o padrão mais comum no geral, portanto, é uma pré-condição para que este padrão se manifeste. O consumo excessivo de alimentos oleosos ou uma dieta e estilo de vida irregular são algumas das causas da deficiência de Baço. A estagnação persistente da Qi do Fígado pode conduzir ao Calor do Fígado que combina com a Umidade. Qualquer uma das causas da Estagnação do Qi do Fígado, portanto, pode conduzir a este padrão.
Finalmente, Calor-Umidade pode também ser causado por Calor- Umidade climático e externo, o que é muito comum nos países tropicais (MACIOCIA, 1996, p. 391).
5.4 ESTAGNAÇÃO DE SANGUE
Tumores abdominais fixos e bem definidos são manifestações características da estase do sangue, além de aspecto escuro, lábios roxos, dor fixa e persistente, em pontadas, unhas arroxeadas, hemorragia com sangue e coágulos escuros, língua púrpura e pulso em corda, firme ou agitado (MACIOCIA, 1996, p. 462).
O Fígado é o sistema mais freqüentemente afetado pela estagnação do Sangue, isto é usualmente uma conseqüência da estagnação do Qi do Fígado, uma vez que o Qi é o “comandante do Sangue”, quando o Qi estagna, o Sangue coagula (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p. 46).
A principal função do Fígado consiste em assegurar a circulação livre do fluxo do Qi, influenciando todo o organismo. A estagnação do Qi do Fígado provoca perda da harmonia na função de vários sistemas. O sintoma de Estagnação de Qi do Fígado mais aparente é a distensão, uma vez que quando o Qi do Fígado não flui livremente, este se acumula e origina sensação de distensão, que poderá se manifestar no epigástrio, hipocôndilo, abdome ou hipogástrio (MACIOCIA, 1996, p. 284).
A estagnação do Sangue do fígado produz manifestações clínicas como “tumores” abdominais fixos, vômito com sangue, epistaxe, menstruação dolorida e irregular com coágulos, além de distensão e dor abdominal que geralmente é fixa, em pontadas, ou persistente (MACIOCIA, 1996, p.284).
A língua apresenta-se púrpura, especialmente nas laterais, com pontos de coloração púrpura. O pulso está em corda. Tendo como sintomas chaves a língua púrpura e o sangue menstrual com coágulos (MACIOCIA, 1996 ,p.285).
Na MTC o relacionamento entre uma emoção e um sistema é mútuo: a função do Fígado de assegurar o fluxo suave do Qi influência as emoções, e essas, influenciam a função do Fígado.
Alterações na vida emocional é a causa mais importante da estagnação de Qi e de Sangue do Fígado. O estado de frustração, fúria reprimida ou ressentimento por um longo período pode afetar a circulação de maneira que o Qi não consiga fluir suavemente e se torne paralisado resultando na estagnação de Qi do Fígado e conseqüentemente à estagnação de Sangue do Fígado (MACIOCIA, 1996, p.458).
 
6 TRATAMENTO DOS SINTOMAS DE NÁUSEA E VÔMITO COM A MTC
A acupuntura é um método terapêutico muito antigo, utilizado no Oriente há mais de 5000 anos, focado no organismo como um todo. Trata-se de um método de prevenção e tratamento de doenças, realizado através da puntura em certos pontos estratégicos da pele e tecidos subjacentes, em diferentes profundidades, com o uso de agulhas ou aplicações de calor (moxa) na superfície do corpo. Neste sentido, a puntura (estímulo) de uma área traz resultados em outra. (SCOGNAMILLO-SZABÓ e BECHARA, 2001)
Uma das terapias alternativas mais difundidas no Ocidente é a acupuntura. Aproximadamente 20% das pessoas na Europa já utilizaram esta técnica como meio de tratamento (FISHER e WARD, 1994). Em pesquisa realizada nos EUA em 1998, 51% dos médicos referiram praticar acupuntura ou recomendar seu uso aos pacientes (ASTIN et al., 1998). Resultados consistentes quanto à eficácia da acupuntura têm sido apresentados em diferentes estudos, com diferentes grupos de pacientes e com diferentes pontos estimulados. (SHANG, 2000)
A acupuntura faz parte de um conjunto de conhecimentos, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC), incluindo portanto outras técnicas como a moxabustão, ventosa, fitoterapia, auriculoterapia, eletroacupuntura. Apesar de tratar-se de um método seguro, alguns cuidados devem ser observados, evitando-se a técnica em gestantes, pessoas desnutridas, muito cansadas ou muito ansiosas, sobre dermatites ou áreas tumorais (AUTEROCHE e AUTEROCHE, 1996, p.215).
Referências sobre a fisiopatologia e tratamento de tumores, pela medicina tradicional chinesa (MTC), podem ser encontrados em alguns textos datados com mais de 2000 anos.
A MTC aborda o câncer não somente tratando o tumor, mas o paciente como um todo, estimulando seu sistema imune, atuando em interações entre o paciente e o tumor, e atenuando os sintomas relativos ao câncer e os efeitos colaterais comumente observados em tratamentos convencionais (TAGLIAFERRI, 2001). Em uma pesquisa feita em Hong Kong sobre as atitudes de paciente com câncer para o tratamento da medicina chinesa, de um total de 786 participantes incluídos no estudo, 42,9% utilizaram somente a medicina ocidental, 57,1%
 
utilizaram pelo menos uma forma de medicina chinesa; 5 participantes utilizaram somente a medicina chinesa, e 56,5% utilizavam a medicina chinesa antes, durante e após o tratamento da medicina ocidental (LAM et al., 2009).
Várias técnicas não-farmacológicas foram examinadas em testes como alternativas aos medicamentos antieméticos, que incluem acupuntura, eletroacupuntura, acupuntura a laser, estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS), estimulação pontos de acupuntura, acupressão e gesso capsicum. A maioria dos estudos não-farmacológicas têm-se centrado na estimulação do pulso no ponto de acupuntura Neiguan (CS-6) para reduzir náuseas e vômitos. O ponto de acupuntura Neiguan (CS-6) fica entre o tendão do palmar longo e flexor dos músculos flexor radial, 4 cm proximal à prega do punho. (LEE e FAN, 2009) Segundo Ezzo et al (2006) em uma análise para avaliar a eficácia da acupuntura, na estimulação de pontos que amenizem a náusea e vômito em pacientes submetido à quimioterapia aguda e tardia, onze placebos foram agrupados. Em geral, a acupuntura, com a estimulação do ponto de todos os métodos reduziu a incidência de vômitos aguda em relação ao controle. Por modalidade, a estimulação com agulhas reduz a proporção de vômitos agudos e a severidade da náusea. Eletroacupuntura reduziu a proporção de vômitos agudos. Acupressão reduziu a gravidade média de náusea aguda, mas não dos vômitos agudos ou sintomas tardios. A eletroestimulação não invasiva não mostrou nenhum benefício para qualquer resultado. Todos os ensaios farmacológicos utilizaram antieméticos concomitantemente, exceto ensaios com eletroacupuntura. Assim, esta revisão completa de dados sobre o pós-operatório náuseas e vômitos, sugere um efeito biológico da acupuntura na estimulação do ponto.
Conforme Gardani et al (2007) estudos clínicos anteriores já tinham sugerido uma possível eficácia da acupuntura no tratamento de pacientes em tratamento quimioterapêutico, resistentes às drogas clássicas antieméticas. Foi realizado um estudo em 100 pacientes com tumor sólido metastático, que se submeteram à quimioterapia para a doença neoplásica avançada, e que não teve nenhum benefício dos agentes antieméticos padrão, incluindo corticosteróides, antidopaminergics e 5-HT-3R antagonistas. A Acupressão foi feita por uma estimulação de pontos de acupuntura Neiguan (CS-6). A sintomatologia emética foi reduzida pela acupressão em 68/100 (68%) pacientes, sem diferenças significativas em relação ao tipo do tumor. A menor eficácia foi observada em pacientes tratados com regimes contendo antraciclinas, sem, no entanto, diferenças estatisticamente significativas em relação a outras combinações quimioterápicas. Assim este estudo confirma os resultados clínicos anteriores, que já havia sugerido a eficácia potencial da acupuntura no tratamento de vômitos devido à quimioterapia. Portanto, acupressão pode ser incluída no sucesso das estratégias terapêuticas de modulação de vômito induzida pela quimioterapia.
Gottschling et al (2008) investigaram a acupuntura como uma abordagem de apoio antiemético para reduzir a necessidade de medicação antiemética durante a quimioterapia altamente emêtogénica em oncologia pediátrica. Em 5 hospitais terciários na Alemanha, vinte e três crianças portadoras de câncer maligno foram alocados aleatoriamente para receber tratamento de acupuntura, durante a segunda ou terceira sessão de quimioterapia em conjunto com a medicação antiemética padrão. A principal medida foi a quantidade de medicação antiemética adicionais durante a quimioterapia. O desfecho secundário foi o número de episódios de vômitos por sessão. Quarenta e seis sessões de quimioterapia com ou sem acupuntura foram comparados. A necessidade de medicação antiemética foi significativamente menor nos tratamentos com acupuntura, em comparação com o grupo de controle, os episódios de vômitos por sessão também foram significativamente menores nos tratamentos com acupuntura. Assim acupuntura parece ser eficaz na prevenção de náuseas e vômitos em pacientes de câncer pediátrico.
Os autores Nystrom, Ridderstrom e Leffler (2008) ao realizar um estudo piloto prospectivo observacional para medir as variações de náusea, e também a relação entre a náusea, dor e constipação em pacientes com câncer em estágio paliativo de sua doença. Doze pacientes sofrendo de náuseas e quatro pacientes livres de náuseas participaram do estudo. Os pacientes livres de náusea foram incluídos por terem sido incomodados por náuseas em tratamento anterior de quimioterapia. Os pacientes avaliaram sua intensidade de náusea, dor e constipação em uma escala de avaliação numérica antes de cada uma das 10 sessões de tratamento, com acupuntura no ponto Neiguan (CS-6) ao longo de três semanas, e em dois acompanhamentos durante a semana seguinte. Somente 15 pacientes completaram o estudo. Os resultados obtidos foram uma redução significativa na intensidade de náusea antes da última sessão de tratamento. Três em cada quatro pacientes sem o sintoma de náuseas permaneceram livres de náusea antes da última sessão de tratamento com acupuntura. Nenhuma relação foi encontrada entre a náusea, dor e constipação antes, durante ou após o período de tratamento. Assim o estudo demonstrou que o tratamento de acupuntura em pacientes com câncer pode ser associado com uma redução significativa da intensidade de náusea durante um período de quimioterapia em sua fase final de vida. Em um projeto experimental foi observado o efeito terapêutico da acupuntura combinada com antiemético induzida pela cisplatina para náuseas e vômitos. Foram divididos 66 casos de quimioterapia em grupo A e B, com 33 casos em cada grupo. O grupo A, no primeiro ciclo de quimioterapia foram usados tropisetron e a acupuntura. No segundo ciclo foram usados acupuntura placebo e tropisetron. Já o grupo B no primeiro ciclo foram usados tropisetron e a acupuntura placebo e no segundo ciclo foram usados tropisetron e a acupuntura. Para a acupuntura foram selecionados os pontos: Zusanli (E-36), Neiguan (CS-6) e Gongsun (BP-4) e auricular ponto Wei (estômago). Para a acupuntura placebo foram selecionados os pontos 3 cm lateral ao Zusanli (E-36), Neiguan (CS-6) e Gongsun (BP-4) e no ponto auricular correspondente ao nível Scapha. O tratamento com acupuntura e acupuntura placebo foi feito durante 6 dias consecutivos, uma vez por dia e foram dados 5 mg de tropisetron como antiemético aos dois grupos de base como profilaxia antiemética durante 6 dias, uma vez por dia. Os efeitos terapêuticos para náusea e vômito nos 6 dias foram comparados entre o grupo de acupuntura e acupuntura placebo nos dois ciclos de quimioterapia. Foram obtidos taxas efetivas para a náusea nos dias 2 e 4 de 87,1% e 79,0% no grupo da acupuntura, que foram superiores a 59,4% e 57,8% no grupo acupuntura placebo, respectivamente, e os efeitos terapêuticos de vômito no 3º ao 6º dia no grupo da acupuntura foram melhores do que aqueles no grupo acupuntura placebo. Assim conclui-se que a acupuntura combinada com antieméticos pode diminuir efetivamente a incidência e o grau de náuseas e vômitos induzida pela cisplatina e o efeito da acupuntura é melhor do que a acupuntura placebo (SIMA E WANG 2009).
Segundo Yang et al (2009) foi comparado os efeitos clínicos entre a eletroacupuntura do ponto Zusanli (E-36) combinada com a aplicação intravenosa de Granisetron e somente a aplicação intravenosa de Granisetron para o tratamento de náuseas e vômitos causados pela quimioterapia do tumor maligno. Em um ensaio clínico controlado randomizado foram utilizados, o grupo de observação (127 casos) foi tratado com a eletroacupuntura no ponto Zusanli (E-36) combinado com o antiemético Granisetron, e o grupo controle (119 casos) foi tratado somente com o Granisetron. A taxa total efetiva de 90,5% no grupo de observação, foi superior à de 84,0% no grupo controle, as náuseas e vômitos escores dos dois grupos eram obviamente diminuiu após o tratamento, e o grau de redução do grupo de observação, foi superior ao do grupo controle. Assim a eletroacupuntura no ponto Zusanli (E-36) pode aliviar significativamente os sintomas, como náuseas e vômitos causados pela quimioterapia dos pacientes.
 
7 CONCLUSÃO
A Acupuntura é umas das técnicas orientais mais difundidas no ocidente. Sendo utilizada para melhora da qualidade de vida das pessoas.
Este trabalho apresenta a visão oriental embasada nos fundamentos da Medicina Tradicional Chinesa para utilização da Acupuntura no tratamento oncológico, focada no alívio dos sintomas gástricos causados pelos efeitos colaterais da quimioterapia.
Conforme apresenta a literatura científica, para a utilização de técnicas de Acupuntura é necessário uma avaliação individualizada, pois o paciente é tratado como um todo.
De acordo com os dados colhidos deste trabalho, a Acupuntura mostrou bons resultados minimizando, atenuando, modulando e prevenindo as manifestações recorrentes de náusea e vômito em pacientes submetidos a quimioterapia.
A presente monografia sugere novos e mais abrangentes estudos onde se possam demonstrar mais pesquisas para os benefícios no tratamento com Acupuntura. Pois, a Acupuntura como terapia complementar, pode minimizar os sintomas e as manifestações desagradáveis bastante comuns em pacientes que passam por tratamento quimioterapêutico.
 
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MARIANA JORDAN OKAZAKI MIYATAKE
LUCIANA FERNANDES SOARES
EFEITOS DA ACUPUNTURA NAS INTERCORRÊNCIAS GÁSTRICAS EM PACIENTES ONCOLÓGICOS SUBMETIDOS À QUIMIOTERAPIA
Mogi das Cruzes, SP
2011
UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES
MARIANA JORDAN OKAZAKI MIYATAKE
LUCIANA FERNANDES SOARES
EFEITOS DA ACUPUNTURA NAS INTERCORRÊNCIAS GÁSTRICAS EM PACIENTES ONCOLÓGICOS SUBMETIDOS À QUIMIOTERAPIA
Orientadores: Prof.ª Bernadete Nunes Stolai e
Prof.º Luiz Bernardo Leonelli
Mogi das Cruzes, SP
2011
Monografia apresentada ao programa de Pós–Graduação da Universidade de Mogi das Cruzes como parte dos requisitos para a obtenção do título de Especialista em Acupuntura.
MARIANA JORDAN OKAZAKI MIYATAKE
LUCIANA FERNANDES SOARES
EFEITOS DA ACUPUNTURA NAS INTERCORRÊNCIAS GÁSTRICAS EM PACIENTES ONCOLÓGICOS SUBMETIDOS À QUIMIOTERAPIA
Aprovado em: ………………………………………………………………………………………………….
BANCA EXAMINADORA
Prof.ª Bernadete Stolai Nunes
UMC – Universidade de Mogi das Cruzes
Prof.º Luiz Bernardo Leonelli
UMC – Universidade de Mogi das Cruzes
Prof.ª Romana de Souza Franco
UMC – Universidade de Mogi das Cruzes
Monografia apresentada ao programa de Pós–Graduação da Universidade de Mogi das Cruzes como parte dos requisitos para a obtenção do título de Especialista em Acupuntura.
“Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio – e eis que a verdade se me revela”.
ALBERT EINSTEIN
DEDICATÓRIA
Dedicamos este trabalho primeiramente a Deus, pois sem Ele, nada seria possível e não estaríamos aqui reunidos, desfrutando, juntos, destes momentos que nos são tão importantes.
Aos nossos pais pelo esforço, dedicação e compreensão, em todos os momentos desta e de outras caminhadas.
Aos nossos cônjuges, pelo incentivo, compreensão e apoio em todos os momentos desta importante etapa de nossas vidas.
AGRADECIMENTOS
A Deus, pela força espiritual para a realização desse trabalho.
Aos nossos familiares, pelo apoio, compreensão, ajuda, e, por todo carinho ao longo deste percurso.
Aos meus amigos e colegas de curso, pela cumplicidade, ajuda e amizade.
À professora Bernadete e Professor Luiz Leonelli, pela orientação deste trabalho.
RESUMO
O Câncer é uma doença que acomete milhões de pessoas no mundo todo, sendo um crescimento anormal e descontrolado das células que compõem o organismo. Quando modificadas, estas células se dispõem em formatos diferentes, isso é que irá diferenciar os vários tipos de câncer. O tratamento quimioterapêutico é bastante agressivo e seus efeitos colaterais trazem muitas alterações ao individuo, e duas dessas são: náusea e vômito. A Medicina Tradicional Chinesa aborda o câncer não somente tratando o tumor, mas o paciente como um todo, estimulando seu sistema imune, atuando em interações entre o paciente e o tumor, e atenuando os sintomas relativos ao câncer e os efeitos colaterais comumente observados em tratamentos convencionais. A presente revisão de literatura teve como objetivo analisar quais os benefícios que o tratamento com a Acupuntura traz aos pacientes oncológicos para diminuição dos efeitos das intercorrências gástricas. Vários autores verificaram e avaliaram a eficácia da Acupuntura na estimulação de pontos que amenizam a náusea e vômito em pacientes submetidos à quimioterapia, por exemplo: “Neiguan” CS-6, “Gongsun” BP-4, “Zusanli” E- 36 e auricular ponto “Wei” (Estômago). Com isso notou-se que a Acupuntura pode auxiliar os pacientes oncológicos, como terapia complementar, com intuito de minimizar os desagradáveis sintomas no tratamento da quimioterapia.
Palavras-chave: câncer, vômitos, náuseas, Acupuntura.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO…………………………………………………………………………………………….8
2 METODOLOGIA…………………………………………………………………………………………11
3 CÂNCER NA VISÃO OCIDENTAL………………………………………………………………..12
3.1 TRATAMENTO COM QUIMIOTERAPIA……………………………………………17
4 FUNDAMENTOS DA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA (MTC)…………………..19
5 CÂNCER NA MTC…………………………………………………………………………………….23
5.1 ESTAGNAÇÃO DE QI…………………………………………………………………..24
5.2 ACÚMULO DE FLEUMA (TANYIN)………………………………………………..26
5.3 O CALOR – UMIDADE NO FÍGADO E NA VESÍCULA BILIAR…………..26
5.4 ESTAGNAÇÃO DE SANGUE………………………………………………………..27
6 TRATAMENTO DOS SINTOMAS DE NÁUSEA E VÔMITO COM A MTC………..28
7 CONCLUSÃO…………………………………………………………………………………………….34
REFERÊNCIAS…………………………………………………………………………………………..35
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12
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25
25
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1 INTRODUÇÃO
O Câncer é uma doença que atinge milhões de pessoas no mundo todo. O tratamento é feito por meio de diversos medicamentos que causam aos pacientes vários efeitos colaterais desconfortantes, além das alterações de vida mexendo com um amplo campo; emocional, social e espiritual. Esta difícil fase na vida do paciente merece respeito para que haja melhora da sua autonomia e qualidade de vida.
A quimioterapia representa um avanço na cura e controle do câncer, aumentando a expectativa de vida do paciente. É essencial, no entanto, que os profissionais de saúde que atuam nessa área tornem efetiva sua orientação quanto aos objetivos e efeitos colaterais do tratamento quimioterápico, além, sobretudo, de oferecer apoio emocional.
Dois dos efeitos colaterais causados pela quimioterapia são a náusea e o vômito, que incomodam os pacientes e levam muitas vezes a desistência do tratamento. Segundo Collins e Thomas (2004) mesmo com os melhores agentes farmacológicos antiemético, 60% dos pacientes com câncer continuam a sentir náuseas e vômitos, quando submetidos a tratamentos de quimioterapia.
Segundo recente relatório da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC) / Organização Mundial da Saúde (OMS), o impacto global do câncer mais que dobrou em 30 anos. Estimou-se que, no ano de 2008, ocorreriam cerca de 12 milhões de casos novos de câncer e 7 milhões de óbitos. O contínuo crescimento populacional, bem como seu envelhecimento, afetará de forma significativa o impacto do câncer no mundo. Esse impacto recairá principalmente sobre os países de médio e baixo desenvolvimento. A IARC/OMS estimou que, em 2008, metade dos casos novos e cerca de dois terços dos óbitos por câncer ocorrerão nessas localidades. (INCA, 2009)
No Brasil, as estimativas, para o ano de 2010, foram válidas também para o ano de 2011, e apontaram para a ocorrência de 489.270 casos novos de câncer. Os tipos mais incidentes, à exceção do câncer de pele do tipo não melanoma, foram os cânceres de próstata e de pulmão no sexo masculino e os cânceres de mama e do colo do útero no sexo feminino, acompanhando o mesmo perfil da magnitude observada para a América Latina. (INCA, 200
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9).
Dados indicaram que em 2010, ocorreram 236.240 casos novos para o sexo masculino e 253.030 para sexo feminino. O câncer de pele do tipo não melanoma (114 mil casos novos) o mais incidente na população brasileira, seguido pelos tumores de próstata (52 mil), mama feminina (49 mil), cólon e reto (28 mil), pulmão (28 mil), estômago (21 mil) e colo do útero (18 mil) de observada no mundo. (INCA, 2009)
O diagnóstico do câncer implica não somente a descoberta das alterações teciduais já instaladas, mas, muitas vezes, mudanças psíquicas e comportamentais naqueles que o carregam. Não raramente, o medo do tratamento, da quimioterapia e de todas as possíveis complicações faz com que o paciente se afaste de seu meio e busque, inconscientemente, o isolamento. (FRIEDRICH et al, 2000, p. 198) Somam-se às ocorrências descritas anteriormente as complicações decorrentes da própria doença e de seu tratamento agressivo, tais como: fraqueza muscular, náuseas, vômitos, alterações cardiovasculares e respiratórias, e as mais incapacitantes delas: a dor e a fadiga. Toda essa combinação pode levar aos sentimentos de depressão e angústia e causar piora do prognóstico do indivíduo. (MOTA e PIMENTA, 2002)
A avaliação da Qualidade de Vida (QV) na Oncologia pode auxiliar na decisão sobre a efetividade do tratamento, melhorar a tomada de decisão do paciente através do esclarecimento dos efeitos colaterais do tratamento, servir como fator prognóstico para analisar os sintomas e/ou as necessidades de reabilitação, identificar os aspectos de impacto na sobrevida dos pacientes, a estimativa de custo-efetividade (auxilia na decisão de onde e quando investir os recursos existentes), melhorar a organização e a qualidade do cuidado, o desenvolvimento e a regulamentação de medicações, para conhecer as prioridades dos pacientes. (ARAÚJO et al, 2009)
A acupuntura é uma técnica que envolve a inserção de agulhas finas sobre a pele e tecido abaixo dela em pontos específicos, com propósitos terapêuticos ou prevenção cujo protocolo clínico desenvolvido para uso da acupuntura no tratamento de pacientes com câncer prevê suas indicações e algumas contra-indicações para esta prática (FILSHIE e HESTER, 2006).
Como técnica de inserção de agulhas a Acupuntura tem a finalidade de promover a mobilização, a circulação e o fortalecimento das energias humanas, bem
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como a expulsão de Energias Perversas que acometem o individuo (YAMAMURA, 2004).
Assim, este trabalho foi elaborado baseando na literatura de pesquisa com o objetivo de verificar a atuação da acupuntura sobre a diminuição dos efeitos de náusea e vômito em pacientes oncológicos submetidos ao tratamento quimioterápeutico.
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2 METODOLOGIA
Foi desenvolvido um levantamento bibliográfico minucioso de revistas cientificas e periódicos sobre o tema abordado, abrangendo o período de 1992 à 2011, nas bases de dados da Bireme (Biblioteca Regional de Medicina), no banco de dados da Scielo, Medline, Pubmed, CAPES e Biblioteca da Universidade de Mogi das Cruzes.
Foram incluídos nos resultados os artigos que utilizarão a acupuntura para alívio dos efeitos colaterais da quimioterapia nos sinais e sintomas de náusea e vômito, com resultados tanto positivos quanto negativos.
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3 CÂNCER NA VISÃO OCIDENTAL
Câncer é o nome dado a um grupo de doenças malignas caracterizadas pelo crescimento anormal e descontrolado de células que sofreram alteração em seu material genético, em algum momento de seu ciclo celular. Essas células geneticamente modificadas podem invadir os tecidos e órgãos, espalhando-se para outras regiões do corpo. (ROBBINS, 1996, p. 213)
O câncer é causado, por mutação ou por ativação anômala dos genes celulares que controlam o crescimento e a mitose celulares. Muitos oncogenes diferentes já foram identificados. Também existem os antioncogenes capazes de suprimir a ativação de oncogenes específicos. Logo, a perda ou a inativação de antioncogenes pode permitir a ativação de oncogenes, causando o câncer. Somente uma fração diminuta das células corporais que sofrem mutação leva ao câncer. Existem diversas razões para isso: (1) A maioria das células mutantes apresenta menor capacidade de sobrevida que as células normais e, portanto, simplesmente morrem; (2) Apenas algumas das células mutantes que sobrevivem se tornam neoplásicas, visto que a maioria delas ainda conserva os controles normais por feedback que inibem o crescimento excessivo; (3) Aquelas células que são potencialmente neoplásicas, com freqüência, são destruídas pelo sistema imune do corpo, antes de formarem um tumor. Isso ocorre do seguinte modo: a maioria das células mutantes forma proteínas anormais no interior de seus corpos celulares, e essas proteínas, estimulam o sistema imune, levando a formar anticorpos ou linfócitos, sensibilizados contra as células neoplásicas, destruindo-as dessa forma; (4) Em geral, diversos e distintos oncogenes ativados são necessários, todos atuando ao mesmo tempo, para causar câncer. Por exemplo, um desses genes pode promover a reprodução acelerada de uma linhagem celular, mas não ocorre câncer, por não haver, simultaneamente, um gene mutante necessário á formação de vasos sanguíneos. (GUYTON e HALL, 2002, p.34)
Segundo o mesmo autor trilhões de células são formadas a cada dia em todos os indivíduos, e não se desenvolve grandes quantidades de células mutantes neoplásicas, pois, em cada célula, há grande precisão na replicação dos filamentos cromossômicos de DNA, e, também existe um processo de “leitura das provas” que corta e repara filamentos anormais de DNA, antes que ocorra a mitose. Contudo, a
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respeito de todas essas precauções celulares, provavelmente uma célula recém- formada, em cada alguns milhões, tem características mutantes significativas.
A probabilidade de mutações pode aumentar quando o indivíduo é exposto a determinados fatores químicos, físicos ou biológicos, como: (1) A radiação ionizante, como os raios X, raios gama e radiação de partículas de substâncias radioativas e, até mesmo, a luz ultravioleta pode predispor ao câncer. Os íons formados nas células teciduais sob influência dessas radiações são muito reativos e podem romper os filamentos de DNA, produzindo, por isso, muitas mutações; (2) Alguns tipos de substâncias químicas também apresentam muita propensão para causar mutações. Os carcinógenos que causam o maior número de mortes em humanos nas sociedades atuais são os dos cigarros; (3) Irritantes físicos também podem levar ao câncer, como a abrasão continuada de revestimento do trato digestivo por certos tipos de alimentos. A lesão desses tecidos leva à reposição mitótica muito rápida dessas células. Quanto mais rápida for a mitose, maior a probabilidade de mutações; (4) Existem tendências hereditárias para o câncer. Nas famílias particularmente predispostas ao câncer, presume-se que um ou mais genes já tenham mutado no genoma herdado. Logo, um número bem menor de mutações adicionais deve ocorrer nesses indivíduos antes que o câncer comece a crescer; (5) Certos tipos de vírus podem causar algumas formas de câncer, inclusive leucemia. Primeiro, no caso dos vírus de DNA, o filamento de DNA do vírus pode se inserir diretamente em um dos cromossomos, produzindo, dessa maneira, a mutação que leva ao câncer. No caso dos vírus de RNA, alguns deles carregam consigo uma enzima, chamada transcriptase reversa, que faz com que o DNA seja transcrito a partir do RNA. Então, o DNA assim transcrito se insere no genoma do animal, levando ao câncer. (GUYTON e HALL, 2002, p. 34)
As células neoplásicas são bastante invasivas. As principais diferenças entre as células neoplásicas e as normais são: (1) as células neoplásicas não respeitam os limites normais do crescimento celular; a razão para isso é que essas células não precisam dos mesmos fatores de crescimento necessários para produzir o crescimento das células normais; (2) as células neoplásicas se aderem umas às outras com intensidade muito menor do que fazem as células normais. Por conseguinte, elas têm tendência a vagar pelos tecidos para atingir a corrente sanguínea e serem transportadas por todo o corpo, onde vão formar ninhos para novos e numerosos crescimentos cancerosos; (3) alguns cânceres também
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produzem fatores angiogênicos que promovem o crescimento de vasos sanguíneos no interior dos tumores, suprindo, por esse meio, os nutrientes necessários ao seu crescimento. (GUYTON e HALL, 2002, p. 35)
O tratamento oncológico deve ser instituído o mais precocemente possível e deve também ser definido de acordo com as situações clínicas apresentadas durante a evolução da doença, visando, assim, a uma melhor qualidade de vida do paciente. Diante disso, torna-se necessário promover um sistema de suporte ao paciente oncológico para que ele possa viver da forma mais ativa possível e sentir-se satisfeito em suas atividades. (PIMENTA, 2003) Nesse contexto, a atuação multi e interdisciplinar contribui de maneira bastante efetiva para o sucesso do tratamento do câncer, já que consegue abordar as necessidades do indivíduo de forma específica e, ao mesmo tempo, global.
Segundo Chevalier-Martinelli (2006), o princípio da quimioterapia é atingir e destruir as células malignas que têm a capacidade de se multiplicar indefinidamente. Todos os medicamentos anticancerígenos que participam dessa destruição têm toxicidade mais ou menos intensa, capaz de afetar a composição sanguínea, a pele, os pelos e outros órgãos. Quanto maior a dose, maior a chance de destruir um grande número de células malignas – e também maior o risco de atingir células sadias.
Ballatori e Roila (2003) revisaram o impacto negativo que náuseas e vômitos pós-quimioterapia têm sobre a QV dos pacientes, podendo causar fissuras esofágicas, má nutrição, distúrbios hidroeletrolíticos e até mesmo a recusa dos pacientes em prosseguirem nos ciclos quimioterápicos. Esse impacto é sentido principalmente nos quesitos físico ou corporal das mais variadas escalas de QV utilizadas. Esquemas quimioterápicos com menor probabilidade de náuseas ou vômitos e o asseguramento de esquemas seguros e eficientes de antieméticos têm impacto nessa questão. Salienta-se que, atualmente, devido a novas medicações antieméticas, a taxa de náuseas e vômitos seja de menos de 10%.
A náusea foi definida como uma experiência desagradável, mas não dolorosa, geralmente localizada na garganta e na parte superior do estômago, o que dá uma sensação de vômito que pode ser iminente. Em cuidados paliativos de pacientes com câncer a náusea é um sintoma comum e foi relatado que aproximadamente 40 – 70% deles sofrem de constante ou náusea intermitente na fase final da vida. (NYSTROM, RIDDERSTROM, LEFFLER, 2008)
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Há 20 anos, náuseas e vômitos foram considerados inevitáveis conseqüências adversas da quimioterapia e responsável por 20-25% de abandono do tratamento antineoplásico (JORDAN, KASPER, SCHMOLL, 2005). Apesar dos avanços nas áreas farmacológicas e não-farmacológicas os cuidado com a náusea e o vômito são ainda alguns dos mais temidos e preocupação sintomas para o paciente e sua família. Esta toxicidade deve ser evitada e adequadamente, caso ocorra, utilize uma metodologia adequada para avaliação e tratamento. O controle desses sintomas aumenta a QV dos pacientes que receberam quimioterapia e é um esteio no tratamento.
Drogas são uma das causas principais de náusea e vômitos. Muitas drogas atuam na zona de gatilho da quimioterapia na área postrema, no assoalho do 4º ventrículo, induzindo náusea e vômitos. Os efeitos adversos da náusea e vômitos induzidos por droga no caso do tratamento do câncer, incidindo sobre o estado nutricional já comprometido pela doença, podem ser seriamente agravados, com a fadiga, a redução da massa muscular, e o aumento da suscetibilidade à infecções, com conseqüências potencialmente fatais. (EDELMAN, LUM, GANDARA, 2000) Segundo Bonassa e Santana (2005) a náuseas e vômitos são os sinais e sintomas mais prevalentes em relação à toxicidade gastrintestinal decorrentes da quimioterapia antineoplásica. Podem afetar a condição nutricional, o equilíbrio hidroeletrolítico e a qualidade de vida do paciente, aumentando ansiedade e estresse, resultando no atraso ou até abandono do tratamento. Na última década ocorreram avanços importantes para compreensão da fisiologia de náuseas e vômitos induzidos pela quimioterapia, principalmente no que tange ao papel da serotonina no mecanismo antiemético. No entanto, estima-se que ainda um terço dos pacientes sob terapia oncológica não respondam plenamente à terapêutica antiemética disponível. Os principais agentes eméticos desse tipo são os agonistas da dopamina, os analgésicos opióides, as preparações digitálicas, e os quimioterápicos do câncer. Algumas drogas lesam a mucosa gástrica, como os antiinflamatórios não hormonais, induzindo náusea e vômitos por ativação de reflexos ascendentes para o centro do vômito a partir do tubo digestivo. O álcool atua dessa forma, e também sobre a zona de gatilho da quimioterapia. Alguns agentes quimioterápicos também estimulam uma grande liberação de serotonina no intestino, ativando o centro do vômito também pela via vagal aferente. A náusea e vômitos induzidos por drogas ocorrem com
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maior freqüência em pacientes com história de náusea e vômitos de viagem. (LEE e FELDMAN, 1998)
Segundo García et al. (2005) como os outros reflexos orgânicos, a náusea e o vômito apresentam um componente aferente, uma central de integração e um componente eferente. A integração é feita no centro do vômito (CV), estrutura funcional localizada na formação reticular lateral da medula. Essa estrutura recebe os estímulos dos vários sítios localizados em todo o trato gastrointestinal através de aferentes vagal e simpático, centros cerebrais superiores e da zona quimiorreceptora do gatilho. Estímulos adicionais são enviados do labirinto, útero, pelve renal e bexiga. O período anterior ao ato de vomitar compreende a náusea e vários outros sinais autônomos característicos como salivação, palidez, dilatação pupilar, bradicardia ou taquicardia e variações da pressão arterial. A ventilação torna-se profunda, rápida e irregular. O processo do vômito deve ser diferenciado da regurgitação, evento passivo de transferência do conteúdo gástrico até a faringe. Ao contrário da regurgitação, o vômito necessita que um determinado limiar de estimulação do CV seja atingido.
Essa estimulação é sempre indireta, pois não se conhece ação direta de qualquer composto nesse centro. Os impulsos eferentes são enviados pelo quinto, sétimo, nono, décimo e décimo – segundo nervos cranianos, nervos frênicos e nervos espinhais para o esôfago, estômago e diafragma. Essa atividade eferente é responsável por muitas das alterações autônomas que acompanham a êmese. Após a chegada dos impulsos eferentes na periferia, ocorre uma série de eventos estereotipados que envolvem: o abaixamento do diafragma e contração da musculatura abdominal após inspiração profunda, com o conseqüente aumento da pressão intragástrica; contração do piloro, prevenindo o esvaziamento gástrico para o duodeno; relaxamento do fundo gástrico, cardia e esfíncter esofágico inferior, forçando o conteúdo em direção ao esôfago; a laringe e o osso hióide movem-se para cima e para frente, acelerando o movimento do conteúdo gástrico, para cima; o pálato mole eleva-se, prevenindo a entrada do vômito no nasofaringe; a glote fecha-se, prevenindo a aspiração para a traquéia; após o fechamento da glote a pressão intratorácica aumenta, exercendo pressão no esôfago; o esôfago contrai-se e impulsiona o conteúdo em direção à boca. (GARCIA et al.,2005)
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3.1 TRATAMENTO COM QUIMIOTERAPIA
Segundo Instituto Nacional do Câncer – INCA (2010) a quimioterapia é o método que utiliza compostos químicos, chamados quimioterápicos, no tratamento de doenças causadas por agentes biológicos. Quando aplicada ao câncer, a quimioterapia é chamada de quimioterapia antineoplásica ou quimioterapia antiblástica. O primeiro quimioterápico antineoplásico foi desenvolvido a partir do gás mostarda, usado nas duas Guerras Mundiais como arma química. Após a exposição de soldados a este agente, observou-se que eles desenvolveram hipoplasia medular e linfóide, o que levou ao seu uso no tratamento dos linfomas malignos. A partir da publicação, em 1946, dos estudos clínicos feitos com o gás mostarda e das observações sobre os efeitos do ácido fólico em crianças com leucemias, verificou-se avanço crescente da quimioterapia antineoplásica. Atualmente, quimioterápicos mais ativos e menos tóxicos encontram-se disponíveis para uso na prática clínica. Os avanços verificados nas últimas décadas, na área da quimioterapia antineoplásica, têm facilitado consideravelmente a aplicação de outros tipos de tratamento de câncer e permitido maior número de curas.
A quimioterapia antineoplásica consiste na utilização de agentes químicos, isolados ou em combinação, com finalidade de eliminar células tumorais do organismo. Por se tratar de tratamento sistêmico, age indiscriminadamente nas células em rápida proliferação, ocasionando reações adversas. Faz-se necessário o conhecimento dos tratamentos dessas reações para que se possa intervir visando à melhoria da qualidade de vida e minimizando efeitos colaterais. (FONSECA et al, 2000, p. 164)
A quimioterapia não é apenas utilizada para casos oncológicos, é também utilizada para tratamentos de psoríase, esclerose múltipla, artrite reumatóide e alguns tipos de insuficiência renal (BARACAT et al., 2000, p.120)
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4 FUNDAMENTOS DA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA
A acupuntura foi idealizada dentro do contexto global da filosofia do Tao e das concepções filosóficas e fisiológicas que nortearam a Medicina Tradicional Chinesa (MTC). A concepção dos canais de Energia e dos pontos de acupuntura, o diagnóstico energético e o tratamento baseam-se nos preceitos do Yin e do Yang, dos Cinco elementos, da Energia (Qi) e do Sangue (Xue) (YAMAMURA, 2004, p.57).
Os princípios do Yin e Yang estão presentes em todos os aspectos da teoria chinesa. São utilizados para explicar a estrutura orgânica do corpo humano, as suas funções fisiológicas, as leis referentes à causa e à evolução das doenças, para servir de guia no diagnóstico e no tratamento clinico (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p. 17).
Segundo Macciocia (1996, p.38) o modelo de correspondência dos 5 elementos é amplamente utilizado no diagnóstico, sendo baseado sobretudo na correspondência entre os Elementos (Zang Fu).
Auteroche e Navailh (1992, p.23) relatam que a teoria dos cinco elementos considera que o universo é formado pelo movimento e a transformação dos cinco princípios: a Madeira, o Fogo, a Terra, o Metal e a Água.
A MTC considera a função do corpo e da mente como resultado da interação de determinadas substâncias vitais. Essas substâncias manifestam-se em vários níveis de “substancialidade”, de maneira que algumas delas são muito rarefeitas e outras totalmente imateriais. O corpo e a mente não são vistos como um mecanismo, mas como um círculo de energia e substâncias vitais interagindo uns com os outros para formar o organismo (MACIOCIA, 1996, p. 51).
A base de tudo é o Qi (Energia): todas as outras substâncias vitais são manifestações do Qi em vários graus de materialidade, variando do completamente material, tal como fluidos corpóreos (Jin Ye), para o totalmente imaterial, tal com a Mente (Shen). O Qi dos seres humanos é resultado da interação do Qi do Céu e da Terra, havendo assim interação entre o Qi dos seres humanos e as forças naturais. A medicina Chinesa enfatiza o relacionamento entre os seres humanos e seu meio
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ambiente, e leva isto em consideração para determinar a etiologia, o diagnostico e o tratamento (MACIOCIA, 1996, p. 50).
De acordo com os chineses, há muitos “tipos” diferentes de Qi no homem, variando do mais tênue e rarefeito ao mais denso e duro. Todos os tipos de Qi, todavia são na verdade um único Qi, que simplesmente se manifesta de diferentes formas. O Qi modifica-se em sua forma de acordo com a localização e função. Embora seja fundamentalmente o mesmo, o Qi coloca “diferentes vestimentas” em diversos lugares e assume inúmeras funções (MACIOCIA, 1996, p. 52).
O Sangue (Xue) na MTC é em si mesmo uma forma de Qi muito denso e material. A principal função do sangue consiste em nutrir o organismo, complementando a ação nutriente do Qi. Além disso, o Sangue também possui a função de hidratar, o que o Qi não possui. O Coração (Xin), o Baço e o Fígado são os sistemas mais importantes em relação ao sangue. O Coração governa o Sangue, o Baço controla o Sangue e o Fígado armazena o Sangue (MACIOCIA, 1996, p. 68).
O mesmo autor sita que há um relacionamento muito próximo entre o Qi e o Sangue. O Qi gera o Sangue uma vez que o Qi dos Alimentos é a base do Sangue, e também o Qi do Pulmão é essencial para a produção do Sangue. O Qi movimenta o Sangue, visto que sem o Qi, o Sangue seria uma substância inerte, logo, se o Qi é deficiente ou estagnante, não pode impulsionar o Sangue, sendo que este também estagna. O Qi Controla o Sangue nos Vasos Sanguíneos (Xue Mai) prevenindo hemorragias, apesar de essa ser uma função primária do Baço. O Sangue nutre o Qi e providencia uma base material e “densa” que previne o Qi de “flutuar” e originar sintomas de Calor-Vazio. O Sangue e a Essência (Jing) afetam-se mutuamente, uma vez que a Essência é importante na formação do Sangue, que por sua vez, nutre e abastece continuamente a Essência.
A principal função do Baço (Pi) consiste em auxiliar a digestão do Estômago (Wei), por meio do transporte e da transformação das Essências (Jing) alimentares, absorvendo a nutrição dos alimentos e separando as partes puras das impuras (YAMAMURA, 2004, p. 117).
Segundo Yamamura, (2004, p. 119), o Baço (Pi) produz um efeito de “elevação” ao longo da linha media do corpo. Esta é a força que faz os sistemas
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internos permanecerem no local correto. Se o Qi do Baço é deficiente e sua função de “elevar o Qi” estiver deficiente poderá ocorrer prolapso de vários órgãos tais como: útero, estômago, rim, bexiga ou ânus. O movimento ascendente do Qi do Baço (Pi) é coordenado com movimento descendente do Qi do Estomago (Wei). A união dos dois é importante para o movimento adequado do Qi no organismo durante a digestão de maneira que o Qi puro é direcionado em ascendência pelo Baço (Pi) e o Qi impuro em descendência pelo Estômago (Wei). O Qi conecta-se em ascendência com Pulmão (Fei) e o Coração (Xin) e em descendência com Fígado (Gan) e o Rim (Shen). Somente se estes movimentos ascendentes do Qi forem coordenados, poderá o Yang puro ascender para o orifício (órgão dos sentidos) superiores e Yin impuro descender para os dois orifícios inferiores. Se os movimentos descendentes e ascendentes estiverem debilitados, o Yang puro não ascenderá o Qi refinado extraído dos alimentos não poderá ser estocado e o Qi impuro não poderá ser excretado. O Estomago (Wei) e o Baço (Pi) são pertencentes ao elemento Terra, se for tonificado também tonificará indiretamente todos os outros sistemas.
O Baço está situado no aquecedor médio suas principais funções são de dirigir o transporte e a transformação da essência dos alimentos (Jing Qi), fez a subida do que é puro e contem o sangue nos vasos (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p.68 ).
A preocupação ou excesso de concentração é uma “emoção” relacionada com elemento Terra. O uso excessivo de nossas faculdades mentais e o estudo podem resultar na Deficiência de Baço (YAMAMURA, 2004, p. 41).
O mesmo autor afirma que o Qi deficiente do Estomago (Wei) falhará ao descender, causando uma sensação vagamente desconfortável no epigástrio e debilidade nos membros, condição de deficiência (se for decorrente de uma condição de Excesso, será sensação forte de desconforto, dor, náuseas). De acordo com a MTC a atividade mental e a consciência residem no Coração (Xin), elemento Fogo. Significa que um Coração (Xin) saudável é essencial para o suprimento adequado do Sangue (Xue) deficiente podem ocorrer alterações mentais, (como depressão), falte de memória, pensamento afetado, insônia ou sonolência, em casos extremos a inconsciência.
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O elemento metal que é o Pulmão (Fei) governa o Qi e a respiração, controla os vasos sanguíneos (Xue – Mai) onde Qi do Pulmão (Fei) auxilia o Coração (Xin) no controle da circulação sanguínea. Tendo um papel vital nos movimentos dos Fluidos Corpóreos (Jin Ye). Se o Qi do Pulmão (Fei) é fraco o Qi não será capaz de empurrar o sangue (Xue) para os membros, assim as mãos ficarão frias. Se a função do Pulmão (Fei) de dispersar os Fluidos Corpóreos (Jin Ye) for obstruídas podem se acumular sob a pele causando edema. Tendo as funções dispersoras o Pulmão (Fei) é, portanto responsável pela excreção dos Fluidos Corpóreos (Jin Ye) serão eliminados por meio da sudorese e da urina. Em um nível emocional é diretamente afetada pelas emoções de tristeza, lamento e depressão nas quais obstruem seus movimentos afetando a Alma Corpórea (YAMAMURA, 2004, p. 109- 114).
O Fígado (Gan) elemento madeira é um dos sistemas mais importantes para o armazenamento do Sangue (Xue) no organismo inteiro a qualquer tempo. Se, por outro lado, a função do Fígado (Gan) for anormal afetará a qualidade de Sangue (Xue), causando determinados tipos de patologia, ex: cansaço, problemas de pele, alterações ginecologias, visão turva, câimbras musculares, contrações nos tendões, etc (YAMAMURA, 2004, p. 101).
Afirma ainda que de acordo com os cinco elementos o Rim (Shen) pertence a água, é referido como a Raiz da Vida. Isto porque armazena a Essência (Jing) que é parcialmente derivada dos pais, estabelecida na concepção. É o fundamento essencial para o nascimento, crescimento e produção. A debilidade dos Rins (Shen) resulta pouca vitalidade, infertilidade ou debilidade sexual, ossos fracos. Pois os Rins (Shen) determinam a força física e mental do individuo e também a força de vontade.
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5 CÂNCER NA VISÃO ORIENTAL
Yamamura (2004, p. 8) refere que o fluxo energético dos Canais de Energia refletem o estado dos Zang Fu (órgãos/vísceras), assim como as alterações energéticas ocasionais do meio ambiente. Os canais de Energia Principais e seus pontos de acupuntura são sede de manifestações interiores, assim como o local para a entrada das Energias Perversas. Todos esses fatores alteram a quantidade, a qualidade e o fluxo de Qi nos Canais de Energia, podendo ocasionar o aparecimento de manifestações clínicas, conseqüências a falta ou excesso de Qi ou mesmo pela estagnação de Qi e de Xue (sangue).
O Qi e o Xue são transportados pelos Canais de Energia, cuja circulação obedece aos princípios da polaridade Yang- Yin, do movimento alto e baixo (subida e descida) das contraturas e relaxamento musculares. Por meio desses fenômenos o Qi circula nos canais de Energia e o Xue circula nos vasos sanguíneos, promovendo a nutrição, a defesa, à harmonização energética dos Órgãos, das Vísceras e dos Tecidos. (YAMAMURA, 2004, p. 7)
A circulação debilitada pode resultar na condensação excessiva de Qi, o que significa que o Qi se transforma patologicamente em denso, formando tumores, massas ou aumentos de volume (MACIOCIA, 1996, p.127).
Os tumores viscosos (TanYin) e os acúmulos de sangue (Yu Xue) são produções patológicas consecutivas a um mau funcionamento de órgãos, porém como essas formações podem direta ou indiretamente, agredir as vísceras (Zang Fu) e os tecidos orgânicos, podem ser consideradas como verdadeiros os fatores patogênicos. As mucosidades e os tumores viscosos são produtos da interrupção parcial do metabolismo dos líquidos orgânicos, provocando uma condensação dos tumores. Tem-se o hábito de chamar “Mucosidade (Tan) o que é espesso e Tumores (Yin) o que é fluído. Por outro lado, chama-se ”Mucosidade e tumores viscosos sem aparência material” (Wu Xing Zhi Tan Yin), as manifestações patológicas que apresentam sintomas, tais como: vertigens, ofuscações, náuseas, vômitos, respiração curta, palpitações, demência, perde de sentido, confusão mental: isso, sem que a haja sinais exteriores de tumores viscosos ou mucosidade (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p. 128-129).
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Há 3 causas possíveis à formação dos tumores e das mucosidades: A propensão por álcool e alimentos condimentados (açucarados e gordos) acumula a umidade que se condensará em tumores e mucosidades sob a influência do calor; um ferimento interno causado pelas emoções pode acarretar a estagnação do Qi do Fígado (Gan). Esta estagnação poderá se transformar em Fogo, o qual diminuirá e concentrará os líquidos orgânicos, transformando-os em mucosidade e tumores; a atividade funcional dos órgãos Pulmão (Fei), Baço (Pi) e Rins (Shen), pode ficar embaraçada, a circulação pela Via das águas do Triplo Aquecedor pode ser estorvada, o que afetará a distribuição e a drenagem dos líquidos orgânicos. Com efeito; se o Pulmão não efetuar mais sua função de “difusão – descida”, os líquidos orgânicos não podem ser distribuídos e se acumulam; se o Baço não efetuar mais sua atividade de “transporte-transformação”, a água e a umidade não mais circulam e se acumulam; se os Rins não cumprirem mais sua ação no controle da água, esta não mais poderá ser transformada e vai se acumular; se o Triplo Aquecedor não mantiver mais sua atividade de passagem, a água e o Qi estagnam e se juntam. Em todos os casos, essa concentração de água e de umidade se transformará em tumores e mucosidades (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p. 129).
Há quatro patologias relacionadas ao câncer: Estagnação de Qi, Acúmulo de Fleuma (TanYin), Calor – Umidade do fígado e na Vesícula Biliar, Estagnação de Sangue.
5.1 ESTAGNAÇÃO DE QI
Tumores abdominais que aparecem e desaparecem e sem formato definido são manifestações da estagnação do Qi, além de sensação de distensão, dor em distensão que se move de um lado para outro, depressão mental, irritabilidade, sensação de tristeza, mudanças de humor, bocejos freqüentes, pulso em corda ou apertado e língua levemente púrpura. A sensação de distensão pode afetar hipocôndilo, epigástrio, garganta, abdome e hipogástrio, sendo os sintomas mais característicos e importantes da Estagnação de Qi. O Fígado é o Sistema mais afetado pela estagnação de Qi (MACIOCIA, 1996, p.281).
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Essas produções de tumores e mucosidades podem realizar-se em todas as partes do corpo, criar perturbações em todos os órgãos, ou então estorvar o funcionamento normal do Qi (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p. 130).
Maciocia, (1996, p. 458), também afirma que em todos os casos de massas abdominais, há sempre um Deficiência latente de Qi. O Qi deficiente falha ao transportar e transformar e, gera a Estagnação de Qi e sangue, assim permitindo que as massas de formem.
5.2 ACÚMULO DE FLEUMA (TANYIN)
A Fleuma origina-se de uma disfunção do Baço de transformar e transportar os fluidos, enquanto a estase de Sangue é normalmente causada pela Estagnação de Qi. Ambas são, portanto fatores patogênicos. Em condições crônicas, tornam-se, causas adicionais das patologias em si mesmas (MACIOCIA, 1996, p. 321).
O Pulmão e o Rim também estão envolvidos na formação da fleuma. Se o Pulmão falhar ao dispersar e descender os Fluidos Corpóreos e se o Rim falhar ao transformá-los e excretá-los, estes poderão se acumular e se transformar em fleuma. A fleuma afeta primariamente as partes média e superior do organismo. A fleuma pode “obscurecer” a Mente causando alterações mentais (MACIOCIA, 1996, p.344). Assim também cita Auteroche e Navailh, (1992, p. 102), quando existe uma fraqueza na capacidade de se transporte e transformação do Baço, a umidade se concentra e se transforma em humores viscoso (TanYin). Este estado afetará a difusão e descida do Qi do Pulmão e causará: tosse asmática, abundância de viscosidade e de mucosidade.
O mesmo autor acumulo de Fleuma causam massas abdominais macias, que podem ter a forma de faixas, distensão abdominal, obstipação ou diarréia, pouco apetite, náusea e sensação de plenitude. Os sinais da língua são: inchada, com revestimento pegajoso e escorregadio e o pulso escorregadio.
Há dois tipos de Fleuma: a substancial, que pode ser vista, tal como expectoração; e a não substancial, que pode ser retida no subcutâneo ou nos meridianos.
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5.3 O CALOR – UMIDADE NO FÍGADO E NA VESÍCULA BILIAR
O acúmulo de Umidade nos Meridianos do Fígado e da Vesícula Biliar obstrui o fluxo suave do Qi e causa a Estagnação do Qi do Fígado resultando em distensão, dor no epicôndilo e no tórax. A umidade pode obstruir o fluxo da bile que se acumula e flui em abundância sob a pele causando a icterícia (MACIOCIA, 1996, p.296).
A estagnação do Qi do Fígado deriva do acúmulo de Umidade, faz o Qi do Fígado invadir o Estomago (Wei) e origina náusea, vômito, anorexia e distensão abdominal (MACIOCIA, 1996,p. 282).
Conforme Maciocia (1996, p. 324) este padrão origina-se de uma combinação do calor no Fígado e da Umidade surgindo da Deficiência do Baço. A deficiência do Baço é provavelmente o padrão mais comum no geral, portanto, é uma pré-condição para que este padrão se manifeste. O consumo excessivo de alimentos oleosos ou uma dieta e estilo de vida irregular são algumas das causas da deficiência de Baço. A estagnação persistente da Qi do Fígado pode conduzir ao Calor do Fígado que combina com a Umidade. Qualquer uma das causas da Estagnação do Qi do Fígado, portanto, pode conduzir a este padrão.
Finalmente, Calor-Umidade pode também ser causado por Calor- Umidade climático e externo, o que é muito comum nos países tropicais (MACIOCIA, 1996, p. 391).
5.4 ESTAGNAÇÃO DE SANGUE
Tumores abdominais fixos e bem definidos são manifestações características da estase do sangue, além de aspecto escuro, lábios roxos, dor fixa e persistente, em pontadas, unhas arroxeadas, hemorragia com sangue e coágulos escuros, língua púrpura e pulso em corda, firme ou agitado (MACIOCIA, 1996, p. 462).
O Fígado é o sistema mais freqüentemente afetado pela estagnação do Sangue, isto é usualmente uma conseqüência da estagnação do Qi do Fígado, uma vez que o Qi é o “comandante do Sangue”, quando o Qi estagna, o Sangue coagula (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p. 46).
A principal função do Fígado consiste em assegurar a circulação livre do fluxo do Qi, influenciando todo o organismo. A estagnação do Qi do Fígado provoca perda
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da harmonia na função de vários sistemas. O sintoma de Estagnação de Qi do Fígado mais aparente é a distensão, uma vez que quando o Qi do Fígado não flui livremente, este se acumula e origina sensação de distensão, que poderá se manifestar no epigástrio, hipocôndilo, abdome ou hipogástrio (MACIOCIA, 1996, p. 284).
A estagnação do Sangue do fígado produz manifestações clínicas como “tumores” abdominais fixos, vômito com sangue, epistaxe, menstruação dolorida e irregular com coágulos, além de distensão e dor abdominal que geralmente é fixa, em pontadas, ou persistente (MACIOCIA, 1996, p.284).
A língua apresenta-se púrpura, especialmente nas laterais, com pontos de coloração púrpura. O pulso está em corda. Tendo como sintomas chaves a língua púrpura e o sangue menstrual com coágulos (MACIOCIA, 1996 ,p.285).
Na MTC o relacionamento entre uma emoção e um sistema é mútuo: a função do Fígado de assegurar o fluxo suave do Qi influência as emoções, e essas, influenciam a função do Fígado.
Alterações na vida emocional é a causa mais importante da estagnação de Qi e de Sangue do Fígado. O estado de frustração, fúria reprimida ou ressentimento por um longo período pode afetar a circulação de maneira que o Qi não consiga fluir suavemente e se torne paralisado resultando na estagnação de Qi do Fígado e conseqüentemente à estagnação de Sangue do Fígado (MACIOCIA, 1996, p.458).
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6 TRATAMENTO DOS SINTOMAS DE NÁUSEA E VÔMITO COM A MTC
A acupuntura é um método terapêutico muito antigo, utilizado no Oriente há mais de 5000 anos, focado no organismo como um todo. Trata-se de um método de prevenção e tratamento de doenças, realizado através da puntura em certos pontos estratégicos da pele e tecidos subjacentes, em diferentes profundidades, com o uso de agulhas ou aplicações de calor (moxa) na superfície do corpo. Neste sentido, a puntura (estímulo) de uma área traz resultados em outra. (SCOGNAMILLO-SZABÓ e BECHARA, 2001)
Uma das terapias alternativas mais difundidas no Ocidente é a acupuntura. Aproximadamente 20% das pessoas na Europa já utilizaram esta técnica como meio de tratamento (FISHER e WARD, 1994). Em pesquisa realizada nos EUA em 1998, 51% dos médicos referiram praticar acupuntura ou recomendar seu uso aos pacientes (ASTIN et al., 1998). Resultados consistentes quanto à eficácia da acupuntura têm sido apresentados em diferentes estudos, com diferentes grupos de pacientes e com diferentes pontos estimulados. (SHANG, 2000)
A acupuntura faz parte de um conjunto de conhecimentos, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC), incluindo portanto outras técnicas como a moxabustão, ventosa, fitoterapia, auriculoterapia, eletroacupuntura. Apesar de tratar-se de um método seguro, alguns cuidados devem ser observados, evitando-se a técnica em gestantes, pessoas desnutridas, muito cansadas ou muito ansiosas, sobre dermatites ou áreas tumorais (AUTEROCHE e AUTEROCHE, 1996, p.215).
Referências sobre a fisiopatologia e tratamento de tumores, pela medicina tradicional chinesa (MTC), podem ser encontrados em alguns textos datados com mais de 2000 anos.
A MTC aborda o câncer não somente tratando o tumor, mas o paciente como um todo, estimulando seu sistema imune, atuando em interações entre o paciente e o tumor, e atenuando os sintomas relativos ao câncer e os efeitos colaterais comumente observados em tratamentos convencionais (TAGLIAFERRI, 2001). Em uma pesquisa feita em Hong Kong sobre as atitudes de paciente com câncer para o tratamento da medicina chinesa, de um total de 786 participantes incluídos no estudo, 42,9% utilizaram somente a medicina ocidental, 57,1%
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utilizaram pelo menos uma forma de medicina chinesa; 5 participantes utilizaram somente a medicina chinesa, e 56,5% utilizavam a medicina chinesa antes, durante e após o tratamento da medicina ocidental (LAM et al., 2009).
Várias técnicas não-farmacológicas foram examinadas em testes como alternativas aos medicamentos antieméticos, que incluem acupuntura, eletroacupuntura, acupuntura a laser, estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS), estimulação pontos de acupuntura, acupressão e gesso capsicum. A maioria dos estudos não-farmacológicas têm-se centrado na estimulação do pulso no ponto de acupuntura Neiguan (CS-6) para reduzir náuseas e vômitos. O ponto de acupuntura Neiguan (CS-6) fica entre o tendão do palmar longo e flexor dos músculos flexor radial, 4 cm proximal à prega do punho. (LEE e FAN, 2009) Segundo Ezzo et al (2006) em uma análise para avaliar a eficácia da acupuntura, na estimulação de pontos que amenizem a náusea e vômito em pacientes submetido à quimioterapia aguda e tardia, onze placebos foram agrupados. Em geral, a acupuntura, com a estimulação do ponto de todos os métodos reduziu a incidência de vômitos aguda em relação ao controle. Por modalidade, a estimulação com agulhas reduz a proporção de vômitos agudos e a severidade da náusea. Eletroacupuntura reduziu a proporção de vômitos agudos. Acupressão reduziu a gravidade média de náusea aguda, mas não dos vômitos agudos ou sintomas tardios. A eletroestimulação não invasiva não mostrou nenhum benefício para qualquer resultado. Todos os ensaios farmacológicos utilizaram antieméticos concomitantemente, exceto ensaios com eletroacupuntura. Assim, esta revisão completa de dados sobre o pós-operatório náuseas e vômitos, sugere um efeito biológico da acupuntura na estimulação do ponto. Conforme Gardani et al (2007) estudos clínicos anteriores já tinham sugerido uma possível eficácia da acupuntura no tratamento de pacientes em tratamento quimioterapêutico, resistentes às drogas clássicas antieméticas. Foi realizado um estudo em 100 pacientes com tumor sólido metastático, que se submeteram à quimioterapia para a doença neoplásica avançada, e que não teve nenhum benefício dos agentes antieméticos padrão, incluindo corticosteróides, antidopaminergics e 5-HT-3R antagonistas. A Acupressão foi feita por uma estimulação de pontos de acupuntura Neiguan (CS-6). A sintomatologia emética foi reduzida pela acupressão em 68/100 (68%) pacientes, sem diferenças significativas em relação ao tipo do tumor. A menor eficácia foi observada em pacientes tratados com regimes contendo
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antraciclinas, sem, no entanto, diferenças estatisticamente significativas em relação a outras combinações quimioterápicas. Assim este estudo confirma os resultados clínicos anteriores, que já havia sugerido a eficácia potencial da acupuntura no tratamento de vômitos devido à quimioterapia. Portanto, acupressão pode ser incluída no sucesso das estratégias terapêuticas de modulação de vômito induzida pela quimioterapia. Gottschling et al (2008) investigaram a acupuntura como uma abordagem de apoio antiemético para reduzir a necessidade de medicação antiemética durante a quimioterapia altamente emêtogénica em oncologia pediátrica. Em 5 hospitais terciários na Alemanha, vinte e três crianças portadoras de câncer maligno foram alocados aleatoriamente para receber tratamento de acupuntura, durante a segunda ou terceira sessão de quimioterapia em conjunto com a medicação antiemética padrão. A principal medida foi a quantidade de medicação antiemética adicionais durante a quimioterapia. O desfecho secundário foi o número de episódios de vômitos por sessão. Quarenta e seis sessões de quimioterapia com ou sem acupuntura foram comparados. A necessidade de medicação antiemética foi significativamente menor nos tratamentos com acupuntura, em comparação com o grupo de controle, os episódios de vômitos por sessão também foram significativamente menores nos tratamentos com acupuntura. Assim acupuntura parece ser eficaz na prevenção de náuseas e vômitos em pacientes de câncer pediátrico.
Os autores Nystrom, Ridderstrom e Leffler (2008) ao realizar um estudo piloto prospectivo observacional para medir as variações de náusea, e também a relação entre a náusea, dor e constipação em pacientes com câncer em estágio paliativo de sua doença. Doze pacientes sofrendo de náuseas e quatro pacientes livres de náuseas participaram do estudo. Os pacientes livres de náusea foram incluídos por terem sido incomodados por náuseas em tratamento anterior de quimioterapia. Os pacientes avaliaram sua intensidade de náusea, dor e constipação em uma escala de avaliação numérica antes de cada uma das 10 sessões de tratamento, com acupuntura no ponto Neiguan (CS-6) ao longo de três semanas, e em dois acompanhamentos durante a semana seguinte. Somente 15 pacientes completaram o estudo. Os resultados obtidos foram uma redução significativa na intensidade de náusea antes da última sessão de tratamento. Três em cada quatro pacientes sem o sintoma de náuseas permaneceram livres de náusea antes da última sessão de
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tratamento com acupuntura. Nenhuma relação foi encontrada entre a náusea, dor e constipação antes, durante ou após o período de tratamento. Assim o estudo demonstrou que o tratamento de acupuntura em pacientes com câncer pode ser associado com uma redução significativa da intensidade de náusea durante um período de quimioterapia em sua fase final de vida. Em um projeto experimental foi observado o efeito terapêutico da acupuntura combinada com antiemético induzida pela cisplatina para náuseas e vômitos. Foram divididos 66 casos de quimioterapia em grupo A e B, com 33 casos em cada grupo. O grupo A, no primeiro ciclo de quimioterapia foram usados tropisetron e a acupuntura. No segundo ciclo foram usados acupuntura placebo e tropisetron. Já o grupo B no primeiro ciclo foram usados tropisetron e a acupuntura placebo e no segundo ciclo foram usados tropisetron e a acupuntura. Para a acupuntura foram selecionados os pontos: Zusanli (E-36), Neiguan (CS-6) e Gongsun (BP-4) e auricular ponto Wei (estômago). Para a acupuntura placebo foram selecionados os pontos 3 cm lateral ao Zusanli (E-36), Neiguan (CS-6) e Gongsun (BP-4) e no ponto auricular correspondente ao nível Scapha. O tratamento com acupuntura e acupuntura placebo foi feito durante 6 dias consecutivos, uma vez por dia e foram dados 5 mg de tropisetron como antiemético aos dois grupos de base como profilaxia antiemética durante 6 dias, uma vez por dia. Os efeitos terapêuticos para náusea e vômito nos 6 dias foram comparados entre o grupo de acupuntura e acupuntura placebo nos dois ciclos de quimioterapia. Foram obtidos taxas efetivas para a náusea nos dias 2 e 4 de 87,1% e 79,0% no grupo da acupuntura, que foram superiores a 59,4% e 57,8% no grupo acupuntura placebo, respectivamente, e os efeitos terapêuticos de vômito no 3º ao 6º dia no grupo da acupuntura foram melhores do que aqueles no grupo acupuntura placebo. Assim conclui-se que a acupuntura combinada com antieméticos pode diminuir efetivamente a incidência e o grau de náuseas e vômitos induzida pela cisplatina e o efeito da acupuntura é melhor do que a acupuntura placebo (SIMA E WANG 2009). Segundo Yang et al (2009) foi comparado os efeitos clínicos entre a eletroacupuntura do ponto Zusanli (E-36) combinada com a aplicação intravenosa de Granisetron e somente a aplicação intravenosa de Granisetron para o tratamento de náuseas e vômitos causados pela quimioterapia do tumor maligno. Em um ensaio clínico controlado randomizado foram utilizados, o grupo de observação (127 casos) foi tratado com a eletroacupuntura no ponto Zusanli (E-36) combinado com o
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antiemético Granisetron, e o grupo controle (119 casos) foi tratado somente com o Granisetron. A taxa total efetiva de 90,5% no grupo de observação, foi superior à de 84,0% no grupo controle, as náuseas e vômitos escores dos dois grupos eram obviamente diminuiu após o tratamento, e o grau de redução do grupo de observação, foi superior ao do grupo controle. Assim a eletroacupuntura no ponto Zusanli (E-36) pode aliviar significativamente os sintomas, como náuseas e vômitos causados pela quimioterapia dos pacientes.
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7 CONCLUSÃO
A Acupuntura é umas das técnicas orientais mais difundidas no ocidente. Sendo utilizada para melhora da qualidade de vida das pessoas.
Este trabalho apresenta a visão oriental embasada nos fundamentos da Medicina Tradicional Chinesa para utilização da Acupuntura no tratamento oncológico, focada no alívio dos sintomas gástricos causados pelos efeitos colaterais da quimioterapia.
Conforme apresenta a literatura científica, para a utilização de técnicas de Acupuntura é necessário uma avaliação individualizada, pois o paciente é tratado como um todo.
De acordo com os dados colhidos deste trabalho, a Acupuntura mostrou bons resultados minimizando, atenuando, modulando e prevenindo as manifestações recorrentes de náusea e vômito em pacientes submetidos a quimioterapia.
A presente monografia sugere novos e mais abrangentes estudos onde se possam demonstrar mais pesquisas para os benefícios no tratamento com Acupuntura. Pois, a Acupuntura como terapia complementar, pode minimizar os sintomas e as manifestações desagradáveis bastante comuns em pacientes que passam por tratamento quimioterapêutico.
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MARIANA JORDAN OKAZAKI MIYATAKE
LUCIANA FERNANDES SOARES
EFEITOS DA ACUPUNTURA NAS INTERCORRÊNCIAS GÁSTRICAS EM PACIENTES ONCOLÓGICOS SUBMETIDOS À QUIMIOTERAPIA
Mogi das Cruzes, SP
2011
UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES
MARIANA JORDAN OKAZAKI MIYATAKE
LUCIANA FERNANDES SOARES
EFEITOS DA ACUPUNTURA NAS INTERCORRÊNCIAS GÁSTRICAS EM PACIENTES ONCOLÓGICOS SUBMETIDOS À QUIMIOTERAPIA
Orientadores: Prof.ª Bernadete Nunes Stolai e
Prof.º Luiz Bernardo Leonelli
Mogi das Cruzes, SP
2011
Monografia apresentada ao programa de Pós–Graduação da Universidade de Mogi das Cruzes como parte dos requisitos para a obtenção do título de Especialista em Acupuntura.
MARIANA JORDAN OKAZAKI MIYATAKE
LUCIANA FERNANDES SOARES
EFEITOS DA ACUPUNTURA NAS INTERCORRÊNCIAS GÁSTRICAS EM PACIENTES ONCOLÓGICOS SUBMETIDOS À QUIMIOTERAPIA
Aprovado em: ………………………………………………………………………………………………….
BANCA EXAMINADORA
Prof.ª Bernadete Stolai Nunes
UMC – Universidade de Mogi das Cruzes
Prof.º Luiz Bernardo Leonelli
UMC – Universidade de Mogi das Cruzes
Prof.ª Romana de Souza Franco
UMC – Universidade de Mogi das Cruzes
Monografia apresentada ao programa de Pós–Graduação da Universidade de Mogi das Cruzes como parte dos requisitos para a obtenção do título de Especialista em Acupuntura.
“Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio – e eis que a verdade se me revela”.
ALBERT EINSTEIN
DEDICATÓRIA
Dedicamos este trabalho primeiramente a Deus, pois sem Ele, nada seria possível e não estaríamos aqui reunidos, desfrutando, juntos, destes momentos que nos são tão importantes.
Aos nossos pais pelo esforço, dedicação e compreensão, em todos os momentos desta e de outras caminhadas.
Aos nossos cônjuges, pelo incentivo, compreensão e apoio em todos os momentos desta importante etapa de nossas vidas.
AGRADECIMENTOS
A Deus, pela força espiritual para a realização desse trabalho.
Aos nossos familiares, pelo apoio, compreensão, ajuda, e, por todo carinho ao longo deste percurso.
Aos meus amigos e colegas de curso, pela cumplicidade, ajuda e amizade.
À professora Bernadete e Professor Luiz Leonelli, pela orientação deste trabalho.
RESUMO
O Câncer é uma doença que acomete milhões de pessoas no mundo todo, sendo um crescimento anormal e descontrolado das células que compõem o organismo. Quando modificadas, estas células se dispõem em formatos diferentes, isso é que irá diferenciar os vários tipos de câncer. O tratamento quimioterapêutico é bastante agressivo e seus efeitos colaterais trazem muitas alterações ao individuo, e duas dessas são: náusea e vômito. A Medicina Tradicional Chinesa aborda o câncer não somente tratando o tumor, mas o paciente como um todo, estimulando seu sistema imune, atuando em interações entre o paciente e o tumor, e atenuando os sintomas relativos ao câncer e os efeitos colaterais comumente observados em tratamentos convencionais. A presente revisão de literatura teve como objetivo analisar quais os benefícios que o tratamento com a Acupuntura traz aos pacientes oncológicos para diminuição dos efeitos das intercorrências gástricas. Vários autores verificaram e avaliaram a eficácia da Acupuntura na estimulação de pontos que amenizam a náusea e vômito em pacientes submetidos à quimioterapia, por exemplo: “Neiguan” CS-6, “Gongsun” BP-4, “Zusanli” E- 36 e auricular ponto “Wei” (Estômago). Com isso notou-se que a Acupuntura pode auxiliar os pacientes oncológicos, como terapia complementar, com intuito de minimizar os desagradáveis sintomas no tratamento da quimioterapia.
Palavras-chave: câncer, vômitos, náuseas, Acupuntura.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO…………………………………………………………………………………………….8
2 METODOLOGIA…………………………………………………………………………………………11
3 CÂNCER NA VISÃO OCIDENTAL………………………………………………………………..12
3.1 TRATAMENTO COM QUIMIOTERAPIA……………………………………………17
4 FUNDAMENTOS DA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA (MTC)…………………..19
5 CÂNCER NA MTC…………………………………………………………………………………….23
5.1 ESTAGNAÇÃO DE QI…………………………………………………………………..24
5.2 ACÚMULO DE FLEUMA (TANYIN)………………………………………………..26
5.3 O CALOR – UMIDADE NO FÍGADO E NA VESÍCULA BILIAR…………..26
5.4 ESTAGNAÇÃO DE SANGUE………………………………………………………..27
6 TRATAMENTO DOS SINTOMAS DE NÁUSEA E VÔMITO COM A MTC………..28
7 CONCLUSÃO…………………………………………………………………………………………….34
REFERÊNCIAS…………………………………………………………………………………………..35
8
11
12
17
18
22
23
24
25
25
27
32
33
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1 INTRODUÇÃO
O Câncer é uma doença que atinge milhões de pessoas no mundo todo. O tratamento é feito por meio de diversos medicamentos que causam aos pacientes vários efeitos colaterais desconfortantes, além das alterações de vida mexendo com um amplo campo; emocional, social e espiritual. Esta difícil fase na vida do paciente merece respeito para que haja melhora da sua autonomia e qualidade de vida.
A quimioterapia representa um avanço na cura e controle do câncer, aumentando a expectativa de vida do paciente. É essencial, no entanto, que os profissionais de saúde que atuam nessa área tornem efetiva sua orientação quanto aos objetivos e efeitos colaterais do tratamento quimioterápico, além, sobretudo, de oferecer apoio emocional.
Dois dos efeitos colaterais causados pela quimioterapia são a náusea e o vômito, que incomodam os pacientes e levam muitas vezes a desistência do tratamento. Segundo Collins e Thomas (2004) mesmo com os melhores agentes farmacológicos antiemético, 60% dos pacientes com câncer continuam a sentir náuseas e vômitos, quando submetidos a tratamentos de quimioterapia.
Segundo recente relatório da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC) / Organização Mundial da Saúde (OMS), o impacto global do câncer mais que dobrou em 30 anos. Estimou-se que, no ano de 2008, ocorreriam cerca de 12 milhões de casos novos de câncer e 7 milhões de óbitos. O contínuo crescimento populacional, bem como seu envelhecimento, afetará de forma significativa o impacto do câncer no mundo. Esse impacto recairá principalmente sobre os países de médio e baixo desenvolvimento. A IARC/OMS estimou que, em 2008, metade dos casos novos e cerca de dois terços dos óbitos por câncer ocorrerão nessas localidades. (INCA, 2009)
No Brasil, as estimativas, para o ano de 2010, foram válidas também para o ano de 2011, e apontaram para a ocorrência de 489.270 casos novos de câncer. Os tipos mais incidentes, à exceção do câncer de pele do tipo não melanoma, foram os cânceres de próstata e de pulmão no sexo masculino e os cânceres de mama e do colo do útero no sexo feminino, acompanhando o mesmo perfil da magnitude observada para a América Latina. (INCA, 200
9
9).
Dados indicaram que em 2010, ocorreram 236.240 casos novos para o sexo masculino e 253.030 para sexo feminino. O câncer de pele do tipo não melanoma (114 mil casos novos) o mais incidente na população brasileira, seguido pelos tumores de próstata (52 mil), mama feminina (49 mil), cólon e reto (28 mil), pulmão (28 mil), estômago (21 mil) e colo do útero (18 mil) de observada no mundo. (INCA, 2009)
O diagnóstico do câncer implica não somente a descoberta das alterações teciduais já instaladas, mas, muitas vezes, mudanças psíquicas e comportamentais naqueles que o carregam. Não raramente, o medo do tratamento, da quimioterapia e de todas as possíveis complicações faz com que o paciente se afaste de seu meio e busque, inconscientemente, o isolamento. (FRIEDRICH et al, 2000, p. 198) Somam-se às ocorrências descritas anteriormente as complicações decorrentes da própria doença e de seu tratamento agressivo, tais como: fraqueza muscular, náuseas, vômitos, alterações cardiovasculares e respiratórias, e as mais incapacitantes delas: a dor e a fadiga. Toda essa combinação pode levar aos sentimentos de depressão e angústia e causar piora do prognóstico do indivíduo. (MOTA e PIMENTA, 2002)
A avaliação da Qualidade de Vida (QV) na Oncologia pode auxiliar na decisão sobre a efetividade do tratamento, melhorar a tomada de decisão do paciente através do esclarecimento dos efeitos colaterais do tratamento, servir como fator prognóstico para analisar os sintomas e/ou as necessidades de reabilitação, identificar os aspectos de impacto na sobrevida dos pacientes, a estimativa de custo-efetividade (auxilia na decisão de onde e quando investir os recursos existentes), melhorar a organização e a qualidade do cuidado, o desenvolvimento e a regulamentação de medicações, para conhecer as prioridades dos pacientes. (ARAÚJO et al, 2009)
A acupuntura é uma técnica que envolve a inserção de agulhas finas sobre a pele e tecido abaixo dela em pontos específicos, com propósitos terapêuticos ou prevenção cujo protocolo clínico desenvolvido para uso da acupuntura no tratamento de pacientes com câncer prevê suas indicações e algumas contra-indicações para esta prática (FILSHIE e HESTER, 2006).
Como técnica de inserção de agulhas a Acupuntura tem a finalidade de promover a mobilização, a circulação e o fortalecimento das energias humanas, bem
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como a expulsão de Energias Perversas que acometem o individuo (YAMAMURA, 2004).
Assim, este trabalho foi elaborado baseando na literatura de pesquisa com o objetivo de verificar a atuação da acupuntura sobre a diminuição dos efeitos de náusea e vômito em pacientes oncológicos submetidos ao tratamento quimioterápeutico.
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2 METODOLOGIA
Foi desenvolvido um levantamento bibliográfico minucioso de revistas cientificas e periódicos sobre o tema abordado, abrangendo o período de 1992 à 2011, nas bases de dados da Bireme (Biblioteca Regional de Medicina), no banco de dados da Scielo, Medline, Pubmed, CAPES e Biblioteca da Universidade de Mogi das Cruzes.
Foram incluídos nos resultados os artigos que utilizarão a acupuntura para alívio dos efeitos colaterais da quimioterapia nos sinais e sintomas de náusea e vômito, com resultados tanto positivos quanto negativos.
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3 CÂNCER NA VISÃO OCIDENTAL
Câncer é o nome dado a um grupo de doenças malignas caracterizadas pelo crescimento anormal e descontrolado de células que sofreram alteração em seu material genético, em algum momento de seu ciclo celular. Essas células geneticamente modificadas podem invadir os tecidos e órgãos, espalhando-se para outras regiões do corpo. (ROBBINS, 1996, p. 213)
O câncer é causado, por mutação ou por ativação anômala dos genes celulares que controlam o crescimento e a mitose celulares. Muitos oncogenes diferentes já foram identificados. Também existem os antioncogenes capazes de suprimir a ativação de oncogenes específicos. Logo, a perda ou a inativação de antioncogenes pode permitir a ativação de oncogenes, causando o câncer. Somente uma fração diminuta das células corporais que sofrem mutação leva ao câncer. Existem diversas razões para isso: (1) A maioria das células mutantes apresenta menor capacidade de sobrevida que as células normais e, portanto, simplesmente morrem; (2) Apenas algumas das células mutantes que sobrevivem se tornam neoplásicas, visto que a maioria delas ainda conserva os controles normais por feedback que inibem o crescimento excessivo; (3) Aquelas células que são potencialmente neoplásicas, com freqüência, são destruídas pelo sistema imune do corpo, antes de formarem um tumor. Isso ocorre do seguinte modo: a maioria das células mutantes forma proteínas anormais no interior de seus corpos celulares, e essas proteínas, estimulam o sistema imune, levando a formar anticorpos ou linfócitos, sensibilizados contra as células neoplásicas, destruindo-as dessa forma; (4) Em geral, diversos e distintos oncogenes ativados são necessários, todos atuando ao mesmo tempo, para causar câncer. Por exemplo, um desses genes pode promover a reprodução acelerada de uma linhagem celular, mas não ocorre câncer, por não haver, simultaneamente, um gene mutante necessário á formação de vasos sanguíneos. (GUYTON e HALL, 2002, p.34)
Segundo o mesmo autor trilhões de células são formadas a cada dia em todos os indivíduos, e não se desenvolve grandes quantidades de células mutantes neoplásicas, pois, em cada célula, há grande precisão na replicação dos filamentos cromossômicos de DNA, e, também existe um processo de “leitura das provas” que corta e repara filamentos anormais de DNA, antes que ocorra a mitose. Contudo, a
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respeito de todas essas precauções celulares, provavelmente uma célula recém- formada, em cada alguns milhões, tem características mutantes significativas.
A probabilidade de mutações pode aumentar quando o indivíduo é exposto a determinados fatores químicos, físicos ou biológicos, como: (1) A radiação ionizante, como os raios X, raios gama e radiação de partículas de substâncias radioativas e, até mesmo, a luz ultravioleta pode predispor ao câncer. Os íons formados nas células teciduais sob influência dessas radiações são muito reativos e podem romper os filamentos de DNA, produzindo, por isso, muitas mutações; (2) Alguns tipos de substâncias químicas também apresentam muita propensão para causar mutações. Os carcinógenos que causam o maior número de mortes em humanos nas sociedades atuais são os dos cigarros; (3) Irritantes físicos também podem levar ao câncer, como a abrasão continuada de revestimento do trato digestivo por certos tipos de alimentos. A lesão desses tecidos leva à reposição mitótica muito rápida dessas células. Quanto mais rápida for a mitose, maior a probabilidade de mutações; (4) Existem tendências hereditárias para o câncer. Nas famílias particularmente predispostas ao câncer, presume-se que um ou mais genes já tenham mutado no genoma herdado. Logo, um número bem menor de mutações adicionais deve ocorrer nesses indivíduos antes que o câncer comece a crescer; (5) Certos tipos de vírus podem causar algumas formas de câncer, inclusive leucemia. Primeiro, no caso dos vírus de DNA, o filamento de DNA do vírus pode se inserir diretamente em um dos cromossomos, produzindo, dessa maneira, a mutação que leva ao câncer. No caso dos vírus de RNA, alguns deles carregam consigo uma enzima, chamada transcriptase reversa, que faz com que o DNA seja transcrito a partir do RNA. Então, o DNA assim transcrito se insere no genoma do animal, levando ao câncer. (GUYTON e HALL, 2002, p. 34)
As células neoplásicas são bastante invasivas. As principais diferenças entre as células neoplásicas e as normais são: (1) as células neoplásicas não respeitam os limites normais do crescimento celular; a razão para isso é que essas células não precisam dos mesmos fatores de crescimento necessários para produzir o crescimento das células normais; (2) as células neoplásicas se aderem umas às outras com intensidade muito menor do que fazem as células normais. Por conseguinte, elas têm tendência a vagar pelos tecidos para atingir a corrente sanguínea e serem transportadas por todo o corpo, onde vão formar ninhos para novos e numerosos crescimentos cancerosos; (3) alguns cânceres também
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produzem fatores angiogênicos que promovem o crescimento de vasos sanguíneos no interior dos tumores, suprindo, por esse meio, os nutrientes necessários ao seu crescimento. (GUYTON e HALL, 2002, p. 35)
O tratamento oncológico deve ser instituído o mais precocemente possível e deve também ser definido de acordo com as situações clínicas apresentadas durante a evolução da doença, visando, assim, a uma melhor qualidade de vida do paciente. Diante disso, torna-se necessário promover um sistema de suporte ao paciente oncológico para que ele possa viver da forma mais ativa possível e sentir-se satisfeito em suas atividades. (PIMENTA, 2003) Nesse contexto, a atuação multi e interdisciplinar contribui de maneira bastante efetiva para o sucesso do tratamento do câncer, já que consegue abordar as necessidades do indivíduo de forma específica e, ao mesmo tempo, global.
Segundo Chevalier-Martinelli (2006), o princípio da quimioterapia é atingir e destruir as células malignas que têm a capacidade de se multiplicar indefinidamente. Todos os medicamentos anticancerígenos que participam dessa destruição têm toxicidade mais ou menos intensa, capaz de afetar a composição sanguínea, a pele, os pelos e outros órgãos. Quanto maior a dose, maior a chance de destruir um grande número de células malignas – e também maior o risco de atingir células sadias.
Ballatori e Roila (2003) revisaram o impacto negativo que náuseas e vômitos pós-quimioterapia têm sobre a QV dos pacientes, podendo causar fissuras esofágicas, má nutrição, distúrbios hidroeletrolíticos e até mesmo a recusa dos pacientes em prosseguirem nos ciclos quimioterápicos. Esse impacto é sentido principalmente nos quesitos físico ou corporal das mais variadas escalas de QV utilizadas. Esquemas quimioterápicos com menor probabilidade de náuseas ou vômitos e o asseguramento de esquemas seguros e eficientes de antieméticos têm impacto nessa questão. Salienta-se que, atualmente, devido a novas medicações antieméticas, a taxa de náuseas e vômitos seja de menos de 10%.
A náusea foi definida como uma experiência desagradável, mas não dolorosa, geralmente localizada na garganta e na parte superior do estômago, o que dá uma sensação de vômito que pode ser iminente. Em cuidados paliativos de pacientes com câncer a náusea é um sintoma comum e foi relatado que aproximadamente 40 – 70% deles sofrem de constante ou náusea intermitente na fase final da vida. (NYSTROM, RIDDERSTROM, LEFFLER, 2008)
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Há 20 anos, náuseas e vômitos foram considerados inevitáveis conseqüências adversas da quimioterapia e responsável por 20-25% de abandono do tratamento antineoplásico (JORDAN, KASPER, SCHMOLL, 2005). Apesar dos avanços nas áreas farmacológicas e não-farmacológicas os cuidado com a náusea e o vômito são ainda alguns dos mais temidos e preocupação sintomas para o paciente e sua família. Esta toxicidade deve ser evitada e adequadamente, caso ocorra, utilize uma metodologia adequada para avaliação e tratamento. O controle desses sintomas aumenta a QV dos pacientes que receberam quimioterapia e é um esteio no tratamento.
Drogas são uma das causas principais de náusea e vômitos. Muitas drogas atuam na zona de gatilho da quimioterapia na área postrema, no assoalho do 4º ventrículo, induzindo náusea e vômitos. Os efeitos adversos da náusea e vômitos induzidos por droga no caso do tratamento do câncer, incidindo sobre o estado nutricional já comprometido pela doença, podem ser seriamente agravados, com a fadiga, a redução da massa muscular, e o aumento da suscetibilidade à infecções, com conseqüências potencialmente fatais. (EDELMAN, LUM, GANDARA, 2000) Segundo Bonassa e Santana (2005) a náuseas e vômitos são os sinais e sintomas mais prevalentes em relação à toxicidade gastrintestinal decorrentes da quimioterapia antineoplásica. Podem afetar a condição nutricional, o equilíbrio hidroeletrolítico e a qualidade de vida do paciente, aumentando ansiedade e estresse, resultando no atraso ou até abandono do tratamento. Na última década ocorreram avanços importantes para compreensão da fisiologia de náuseas e vômitos induzidos pela quimioterapia, principalmente no que tange ao papel da serotonina no mecanismo antiemético. No entanto, estima-se que ainda um terço dos pacientes sob terapia oncológica não respondam plenamente à terapêutica antiemética disponível. Os principais agentes eméticos desse tipo são os agonistas da dopamina, os analgésicos opióides, as preparações digitálicas, e os quimioterápicos do câncer. Algumas drogas lesam a mucosa gástrica, como os antiinflamatórios não hormonais, induzindo náusea e vômitos por ativação de reflexos ascendentes para o centro do vômito a partir do tubo digestivo. O álcool atua dessa forma, e também sobre a zona de gatilho da quimioterapia. Alguns agentes quimioterápicos também estimulam uma grande liberação de serotonina no intestino, ativando o centro do vômito também pela via vagal aferente. A náusea e vômitos induzidos por drogas ocorrem com
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maior freqüência em pacientes com história de náusea e vômitos de viagem. (LEE e FELDMAN, 1998)
Segundo García et al. (2005) como os outros reflexos orgânicos, a náusea e o vômito apresentam um componente aferente, uma central de integração e um componente eferente. A integração é feita no centro do vômito (CV), estrutura funcional localizada na formação reticular lateral da medula. Essa estrutura recebe os estímulos dos vários sítios localizados em todo o trato gastrointestinal através de aferentes vagal e simpático, centros cerebrais superiores e da zona quimiorreceptora do gatilho. Estímulos adicionais são enviados do labirinto, útero, pelve renal e bexiga. O período anterior ao ato de vomitar compreende a náusea e vários outros sinais autônomos característicos como salivação, palidez, dilatação pupilar, bradicardia ou taquicardia e variações da pressão arterial. A ventilação torna-se profunda, rápida e irregular. O processo do vômito deve ser diferenciado da regurgitação, evento passivo de transferência do conteúdo gástrico até a faringe. Ao contrário da regurgitação, o vômito necessita que um determinado limiar de estimulação do CV seja atingido.
Essa estimulação é sempre indireta, pois não se conhece ação direta de qualquer composto nesse centro. Os impulsos eferentes são enviados pelo quinto, sétimo, nono, décimo e décimo – segundo nervos cranianos, nervos frênicos e nervos espinhais para o esôfago, estômago e diafragma. Essa atividade eferente é responsável por muitas das alterações autônomas que acompanham a êmese. Após a chegada dos impulsos eferentes na periferia, ocorre uma série de eventos estereotipados que envolvem: o abaixamento do diafragma e contração da musculatura abdominal após inspiração profunda, com o conseqüente aumento da pressão intragástrica; contração do piloro, prevenindo o esvaziamento gástrico para o duodeno; relaxamento do fundo gástrico, cardia e esfíncter esofágico inferior, forçando o conteúdo em direção ao esôfago; a laringe e o osso hióide movem-se para cima e para frente, acelerando o movimento do conteúdo gástrico, para cima; o pálato mole eleva-se, prevenindo a entrada do vômito no nasofaringe; a glote fecha-se, prevenindo a aspiração para a traquéia; após o fechamento da glote a pressão intratorácica aumenta, exercendo pressão no esôfago; o esôfago contrai-se e impulsiona o conteúdo em direção à boca. (GARCIA et al.,2005)
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3.1 TRATAMENTO COM QUIMIOTERAPIA
Segundo Instituto Nacional do Câncer – INCA (2010) a quimioterapia é o método que utiliza compostos químicos, chamados quimioterápicos, no tratamento de doenças causadas por agentes biológicos. Quando aplicada ao câncer, a quimioterapia é chamada de quimioterapia antineoplásica ou quimioterapia antiblástica. O primeiro quimioterápico antineoplásico foi desenvolvido a partir do gás mostarda, usado nas duas Guerras Mundiais como arma química. Após a exposição de soldados a este agente, observou-se que eles desenvolveram hipoplasia medular e linfóide, o que levou ao seu uso no tratamento dos linfomas malignos. A partir da publicação, em 1946, dos estudos clínicos feitos com o gás mostarda e das observações sobre os efeitos do ácido fólico em crianças com leucemias, verificou-se avanço crescente da quimioterapia antineoplásica. Atualmente, quimioterápicos mais ativos e menos tóxicos encontram-se disponíveis para uso na prática clínica. Os avanços verificados nas últimas décadas, na área da quimioterapia antineoplásica, têm facilitado consideravelmente a aplicação de outros tipos de tratamento de câncer e permitido maior número de curas.
A quimioterapia antineoplásica consiste na utilização de agentes químicos, isolados ou em combinação, com finalidade de eliminar células tumorais do organismo. Por se tratar de tratamento sistêmico, age indiscriminadamente nas células em rápida proliferação, ocasionando reações adversas. Faz-se necessário o conhecimento dos tratamentos dessas reações para que se possa intervir visando à melhoria da qualidade de vida e minimizando efeitos colaterais. (FONSECA et al, 2000, p. 164)
A quimioterapia não é apenas utilizada para casos oncológicos, é também utilizada para tratamentos de psoríase, esclerose múltipla, artrite reumatóide e alguns tipos de insuficiência renal (BARACAT et al., 2000, p.120)
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4 FUNDAMENTOS DA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA
A acupuntura foi idealizada dentro do contexto global da filosofia do Tao e das concepções filosóficas e fisiológicas que nortearam a Medicina Tradicional Chinesa (MTC). A concepção dos canais de Energia e dos pontos de acupuntura, o diagnóstico energético e o tratamento baseam-se nos preceitos do Yin e do Yang, dos Cinco elementos, da Energia (Qi) e do Sangue (Xue) (YAMAMURA, 2004, p.57).
Os princípios do Yin e Yang estão presentes em todos os aspectos da teoria chinesa. São utilizados para explicar a estrutura orgânica do corpo humano, as suas funções fisiológicas, as leis referentes à causa e à evolução das doenças, para servir de guia no diagnóstico e no tratamento clinico (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p. 17).
Segundo Macciocia (1996, p.38) o modelo de correspondência dos 5 elementos é amplamente utilizado no diagnóstico, sendo baseado sobretudo na correspondência entre os Elementos (Zang Fu).
Auteroche e Navailh (1992, p.23) relatam que a teoria dos cinco elementos considera que o universo é formado pelo movimento e a transformação dos cinco princípios: a Madeira, o Fogo, a Terra, o Metal e a Água.
A MTC considera a função do corpo e da mente como resultado da interação de determinadas substâncias vitais. Essas substâncias manifestam-se em vários níveis de “substancialidade”, de maneira que algumas delas são muito rarefeitas e outras totalmente imateriais. O corpo e a mente não são vistos como um mecanismo, mas como um círculo de energia e substâncias vitais interagindo uns com os outros para formar o organismo (MACIOCIA, 1996, p. 51).
A base de tudo é o Qi (Energia): todas as outras substâncias vitais são manifestações do Qi em vários graus de materialidade, variando do completamente material, tal como fluidos corpóreos (Jin Ye), para o totalmente imaterial, tal com a Mente (Shen). O Qi dos seres humanos é resultado da interação do Qi do Céu e da Terra, havendo assim interação entre o Qi dos seres humanos e as forças naturais. A medicina Chinesa enfatiza o relacionamento entre os seres humanos e seu meio
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ambiente, e leva isto em consideração para determinar a etiologia, o diagnostico e o tratamento (MACIOCIA, 1996, p. 50).
De acordo com os chineses, há muitos “tipos” diferentes de Qi no homem, variando do mais tênue e rarefeito ao mais denso e duro. Todos os tipos de Qi, todavia são na verdade um único Qi, que simplesmente se manifesta de diferentes formas. O Qi modifica-se em sua forma de acordo com a localização e função. Embora seja fundamentalmente o mesmo, o Qi coloca “diferentes vestimentas” em diversos lugares e assume inúmeras funções (MACIOCIA, 1996, p. 52).
O Sangue (Xue) na MTC é em si mesmo uma forma de Qi muito denso e material. A principal função do sangue consiste em nutrir o organismo, complementando a ação nutriente do Qi. Além disso, o Sangue também possui a função de hidratar, o que o Qi não possui. O Coração (Xin), o Baço e o Fígado são os sistemas mais importantes em relação ao sangue. O Coração governa o Sangue, o Baço controla o Sangue e o Fígado armazena o Sangue (MACIOCIA, 1996, p. 68).
O mesmo autor sita que há um relacionamento muito próximo entre o Qi e o Sangue. O Qi gera o Sangue uma vez que o Qi dos Alimentos é a base do Sangue, e também o Qi do Pulmão é essencial para a produção do Sangue. O Qi movimenta o Sangue, visto que sem o Qi, o Sangue seria uma substância inerte, logo, se o Qi é deficiente ou estagnante, não pode impulsionar o Sangue, sendo que este também estagna. O Qi Controla o Sangue nos Vasos Sanguíneos (Xue Mai) prevenindo hemorragias, apesar de essa ser uma função primária do Baço. O Sangue nutre o Qi e providencia uma base material e “densa” que previne o Qi de “flutuar” e originar sintomas de Calor-Vazio. O Sangue e a Essência (Jing) afetam-se mutuamente, uma vez que a Essência é importante na formação do Sangue, que por sua vez, nutre e abastece continuamente a Essência.
A principal função do Baço (Pi) consiste em auxiliar a digestão do Estômago (Wei), por meio do transporte e da transformação das Essências (Jing) alimentares, absorvendo a nutrição dos alimentos e separando as partes puras das impuras (YAMAMURA, 2004, p. 117).
Segundo Yamamura, (2004, p. 119), o Baço (Pi) produz um efeito de “elevação” ao longo da linha media do corpo. Esta é a força que faz os sistemas
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internos permanecerem no local correto. Se o Qi do Baço é deficiente e sua função de “elevar o Qi” estiver deficiente poderá ocorrer prolapso de vários órgãos tais como: útero, estômago, rim, bexiga ou ânus. O movimento ascendente do Qi do Baço (Pi) é coordenado com movimento descendente do Qi do Estomago (Wei). A união dos dois é importante para o movimento adequado do Qi no organismo durante a digestão de maneira que o Qi puro é direcionado em ascendência pelo Baço (Pi) e o Qi impuro em descendência pelo Estômago (Wei). O Qi conecta-se em ascendência com Pulmão (Fei) e o Coração (Xin) e em descendência com Fígado (Gan) e o Rim (Shen). Somente se estes movimentos ascendentes do Qi forem coordenados, poderá o Yang puro ascender para o orifício (órgão dos sentidos) superiores e Yin impuro descender para os dois orifícios inferiores. Se os movimentos descendentes e ascendentes estiverem debilitados, o Yang puro não ascenderá o Qi refinado extraído dos alimentos não poderá ser estocado e o Qi impuro não poderá ser excretado. O Estomago (Wei) e o Baço (Pi) são pertencentes ao elemento Terra, se for tonificado também tonificará indiretamente todos os outros sistemas.
O Baço está situado no aquecedor médio suas principais funções são de dirigir o transporte e a transformação da essência dos alimentos (Jing Qi), fez a subida do que é puro e contem o sangue nos vasos (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p.68 ).
A preocupação ou excesso de concentração é uma “emoção” relacionada com elemento Terra. O uso excessivo de nossas faculdades mentais e o estudo podem resultar na Deficiência de Baço (YAMAMURA, 2004, p. 41).
O mesmo autor afirma que o Qi deficiente do Estomago (Wei) falhará ao descender, causando uma sensação vagamente desconfortável no epigástrio e debilidade nos membros, condição de deficiência (se for decorrente de uma condição de Excesso, será sensação forte de desconforto, dor, náuseas). De acordo com a MTC a atividade mental e a consciência residem no Coração (Xin), elemento Fogo. Significa que um Coração (Xin) saudável é essencial para o suprimento adequado do Sangue (Xue) deficiente podem ocorrer alterações mentais, (como depressão), falte de memória, pensamento afetado, insônia ou sonolência, em casos extremos a inconsciência.
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O elemento metal que é o Pulmão (Fei) governa o Qi e a respiração, controla os vasos sanguíneos (Xue – Mai) onde Qi do Pulmão (Fei) auxilia o Coração (Xin) no controle da circulação sanguínea. Tendo um papel vital nos movimentos dos Fluidos Corpóreos (Jin Ye). Se o Qi do Pulmão (Fei) é fraco o Qi não será capaz de empurrar o sangue (Xue) para os membros, assim as mãos ficarão frias. Se a função do Pulmão (Fei) de dispersar os Fluidos Corpóreos (Jin Ye) for obstruídas podem se acumular sob a pele causando edema. Tendo as funções dispersoras o Pulmão (Fei) é, portanto responsável pela excreção dos Fluidos Corpóreos (Jin Ye) serão eliminados por meio da sudorese e da urina. Em um nível emocional é diretamente afetada pelas emoções de tristeza, lamento e depressão nas quais obstruem seus movimentos afetando a Alma Corpórea (YAMAMURA, 2004, p. 109- 114).
O Fígado (Gan) elemento madeira é um dos sistemas mais importantes para o armazenamento do Sangue (Xue) no organismo inteiro a qualquer tempo. Se, por outro lado, a função do Fígado (Gan) for anormal afetará a qualidade de Sangue (Xue), causando determinados tipos de patologia, ex: cansaço, problemas de pele, alterações ginecologias, visão turva, câimbras musculares, contrações nos tendões, etc (YAMAMURA, 2004, p. 101).
Afirma ainda que de acordo com os cinco elementos o Rim (Shen) pertence a água, é referido como a Raiz da Vida. Isto porque armazena a Essência (Jing) que é parcialmente derivada dos pais, estabelecida na concepção. É o fundamento essencial para o nascimento, crescimento e produção. A debilidade dos Rins (Shen) resulta pouca vitalidade, infertilidade ou debilidade sexual, ossos fracos. Pois os Rins (Shen) determinam a força física e mental do individuo e também a força de vontade.
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5 CÂNCER NA VISÃO ORIENTAL
Yamamura (2004, p. 8) refere que o fluxo energético dos Canais de Energia refletem o estado dos Zang Fu (órgãos/vísceras), assim como as alterações energéticas ocasionais do meio ambiente. Os canais de Energia Principais e seus pontos de acupuntura são sede de manifestações interiores, assim como o local para a entrada das Energias Perversas. Todos esses fatores alteram a quantidade, a qualidade e o fluxo de Qi nos Canais de Energia, podendo ocasionar o aparecimento de manifestações clínicas, conseqüências a falta ou excesso de Qi ou mesmo pela estagnação de Qi e de Xue (sangue).
O Qi e o Xue são transportados pelos Canais de Energia, cuja circulação obedece aos princípios da polaridade Yang- Yin, do movimento alto e baixo (subida e descida) das contraturas e relaxamento musculares. Por meio desses fenômenos o Qi circula nos canais de Energia e o Xue circula nos vasos sanguíneos, promovendo a nutrição, a defesa, à harmonização energética dos Órgãos, das Vísceras e dos Tecidos. (YAMAMURA, 2004, p. 7)
A circulação debilitada pode resultar na condensação excessiva de Qi, o que significa que o Qi se transforma patologicamente em denso, formando tumores, massas ou aumentos de volume (MACIOCIA, 1996, p.127).
Os tumores viscosos (TanYin) e os acúmulos de sangue (Yu Xue) são produções patológicas consecutivas a um mau funcionamento de órgãos, porém como essas formações podem direta ou indiretamente, agredir as vísceras (Zang Fu) e os tecidos orgânicos, podem ser consideradas como verdadeiros os fatores patogênicos. As mucosidades e os tumores viscosos são produtos da interrupção parcial do metabolismo dos líquidos orgânicos, provocando uma condensação dos tumores. Tem-se o hábito de chamar “Mucosidade (Tan) o que é espesso e Tumores (Yin) o que é fluído. Por outro lado, chama-se ”Mucosidade e tumores viscosos sem aparência material” (Wu Xing Zhi Tan Yin), as manifestações patológicas que apresentam sintomas, tais como: vertigens, ofuscações, náuseas, vômitos, respiração curta, palpitações, demência, perde de sentido, confusão mental: isso, sem que a haja sinais exteriores de tumores viscosos ou mucosidade (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p. 128-129).
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Há 3 causas possíveis à formação dos tumores e das mucosidades: A propensão por álcool e alimentos condimentados (açucarados e gordos) acumula a umidade que se condensará em tumores e mucosidades sob a influência do calor; um ferimento interno causado pelas emoções pode acarretar a estagnação do Qi do Fígado (Gan). Esta estagnação poderá se transformar em Fogo, o qual diminuirá e concentrará os líquidos orgânicos, transformando-os em mucosidade e tumores; a atividade funcional dos órgãos Pulmão (Fei), Baço (Pi) e Rins (Shen), pode ficar embaraçada, a circulação pela Via das águas do Triplo Aquecedor pode ser estorvada, o que afetará a distribuição e a drenagem dos líquidos orgânicos. Com efeito; se o Pulmão não efetuar mais sua função de “difusão – descida”, os líquidos orgânicos não podem ser distribuídos e se acumulam; se o Baço não efetuar mais sua atividade de “transporte-transformação”, a água e a umidade não mais circulam e se acumulam; se os Rins não cumprirem mais sua ação no controle da água, esta não mais poderá ser transformada e vai se acumular; se o Triplo Aquecedor não mantiver mais sua atividade de passagem, a água e o Qi estagnam e se juntam. Em todos os casos, essa concentração de água e de umidade se transformará em tumores e mucosidades (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p. 129).
Há quatro patologias relacionadas ao câncer: Estagnação de Qi, Acúmulo de Fleuma (TanYin), Calor – Umidade do fígado e na Vesícula Biliar, Estagnação de Sangue.
5.1 ESTAGNAÇÃO DE QI
Tumores abdominais que aparecem e desaparecem e sem formato definido são manifestações da estagnação do Qi, além de sensação de distensão, dor em distensão que se move de um lado para outro, depressão mental, irritabilidade, sensação de tristeza, mudanças de humor, bocejos freqüentes, pulso em corda ou apertado e língua levemente púrpura. A sensação de distensão pode afetar hipocôndilo, epigástrio, garganta, abdome e hipogástrio, sendo os sintomas mais característicos e importantes da Estagnação de Qi. O Fígado é o Sistema mais afetado pela estagnação de Qi (MACIOCIA, 1996, p.281).
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Essas produções de tumores e mucosidades podem realizar-se em todas as partes do corpo, criar perturbações em todos os órgãos, ou então estorvar o funcionamento normal do Qi (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p. 130).
Maciocia, (1996, p. 458), também afirma que em todos os casos de massas abdominais, há sempre um Deficiência latente de Qi. O Qi deficiente falha ao transportar e transformar e, gera a Estagnação de Qi e sangue, assim permitindo que as massas de formem.
5.2 ACÚMULO DE FLEUMA (TANYIN)
A Fleuma origina-se de uma disfunção do Baço de transformar e transportar os fluidos, enquanto a estase de Sangue é normalmente causada pela Estagnação de Qi. Ambas são, portanto fatores patogênicos. Em condições crônicas, tornam-se, causas adicionais das patologias em si mesmas (MACIOCIA, 1996, p. 321).
O Pulmão e o Rim também estão envolvidos na formação da fleuma. Se o Pulmão falhar ao dispersar e descender os Fluidos Corpóreos e se o Rim falhar ao transformá-los e excretá-los, estes poderão se acumular e se transformar em fleuma. A fleuma afeta primariamente as partes média e superior do organismo. A fleuma pode “obscurecer” a Mente causando alterações mentais (MACIOCIA, 1996, p.344). Assim também cita Auteroche e Navailh, (1992, p. 102), quando existe uma fraqueza na capacidade de se transporte e transformação do Baço, a umidade se concentra e se transforma em humores viscoso (TanYin). Este estado afetará a difusão e descida do Qi do Pulmão e causará: tosse asmática, abundância de viscosidade e de mucosidade.
O mesmo autor acumulo de Fleuma causam massas abdominais macias, que podem ter a forma de faixas, distensão abdominal, obstipação ou diarréia, pouco apetite, náusea e sensação de plenitude. Os sinais da língua são: inchada, com revestimento pegajoso e escorregadio e o pulso escorregadio.
Há dois tipos de Fleuma: a substancial, que pode ser vista, tal como expectoração; e a não substancial, que pode ser retida no subcutâneo ou nos meridianos.
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5.3 O CALOR – UMIDADE NO FÍGADO E NA VESÍCULA BILIAR
O acúmulo de Umidade nos Meridianos do Fígado e da Vesícula Biliar obstrui o fluxo suave do Qi e causa a Estagnação do Qi do Fígado resultando em distensão, dor no epicôndilo e no tórax. A umidade pode obstruir o fluxo da bile que se acumula e flui em abundância sob a pele causando a icterícia (MACIOCIA, 1996, p.296).
A estagnação do Qi do Fígado deriva do acúmulo de Umidade, faz o Qi do Fígado invadir o Estomago (Wei) e origina náusea, vômito, anorexia e distensão abdominal (MACIOCIA, 1996,p. 282).
Conforme Maciocia (1996, p. 324) este padrão origina-se de uma combinação do calor no Fígado e da Umidade surgindo da Deficiência do Baço. A deficiência do Baço é provavelmente o padrão mais comum no geral, portanto, é uma pré-condição para que este padrão se manifeste. O consumo excessivo de alimentos oleosos ou uma dieta e estilo de vida irregular são algumas das causas da deficiência de Baço. A estagnação persistente da Qi do Fígado pode conduzir ao Calor do Fígado que combina com a Umidade. Qualquer uma das causas da Estagnação do Qi do Fígado, portanto, pode conduzir a este padrão.
Finalmente, Calor-Umidade pode também ser causado por Calor- Umidade climático e externo, o que é muito comum nos países tropicais (MACIOCIA, 1996, p. 391).
5.4 ESTAGNAÇÃO DE SANGUE
Tumores abdominais fixos e bem definidos são manifestações características da estase do sangue, além de aspecto escuro, lábios roxos, dor fixa e persistente, em pontadas, unhas arroxeadas, hemorragia com sangue e coágulos escuros, língua púrpura e pulso em corda, firme ou agitado (MACIOCIA, 1996, p. 462).
O Fígado é o sistema mais freqüentemente afetado pela estagnação do Sangue, isto é usualmente uma conseqüência da estagnação do Qi do Fígado, uma vez que o Qi é o “comandante do Sangue”, quando o Qi estagna, o Sangue coagula (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p. 46).
A principal função do Fígado consiste em assegurar a circulação livre do fluxo do Qi, influenciando todo o organismo. A estagnação do Qi do Fígado provoca perda
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da harmonia na função de vários sistemas. O sintoma de Estagnação de Qi do Fígado mais aparente é a distensão, uma vez que quando o Qi do Fígado não flui livremente, este se acumula e origina sensação de distensão, que poderá se manifestar no epigástrio, hipocôndilo, abdome ou hipogástrio (MACIOCIA, 1996, p. 284).
A estagnação do Sangue do fígado produz manifestações clínicas como “tumores” abdominais fixos, vômito com sangue, epistaxe, menstruação dolorida e irregular com coágulos, além de distensão e dor abdominal que geralmente é fixa, em pontadas, ou persistente (MACIOCIA, 1996, p.284).
A língua apresenta-se púrpura, especialmente nas laterais, com pontos de coloração púrpura. O pulso está em corda. Tendo como sintomas chaves a língua púrpura e o sangue menstrual com coágulos (MACIOCIA, 1996 ,p.285).
Na MTC o relacionamento entre uma emoção e um sistema é mútuo: a função do Fígado de assegurar o fluxo suave do Qi influência as emoções, e essas, influenciam a função do Fígado.
Alterações na vida emocional é a causa mais importante da estagnação de Qi e de Sangue do Fígado. O estado de frustração, fúria reprimida ou ressentimento por um longo período pode afetar a circulação de maneira que o Qi não consiga fluir suavemente e se torne paralisado resultando na estagnação de Qi do Fígado e conseqüentemente à estagnação de Sangue do Fígado (MACIOCIA, 1996, p.458).
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6 TRATAMENTO DOS SINTOMAS DE NÁUSEA E VÔMITO COM A MTC
A acupuntura é um método terapêutico muito antigo, utilizado no Oriente há mais de 5000 anos, focado no organismo como um todo. Trata-se de um método de prevenção e tratamento de doenças, realizado através da puntura em certos pontos estratégicos da pele e tecidos subjacentes, em diferentes profundidades, com o uso de agulhas ou aplicações de calor (moxa) na superfície do corpo. Neste sentido, a puntura (estímulo) de uma área traz resultados em outra. (SCOGNAMILLO-SZABÓ e BECHARA, 2001)
Uma das terapias alternativas mais difundidas no Ocidente é a acupuntura. Aproximadamente 20% das pessoas na Europa já utilizaram esta técnica como meio de tratamento (FISHER e WARD, 1994). Em pesquisa realizada nos EUA em 1998, 51% dos médicos referiram praticar acupuntura ou recomendar seu uso aos pacientes (ASTIN et al., 1998). Resultados consistentes quanto à eficácia da acupuntura têm sido apresentados em diferentes estudos, com diferentes grupos de pacientes e com diferentes pontos estimulados. (SHANG, 2000)
A acupuntura faz parte de um conjunto de conhecimentos, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC), incluindo portanto outras técnicas como a moxabustão, ventosa, fitoterapia, auriculoterapia, eletroacupuntura. Apesar de tratar-se de um método seguro, alguns cuidados devem ser observados, evitando-se a técnica em gestantes, pessoas desnutridas, muito cansadas ou muito ansiosas, sobre dermatites ou áreas tumorais (AUTEROCHE e AUTEROCHE, 1996, p.215).
Referências sobre a fisiopatologia e tratamento de tumores, pela medicina tradicional chinesa (MTC), podem ser encontrados em alguns textos datados com mais de 2000 anos.
A MTC aborda o câncer não somente tratando o tumor, mas o paciente como um todo, estimulando seu sistema imune, atuando em interações entre o paciente e o tumor, e atenuando os sintomas relativos ao câncer e os efeitos colaterais comumente observados em tratamentos convencionais (TAGLIAFERRI, 2001). Em uma pesquisa feita em Hong Kong sobre as atitudes de paciente com câncer para o tratamento da medicina chinesa, de um total de 786 participantes incluídos no estudo, 42,9% utilizaram somente a medicina ocidental, 57,1%
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utilizaram pelo menos uma forma de medicina chinesa; 5 participantes utilizaram somente a medicina chinesa, e 56,5% utilizavam a medicina chinesa antes, durante e após o tratamento da medicina ocidental (LAM et al., 2009).
Várias técnicas não-farmacológicas foram examinadas em testes como alternativas aos medicamentos antieméticos, que incluem acupuntura, eletroacupuntura, acupuntura a laser, estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS), estimulação pontos de acupuntura, acupressão e gesso capsicum. A maioria dos estudos não-farmacológicas têm-se centrado na estimulação do pulso no ponto de acupuntura Neiguan (CS-6) para reduzir náuseas e vômitos. O ponto de acupuntura Neiguan (CS-6) fica entre o tendão do palmar longo e flexor dos músculos flexor radial, 4 cm proximal à prega do punho. (LEE e FAN, 2009) Segundo Ezzo et al (2006) em uma análise para avaliar a eficácia da acupuntura, na estimulação de pontos que amenizem a náusea e vômito em pacientes submetido à quimioterapia aguda e tardia, onze placebos foram agrupados. Em geral, a acupuntura, com a estimulação do ponto de todos os métodos reduziu a incidência de vômitos aguda em relação ao controle. Por modalidade, a estimulação com agulhas reduz a proporção de vômitos agudos e a severidade da náusea. Eletroacupuntura reduziu a proporção de vômitos agudos. Acupressão reduziu a gravidade média de náusea aguda, mas não dos vômitos agudos ou sintomas tardios. A eletroestimulação não invasiva não mostrou nenhum benefício para qualquer resultado. Todos os ensaios farmacológicos utilizaram antieméticos concomitantemente, exceto ensaios com eletroacupuntura. Assim, esta revisão completa de dados sobre o pós-operatório náuseas e vômitos, sugere um efeito biológico da acupuntura na estimulação do ponto. Conforme Gardani et al (2007) estudos clínicos anteriores já tinham sugerido uma possível eficácia da acupuntura no tratamento de pacientes em tratamento quimioterapêutico, resistentes às drogas clássicas antieméticas. Foi realizado um estudo em 100 pacientes com tumor sólido metastático, que se submeteram à quimioterapia para a doença neoplásica avançada, e que não teve nenhum benefício dos agentes antieméticos padrão, incluindo corticosteróides, antidopaminergics e 5-HT-3R antagonistas. A Acupressão foi feita por uma estimulação de pontos de acupuntura Neiguan (CS-6). A sintomatologia emética foi reduzida pela acupressão em 68/100 (68%) pacientes, sem diferenças significativas em relação ao tipo do tumor. A menor eficácia foi observada em pacientes tratados com regimes contendo
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antraciclinas, sem, no entanto, diferenças estatisticamente significativas em relação a outras combinações quimioterápicas. Assim este estudo confirma os resultados clínicos anteriores, que já havia sugerido a eficácia potencial da acupuntura no tratamento de vômitos devido à quimioterapia. Portanto, acupressão pode ser incluída no sucesso das estratégias terapêuticas de modulação de vômito induzida pela quimioterapia. Gottschling et al (2008) investigaram a acupuntura como uma abordagem de apoio antiemético para reduzir a necessidade de medicação antiemética durante a quimioterapia altamente emêtogénica em oncologia pediátrica. Em 5 hospitais terciários na Alemanha, vinte e três crianças portadoras de câncer maligno foram alocados aleatoriamente para receber tratamento de acupuntura, durante a segunda ou terceira sessão de quimioterapia em conjunto com a medicação antiemética padrão. A principal medida foi a quantidade de medicação antiemética adicionais durante a quimioterapia. O desfecho secundário foi o número de episódios de vômitos por sessão. Quarenta e seis sessões de quimioterapia com ou sem acupuntura foram comparados. A necessidade de medicação antiemética foi significativamente menor nos tratamentos com acupuntura, em comparação com o grupo de controle, os episódios de vômitos por sessão também foram significativamente menores nos tratamentos com acupuntura. Assim acupuntura parece ser eficaz na prevenção de náuseas e vômitos em pacientes de câncer pediátrico.
Os autores Nystrom, Ridderstrom e Leffler (2008) ao realizar um estudo piloto prospectivo observacional para medir as variações de náusea, e também a relação entre a náusea, dor e constipação em pacientes com câncer em estágio paliativo de sua doença. Doze pacientes sofrendo de náuseas e quatro pacientes livres de náuseas participaram do estudo. Os pacientes livres de náusea foram incluídos por terem sido incomodados por náuseas em tratamento anterior de quimioterapia. Os pacientes avaliaram sua intensidade de náusea, dor e constipação em uma escala de avaliação numérica antes de cada uma das 10 sessões de tratamento, com acupuntura no ponto Neiguan (CS-6) ao longo de três semanas, e em dois acompanhamentos durante a semana seguinte. Somente 15 pacientes completaram o estudo. Os resultados obtidos foram uma redução significativa na intensidade de náusea antes da última sessão de tratamento. Três em cada quatro pacientes sem o sintoma de náuseas permaneceram livres de náusea antes da última sessão de
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tratamento com acupuntura. Nenhuma relação foi encontrada entre a náusea, dor e constipação antes, durante ou após o período de tratamento. Assim o estudo demonstrou que o tratamento de acupuntura em pacientes com câncer pode ser associado com uma redução significativa da intensidade de náusea durante um período de quimioterapia em sua fase final de vida. Em um projeto experimental foi observado o efeito terapêutico da acupuntura combinada com antiemético induzida pela cisplatina para náuseas e vômitos. Foram divididos 66 casos de quimioterapia em grupo A e B, com 33 casos em cada grupo. O grupo A, no primeiro ciclo de quimioterapia foram usados tropisetron e a acupuntura. No segundo ciclo foram usados acupuntura placebo e tropisetron. Já o grupo B no primeiro ciclo foram usados tropisetron e a acupuntura placebo e no segundo ciclo foram usados tropisetron e a acupuntura. Para a acupuntura foram selecionados os pontos: Zusanli (E-36), Neiguan (CS-6) e Gongsun (BP-4) e auricular ponto Wei (estômago). Para a acupuntura placebo foram selecionados os pontos 3 cm lateral ao Zusanli (E-36), Neiguan (CS-6) e Gongsun (BP-4) e no ponto auricular correspondente ao nível Scapha. O tratamento com acupuntura e acupuntura placebo foi feito durante 6 dias consecutivos, uma vez por dia e foram dados 5 mg de tropisetron como antiemético aos dois grupos de base como profilaxia antiemética durante 6 dias, uma vez por dia. Os efeitos terapêuticos para náusea e vômito nos 6 dias foram comparados entre o grupo de acupuntura e acupuntura placebo nos dois ciclos de quimioterapia. Foram obtidos taxas efetivas para a náusea nos dias 2 e 4 de 87,1% e 79,0% no grupo da acupuntura, que foram superiores a 59,4% e 57,8% no grupo acupuntura placebo, respectivamente, e os efeitos terapêuticos de vômito no 3º ao 6º dia no grupo da acupuntura foram melhores do que aqueles no grupo acupuntura placebo. Assim conclui-se que a acupuntura combinada com antieméticos pode diminuir efetivamente a incidência e o grau de náuseas e vômitos induzida pela cisplatina e o efeito da acupuntura é melhor do que a acupuntura placebo (SIMA E WANG 2009). Segundo Yang et al (2009) foi comparado os efeitos clínicos entre a eletroacupuntura do ponto Zusanli (E-36) combinada com a aplicação intravenosa de Granisetron e somente a aplicação intravenosa de Granisetron para o tratamento de náuseas e vômitos causados pela quimioterapia do tumor maligno. Em um ensaio clínico controlado randomizado foram utilizados, o grupo de observação (127 casos) foi tratado com a eletroacupuntura no ponto Zusanli (E-36) combinado com o
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antiemético Granisetron, e o grupo controle (119 casos) foi tratado somente com o Granisetron. A taxa total efetiva de 90,5% no grupo de observação, foi superior à de 84,0% no grupo controle, as náuseas e vômitos escores dos dois grupos eram obviamente diminuiu após o tratamento, e o grau de redução do grupo de observação, foi superior ao do grupo controle. Assim a eletroacupuntura no ponto Zusanli (E-36) pode aliviar significativamente os sintomas, como náuseas e vômitos causados pela quimioterapia dos pacientes.
32
7 CONCLUSÃO
A Acupuntura é umas das técnicas orientais mais difundidas no ocidente. Sendo utilizada para melhora da qualidade de vida das pessoas.
Este trabalho apresenta a visão oriental embasada nos fundamentos da Medicina Tradicional Chinesa para utilização da Acupuntura no tratamento oncológico, focada no alívio dos sintomas gástricos causados pelos efeitos colaterais da quimioterapia.
Conforme apresenta a literatura científica, para a utilização de técnicas de Acupuntura é necessário uma avaliação individualizada, pois o paciente é tratado como um todo.
De acordo com os dados colhidos deste trabalho, a Acupuntura mostrou bons resultados minimizando, atenuando, modulando e prevenindo as manifestações recorrentes de náusea e vômito em pacientes submetidos a quimioterapia.
A presente monografia sugere novos e mais abrangentes estudos onde se possam demonstrar mais pesquisas para os benefícios no tratamento com Acupuntura. Pois, a Acupuntura como terapia complementar, pode minimizar os sintomas e as manifestações desagradáveis bastante comuns em pacientes que passam por tratamento quimioterapêutico.
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MARIANA JORDAN OKAZAKI MIYATAKE
LUCIANA FERNANDES SOARES
EFEITOS DA ACUPUNTURA NAS INTERCORRÊNCIAS GÁSTRICAS EM PACIENTES ONCOLÓGICOS SUBMETIDOS À QUIMIOTERAPIA
Mogi das Cruzes, SP
2011
UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES
MARIANA JORDAN OKAZAKI MIYATAKE
LUCIANA FERNANDES SOARES
EFEITOS DA ACUPUNTURA NAS INTERCORRÊNCIAS GÁSTRICAS EM PACIENTES ONCOLÓGICOS SUBMETIDOS À QUIMIOTERAPIA
Orientadores: Prof.ª Bernadete Nunes Stolai e
Prof.º Luiz Bernardo Leonelli
Mogi das Cruzes, SP
2011
Monografia apresentada ao programa de Pós–Graduação da Universidade de Mogi das Cruzes como parte dos requisitos para a obtenção do título de Especialista em Acupuntura.
MARIANA JORDAN OKAZAKI MIYATAKE
LUCIANA FERNANDES SOARES
EFEITOS DA ACUPUNTURA NAS INTERCORRÊNCIAS GÁSTRICAS EM PACIENTES ONCOLÓGICOS SUBMETIDOS À QUIMIOTERAPIA
Aprovado em: ………………………………………………………………………………………………….
BANCA EXAMINADORA
Prof.ª Bernadete Stolai Nunes
UMC – Universidade de Mogi das Cruzes
Prof.º Luiz Bernardo Leonelli
UMC – Universidade de Mogi das Cruzes
Prof.ª Romana de Souza Franco
UMC – Universidade de Mogi das Cruzes
Monografia apresentada ao programa de Pós–Graduação da Universidade de Mogi das Cruzes como parte dos requisitos para a obtenção do título de Especialista em Acupuntura.
“Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio – e eis que a verdade se me revela”.
ALBERT EINSTEIN
DEDICATÓRIA
Dedicamos este trabalho primeiramente a Deus, pois sem Ele, nada seria possível e não estaríamos aqui reunidos, desfrutando, juntos, destes momentos que nos são tão importantes.
Aos nossos pais pelo esforço, dedicação e compreensão, em todos os momentos desta e de outras caminhadas.
Aos nossos cônjuges, pelo incentivo, compreensão e apoio em todos os momentos desta importante etapa de nossas vidas.
AGRADECIMENTOS
A Deus, pela força espiritual para a realização desse trabalho.
Aos nossos familiares, pelo apoio, compreensão, ajuda, e, por todo carinho ao longo deste percurso.
Aos meus amigos e colegas de curso, pela cumplicidade, ajuda e amizade.
À professora Bernadete e Professor Luiz Leonelli, pela orientação deste trabalho.
RESUMO
O Câncer é uma doença que acomete milhões de pessoas no mundo todo, sendo um crescimento anormal e descontrolado das células que compõem o organismo. Quando modificadas, estas células se dispõem em formatos diferentes, isso é que irá diferenciar os vários tipos de câncer. O tratamento quimioterapêutico é bastante agressivo e seus efeitos colaterais trazem muitas alterações ao individuo, e duas dessas são: náusea e vômito. A Medicina Tradicional Chinesa aborda o câncer não somente tratando o tumor, mas o paciente como um todo, estimulando seu sistema imune, atuando em interações entre o paciente e o tumor, e atenuando os sintomas relativos ao câncer e os efeitos colaterais comumente observados em tratamentos convencionais. A presente revisão de literatura teve como objetivo analisar quais os benefícios que o tratamento com a Acupuntura traz aos pacientes oncológicos para diminuição dos efeitos das intercorrências gástricas. Vários autores verificaram e avaliaram a eficácia da Acupuntura na estimulação de pontos que amenizam a náusea e vômito em pacientes submetidos à quimioterapia, por exemplo: “Neiguan” CS-6, “Gongsun” BP-4, “Zusanli” E- 36 e auricular ponto “Wei” (Estômago). Com isso notou-se que a Acupuntura pode auxiliar os pacientes oncológicos, como terapia complementar, com intuito de minimizar os desagradáveis sintomas no tratamento da quimioterapia.
Palavras-chave: câncer, vômitos, náuseas, Acupuntura.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO…………………………………………………………………………………………….8
2 METODOLOGIA…………………………………………………………………………………………11
3 CÂNCER NA VISÃO OCIDENTAL………………………………………………………………..12
3.1 TRATAMENTO COM QUIMIOTERAPIA……………………………………………17
4 FUNDAMENTOS DA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA (MTC)…………………..19
5 CÂNCER NA MTC…………………………………………………………………………………….23
5.1 ESTAGNAÇÃO DE QI…………………………………………………………………..24
5.2 ACÚMULO DE FLEUMA (TANYIN)………………………………………………..26
5.3 O CALOR – UMIDADE NO FÍGADO E NA VESÍCULA BILIAR…………..26
5.4 ESTAGNAÇÃO DE SANGUE………………………………………………………..27
6 TRATAMENTO DOS SINTOMAS DE NÁUSEA E VÔMITO COM A MTC………..28
7 CONCLUSÃO…………………………………………………………………………………………….34
REFERÊNCIAS…………………………………………………………………………………………..35
8
11
12
17
18
22
23
24
25
25
27
32
33
8
1 INTRODUÇÃO
O Câncer é uma doença que atinge milhões de pessoas no mundo todo. O tratamento é feito por meio de diversos medicamentos que causam aos pacientes vários efeitos colaterais desconfortantes, além das alterações de vida mexendo com um amplo campo; emocional, social e espiritual. Esta difícil fase na vida do paciente merece respeito para que haja melhora da sua autonomia e qualidade de vida.
A quimioterapia representa um avanço na cura e controle do câncer, aumentando a expectativa de vida do paciente. É essencial, no entanto, que os profissionais de saúde que atuam nessa área tornem efetiva sua orientação quanto aos objetivos e efeitos colaterais do tratamento quimioterápico, além, sobretudo, de oferecer apoio emocional.
Dois dos efeitos colaterais causados pela quimioterapia são a náusea e o vômito, que incomodam os pacientes e levam muitas vezes a desistência do tratamento. Segundo Collins e Thomas (2004) mesmo com os melhores agentes farmacológicos antiemético, 60% dos pacientes com câncer continuam a sentir náuseas e vômitos, quando submetidos a tratamentos de quimioterapia.
Segundo recente relatório da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC) / Organização Mundial da Saúde (OMS), o impacto global do câncer mais que dobrou em 30 anos. Estimou-se que, no ano de 2008, ocorreriam cerca de 12 milhões de casos novos de câncer e 7 milhões de óbitos. O contínuo crescimento populacional, bem como seu envelhecimento, afetará de forma significativa o impacto do câncer no mundo. Esse impacto recairá principalmente sobre os países de médio e baixo desenvolvimento. A IARC/OMS estimou que, em 2008, metade dos casos novos e cerca de dois terços dos óbitos por câncer ocorrerão nessas localidades. (INCA, 2009)
No Brasil, as estimativas, para o ano de 2010, foram válidas também para o ano de 2011, e apontaram para a ocorrência de 489.270 casos novos de câncer. Os tipos mais incidentes, à exceção do câncer de pele do tipo não melanoma, foram os cânceres de próstata e de pulmão no sexo masculino e os cânceres de mama e do colo do útero no sexo feminino, acompanhando o mesmo perfil da magnitude observada para a América Latina. (INCA, 200
9
9).
Dados indicaram que em 2010, ocorreram 236.240 casos novos para o sexo masculino e 253.030 para sexo feminino. O câncer de pele do tipo não melanoma (114 mil casos novos) o mais incidente na população brasileira, seguido pelos tumores de próstata (52 mil), mama feminina (49 mil), cólon e reto (28 mil), pulmão (28 mil), estômago (21 mil) e colo do útero (18 mil) de observada no mundo. (INCA, 2009)
O diagnóstico do câncer implica não somente a descoberta das alterações teciduais já instaladas, mas, muitas vezes, mudanças psíquicas e comportamentais naqueles que o carregam. Não raramente, o medo do tratamento, da quimioterapia e de todas as possíveis complicações faz com que o paciente se afaste de seu meio e busque, inconscientemente, o isolamento. (FRIEDRICH et al, 2000, p. 198) Somam-se às ocorrências descritas anteriormente as complicações decorrentes da própria doença e de seu tratamento agressivo, tais como: fraqueza muscular, náuseas, vômitos, alterações cardiovasculares e respiratórias, e as mais incapacitantes delas: a dor e a fadiga. Toda essa combinação pode levar aos sentimentos de depressão e angústia e causar piora do prognóstico do indivíduo. (MOTA e PIMENTA, 2002)
A avaliação da Qualidade de Vida (QV) na Oncologia pode auxiliar na decisão sobre a efetividade do tratamento, melhorar a tomada de decisão do paciente através do esclarecimento dos efeitos colaterais do tratamento, servir como fator prognóstico para analisar os sintomas e/ou as necessidades de reabilitação, identificar os aspectos de impacto na sobrevida dos pacientes, a estimativa de custo-efetividade (auxilia na decisão de onde e quando investir os recursos existentes), melhorar a organização e a qualidade do cuidado, o desenvolvimento e a regulamentação de medicações, para conhecer as prioridades dos pacientes. (ARAÚJO et al, 2009)
A acupuntura é uma técnica que envolve a inserção de agulhas finas sobre a pele e tecido abaixo dela em pontos específicos, com propósitos terapêuticos ou prevenção cujo protocolo clínico desenvolvido para uso da acupuntura no tratamento de pacientes com câncer prevê suas indicações e algumas contra-indicações para esta prática (FILSHIE e HESTER, 2006).
Como técnica de inserção de agulhas a Acupuntura tem a finalidade de promover a mobilização, a circulação e o fortalecimento das energias humanas, bem
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como a expulsão de Energias Perversas que acometem o individuo (YAMAMURA, 2004).
Assim, este trabalho foi elaborado baseando na literatura de pesquisa com o objetivo de verificar a atuação da acupuntura sobre a diminuição dos efeitos de náusea e vômito em pacientes oncológicos submetidos ao tratamento quimioterápeutico.
11
2 METODOLOGIA
Foi desenvolvido um levantamento bibliográfico minucioso de revistas cientificas e periódicos sobre o tema abordado, abrangendo o período de 1992 à 2011, nas bases de dados da Bireme (Biblioteca Regional de Medicina), no banco de dados da Scielo, Medline, Pubmed, CAPES e Biblioteca da Universidade de Mogi das Cruzes.
Foram incluídos nos resultados os artigos que utilizarão a acupuntura para alívio dos efeitos colaterais da quimioterapia nos sinais e sintomas de náusea e vômito, com resultados tanto positivos quanto negativos.
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3 CÂNCER NA VISÃO OCIDENTAL
Câncer é o nome dado a um grupo de doenças malignas caracterizadas pelo crescimento anormal e descontrolado de células que sofreram alteração em seu material genético, em algum momento de seu ciclo celular. Essas células geneticamente modificadas podem invadir os tecidos e órgãos, espalhando-se para outras regiões do corpo. (ROBBINS, 1996, p. 213)
O câncer é causado, por mutação ou por ativação anômala dos genes celulares que controlam o crescimento e a mitose celulares. Muitos oncogenes diferentes já foram identificados. Também existem os antioncogenes capazes de suprimir a ativação de oncogenes específicos. Logo, a perda ou a inativação de antioncogenes pode permitir a ativação de oncogenes, causando o câncer. Somente uma fração diminuta das células corporais que sofrem mutação leva ao câncer. Existem diversas razões para isso: (1) A maioria das células mutantes apresenta menor capacidade de sobrevida que as células normais e, portanto, simplesmente morrem; (2) Apenas algumas das células mutantes que sobrevivem se tornam neoplásicas, visto que a maioria delas ainda conserva os controles normais por feedback que inibem o crescimento excessivo; (3) Aquelas células que são potencialmente neoplásicas, com freqüência, são destruídas pelo sistema imune do corpo, antes de formarem um tumor. Isso ocorre do seguinte modo: a maioria das células mutantes forma proteínas anormais no interior de seus corpos celulares, e essas proteínas, estimulam o sistema imune, levando a formar anticorpos ou linfócitos, sensibilizados contra as células neoplásicas, destruindo-as dessa forma; (4) Em geral, diversos e distintos oncogenes ativados são necessários, todos atuando ao mesmo tempo, para causar câncer. Por exemplo, um desses genes pode promover a reprodução acelerada de uma linhagem celular, mas não ocorre câncer, por não haver, simultaneamente, um gene mutante necessário á formação de vasos sanguíneos. (GUYTON e HALL, 2002, p.34)
Segundo o mesmo autor trilhões de células são formadas a cada dia em todos os indivíduos, e não se desenvolve grandes quantidades de células mutantes neoplásicas, pois, em cada célula, há grande precisão na replicação dos filamentos cromossômicos de DNA, e, também existe um processo de “leitura das provas” que corta e repara filamentos anormais de DNA, antes que ocorra a mitose. Contudo, a
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respeito de todas essas precauções celulares, provavelmente uma célula recém- formada, em cada alguns milhões, tem características mutantes significativas.
A probabilidade de mutações pode aumentar quando o indivíduo é exposto a determinados fatores químicos, físicos ou biológicos, como: (1) A radiação ionizante, como os raios X, raios gama e radiação de partículas de substâncias radioativas e, até mesmo, a luz ultravioleta pode predispor ao câncer. Os íons formados nas células teciduais sob influência dessas radiações são muito reativos e podem romper os filamentos de DNA, produzindo, por isso, muitas mutações; (2) Alguns tipos de substâncias químicas também apresentam muita propensão para causar mutações. Os carcinógenos que causam o maior número de mortes em humanos nas sociedades atuais são os dos cigarros; (3) Irritantes físicos também podem levar ao câncer, como a abrasão continuada de revestimento do trato digestivo por certos tipos de alimentos. A lesão desses tecidos leva à reposição mitótica muito rápida dessas células. Quanto mais rápida for a mitose, maior a probabilidade de mutações; (4) Existem tendências hereditárias para o câncer. Nas famílias particularmente predispostas ao câncer, presume-se que um ou mais genes já tenham mutado no genoma herdado. Logo, um número bem menor de mutações adicionais deve ocorrer nesses indivíduos antes que o câncer comece a crescer; (5) Certos tipos de vírus podem causar algumas formas de câncer, inclusive leucemia. Primeiro, no caso dos vírus de DNA, o filamento de DNA do vírus pode se inserir diretamente em um dos cromossomos, produzindo, dessa maneira, a mutação que leva ao câncer. No caso dos vírus de RNA, alguns deles carregam consigo uma enzima, chamada transcriptase reversa, que faz com que o DNA seja transcrito a partir do RNA. Então, o DNA assim transcrito se insere no genoma do animal, levando ao câncer. (GUYTON e HALL, 2002, p. 34)
As células neoplásicas são bastante invasivas. As principais diferenças entre as células neoplásicas e as normais são: (1) as células neoplásicas não respeitam os limites normais do crescimento celular; a razão para isso é que essas células não precisam dos mesmos fatores de crescimento necessários para produzir o crescimento das células normais; (2) as células neoplásicas se aderem umas às outras com intensidade muito menor do que fazem as células normais. Por conseguinte, elas têm tendência a vagar pelos tecidos para atingir a corrente sanguínea e serem transportadas por todo o corpo, onde vão formar ninhos para novos e numerosos crescimentos cancerosos; (3) alguns cânceres também
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produzem fatores angiogênicos que promovem o crescimento de vasos sanguíneos no interior dos tumores, suprindo, por esse meio, os nutrientes necessários ao seu crescimento. (GUYTON e HALL, 2002, p. 35)
O tratamento oncológico deve ser instituído o mais precocemente possível e deve também ser definido de acordo com as situações clínicas apresentadas durante a evolução da doença, visando, assim, a uma melhor qualidade de vida do paciente. Diante disso, torna-se necessário promover um sistema de suporte ao paciente oncológico para que ele possa viver da forma mais ativa possível e sentir-se satisfeito em suas atividades. (PIMENTA, 2003) Nesse contexto, a atuação multi e interdisciplinar contribui de maneira bastante efetiva para o sucesso do tratamento do câncer, já que consegue abordar as necessidades do indivíduo de forma específica e, ao mesmo tempo, global.
Segundo Chevalier-Martinelli (2006), o princípio da quimioterapia é atingir e destruir as células malignas que têm a capacidade de se multiplicar indefinidamente. Todos os medicamentos anticancerígenos que participam dessa destruição têm toxicidade mais ou menos intensa, capaz de afetar a composição sanguínea, a pele, os pelos e outros órgãos. Quanto maior a dose, maior a chance de destruir um grande número de células malignas – e também maior o risco de atingir células sadias.
Ballatori e Roila (2003) revisaram o impacto negativo que náuseas e vômitos pós-quimioterapia têm sobre a QV dos pacientes, podendo causar fissuras esofágicas, má nutrição, distúrbios hidroeletrolíticos e até mesmo a recusa dos pacientes em prosseguirem nos ciclos quimioterápicos. Esse impacto é sentido principalmente nos quesitos físico ou corporal das mais variadas escalas de QV utilizadas. Esquemas quimioterápicos com menor probabilidade de náuseas ou vômitos e o asseguramento de esquemas seguros e eficientes de antieméticos têm impacto nessa questão. Salienta-se que, atualmente, devido a novas medicações antieméticas, a taxa de náuseas e vômitos seja de menos de 10%.
A náusea foi definida como uma experiência desagradável, mas não dolorosa, geralmente localizada na garganta e na parte superior do estômago, o que dá uma sensação de vômito que pode ser iminente. Em cuidados paliativos de pacientes com câncer a náusea é um sintoma comum e foi relatado que aproximadamente 40 – 70% deles sofrem de constante ou náusea intermitente na fase final da vida. (NYSTROM, RIDDERSTROM, LEFFLER, 2008)
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Há 20 anos, náuseas e vômitos foram considerados inevitáveis conseqüências adversas da quimioterapia e responsável por 20-25% de abandono do tratamento antineoplásico (JORDAN, KASPER, SCHMOLL, 2005). Apesar dos avanços nas áreas farmacológicas e não-farmacológicas os cuidado com a náusea e o vômito são ainda alguns dos mais temidos e preocupação sintomas para o paciente e sua família. Esta toxicidade deve ser evitada e adequadamente, caso ocorra, utilize uma metodologia adequada para avaliação e tratamento. O controle desses sintomas aumenta a QV dos pacientes que receberam quimioterapia e é um esteio no tratamento.
Drogas são uma das causas principais de náusea e vômitos. Muitas drogas atuam na zona de gatilho da quimioterapia na área postrema, no assoalho do 4º ventrículo, induzindo náusea e vômitos. Os efeitos adversos da náusea e vômitos induzidos por droga no caso do tratamento do câncer, incidindo sobre o estado nutricional já comprometido pela doença, podem ser seriamente agravados, com a fadiga, a redução da massa muscular, e o aumento da suscetibilidade à infecções, com conseqüências potencialmente fatais. (EDELMAN, LUM, GANDARA, 2000) Segundo Bonassa e Santana (2005) a náuseas e vômitos são os sinais e sintomas mais prevalentes em relação à toxicidade gastrintestinal decorrentes da quimioterapia antineoplásica. Podem afetar a condição nutricional, o equilíbrio hidroeletrolítico e a qualidade de vida do paciente, aumentando ansiedade e estresse, resultando no atraso ou até abandono do tratamento. Na última década ocorreram avanços importantes para compreensão da fisiologia de náuseas e vômitos induzidos pela quimioterapia, principalmente no que tange ao papel da serotonina no mecanismo antiemético. No entanto, estima-se que ainda um terço dos pacientes sob terapia oncológica não respondam plenamente à terapêutica antiemética disponível. Os principais agentes eméticos desse tipo são os agonistas da dopamina, os analgésicos opióides, as preparações digitálicas, e os quimioterápicos do câncer. Algumas drogas lesam a mucosa gástrica, como os antiinflamatórios não hormonais, induzindo náusea e vômitos por ativação de reflexos ascendentes para o centro do vômito a partir do tubo digestivo. O álcool atua dessa forma, e também sobre a zona de gatilho da quimioterapia. Alguns agentes quimioterápicos também estimulam uma grande liberação de serotonina no intestino, ativando o centro do vômito também pela via vagal aferente. A náusea e vômitos induzidos por drogas ocorrem com
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maior freqüência em pacientes com história de náusea e vômitos de viagem. (LEE e FELDMAN, 1998)
Segundo García et al. (2005) como os outros reflexos orgânicos, a náusea e o vômito apresentam um componente aferente, uma central de integração e um componente eferente. A integração é feita no centro do vômito (CV), estrutura funcional localizada na formação reticular lateral da medula. Essa estrutura recebe os estímulos dos vários sítios localizados em todo o trato gastrointestinal através de aferentes vagal e simpático, centros cerebrais superiores e da zona quimiorreceptora do gatilho. Estímulos adicionais são enviados do labirinto, útero, pelve renal e bexiga. O período anterior ao ato de vomitar compreende a náusea e vários outros sinais autônomos característicos como salivação, palidez, dilatação pupilar, bradicardia ou taquicardia e variações da pressão arterial. A ventilação torna-se profunda, rápida e irregular. O processo do vômito deve ser diferenciado da regurgitação, evento passivo de transferência do conteúdo gástrico até a faringe. Ao contrário da regurgitação, o vômito necessita que um determinado limiar de estimulação do CV seja atingido.
Essa estimulação é sempre indireta, pois não se conhece ação direta de qualquer composto nesse centro. Os impulsos eferentes são enviados pelo quinto, sétimo, nono, décimo e décimo – segundo nervos cranianos, nervos frênicos e nervos espinhais para o esôfago, estômago e diafragma. Essa atividade eferente é responsável por muitas das alterações autônomas que acompanham a êmese. Após a chegada dos impulsos eferentes na periferia, ocorre uma série de eventos estereotipados que envolvem: o abaixamento do diafragma e contração da musculatura abdominal após inspiração profunda, com o conseqüente aumento da pressão intragástrica; contração do piloro, prevenindo o esvaziamento gástrico para o duodeno; relaxamento do fundo gástrico, cardia e esfíncter esofágico inferior, forçando o conteúdo em direção ao esôfago; a laringe e o osso hióide movem-se para cima e para frente, acelerando o movimento do conteúdo gástrico, para cima; o pálato mole eleva-se, prevenindo a entrada do vômito no nasofaringe; a glote fecha-se, prevenindo a aspiração para a traquéia; após o fechamento da glote a pressão intratorácica aumenta, exercendo pressão no esôfago; o esôfago contrai-se e impulsiona o conteúdo em direção à boca. (GARCIA et al.,2005)
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3.1 TRATAMENTO COM QUIMIOTERAPIA
Segundo Instituto Nacional do Câncer – INCA (2010) a quimioterapia é o método que utiliza compostos químicos, chamados quimioterápicos, no tratamento de doenças causadas por agentes biológicos. Quando aplicada ao câncer, a quimioterapia é chamada de quimioterapia antineoplásica ou quimioterapia antiblástica. O primeiro quimioterápico antineoplásico foi desenvolvido a partir do gás mostarda, usado nas duas Guerras Mundiais como arma química. Após a exposição de soldados a este agente, observou-se que eles desenvolveram hipoplasia medular e linfóide, o que levou ao seu uso no tratamento dos linfomas malignos. A partir da publicação, em 1946, dos estudos clínicos feitos com o gás mostarda e das observações sobre os efeitos do ácido fólico em crianças com leucemias, verificou-se avanço crescente da quimioterapia antineoplásica. Atualmente, quimioterápicos mais ativos e menos tóxicos encontram-se disponíveis para uso na prática clínica. Os avanços verificados nas últimas décadas, na área da quimioterapia antineoplásica, têm facilitado consideravelmente a aplicação de outros tipos de tratamento de câncer e permitido maior número de curas.
A quimioterapia antineoplásica consiste na utilização de agentes químicos, isolados ou em combinação, com finalidade de eliminar células tumorais do organismo. Por se tratar de tratamento sistêmico, age indiscriminadamente nas células em rápida proliferação, ocasionando reações adversas. Faz-se necessário o conhecimento dos tratamentos dessas reações para que se possa intervir visando à melhoria da qualidade de vida e minimizando efeitos colaterais. (FONSECA et al, 2000, p. 164)
A quimioterapia não é apenas utilizada para casos oncológicos, é também utilizada para tratamentos de psoríase, esclerose múltipla, artrite reumatóide e alguns tipos de insuficiência renal (BARACAT et al., 2000, p.120)
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4 FUNDAMENTOS DA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA
A acupuntura foi idealizada dentro do contexto global da filosofia do Tao e das concepções filosóficas e fisiológicas que nortearam a Medicina Tradicional Chinesa (MTC). A concepção dos canais de Energia e dos pontos de acupuntura, o diagnóstico energético e o tratamento baseam-se nos preceitos do Yin e do Yang, dos Cinco elementos, da Energia (Qi) e do Sangue (Xue) (YAMAMURA, 2004, p.57).
Os princípios do Yin e Yang estão presentes em todos os aspectos da teoria chinesa. São utilizados para explicar a estrutura orgânica do corpo humano, as suas funções fisiológicas, as leis referentes à causa e à evolução das doenças, para servir de guia no diagnóstico e no tratamento clinico (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p. 17).
Segundo Macciocia (1996, p.38) o modelo de correspondência dos 5 elementos é amplamente utilizado no diagnóstico, sendo baseado sobretudo na correspondência entre os Elementos (Zang Fu).
Auteroche e Navailh (1992, p.23) relatam que a teoria dos cinco elementos considera que o universo é formado pelo movimento e a transformação dos cinco princípios: a Madeira, o Fogo, a Terra, o Metal e a Água.
A MTC considera a função do corpo e da mente como resultado da interação de determinadas substâncias vitais. Essas substâncias manifestam-se em vários níveis de “substancialidade”, de maneira que algumas delas são muito rarefeitas e outras totalmente imateriais. O corpo e a mente não são vistos como um mecanismo, mas como um círculo de energia e substâncias vitais interagindo uns com os outros para formar o organismo (MACIOCIA, 1996, p. 51).
A base de tudo é o Qi (Energia): todas as outras substâncias vitais são manifestações do Qi em vários graus de materialidade, variando do completamente material, tal como fluidos corpóreos (Jin Ye), para o totalmente imaterial, tal com a Mente (Shen). O Qi dos seres humanos é resultado da interação do Qi do Céu e da Terra, havendo assim interação entre o Qi dos seres humanos e as forças naturais. A medicina Chinesa enfatiza o relacionamento entre os seres humanos e seu meio
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ambiente, e leva isto em consideração para determinar a etiologia, o diagnostico e o tratamento (MACIOCIA, 1996, p. 50).
De acordo com os chineses, há muitos “tipos” diferentes de Qi no homem, variando do mais tênue e rarefeito ao mais denso e duro. Todos os tipos de Qi, todavia são na verdade um único Qi, que simplesmente se manifesta de diferentes formas. O Qi modifica-se em sua forma de acordo com a localização e função. Embora seja fundamentalmente o mesmo, o Qi coloca “diferentes vestimentas” em diversos lugares e assume inúmeras funções (MACIOCIA, 1996, p. 52).
O Sangue (Xue) na MTC é em si mesmo uma forma de Qi muito denso e material. A principal função do sangue consiste em nutrir o organismo, complementando a ação nutriente do Qi. Além disso, o Sangue também possui a função de hidratar, o que o Qi não possui. O Coração (Xin), o Baço e o Fígado são os sistemas mais importantes em relação ao sangue. O Coração governa o Sangue, o Baço controla o Sangue e o Fígado armazena o Sangue (MACIOCIA, 1996, p. 68).
O mesmo autor sita que há um relacionamento muito próximo entre o Qi e o Sangue. O Qi gera o Sangue uma vez que o Qi dos Alimentos é a base do Sangue, e também o Qi do Pulmão é essencial para a produção do Sangue. O Qi movimenta o Sangue, visto que sem o Qi, o Sangue seria uma substância inerte, logo, se o Qi é deficiente ou estagnante, não pode impulsionar o Sangue, sendo que este também estagna. O Qi Controla o Sangue nos Vasos Sanguíneos (Xue Mai) prevenindo hemorragias, apesar de essa ser uma função primária do Baço. O Sangue nutre o Qi e providencia uma base material e “densa” que previne o Qi de “flutuar” e originar sintomas de Calor-Vazio. O Sangue e a Essência (Jing) afetam-se mutuamente, uma vez que a Essência é importante na formação do Sangue, que por sua vez, nutre e abastece continuamente a Essência.
A principal função do Baço (Pi) consiste em auxiliar a digestão do Estômago (Wei), por meio do transporte e da transformação das Essências (Jing) alimentares, absorvendo a nutrição dos alimentos e separando as partes puras das impuras (YAMAMURA, 2004, p. 117).
Segundo Yamamura, (2004, p. 119), o Baço (Pi) produz um efeito de “elevação” ao longo da linha media do corpo. Esta é a força que faz os sistemas
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internos permanecerem no local correto. Se o Qi do Baço é deficiente e sua função de “elevar o Qi” estiver deficiente poderá ocorrer prolapso de vários órgãos tais como: útero, estômago, rim, bexiga ou ânus. O movimento ascendente do Qi do Baço (Pi) é coordenado com movimento descendente do Qi do Estomago (Wei). A união dos dois é importante para o movimento adequado do Qi no organismo durante a digestão de maneira que o Qi puro é direcionado em ascendência pelo Baço (Pi) e o Qi impuro em descendência pelo Estômago (Wei). O Qi conecta-se em ascendência com Pulmão (Fei) e o Coração (Xin) e em descendência com Fígado (Gan) e o Rim (Shen). Somente se estes movimentos ascendentes do Qi forem coordenados, poderá o Yang puro ascender para o orifício (órgão dos sentidos) superiores e Yin impuro descender para os dois orifícios inferiores. Se os movimentos descendentes e ascendentes estiverem debilitados, o Yang puro não ascenderá o Qi refinado extraído dos alimentos não poderá ser estocado e o Qi impuro não poderá ser excretado. O Estomago (Wei) e o Baço (Pi) são pertencentes ao elemento Terra, se for tonificado também tonificará indiretamente todos os outros sistemas.
O Baço está situado no aquecedor médio suas principais funções são de dirigir o transporte e a transformação da essência dos alimentos (Jing Qi), fez a subida do que é puro e contem o sangue nos vasos (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p.68 ).
A preocupação ou excesso de concentração é uma “emoção” relacionada com elemento Terra. O uso excessivo de nossas faculdades mentais e o estudo podem resultar na Deficiência de Baço (YAMAMURA, 2004, p. 41).
O mesmo autor afirma que o Qi deficiente do Estomago (Wei) falhará ao descender, causando uma sensação vagamente desconfortável no epigástrio e debilidade nos membros, condição de deficiência (se for decorrente de uma condição de Excesso, será sensação forte de desconforto, dor, náuseas). De acordo com a MTC a atividade mental e a consciência residem no Coração (Xin), elemento Fogo. Significa que um Coração (Xin) saudável é essencial para o suprimento adequado do Sangue (Xue) deficiente podem ocorrer alterações mentais, (como depressão), falte de memória, pensamento afetado, insônia ou sonolência, em casos extremos a inconsciência.
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O elemento metal que é o Pulmão (Fei) governa o Qi e a respiração, controla os vasos sanguíneos (Xue – Mai) onde Qi do Pulmão (Fei) auxilia o Coração (Xin) no controle da circulação sanguínea. Tendo um papel vital nos movimentos dos Fluidos Corpóreos (Jin Ye). Se o Qi do Pulmão (Fei) é fraco o Qi não será capaz de empurrar o sangue (Xue) para os membros, assim as mãos ficarão frias. Se a função do Pulmão (Fei) de dispersar os Fluidos Corpóreos (Jin Ye) for obstruídas podem se acumular sob a pele causando edema. Tendo as funções dispersoras o Pulmão (Fei) é, portanto responsável pela excreção dos Fluidos Corpóreos (Jin Ye) serão eliminados por meio da sudorese e da urina. Em um nível emocional é diretamente afetada pelas emoções de tristeza, lamento e depressão nas quais obstruem seus movimentos afetando a Alma Corpórea (YAMAMURA, 2004, p. 109- 114).
O Fígado (Gan) elemento madeira é um dos sistemas mais importantes para o armazenamento do Sangue (Xue) no organismo inteiro a qualquer tempo. Se, por outro lado, a função do Fígado (Gan) for anormal afetará a qualidade de Sangue (Xue), causando determinados tipos de patologia, ex: cansaço, problemas de pele, alterações ginecologias, visão turva, câimbras musculares, contrações nos tendões, etc (YAMAMURA, 2004, p. 101).
Afirma ainda que de acordo com os cinco elementos o Rim (Shen) pertence a água, é referido como a Raiz da Vida. Isto porque armazena a Essência (Jing) que é parcialmente derivada dos pais, estabelecida na concepção. É o fundamento essencial para o nascimento, crescimento e produção. A debilidade dos Rins (Shen) resulta pouca vitalidade, infertilidade ou debilidade sexual, ossos fracos. Pois os Rins (Shen) determinam a força física e mental do individuo e também a força de vontade.
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5 CÂNCER NA VISÃO ORIENTAL
Yamamura (2004, p. 8) refere que o fluxo energético dos Canais de Energia refletem o estado dos Zang Fu (órgãos/vísceras), assim como as alterações energéticas ocasionais do meio ambiente. Os canais de Energia Principais e seus pontos de acupuntura são sede de manifestações interiores, assim como o local para a entrada das Energias Perversas. Todos esses fatores alteram a quantidade, a qualidade e o fluxo de Qi nos Canais de Energia, podendo ocasionar o aparecimento de manifestações clínicas, conseqüências a falta ou excesso de Qi ou mesmo pela estagnação de Qi e de Xue (sangue).
O Qi e o Xue são transportados pelos Canais de Energia, cuja circulação obedece aos princípios da polaridade Yang- Yin, do movimento alto e baixo (subida e descida) das contraturas e relaxamento musculares. Por meio desses fenômenos o Qi circula nos canais de Energia e o Xue circula nos vasos sanguíneos, promovendo a nutrição, a defesa, à harmonização energética dos Órgãos, das Vísceras e dos Tecidos. (YAMAMURA, 2004, p. 7)
A circulação debilitada pode resultar na condensação excessiva de Qi, o que significa que o Qi se transforma patologicamente em denso, formando tumores, massas ou aumentos de volume (MACIOCIA, 1996, p.127).
Os tumores viscosos (TanYin) e os acúmulos de sangue (Yu Xue) são produções patológicas consecutivas a um mau funcionamento de órgãos, porém como essas formações podem direta ou indiretamente, agredir as vísceras (Zang Fu) e os tecidos orgânicos, podem ser consideradas como verdadeiros os fatores patogênicos. As mucosidades e os tumores viscosos são produtos da interrupção parcial do metabolismo dos líquidos orgânicos, provocando uma condensação dos tumores. Tem-se o hábito de chamar “Mucosidade (Tan) o que é espesso e Tumores (Yin) o que é fluído. Por outro lado, chama-se ”Mucosidade e tumores viscosos sem aparência material” (Wu Xing Zhi Tan Yin), as manifestações patológicas que apresentam sintomas, tais como: vertigens, ofuscações, náuseas, vômitos, respiração curta, palpitações, demência, perde de sentido, confusão mental: isso, sem que a haja sinais exteriores de tumores viscosos ou mucosidade (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p. 128-129).
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Há 3 causas possíveis à formação dos tumores e das mucosidades: A propensão por álcool e alimentos condimentados (açucarados e gordos) acumula a umidade que se condensará em tumores e mucosidades sob a influência do calor; um ferimento interno causado pelas emoções pode acarretar a estagnação do Qi do Fígado (Gan). Esta estagnação poderá se transformar em Fogo, o qual diminuirá e concentrará os líquidos orgânicos, transformando-os em mucosidade e tumores; a atividade funcional dos órgãos Pulmão (Fei), Baço (Pi) e Rins (Shen), pode ficar embaraçada, a circulação pela Via das águas do Triplo Aquecedor pode ser estorvada, o que afetará a distribuição e a drenagem dos líquidos orgânicos. Com efeito; se o Pulmão não efetuar mais sua função de “difusão – descida”, os líquidos orgânicos não podem ser distribuídos e se acumulam; se o Baço não efetuar mais sua atividade de “transporte-transformação”, a água e a umidade não mais circulam e se acumulam; se os Rins não cumprirem mais sua ação no controle da água, esta não mais poderá ser transformada e vai se acumular; se o Triplo Aquecedor não mantiver mais sua atividade de passagem, a água e o Qi estagnam e se juntam. Em todos os casos, essa concentração de água e de umidade se transformará em tumores e mucosidades (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p. 129).
Há quatro patologias relacionadas ao câncer: Estagnação de Qi, Acúmulo de Fleuma (TanYin), Calor – Umidade do fígado e na Vesícula Biliar, Estagnação de Sangue.
5.1 ESTAGNAÇÃO DE QI
Tumores abdominais que aparecem e desaparecem e sem formato definido são manifestações da estagnação do Qi, além de sensação de distensão, dor em distensão que se move de um lado para outro, depressão mental, irritabilidade, sensação de tristeza, mudanças de humor, bocejos freqüentes, pulso em corda ou apertado e língua levemente púrpura. A sensação de distensão pode afetar hipocôndilo, epigástrio, garganta, abdome e hipogástrio, sendo os sintomas mais característicos e importantes da Estagnação de Qi. O Fígado é o Sistema mais afetado pela estagnação de Qi (MACIOCIA, 1996, p.281).
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Essas produções de tumores e mucosidades podem realizar-se em todas as partes do corpo, criar perturbações em todos os órgãos, ou então estorvar o funcionamento normal do Qi (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p. 130).
Maciocia, (1996, p. 458), também afirma que em todos os casos de massas abdominais, há sempre um Deficiência latente de Qi. O Qi deficiente falha ao transportar e transformar e, gera a Estagnação de Qi e sangue, assim permitindo que as massas de formem.
5.2 ACÚMULO DE FLEUMA (TANYIN)
A Fleuma origina-se de uma disfunção do Baço de transformar e transportar os fluidos, enquanto a estase de Sangue é normalmente causada pela Estagnação de Qi. Ambas são, portanto fatores patogênicos. Em condições crônicas, tornam-se, causas adicionais das patologias em si mesmas (MACIOCIA, 1996, p. 321).
O Pulmão e o Rim também estão envolvidos na formação da fleuma. Se o Pulmão falhar ao dispersar e descender os Fluidos Corpóreos e se o Rim falhar ao transformá-los e excretá-los, estes poderão se acumular e se transformar em fleuma. A fleuma afeta primariamente as partes média e superior do organismo. A fleuma pode “obscurecer” a Mente causando alterações mentais (MACIOCIA, 1996, p.344). Assim também cita Auteroche e Navailh, (1992, p. 102), quando existe uma fraqueza na capacidade de se transporte e transformação do Baço, a umidade se concentra e se transforma em humores viscoso (TanYin). Este estado afetará a difusão e descida do Qi do Pulmão e causará: tosse asmática, abundância de viscosidade e de mucosidade.
O mesmo autor acumulo de Fleuma causam massas abdominais macias, que podem ter a forma de faixas, distensão abdominal, obstipação ou diarréia, pouco apetite, náusea e sensação de plenitude. Os sinais da língua são: inchada, com revestimento pegajoso e escorregadio e o pulso escorregadio.
Há dois tipos de Fleuma: a substancial, que pode ser vista, tal como expectoração; e a não substancial, que pode ser retida no subcutâneo ou nos meridianos.
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5.3 O CALOR – UMIDADE NO FÍGADO E NA VESÍCULA BILIAR
O acúmulo de Umidade nos Meridianos do Fígado e da Vesícula Biliar obstrui o fluxo suave do Qi e causa a Estagnação do Qi do Fígado resultando em distensão, dor no epicôndilo e no tórax. A umidade pode obstruir o fluxo da bile que se acumula e flui em abundância sob a pele causando a icterícia (MACIOCIA, 1996, p.296).
A estagnação do Qi do Fígado deriva do acúmulo de Umidade, faz o Qi do Fígado invadir o Estomago (Wei) e origina náusea, vômito, anorexia e distensão abdominal (MACIOCIA, 1996,p. 282).
Conforme Maciocia (1996, p. 324) este padrão origina-se de uma combinação do calor no Fígado e da Umidade surgindo da Deficiência do Baço. A deficiência do Baço é provavelmente o padrão mais comum no geral, portanto, é uma pré-condição para que este padrão se manifeste. O consumo excessivo de alimentos oleosos ou uma dieta e estilo de vida irregular são algumas das causas da deficiência de Baço. A estagnação persistente da Qi do Fígado pode conduzir ao Calor do Fígado que combina com a Umidade. Qualquer uma das causas da Estagnação do Qi do Fígado, portanto, pode conduzir a este padrão.
Finalmente, Calor-Umidade pode também ser causado por Calor- Umidade climático e externo, o que é muito comum nos países tropicais (MACIOCIA, 1996, p. 391).
5.4 ESTAGNAÇÃO DE SANGUE
Tumores abdominais fixos e bem definidos são manifestações características da estase do sangue, além de aspecto escuro, lábios roxos, dor fixa e persistente, em pontadas, unhas arroxeadas, hemorragia com sangue e coágulos escuros, língua púrpura e pulso em corda, firme ou agitado (MACIOCIA, 1996, p. 462).
O Fígado é o sistema mais freqüentemente afetado pela estagnação do Sangue, isto é usualmente uma conseqüência da estagnação do Qi do Fígado, uma vez que o Qi é o “comandante do Sangue”, quando o Qi estagna, o Sangue coagula (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p. 46).
A principal função do Fígado consiste em assegurar a circulação livre do fluxo do Qi, influenciando todo o organismo. A estagnação do Qi do Fígado provoca perda
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da harmonia na função de vários sistemas. O sintoma de Estagnação de Qi do Fígado mais aparente é a distensão, uma vez que quando o Qi do Fígado não flui livremente, este se acumula e origina sensação de distensão, que poderá se manifestar no epigástrio, hipocôndilo, abdome ou hipogástrio (MACIOCIA, 1996, p. 284).
A estagnação do Sangue do fígado produz manifestações clínicas como “tumores” abdominais fixos, vômito com sangue, epistaxe, menstruação dolorida e irregular com coágulos, além de distensão e dor abdominal que geralmente é fixa, em pontadas, ou persistente (MACIOCIA, 1996, p.284).
A língua apresenta-se púrpura, especialmente nas laterais, com pontos de coloração púrpura. O pulso está em corda. Tendo como sintomas chaves a língua púrpura e o sangue menstrual com coágulos (MACIOCIA, 1996 ,p.285).
Na MTC o relacionamento entre uma emoção e um sistema é mútuo: a função do Fígado de assegurar o fluxo suave do Qi influência as emoções, e essas, influenciam a função do Fígado.
Alterações na vida emocional é a causa mais importante da estagnação de Qi e de Sangue do Fígado. O estado de frustração, fúria reprimida ou ressentimento por um longo período pode afetar a circulação de maneira que o Qi não consiga fluir suavemente e se torne paralisado resultando na estagnação de Qi do Fígado e conseqüentemente à estagnação de Sangue do Fígado (MACIOCIA, 1996, p.458).
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6 TRATAMENTO DOS SINTOMAS DE NÁUSEA E VÔMITO COM A MTC
A acupuntura é um método terapêutico muito antigo, utilizado no Oriente há mais de 5000 anos, focado no organismo como um todo. Trata-se de um método de prevenção e tratamento de doenças, realizado através da puntura em certos pontos estratégicos da pele e tecidos subjacentes, em diferentes profundidades, com o uso de agulhas ou aplicações de calor (moxa) na superfície do corpo. Neste sentido, a puntura (estímulo) de uma área traz resultados em outra. (SCOGNAMILLO-SZABÓ e BECHARA, 2001)
Uma das terapias alternativas mais difundidas no Ocidente é a acupuntura. Aproximadamente 20% das pessoas na Europa já utilizaram esta técnica como meio de tratamento (FISHER e WARD, 1994). Em pesquisa realizada nos EUA em 1998, 51% dos médicos referiram praticar acupuntura ou recomendar seu uso aos pacientes (ASTIN et al., 1998). Resultados consistentes quanto à eficácia da acupuntura têm sido apresentados em diferentes estudos, com diferentes grupos de pacientes e com diferentes pontos estimulados. (SHANG, 2000)
A acupuntura faz parte de um conjunto de conhecimentos, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC), incluindo portanto outras técnicas como a moxabustão, ventosa, fitoterapia, auriculoterapia, eletroacupuntura. Apesar de tratar-se de um método seguro, alguns cuidados devem ser observados, evitando-se a técnica em gestantes, pessoas desnutridas, muito cansadas ou muito ansiosas, sobre dermatites ou áreas tumorais (AUTEROCHE e AUTEROCHE, 1996, p.215).
Referências sobre a fisiopatologia e tratamento de tumores, pela medicina tradicional chinesa (MTC), podem ser encontrados em alguns textos datados com mais de 2000 anos.
A MTC aborda o câncer não somente tratando o tumor, mas o paciente como um todo, estimulando seu sistema imune, atuando em interações entre o paciente e o tumor, e atenuando os sintomas relativos ao câncer e os efeitos colaterais comumente observados em tratamentos convencionais (TAGLIAFERRI, 2001). Em uma pesquisa feita em Hong Kong sobre as atitudes de paciente com câncer para o tratamento da medicina chinesa, de um total de 786 participantes incluídos no estudo, 42,9% utilizaram somente a medicina ocidental, 57,1%
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utilizaram pelo menos uma forma de medicina chinesa; 5 participantes utilizaram somente a medicina chinesa, e 56,5% utilizavam a medicina chinesa antes, durante e após o tratamento da medicina ocidental (LAM et al., 2009).
Várias técnicas não-farmacológicas foram examinadas em testes como alternativas aos medicamentos antieméticos, que incluem acupuntura, eletroacupuntura, acupuntura a laser, estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS), estimulação pontos de acupuntura, acupressão e gesso capsicum. A maioria dos estudos não-farmacológicas têm-se centrado na estimulação do pulso no ponto de acupuntura Neiguan (CS-6) para reduzir náuseas e vômitos. O ponto de acupuntura Neiguan (CS-6) fica entre o tendão do palmar longo e flexor dos músculos flexor radial, 4 cm proximal à prega do punho. (LEE e FAN, 2009) Segundo Ezzo et al (2006) em uma análise para avaliar a eficácia da acupuntura, na estimulação de pontos que amenizem a náusea e vômito em pacientes submetido à quimioterapia aguda e tardia, onze placebos foram agrupados. Em geral, a acupuntura, com a estimulação do ponto de todos os métodos reduziu a incidência de vômitos aguda em relação ao controle. Por modalidade, a estimulação com agulhas reduz a proporção de vômitos agudos e a severidade da náusea. Eletroacupuntura reduziu a proporção de vômitos agudos. Acupressão reduziu a gravidade média de náusea aguda, mas não dos vômitos agudos ou sintomas tardios. A eletroestimulação não invasiva não mostrou nenhum benefício para qualquer resultado. Todos os ensaios farmacológicos utilizaram antieméticos concomitantemente, exceto ensaios com eletroacupuntura. Assim, esta revisão completa de dados sobre o pós-operatório náuseas e vômitos, sugere um efeito biológico da acupuntura na estimulação do ponto. Conforme Gardani et al (2007) estudos clínicos anteriores já tinham sugerido uma possível eficácia da acupuntura no tratamento de pacientes em tratamento quimioterapêutico, resistentes às drogas clássicas antieméticas. Foi realizado um estudo em 100 pacientes com tumor sólido metastático, que se submeteram à quimioterapia para a doença neoplásica avançada, e que não teve nenhum benefício dos agentes antieméticos padrão, incluindo corticosteróides, antidopaminergics e 5-HT-3R antagonistas. A Acupressão foi feita por uma estimulação de pontos de acupuntura Neiguan (CS-6). A sintomatologia emética foi reduzida pela acupressão em 68/100 (68%) pacientes, sem diferenças significativas em relação ao tipo do tumor. A menor eficácia foi observada em pacientes tratados com regimes contendo
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antraciclinas, sem, no entanto, diferenças estatisticamente significativas em relação a outras combinações quimioterápicas. Assim este estudo confirma os resultados clínicos anteriores, que já havia sugerido a eficácia potencial da acupuntura no tratamento de vômitos devido à quimioterapia. Portanto, acupressão pode ser incluída no sucesso das estratégias terapêuticas de modulação de vômito induzida pela quimioterapia. Gottschling et al (2008) investigaram a acupuntura como uma abordagem de apoio antiemético para reduzir a necessidade de medicação antiemética durante a quimioterapia altamente emêtogénica em oncologia pediátrica. Em 5 hospitais terciários na Alemanha, vinte e três crianças portadoras de câncer maligno foram alocados aleatoriamente para receber tratamento de acupuntura, durante a segunda ou terceira sessão de quimioterapia em conjunto com a medicação antiemética padrão. A principal medida foi a quantidade de medicação antiemética adicionais durante a quimioterapia. O desfecho secundário foi o número de episódios de vômitos por sessão. Quarenta e seis sessões de quimioterapia com ou sem acupuntura foram comparados. A necessidade de medicação antiemética foi significativamente menor nos tratamentos com acupuntura, em comparação com o grupo de controle, os episódios de vômitos por sessão também foram significativamente menores nos tratamentos com acupuntura. Assim acupuntura parece ser eficaz na prevenção de náuseas e vômitos em pacientes de câncer pediátrico.
Os autores Nystrom, Ridderstrom e Leffler (2008) ao realizar um estudo piloto prospectivo observacional para medir as variações de náusea, e também a relação entre a náusea, dor e constipação em pacientes com câncer em estágio paliativo de sua doença. Doze pacientes sofrendo de náuseas e quatro pacientes livres de náuseas participaram do estudo. Os pacientes livres de náusea foram incluídos por terem sido incomodados por náuseas em tratamento anterior de quimioterapia. Os pacientes avaliaram sua intensidade de náusea, dor e constipação em uma escala de avaliação numérica antes de cada uma das 10 sessões de tratamento, com acupuntura no ponto Neiguan (CS-6) ao longo de três semanas, e em dois acompanhamentos durante a semana seguinte. Somente 15 pacientes completaram o estudo. Os resultados obtidos foram uma redução significativa na intensidade de náusea antes da última sessão de tratamento. Três em cada quatro pacientes sem o sintoma de náuseas permaneceram livres de náusea antes da última sessão de
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tratamento com acupuntura. Nenhuma relação foi encontrada entre a náusea, dor e constipação antes, durante ou após o período de tratamento. Assim o estudo demonstrou que o tratamento de acupuntura em pacientes com câncer pode ser associado com uma redução significativa da intensidade de náusea durante um período de quimioterapia em sua fase final de vida. Em um projeto experimental foi observado o efeito terapêutico da acupuntura combinada com antiemético induzida pela cisplatina para náuseas e vômitos. Foram divididos 66 casos de quimioterapia em grupo A e B, com 33 casos em cada grupo. O grupo A, no primeiro ciclo de quimioterapia foram usados tropisetron e a acupuntura. No segundo ciclo foram usados acupuntura placebo e tropisetron. Já o grupo B no primeiro ciclo foram usados tropisetron e a acupuntura placebo e no segundo ciclo foram usados tropisetron e a acupuntura. Para a acupuntura foram selecionados os pontos: Zusanli (E-36), Neiguan (CS-6) e Gongsun (BP-4) e auricular ponto Wei (estômago). Para a acupuntura placebo foram selecionados os pontos 3 cm lateral ao Zusanli (E-36), Neiguan (CS-6) e Gongsun (BP-4) e no ponto auricular correspondente ao nível Scapha. O tratamento com acupuntura e acupuntura placebo foi feito durante 6 dias consecutivos, uma vez por dia e foram dados 5 mg de tropisetron como antiemético aos dois grupos de base como profilaxia antiemética durante 6 dias, uma vez por dia. Os efeitos terapêuticos para náusea e vômito nos 6 dias foram comparados entre o grupo de acupuntura e acupuntura placebo nos dois ciclos de quimioterapia. Foram obtidos taxas efetivas para a náusea nos dias 2 e 4 de 87,1% e 79,0% no grupo da acupuntura, que foram superiores a 59,4% e 57,8% no grupo acupuntura placebo, respectivamente, e os efeitos terapêuticos de vômito no 3º ao 6º dia no grupo da acupuntura foram melhores do que aqueles no grupo acupuntura placebo. Assim conclui-se que a acupuntura combinada com antieméticos pode diminuir efetivamente a incidência e o grau de náuseas e vômitos induzida pela cisplatina e o efeito da acupuntura é melhor do que a acupuntura placebo (SIMA E WANG 2009). Segundo Yang et al (2009) foi comparado os efeitos clínicos entre a eletroacupuntura do ponto Zusanli (E-36) combinada com a aplicação intravenosa de Granisetron e somente a aplicação intravenosa de Granisetron para o tratamento de náuseas e vômitos causados pela quimioterapia do tumor maligno. Em um ensaio clínico controlado randomizado foram utilizados, o grupo de observação (127 casos) foi tratado com a eletroacupuntura no ponto Zusanli (E-36) combinado com o
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antiemético Granisetron, e o grupo controle (119 casos) foi tratado somente com o Granisetron. A taxa total efetiva de 90,5% no grupo de observação, foi superior à de 84,0% no grupo controle, as náuseas e vômitos escores dos dois grupos eram obviamente diminuiu após o tratamento, e o grau de redução do grupo de observação, foi superior ao do grupo controle. Assim a eletroacupuntura no ponto Zusanli (E-36) pode aliviar significativamente os sintomas, como náuseas e vômitos causados pela quimioterapia dos pacientes.
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7 CONCLUSÃO
A Acupuntura é umas das técnicas orientais mais difundidas no ocidente. Sendo utilizada para melhora da qualidade de vida das pessoas.
Este trabalho apresenta a visão oriental embasada nos fundamentos da Medicina Tradicional Chinesa para utilização da Acupuntura no tratamento oncológico, focada no alívio dos sintomas gástricos causados pelos efeitos colaterais da quimioterapia.
Conforme apresenta a literatura científica, para a utilização de técnicas de Acupuntura é necessário uma avaliação individualizada, pois o paciente é tratado como um todo.
De acordo com os dados colhidos deste trabalho, a Acupuntura mostrou bons resultados minimizando, atenuando, modulando e prevenindo as manifestações recorrentes de náusea e vômito em pacientes submetidos a quimioterapia.
A presente monografia sugere novos e mais abrangentes estudos onde se possam demonstrar mais pesquisas para os benefícios no tratamento com Acupuntura. Pois, a Acupuntura como terapia complementar, pode minimizar os sintomas e as manifestações desagradáveis bastante comuns em pacientes que passam por tratamento quimioterapêutico.
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MARIANA JORDAN OKAZAKI MIYATAKE
LUCIANA FERNANDES SOARES
EFEITOS DA ACUPUNTURA NAS INTERCORRÊNCIAS GÁSTRICAS EM PACIENTES ONCOLÓGICOS SUBMETIDOS À QUIMIOTERAPIA
Mogi das Cruzes, SP
2011
UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES
MARIANA JORDAN OKAZAKI MIYATAKE
LUCIANA FERNANDES SOARES
EFEITOS DA ACUPUNTURA NAS INTERCORRÊNCIAS GÁSTRICAS EM PACIENTES ONCOLÓGICOS SUBMETIDOS À QUIMIOTERAPIA
Orientadores: Prof.ª Bernadete Nunes Stolai e
Prof.º Luiz Bernardo Leonelli
Mogi das Cruzes, SP
2011
Monografia apresentada ao programa de Pós–Graduação da Universidade de Mogi das Cruzes como parte dos requisitos para a obtenção do título de Especialista em Acupuntura.
MARIANA JORDAN OKAZAKI MIYATAKE
LUCIANA FERNANDES SOARES
EFEITOS DA ACUPUNTURA NAS INTERCORRÊNCIAS GÁSTRICAS EM PACIENTES ONCOLÓGICOS SUBMETIDOS À QUIMIOTERAPIA
Aprovado em: ………………………………………………………………………………………………….
BANCA EXAMINADORA
Prof.ª Bernadete Stolai Nunes
UMC – Universidade de Mogi das Cruzes
Prof.º Luiz Bernardo Leonelli
UMC – Universidade de Mogi das Cruzes
Prof.ª Romana de Souza Franco
UMC – Universidade de Mogi das Cruzes
Monografia apresentada ao programa de Pós–Graduação da Universidade de Mogi das Cruzes como parte dos requisitos para a obtenção do título de Especialista em Acupuntura.
“Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio – e eis que a verdade se me revela”.
ALBERT EINSTEIN
DEDICATÓRIA
Dedicamos este trabalho primeiramente a Deus, pois sem Ele, nada seria possível e não estaríamos aqui reunidos, desfrutando, juntos, destes momentos que nos são tão importantes.
Aos nossos pais pelo esforço, dedicação e compreensão, em todos os momentos desta e de outras caminhadas.
Aos nossos cônjuges, pelo incentivo, compreensão e apoio em todos os momentos desta importante etapa de nossas vidas.
AGRADECIMENTOS
A Deus, pela força espiritual para a realização desse trabalho.
Aos nossos familiares, pelo apoio, compreensão, ajuda, e, por todo carinho ao longo deste percurso.
Aos meus amigos e colegas de curso, pela cumplicidade, ajuda e amizade.
À professora Bernadete e Professor Luiz Leonelli, pela orientação deste trabalho.
RESUMO
O Câncer é uma doença que acomete milhões de pessoas no mundo todo, sendo um crescimento anormal e descontrolado das células que compõem o organismo. Quando modificadas, estas células se dispõem em formatos diferentes, isso é que irá diferenciar os vários tipos de câncer. O tratamento quimioterapêutico é bastante agressivo e seus efeitos colaterais trazem muitas alterações ao individuo, e duas dessas são: náusea e vômito. A Medicina Tradicional Chinesa aborda o câncer não somente tratando o tumor, mas o paciente como um todo, estimulando seu sistema imune, atuando em interações entre o paciente e o tumor, e atenuando os sintomas relativos ao câncer e os efeitos colaterais comumente observados em tratamentos convencionais. A presente revisão de literatura teve como objetivo analisar quais os benefícios que o tratamento com a Acupuntura traz aos pacientes oncológicos para diminuição dos efeitos das intercorrências gástricas. Vários autores verificaram e avaliaram a eficácia da Acupuntura na estimulação de pontos que amenizam a náusea e vômito em pacientes submetidos à quimioterapia, por exemplo: “Neiguan” CS-6, “Gongsun” BP-4, “Zusanli” E- 36 e auricular ponto “Wei” (Estômago). Com isso notou-se que a Acupuntura pode auxiliar os pacientes oncológicos, como terapia complementar, com intuito de minimizar os desagradáveis sintomas no tratamento da quimioterapia.
Palavras-chave: câncer, vômitos, náuseas, Acupuntura.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO…………………………………………………………………………………………….8
2 METODOLOGIA…………………………………………………………………………………………11
3 CÂNCER NA VISÃO OCIDENTAL………………………………………………………………..12
3.1 TRATAMENTO COM QUIMIOTERAPIA……………………………………………17
4 FUNDAMENTOS DA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA (MTC)…………………..19
5 CÂNCER NA MTC…………………………………………………………………………………….23
5.1 ESTAGNAÇÃO DE QI…………………………………………………………………..24
5.2 ACÚMULO DE FLEUMA (TANYIN)………………………………………………..26
5.3 O CALOR – UMIDADE NO FÍGADO E NA VESÍCULA BILIAR…………..26
5.4 ESTAGNAÇÃO DE SANGUE………………………………………………………..27
6 TRATAMENTO DOS SINTOMAS DE NÁUSEA E VÔMITO COM A MTC………..28
7 CONCLUSÃO…………………………………………………………………………………………….34
REFERÊNCIAS…………………………………………………………………………………………..35
8
11
12
17
18
22
23
24
25
25
27
32
33
8
1 INTRODUÇÃO
O Câncer é uma doença que atinge milhões de pessoas no mundo todo. O tratamento é feito por meio de diversos medicamentos que causam aos pacientes vários efeitos colaterais desconfortantes, além das alterações de vida mexendo com um amplo campo; emocional, social e espiritual. Esta difícil fase na vida do paciente merece respeito para que haja melhora da sua autonomia e qualidade de vida.
A quimioterapia representa um avanço na cura e controle do câncer, aumentando a expectativa de vida do paciente. É essencial, no entanto, que os profissionais de saúde que atuam nessa área tornem efetiva sua orientação quanto aos objetivos e efeitos colaterais do tratamento quimioterápico, além, sobretudo, de oferecer apoio emocional.
Dois dos efeitos colaterais causados pela quimioterapia são a náusea e o vômito, que incomodam os pacientes e levam muitas vezes a desistência do tratamento. Segundo Collins e Thomas (2004) mesmo com os melhores agentes farmacológicos antiemético, 60% dos pacientes com câncer continuam a sentir náuseas e vômitos, quando submetidos a tratamentos de quimioterapia.
Segundo recente relatório da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC) / Organização Mundial da Saúde (OMS), o impacto global do câncer mais que dobrou em 30 anos. Estimou-se que, no ano de 2008, ocorreriam cerca de 12 milhões de casos novos de câncer e 7 milhões de óbitos. O contínuo crescimento populacional, bem como seu envelhecimento, afetará de forma significativa o impacto do câncer no mundo. Esse impacto recairá principalmente sobre os países de médio e baixo desenvolvimento. A IARC/OMS estimou que, em 2008, metade dos casos novos e cerca de dois terços dos óbitos por câncer ocorrerão nessas localidades. (INCA, 2009)
No Brasil, as estimativas, para o ano de 2010, foram válidas também para o ano de 2011, e apontaram para a ocorrência de 489.270 casos novos de câncer. Os tipos mais incidentes, à exceção do câncer de pele do tipo não melanoma, foram os cânceres de próstata e de pulmão no sexo masculino e os cânceres de mama e do colo do útero no sexo feminino, acompanhando o mesmo perfil da magnitude observada para a América Latina. (INCA, 200
9
9).
Dados indicaram que em 2010, ocorreram 236.240 casos novos para o sexo masculino e 253.030 para sexo feminino. O câncer de pele do tipo não melanoma (114 mil casos novos) o mais incidente na população brasileira, seguido pelos tumores de próstata (52 mil), mama feminina (49 mil), cólon e reto (28 mil), pulmão (28 mil), estômago (21 mil) e colo do útero (18 mil) de observada no mundo. (INCA, 2009)
O diagnóstico do câncer implica não somente a descoberta das alterações teciduais já instaladas, mas, muitas vezes, mudanças psíquicas e comportamentais naqueles que o carregam. Não raramente, o medo do tratamento, da quimioterapia e de todas as possíveis complicações faz com que o paciente se afaste de seu meio e busque, inconscientemente, o isolamento. (FRIEDRICH et al, 2000, p. 198) Somam-se às ocorrências descritas anteriormente as complicações decorrentes da própria doença e de seu tratamento agressivo, tais como: fraqueza muscular, náuseas, vômitos, alterações cardiovasculares e respiratórias, e as mais incapacitantes delas: a dor e a fadiga. Toda essa combinação pode levar aos sentimentos de depressão e angústia e causar piora do prognóstico do indivíduo. (MOTA e PIMENTA, 2002)
A avaliação da Qualidade de Vida (QV) na Oncologia pode auxiliar na decisão sobre a efetividade do tratamento, melhorar a tomada de decisão do paciente através do esclarecimento dos efeitos colaterais do tratamento, servir como fator prognóstico para analisar os sintomas e/ou as necessidades de reabilitação, identificar os aspectos de impacto na sobrevida dos pacientes, a estimativa de custo-efetividade (auxilia na decisão de onde e quando investir os recursos existentes), melhorar a organização e a qualidade do cuidado, o desenvolvimento e a regulamentação de medicações, para conhecer as prioridades dos pacientes. (ARAÚJO et al, 2009)
A acupuntura é uma técnica que envolve a inserção de agulhas finas sobre a pele e tecido abaixo dela em pontos específicos, com propósitos terapêuticos ou prevenção cujo protocolo clínico desenvolvido para uso da acupuntura no tratamento de pacientes com câncer prevê suas indicações e algumas contra-indicações para esta prática (FILSHIE e HESTER, 2006).
Como técnica de inserção de agulhas a Acupuntura tem a finalidade de promover a mobilização, a circulação e o fortalecimento das energias humanas, bem
10
como a expulsão de Energias Perversas que acometem o individuo (YAMAMURA, 2004).
Assim, este trabalho foi elaborado baseando na literatura de pesquisa com o objetivo de verificar a atuação da acupuntura sobre a diminuição dos efeitos de náusea e vômito em pacientes oncológicos submetidos ao tratamento quimioterápeutico.
11
2 METODOLOGIA
Foi desenvolvido um levantamento bibliográfico minucioso de revistas cientificas e periódicos sobre o tema abordado, abrangendo o período de 1992 à 2011, nas bases de dados da Bireme (Biblioteca Regional de Medicina), no banco de dados da Scielo, Medline, Pubmed, CAPES e Biblioteca da Universidade de Mogi das Cruzes.
Foram incluídos nos resultados os artigos que utilizarão a acupuntura para alívio dos efeitos colaterais da quimioterapia nos sinais e sintomas de náusea e vômito, com resultados tanto positivos quanto negativos.
12
3 CÂNCER NA VISÃO OCIDENTAL
Câncer é o nome dado a um grupo de doenças malignas caracterizadas pelo crescimento anormal e descontrolado de células que sofreram alteração em seu material genético, em algum momento de seu ciclo celular. Essas células geneticamente modificadas podem invadir os tecidos e órgãos, espalhando-se para outras regiões do corpo. (ROBBINS, 1996, p. 213)
O câncer é causado, por mutação ou por ativação anômala dos genes celulares que controlam o crescimento e a mitose celulares. Muitos oncogenes diferentes já foram identificados. Também existem os antioncogenes capazes de suprimir a ativação de oncogenes específicos. Logo, a perda ou a inativação de antioncogenes pode permitir a ativação de oncogenes, causando o câncer. Somente uma fração diminuta das células corporais que sofrem mutação leva ao câncer. Existem diversas razões para isso: (1) A maioria das células mutantes apresenta menor capacidade de sobrevida que as células normais e, portanto, simplesmente morrem; (2) Apenas algumas das células mutantes que sobrevivem se tornam neoplásicas, visto que a maioria delas ainda conserva os controles normais por feedback que inibem o crescimento excessivo; (3) Aquelas células que são potencialmente neoplásicas, com freqüência, são destruídas pelo sistema imune do corpo, antes de formarem um tumor. Isso ocorre do seguinte modo: a maioria das células mutantes forma proteínas anormais no interior de seus corpos celulares, e essas proteínas, estimulam o sistema imune, levando a formar anticorpos ou linfócitos, sensibilizados contra as células neoplásicas, destruindo-as dessa forma; (4) Em geral, diversos e distintos oncogenes ativados são necessários, todos atuando ao mesmo tempo, para causar câncer. Por exemplo, um desses genes pode promover a reprodução acelerada de uma linhagem celular, mas não ocorre câncer, por não haver, simultaneamente, um gene mutante necessário á formação de vasos sanguíneos. (GUYTON e HALL, 2002, p.34)
Segundo o mesmo autor trilhões de células são formadas a cada dia em todos os indivíduos, e não se desenvolve grandes quantidades de células mutantes neoplásicas, pois, em cada célula, há grande precisão na replicação dos filamentos cromossômicos de DNA, e, também existe um processo de “leitura das provas” que corta e repara filamentos anormais de DNA, antes que ocorra a mitose. Contudo, a
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respeito de todas essas precauções celulares, provavelmente uma célula recém- formada, em cada alguns milhões, tem características mutantes significativas.
A probabilidade de mutações pode aumentar quando o indivíduo é exposto a determinados fatores químicos, físicos ou biológicos, como: (1) A radiação ionizante, como os raios X, raios gama e radiação de partículas de substâncias radioativas e, até mesmo, a luz ultravioleta pode predispor ao câncer. Os íons formados nas células teciduais sob influência dessas radiações são muito reativos e podem romper os filamentos de DNA, produzindo, por isso, muitas mutações; (2) Alguns tipos de substâncias químicas também apresentam muita propensão para causar mutações. Os carcinógenos que causam o maior número de mortes em humanos nas sociedades atuais são os dos cigarros; (3) Irritantes físicos também podem levar ao câncer, como a abrasão continuada de revestimento do trato digestivo por certos tipos de alimentos. A lesão desses tecidos leva à reposição mitótica muito rápida dessas células. Quanto mais rápida for a mitose, maior a probabilidade de mutações; (4) Existem tendências hereditárias para o câncer. Nas famílias particularmente predispostas ao câncer, presume-se que um ou mais genes já tenham mutado no genoma herdado. Logo, um número bem menor de mutações adicionais deve ocorrer nesses indivíduos antes que o câncer comece a crescer; (5) Certos tipos de vírus podem causar algumas formas de câncer, inclusive leucemia. Primeiro, no caso dos vírus de DNA, o filamento de DNA do vírus pode se inserir diretamente em um dos cromossomos, produzindo, dessa maneira, a mutação que leva ao câncer. No caso dos vírus de RNA, alguns deles carregam consigo uma enzima, chamada transcriptase reversa, que faz com que o DNA seja transcrito a partir do RNA. Então, o DNA assim transcrito se insere no genoma do animal, levando ao câncer. (GUYTON e HALL, 2002, p. 34)
As células neoplásicas são bastante invasivas. As principais diferenças entre as células neoplásicas e as normais são: (1) as células neoplásicas não respeitam os limites normais do crescimento celular; a razão para isso é que essas células não precisam dos mesmos fatores de crescimento necessários para produzir o crescimento das células normais; (2) as células neoplásicas se aderem umas às outras com intensidade muito menor do que fazem as células normais. Por conseguinte, elas têm tendência a vagar pelos tecidos para atingir a corrente sanguínea e serem transportadas por todo o corpo, onde vão formar ninhos para novos e numerosos crescimentos cancerosos; (3) alguns cânceres também
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produzem fatores angiogênicos que promovem o crescimento de vasos sanguíneos no interior dos tumores, suprindo, por esse meio, os nutrientes necessários ao seu crescimento. (GUYTON e HALL, 2002, p. 35)
O tratamento oncológico deve ser instituído o mais precocemente possível e deve também ser definido de acordo com as situações clínicas apresentadas durante a evolução da doença, visando, assim, a uma melhor qualidade de vida do paciente. Diante disso, torna-se necessário promover um sistema de suporte ao paciente oncológico para que ele possa viver da forma mais ativa possível e sentir-se satisfeito em suas atividades. (PIMENTA, 2003) Nesse contexto, a atuação multi e interdisciplinar contribui de maneira bastante efetiva para o sucesso do tratamento do câncer, já que consegue abordar as necessidades do indivíduo de forma específica e, ao mesmo tempo, global.
Segundo Chevalier-Martinelli (2006), o princípio da quimioterapia é atingir e destruir as células malignas que têm a capacidade de se multiplicar indefinidamente. Todos os medicamentos anticancerígenos que participam dessa destruição têm toxicidade mais ou menos intensa, capaz de afetar a composição sanguínea, a pele, os pelos e outros órgãos. Quanto maior a dose, maior a chance de destruir um grande número de células malignas – e também maior o risco de atingir células sadias.
Ballatori e Roila (2003) revisaram o impacto negativo que náuseas e vômitos pós-quimioterapia têm sobre a QV dos pacientes, podendo causar fissuras esofágicas, má nutrição, distúrbios hidroeletrolíticos e até mesmo a recusa dos pacientes em prosseguirem nos ciclos quimioterápicos. Esse impacto é sentido principalmente nos quesitos físico ou corporal das mais variadas escalas de QV utilizadas. Esquemas quimioterápicos com menor probabilidade de náuseas ou vômitos e o asseguramento de esquemas seguros e eficientes de antieméticos têm impacto nessa questão. Salienta-se que, atualmente, devido a novas medicações antieméticas, a taxa de náuseas e vômitos seja de menos de 10%.
A náusea foi definida como uma experiência desagradável, mas não dolorosa, geralmente localizada na garganta e na parte superior do estômago, o que dá uma sensação de vômito que pode ser iminente. Em cuidados paliativos de pacientes com câncer a náusea é um sintoma comum e foi relatado que aproximadamente 40 – 70% deles sofrem de constante ou náusea intermitente na fase final da vida. (NYSTROM, RIDDERSTROM, LEFFLER, 2008)
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Há 20 anos, náuseas e vômitos foram considerados inevitáveis conseqüências adversas da quimioterapia e responsável por 20-25% de abandono do tratamento antineoplásico (JORDAN, KASPER, SCHMOLL, 2005). Apesar dos avanços nas áreas farmacológicas e não-farmacológicas os cuidado com a náusea e o vômito são ainda alguns dos mais temidos e preocupação sintomas para o paciente e sua família. Esta toxicidade deve ser evitada e adequadamente, caso ocorra, utilize uma metodologia adequada para avaliação e tratamento. O controle desses sintomas aumenta a QV dos pacientes que receberam quimioterapia e é um esteio no tratamento.
Drogas são uma das causas principais de náusea e vômitos. Muitas drogas atuam na zona de gatilho da quimioterapia na área postrema, no assoalho do 4º ventrículo, induzindo náusea e vômitos. Os efeitos adversos da náusea e vômitos induzidos por droga no caso do tratamento do câncer, incidindo sobre o estado nutricional já comprometido pela doença, podem ser seriamente agravados, com a fadiga, a redução da massa muscular, e o aumento da suscetibilidade à infecções, com conseqüências potencialmente fatais. (EDELMAN, LUM, GANDARA, 2000) Segundo Bonassa e Santana (2005) a náuseas e vômitos são os sinais e sintomas mais prevalentes em relação à toxicidade gastrintestinal decorrentes da quimioterapia antineoplásica. Podem afetar a condição nutricional, o equilíbrio hidroeletrolítico e a qualidade de vida do paciente, aumentando ansiedade e estresse, resultando no atraso ou até abandono do tratamento. Na última década ocorreram avanços importantes para compreensão da fisiologia de náuseas e vômitos induzidos pela quimioterapia, principalmente no que tange ao papel da serotonina no mecanismo antiemético. No entanto, estima-se que ainda um terço dos pacientes sob terapia oncológica não respondam plenamente à terapêutica antiemética disponível. Os principais agentes eméticos desse tipo são os agonistas da dopamina, os analgésicos opióides, as preparações digitálicas, e os quimioterápicos do câncer. Algumas drogas lesam a mucosa gástrica, como os antiinflamatórios não hormonais, induzindo náusea e vômitos por ativação de reflexos ascendentes para o centro do vômito a partir do tubo digestivo. O álcool atua dessa forma, e também sobre a zona de gatilho da quimioterapia. Alguns agentes quimioterápicos também estimulam uma grande liberação de serotonina no intestino, ativando o centro do vômito também pela via vagal aferente. A náusea e vômitos induzidos por drogas ocorrem com
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maior freqüência em pacientes com história de náusea e vômitos de viagem. (LEE e FELDMAN, 1998)
Segundo García et al. (2005) como os outros reflexos orgânicos, a náusea e o vômito apresentam um componente aferente, uma central de integração e um componente eferente. A integração é feita no centro do vômito (CV), estrutura funcional localizada na formação reticular lateral da medula. Essa estrutura recebe os estímulos dos vários sítios localizados em todo o trato gastrointestinal através de aferentes vagal e simpático, centros cerebrais superiores e da zona quimiorreceptora do gatilho. Estímulos adicionais são enviados do labirinto, útero, pelve renal e bexiga. O período anterior ao ato de vomitar compreende a náusea e vários outros sinais autônomos característicos como salivação, palidez, dilatação pupilar, bradicardia ou taquicardia e variações da pressão arterial. A ventilação torna-se profunda, rápida e irregular. O processo do vômito deve ser diferenciado da regurgitação, evento passivo de transferência do conteúdo gástrico até a faringe. Ao contrário da regurgitação, o vômito necessita que um determinado limiar de estimulação do CV seja atingido.
Essa estimulação é sempre indireta, pois não se conhece ação direta de qualquer composto nesse centro. Os impulsos eferentes são enviados pelo quinto, sétimo, nono, décimo e décimo – segundo nervos cranianos, nervos frênicos e nervos espinhais para o esôfago, estômago e diafragma. Essa atividade eferente é responsável por muitas das alterações autônomas que acompanham a êmese. Após a chegada dos impulsos eferentes na periferia, ocorre uma série de eventos estereotipados que envolvem: o abaixamento do diafragma e contração da musculatura abdominal após inspiração profunda, com o conseqüente aumento da pressão intragástrica; contração do piloro, prevenindo o esvaziamento gástrico para o duodeno; relaxamento do fundo gástrico, cardia e esfíncter esofágico inferior, forçando o conteúdo em direção ao esôfago; a laringe e o osso hióide movem-se para cima e para frente, acelerando o movimento do conteúdo gástrico, para cima; o pálato mole eleva-se, prevenindo a entrada do vômito no nasofaringe; a glote fecha-se, prevenindo a aspiração para a traquéia; após o fechamento da glote a pressão intratorácica aumenta, exercendo pressão no esôfago; o esôfago contrai-se e impulsiona o conteúdo em direção à boca. (GARCIA et al.,2005)
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3.1 TRATAMENTO COM QUIMIOTERAPIA
Segundo Instituto Nacional do Câncer – INCA (2010) a quimioterapia é o método que utiliza compostos químicos, chamados quimioterápicos, no tratamento de doenças causadas por agentes biológicos. Quando aplicada ao câncer, a quimioterapia é chamada de quimioterapia antineoplásica ou quimioterapia antiblástica. O primeiro quimioterápico antineoplásico foi desenvolvido a partir do gás mostarda, usado nas duas Guerras Mundiais como arma química. Após a exposição de soldados a este agente, observou-se que eles desenvolveram hipoplasia medular e linfóide, o que levou ao seu uso no tratamento dos linfomas malignos. A partir da publicação, em 1946, dos estudos clínicos feitos com o gás mostarda e das observações sobre os efeitos do ácido fólico em crianças com leucemias, verificou-se avanço crescente da quimioterapia antineoplásica. Atualmente, quimioterápicos mais ativos e menos tóxicos encontram-se disponíveis para uso na prática clínica. Os avanços verificados nas últimas décadas, na área da quimioterapia antineoplásica, têm facilitado consideravelmente a aplicação de outros tipos de tratamento de câncer e permitido maior número de curas.
A quimioterapia antineoplásica consiste na utilização de agentes químicos, isolados ou em combinação, com finalidade de eliminar células tumorais do organismo. Por se tratar de tratamento sistêmico, age indiscriminadamente nas células em rápida proliferação, ocasionando reações adversas. Faz-se necessário o conhecimento dos tratamentos dessas reações para que se possa intervir visando à melhoria da qualidade de vida e minimizando efeitos colaterais. (FONSECA et al, 2000, p. 164)
A quimioterapia não é apenas utilizada para casos oncológicos, é também utilizada para tratamentos de psoríase, esclerose múltipla, artrite reumatóide e alguns tipos de insuficiência renal (BARACAT et al., 2000, p.120)
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4 FUNDAMENTOS DA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA
A acupuntura foi idealizada dentro do contexto global da filosofia do Tao e das concepções filosóficas e fisiológicas que nortearam a Medicina Tradicional Chinesa (MTC). A concepção dos canais de Energia e dos pontos de acupuntura, o diagnóstico energético e o tratamento baseam-se nos preceitos do Yin e do Yang, dos Cinco elementos, da Energia (Qi) e do Sangue (Xue) (YAMAMURA, 2004, p.57).
Os princípios do Yin e Yang estão presentes em todos os aspectos da teoria chinesa. São utilizados para explicar a estrutura orgânica do corpo humano, as suas funções fisiológicas, as leis referentes à causa e à evolução das doenças, para servir de guia no diagnóstico e no tratamento clinico (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p. 17).
Segundo Macciocia (1996, p.38) o modelo de correspondência dos 5 elementos é amplamente utilizado no diagnóstico, sendo baseado sobretudo na correspondência entre os Elementos (Zang Fu).
Auteroche e Navailh (1992, p.23) relatam que a teoria dos cinco elementos considera que o universo é formado pelo movimento e a transformação dos cinco princípios: a Madeira, o Fogo, a Terra, o Metal e a Água.
A MTC considera a função do corpo e da mente como resultado da interação de determinadas substâncias vitais. Essas substâncias manifestam-se em vários níveis de “substancialidade”, de maneira que algumas delas são muito rarefeitas e outras totalmente imateriais. O corpo e a mente não são vistos como um mecanismo, mas como um círculo de energia e substâncias vitais interagindo uns com os outros para formar o organismo (MACIOCIA, 1996, p. 51).
A base de tudo é o Qi (Energia): todas as outras substâncias vitais são manifestações do Qi em vários graus de materialidade, variando do completamente material, tal como fluidos corpóreos (Jin Ye), para o totalmente imaterial, tal com a Mente (Shen). O Qi dos seres humanos é resultado da interação do Qi do Céu e da Terra, havendo assim interação entre o Qi dos seres humanos e as forças naturais. A medicina Chinesa enfatiza o relacionamento entre os seres humanos e seu meio
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ambiente, e leva isto em consideração para determinar a etiologia, o diagnostico e o tratamento (MACIOCIA, 1996, p. 50).
De acordo com os chineses, há muitos “tipos” diferentes de Qi no homem, variando do mais tênue e rarefeito ao mais denso e duro. Todos os tipos de Qi, todavia são na verdade um único Qi, que simplesmente se manifesta de diferentes formas. O Qi modifica-se em sua forma de acordo com a localização e função. Embora seja fundamentalmente o mesmo, o Qi coloca “diferentes vestimentas” em diversos lugares e assume inúmeras funções (MACIOCIA, 1996, p. 52).
O Sangue (Xue) na MTC é em si mesmo uma forma de Qi muito denso e material. A principal função do sangue consiste em nutrir o organismo, complementando a ação nutriente do Qi. Além disso, o Sangue também possui a função de hidratar, o que o Qi não possui. O Coração (Xin), o Baço e o Fígado são os sistemas mais importantes em relação ao sangue. O Coração governa o Sangue, o Baço controla o Sangue e o Fígado armazena o Sangue (MACIOCIA, 1996, p. 68).
O mesmo autor sita que há um relacionamento muito próximo entre o Qi e o Sangue. O Qi gera o Sangue uma vez que o Qi dos Alimentos é a base do Sangue, e também o Qi do Pulmão é essencial para a produção do Sangue. O Qi movimenta o Sangue, visto que sem o Qi, o Sangue seria uma substância inerte, logo, se o Qi é deficiente ou estagnante, não pode impulsionar o Sangue, sendo que este também estagna. O Qi Controla o Sangue nos Vasos Sanguíneos (Xue Mai) prevenindo hemorragias, apesar de essa ser uma função primária do Baço. O Sangue nutre o Qi e providencia uma base material e “densa” que previne o Qi de “flutuar” e originar sintomas de Calor-Vazio. O Sangue e a Essência (Jing) afetam-se mutuamente, uma vez que a Essência é importante na formação do Sangue, que por sua vez, nutre e abastece continuamente a Essência.
A principal função do Baço (Pi) consiste em auxiliar a digestão do Estômago (Wei), por meio do transporte e da transformação das Essências (Jing) alimentares, absorvendo a nutrição dos alimentos e separando as partes puras das impuras (YAMAMURA, 2004, p. 117).
Segundo Yamamura, (2004, p. 119), o Baço (Pi) produz um efeito de “elevação” ao longo da linha media do corpo. Esta é a força que faz os sistemas
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internos permanecerem no local correto. Se o Qi do Baço é deficiente e sua função de “elevar o Qi” estiver deficiente poderá ocorrer prolapso de vários órgãos tais como: útero, estômago, rim, bexiga ou ânus. O movimento ascendente do Qi do Baço (Pi) é coordenado com movimento descendente do Qi do Estomago (Wei). A união dos dois é importante para o movimento adequado do Qi no organismo durante a digestão de maneira que o Qi puro é direcionado em ascendência pelo Baço (Pi) e o Qi impuro em descendência pelo Estômago (Wei). O Qi conecta-se em ascendência com Pulmão (Fei) e o Coração (Xin) e em descendência com Fígado (Gan) e o Rim (Shen). Somente se estes movimentos ascendentes do Qi forem coordenados, poderá o Yang puro ascender para o orifício (órgão dos sentidos) superiores e Yin impuro descender para os dois orifícios inferiores. Se os movimentos descendentes e ascendentes estiverem debilitados, o Yang puro não ascenderá o Qi refinado extraído dos alimentos não poderá ser estocado e o Qi impuro não poderá ser excretado. O Estomago (Wei) e o Baço (Pi) são pertencentes ao elemento Terra, se for tonificado também tonificará indiretamente todos os outros sistemas.
O Baço está situado no aquecedor médio suas principais funções são de dirigir o transporte e a transformação da essência dos alimentos (Jing Qi), fez a subida do que é puro e contem o sangue nos vasos (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p.68 ).
A preocupação ou excesso de concentração é uma “emoção” relacionada com elemento Terra. O uso excessivo de nossas faculdades mentais e o estudo podem resultar na Deficiência de Baço (YAMAMURA, 2004, p. 41).
O mesmo autor afirma que o Qi deficiente do Estomago (Wei) falhará ao descender, causando uma sensação vagamente desconfortável no epigástrio e debilidade nos membros, condição de deficiência (se for decorrente de uma condição de Excesso, será sensação forte de desconforto, dor, náuseas). De acordo com a MTC a atividade mental e a consciência residem no Coração (Xin), elemento Fogo. Significa que um Coração (Xin) saudável é essencial para o suprimento adequado do Sangue (Xue) deficiente podem ocorrer alterações mentais, (como depressão), falte de memória, pensamento afetado, insônia ou sonolência, em casos extremos a inconsciência.
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O elemento metal que é o Pulmão (Fei) governa o Qi e a respiração, controla os vasos sanguíneos (Xue – Mai) onde Qi do Pulmão (Fei) auxilia o Coração (Xin) no controle da circulação sanguínea. Tendo um papel vital nos movimentos dos Fluidos Corpóreos (Jin Ye). Se o Qi do Pulmão (Fei) é fraco o Qi não será capaz de empurrar o sangue (Xue) para os membros, assim as mãos ficarão frias. Se a função do Pulmão (Fei) de dispersar os Fluidos Corpóreos (Jin Ye) for obstruídas podem se acumular sob a pele causando edema. Tendo as funções dispersoras o Pulmão (Fei) é, portanto responsável pela excreção dos Fluidos Corpóreos (Jin Ye) serão eliminados por meio da sudorese e da urina. Em um nível emocional é diretamente afetada pelas emoções de tristeza, lamento e depressão nas quais obstruem seus movimentos afetando a Alma Corpórea (YAMAMURA, 2004, p. 109- 114).
O Fígado (Gan) elemento madeira é um dos sistemas mais importantes para o armazenamento do Sangue (Xue) no organismo inteiro a qualquer tempo. Se, por outro lado, a função do Fígado (Gan) for anormal afetará a qualidade de Sangue (Xue), causando determinados tipos de patologia, ex: cansaço, problemas de pele, alterações ginecologias, visão turva, câimbras musculares, contrações nos tendões, etc (YAMAMURA, 2004, p. 101).
Afirma ainda que de acordo com os cinco elementos o Rim (Shen) pertence a água, é referido como a Raiz da Vida. Isto porque armazena a Essência (Jing) que é parcialmente derivada dos pais, estabelecida na concepção. É o fundamento essencial para o nascimento, crescimento e produção. A debilidade dos Rins (Shen) resulta pouca vitalidade, infertilidade ou debilidade sexual, ossos fracos. Pois os Rins (Shen) determinam a força física e mental do individuo e também a força de vontade.
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5 CÂNCER NA VISÃO ORIENTAL
Yamamura (2004, p. 8) refere que o fluxo energético dos Canais de Energia refletem o estado dos Zang Fu (órgãos/vísceras), assim como as alterações energéticas ocasionais do meio ambiente. Os canais de Energia Principais e seus pontos de acupuntura são sede de manifestações interiores, assim como o local para a entrada das Energias Perversas. Todos esses fatores alteram a quantidade, a qualidade e o fluxo de Qi nos Canais de Energia, podendo ocasionar o aparecimento de manifestações clínicas, conseqüências a falta ou excesso de Qi ou mesmo pela estagnação de Qi e de Xue (sangue).
O Qi e o Xue são transportados pelos Canais de Energia, cuja circulação obedece aos princípios da polaridade Yang- Yin, do movimento alto e baixo (subida e descida) das contraturas e relaxamento musculares. Por meio desses fenômenos o Qi circula nos canais de Energia e o Xue circula nos vasos sanguíneos, promovendo a nutrição, a defesa, à harmonização energética dos Órgãos, das Vísceras e dos Tecidos. (YAMAMURA, 2004, p. 7)
A circulação debilitada pode resultar na condensação excessiva de Qi, o que significa que o Qi se transforma patologicamente em denso, formando tumores, massas ou aumentos de volume (MACIOCIA, 1996, p.127).
Os tumores viscosos (TanYin) e os acúmulos de sangue (Yu Xue) são produções patológicas consecutivas a um mau funcionamento de órgãos, porém como essas formações podem direta ou indiretamente, agredir as vísceras (Zang Fu) e os tecidos orgânicos, podem ser consideradas como verdadeiros os fatores patogênicos. As mucosidades e os tumores viscosos são produtos da interrupção parcial do metabolismo dos líquidos orgânicos, provocando uma condensação dos tumores. Tem-se o hábito de chamar “Mucosidade (Tan) o que é espesso e Tumores (Yin) o que é fluído. Por outro lado, chama-se ”Mucosidade e tumores viscosos sem aparência material” (Wu Xing Zhi Tan Yin), as manifestações patológicas que apresentam sintomas, tais como: vertigens, ofuscações, náuseas, vômitos, respiração curta, palpitações, demência, perde de sentido, confusão mental: isso, sem que a haja sinais exteriores de tumores viscosos ou mucosidade (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p. 128-129).
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Há 3 causas possíveis à formação dos tumores e das mucosidades: A propensão por álcool e alimentos condimentados (açucarados e gordos) acumula a umidade que se condensará em tumores e mucosidades sob a influência do calor; um ferimento interno causado pelas emoções pode acarretar a estagnação do Qi do Fígado (Gan). Esta estagnação poderá se transformar em Fogo, o qual diminuirá e concentrará os líquidos orgânicos, transformando-os em mucosidade e tumores; a atividade funcional dos órgãos Pulmão (Fei), Baço (Pi) e Rins (Shen), pode ficar embaraçada, a circulação pela Via das águas do Triplo Aquecedor pode ser estorvada, o que afetará a distribuição e a drenagem dos líquidos orgânicos. Com efeito; se o Pulmão não efetuar mais sua função de “difusão – descida”, os líquidos orgânicos não podem ser distribuídos e se acumulam; se o Baço não efetuar mais sua atividade de “transporte-transformação”, a água e a umidade não mais circulam e se acumulam; se os Rins não cumprirem mais sua ação no controle da água, esta não mais poderá ser transformada e vai se acumular; se o Triplo Aquecedor não mantiver mais sua atividade de passagem, a água e o Qi estagnam e se juntam. Em todos os casos, essa concentração de água e de umidade se transformará em tumores e mucosidades (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p. 129).
Há quatro patologias relacionadas ao câncer: Estagnação de Qi, Acúmulo de Fleuma (TanYin), Calor – Umidade do fígado e na Vesícula Biliar, Estagnação de Sangue.
5.1 ESTAGNAÇÃO DE QI
Tumores abdominais que aparecem e desaparecem e sem formato definido são manifestações da estagnação do Qi, além de sensação de distensão, dor em distensão que se move de um lado para outro, depressão mental, irritabilidade, sensação de tristeza, mudanças de humor, bocejos freqüentes, pulso em corda ou apertado e língua levemente púrpura. A sensação de distensão pode afetar hipocôndilo, epigástrio, garganta, abdome e hipogástrio, sendo os sintomas mais característicos e importantes da Estagnação de Qi. O Fígado é o Sistema mais afetado pela estagnação de Qi (MACIOCIA, 1996, p.281).
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Essas produções de tumores e mucosidades podem realizar-se em todas as partes do corpo, criar perturbações em todos os órgãos, ou então estorvar o funcionamento normal do Qi (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p. 130).
Maciocia, (1996, p. 458), também afirma que em todos os casos de massas abdominais, há sempre um Deficiência latente de Qi. O Qi deficiente falha ao transportar e transformar e, gera a Estagnação de Qi e sangue, assim permitindo que as massas de formem.
5.2 ACÚMULO DE FLEUMA (TANYIN)
A Fleuma origina-se de uma disfunção do Baço de transformar e transportar os fluidos, enquanto a estase de Sangue é normalmente causada pela Estagnação de Qi. Ambas são, portanto fatores patogênicos. Em condições crônicas, tornam-se, causas adicionais das patologias em si mesmas (MACIOCIA, 1996, p. 321).
O Pulmão e o Rim também estão envolvidos na formação da fleuma. Se o Pulmão falhar ao dispersar e descender os Fluidos Corpóreos e se o Rim falhar ao transformá-los e excretá-los, estes poderão se acumular e se transformar em fleuma. A fleuma afeta primariamente as partes média e superior do organismo. A fleuma pode “obscurecer” a Mente causando alterações mentais (MACIOCIA, 1996, p.344). Assim também cita Auteroche e Navailh, (1992, p. 102), quando existe uma fraqueza na capacidade de se transporte e transformação do Baço, a umidade se concentra e se transforma em humores viscoso (TanYin). Este estado afetará a difusão e descida do Qi do Pulmão e causará: tosse asmática, abundância de viscosidade e de mucosidade.
O mesmo autor acumulo de Fleuma causam massas abdominais macias, que podem ter a forma de faixas, distensão abdominal, obstipação ou diarréia, pouco apetite, náusea e sensação de plenitude. Os sinais da língua são: inchada, com revestimento pegajoso e escorregadio e o pulso escorregadio.
Há dois tipos de Fleuma: a substancial, que pode ser vista, tal como expectoração; e a não substancial, que pode ser retida no subcutâneo ou nos meridianos.
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5.3 O CALOR – UMIDADE NO FÍGADO E NA VESÍCULA BILIAR
O acúmulo de Umidade nos Meridianos do Fígado e da Vesícula Biliar obstrui o fluxo suave do Qi e causa a Estagnação do Qi do Fígado resultando em distensão, dor no epicôndilo e no tórax. A umidade pode obstruir o fluxo da bile que se acumula e flui em abundância sob a pele causando a icterícia (MACIOCIA, 1996, p.296).
A estagnação do Qi do Fígado deriva do acúmulo de Umidade, faz o Qi do Fígado invadir o Estomago (Wei) e origina náusea, vômito, anorexia e distensão abdominal (MACIOCIA, 1996,p. 282).
Conforme Maciocia (1996, p. 324) este padrão origina-se de uma combinação do calor no Fígado e da Umidade surgindo da Deficiência do Baço. A deficiência do Baço é provavelmente o padrão mais comum no geral, portanto, é uma pré-condição para que este padrão se manifeste. O consumo excessivo de alimentos oleosos ou uma dieta e estilo de vida irregular são algumas das causas da deficiência de Baço. A estagnação persistente da Qi do Fígado pode conduzir ao Calor do Fígado que combina com a Umidade. Qualquer uma das causas da Estagnação do Qi do Fígado, portanto, pode conduzir a este padrão.
Finalmente, Calor-Umidade pode também ser causado por Calor- Umidade climático e externo, o que é muito comum nos países tropicais (MACIOCIA, 1996, p. 391).
5.4 ESTAGNAÇÃO DE SANGUE
Tumores abdominais fixos e bem definidos são manifestações características da estase do sangue, além de aspecto escuro, lábios roxos, dor fixa e persistente, em pontadas, unhas arroxeadas, hemorragia com sangue e coágulos escuros, língua púrpura e pulso em corda, firme ou agitado (MACIOCIA, 1996, p. 462).
O Fígado é o sistema mais freqüentemente afetado pela estagnação do Sangue, isto é usualmente uma conseqüência da estagnação do Qi do Fígado, uma vez que o Qi é o “comandante do Sangue”, quando o Qi estagna, o Sangue coagula (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992, p. 46).
A principal função do Fígado consiste em assegurar a circulação livre do fluxo do Qi, influenciando todo o organismo. A estagnação do Qi do Fígado provoca perda
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da harmonia na função de vários sistemas. O sintoma de Estagnação de Qi do Fígado mais aparente é a distensão, uma vez que quando o Qi do Fígado não flui livremente, este se acumula e origina sensação de distensão, que poderá se manifestar no epigástrio, hipocôndilo, abdome ou hipogástrio (MACIOCIA, 1996, p. 284).
A estagnação do Sangue do fígado produz manifestações clínicas como “tumores” abdominais fixos, vômito com sangue, epistaxe, menstruação dolorida e irregular com coágulos, além de distensão e dor abdominal que geralmente é fixa, em pontadas, ou persistente (MACIOCIA, 1996, p.284).
A língua apresenta-se púrpura, especialmente nas laterais, com pontos de coloração púrpura. O pulso está em corda. Tendo como sintomas chaves a língua púrpura e o sangue menstrual com coágulos (MACIOCIA, 1996 ,p.285).
Na MTC o relacionamento entre uma emoção e um sistema é mútuo: a função do Fígado de assegurar o fluxo suave do Qi influência as emoções, e essas, influenciam a função do Fígado.
Alterações na vida emocional é a causa mais importante da estagnação de Qi e de Sangue do Fígado. O estado de frustração, fúria reprimida ou ressentimento por um longo período pode afetar a circulação de maneira que o Qi não consiga fluir suavemente e se torne paralisado resultando na estagnação de Qi do Fígado e conseqüentemente à estagnação de Sangue do Fígado (MACIOCIA, 1996, p.458).
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6 TRATAMENTO DOS SINTOMAS DE NÁUSEA E VÔMITO COM A MTC
A acupuntura é um método terapêutico muito antigo, utilizado no Oriente há mais de 5000 anos, focado no organismo como um todo. Trata-se de um método de prevenção e tratamento de doenças, realizado através da puntura em certos pontos estratégicos da pele e tecidos subjacentes, em diferentes profundidades, com o uso de agulhas ou aplicações de calor (moxa) na superfície do corpo. Neste sentido, a puntura (estímulo) de uma área traz resultados em outra. (SCOGNAMILLO-SZABÓ e BECHARA, 2001)
Uma das terapias alternativas mais difundidas no Ocidente é a acupuntura. Aproximadamente 20% das pessoas na Europa já utilizaram esta técnica como meio de tratamento (FISHER e WARD, 1994). Em pesquisa realizada nos EUA em 1998, 51% dos médicos referiram praticar acupuntura ou recomendar seu uso aos pacientes (ASTIN et al., 1998). Resultados consistentes quanto à eficácia da acupuntura têm sido apresentados em diferentes estudos, com diferentes grupos de pacientes e com diferentes pontos estimulados. (SHANG, 2000)
A acupuntura faz parte de um conjunto de conhecimentos, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC), incluindo portanto outras técnicas como a moxabustão, ventosa, fitoterapia, auriculoterapia, eletroacupuntura. Apesar de tratar-se de um método seguro, alguns cuidados devem ser observados, evitando-se a técnica em gestantes, pessoas desnutridas, muito cansadas ou muito ansiosas, sobre dermatites ou áreas tumorais (AUTEROCHE e AUTEROCHE, 1996, p.215).
Referências sobre a fisiopatologia e tratamento de tumores, pela medicina tradicional chinesa (MTC), podem ser encontrados em alguns textos datados com mais de 2000 anos.
A MTC aborda o câncer não somente tratando o tumor, mas o paciente como um todo, estimulando seu sistema imune, atuando em interações entre o paciente e o tumor, e atenuando os sintomas relativos ao câncer e os efeitos colaterais comumente observados em tratamentos convencionais (TAGLIAFERRI, 2001). Em uma pesquisa feita em Hong Kong sobre as atitudes de paciente com câncer para o tratamento da medicina chinesa, de um total de 786 participantes incluídos no estudo, 42,9% utilizaram somente a medicina ocidental, 57,1%
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utilizaram pelo menos uma forma de medicina chinesa; 5 participantes utilizaram somente a medicina chinesa, e 56,5% utilizavam a medicina chinesa antes, durante e após o tratamento da medicina ocidental (LAM et al., 2009).
Várias técnicas não-farmacológicas foram examinadas em testes como alternativas aos medicamentos antieméticos, que incluem acupuntura, eletroacupuntura, acupuntura a laser, estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS), estimulação pontos de acupuntura, acupressão e gesso capsicum. A maioria dos estudos não-farmacológicas têm-se centrado na estimulação do pulso no ponto de acupuntura Neiguan (CS-6) para reduzir náuseas e vômitos. O ponto de acupuntura Neiguan (CS-6) fica entre o tendão do palmar longo e flexor dos músculos flexor radial, 4 cm proximal à prega do punho. (LEE e FAN, 2009) Segundo Ezzo et al (2006) em uma análise para avaliar a eficácia da acupuntura, na estimulação de pontos que amenizem a náusea e vômito em pacientes submetido à quimioterapia aguda e tardia, onze placebos foram agrupados. Em geral, a acupuntura, com a estimulação do ponto de todos os métodos reduziu a incidência de vômitos aguda em relação ao controle. Por modalidade, a estimulação com agulhas reduz a proporção de vômitos agudos e a severidade da náusea. Eletroacupuntura reduziu a proporção de vômitos agudos. Acupressão reduziu a gravidade média de náusea aguda, mas não dos vômitos agudos ou sintomas tardios. A eletroestimulação não invasiva não mostrou nenhum benefício para qualquer resultado. Todos os ensaios farmacológicos utilizaram antieméticos concomitantemente, exceto ensaios com eletroacupuntura. Assim, esta revisão completa de dados sobre o pós-operatório náuseas e vômitos, sugere um efeito biológico da acupuntura na estimulação do ponto. Conforme Gardani et al (2007) estudos clínicos anteriores já tinham sugerido uma possível eficácia da acupuntura no tratamento de pacientes em tratamento quimioterapêutico, resistentes às drogas clássicas antieméticas. Foi realizado um estudo em 100 pacientes com tumor sólido metastático, que se submeteram à quimioterapia para a doença neoplásica avançada, e que não teve nenhum benefício dos agentes antieméticos padrão, incluindo corticosteróides, antidopaminergics e 5-HT-3R antagonistas. A Acupressão foi feita por uma estimulação de pontos de acupuntura Neiguan (CS-6). A sintomatologia emética foi reduzida pela acupressão em 68/100 (68%) pacientes, sem diferenças significativas em relação ao tipo do tumor. A menor eficácia foi observada em pacientes tratados com regimes contendo
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antraciclinas, sem, no entanto, diferenças estatisticamente significativas em relação a outras combinações quimioterápicas. Assim este estudo confirma os resultados clínicos anteriores, que já havia sugerido a eficácia potencial da acupuntura no tratamento de vômitos devido à quimioterapia. Portanto, acupressão pode ser incluída no sucesso das estratégias terapêuticas de modulação de vômito induzida pela quimioterapia. Gottschling et al (2008) investigaram a acupuntura como uma abordagem de apoio antiemético para reduzir a necessidade de medicação antiemética durante a quimioterapia altamente emêtogénica em oncologia pediátrica. Em 5 hospitais terciários na Alemanha, vinte e três crianças portadoras de câncer maligno foram alocados aleatoriamente para receber tratamento de acupuntura, durante a segunda ou terceira sessão de quimioterapia em conjunto com a medicação antiemética padrão. A principal medida foi a quantidade de medicação antiemética adicionais durante a quimioterapia. O desfecho secundário foi o número de episódios de vômitos por sessão. Quarenta e seis sessões de quimioterapia com ou sem acupuntura foram comparados. A necessidade de medicação antiemética foi significativamente menor nos tratamentos com acupuntura, em comparação com o grupo de controle, os episódios de vômitos por sessão também foram significativamente menores nos tratamentos com acupuntura. Assim acupuntura parece ser eficaz na prevenção de náuseas e vômitos em pacientes de câncer pediátrico.
Os autores Nystrom, Ridderstrom e Leffler (2008) ao realizar um estudo piloto prospectivo observacional para medir as variações de náusea, e também a relação entre a náusea, dor e constipação em pacientes com câncer em estágio paliativo de sua doença. Doze pacientes sofrendo de náuseas e quatro pacientes livres de náuseas participaram do estudo. Os pacientes livres de náusea foram incluídos por terem sido incomodados por náuseas em tratamento anterior de quimioterapia. Os pacientes avaliaram sua intensidade de náusea, dor e constipação em uma escala de avaliação numérica antes de cada uma das 10 sessões de tratamento, com acupuntura no ponto Neiguan (CS-6) ao longo de três semanas, e em dois acompanhamentos durante a semana seguinte. Somente 15 pacientes completaram o estudo. Os resultados obtidos foram uma redução significativa na intensidade de náusea antes da última sessão de tratamento. Três em cada quatro pacientes sem o sintoma de náuseas permaneceram livres de náusea antes da última sessão de
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tratamento com acupuntura. Nenhuma relação foi encontrada entre a náusea, dor e constipação antes, durante ou após o período de tratamento. Assim o estudo demonstrou que o tratamento de acupuntura em pacientes com câncer pode ser associado com uma redução significativa da intensidade de náusea durante um período de quimioterapia em sua fase final de vida. Em um projeto experimental foi observado o efeito terapêutico da acupuntura combinada com antiemético induzida pela cisplatina para náuseas e vômitos. Foram divididos 66 casos de quimioterapia em grupo A e B, com 33 casos em cada grupo. O grupo A, no primeiro ciclo de quimioterapia foram usados tropisetron e a acupuntura. No segundo ciclo foram usados acupuntura placebo e tropisetron. Já o grupo B no primeiro ciclo foram usados tropisetron e a acupuntura placebo e no segundo ciclo foram usados tropisetron e a acupuntura. Para a acupuntura foram selecionados os pontos: Zusanli (E-36), Neiguan (CS-6) e Gongsun (BP-4) e auricular ponto Wei (estômago). Para a acupuntura placebo foram selecionados os pontos 3 cm lateral ao Zusanli (E-36), Neiguan (CS-6) e Gongsun (BP-4) e no ponto auricular correspondente ao nível Scapha. O tratamento com acupuntura e acupuntura placebo foi feito durante 6 dias consecutivos, uma vez por dia e foram dados 5 mg de tropisetron como antiemético aos dois grupos de base como profilaxia antiemética durante 6 dias, uma vez por dia. Os efeitos terapêuticos para náusea e vômito nos 6 dias foram comparados entre o grupo de acupuntura e acupuntura placebo nos dois ciclos de quimioterapia. Foram obtidos taxas efetivas para a náusea nos dias 2 e 4 de 87,1% e 79,0% no grupo da acupuntura, que foram superiores a 59,4% e 57,8% no grupo acupuntura placebo, respectivamente, e os efeitos terapêuticos de vômito no 3º ao 6º dia no grupo da acupuntura foram melhores do que aqueles no grupo acupuntura placebo. Assim conclui-se que a acupuntura combinada com antieméticos pode diminuir efetivamente a incidência e o grau de náuseas e vômitos induzida pela cisplatina e o efeito da acupuntura é melhor do que a acupuntura placebo (SIMA E WANG 2009). Segundo Yang et al (2009) foi comparado os efeitos clínicos entre a eletroacupuntura do ponto Zusanli (E-36) combinada com a aplicação intravenosa de Granisetron e somente a aplicação intravenosa de Granisetron para o tratamento de náuseas e vômitos causados pela quimioterapia do tumor maligno. Em um ensaio clínico controlado randomizado foram utilizados, o grupo de observação (127 casos) foi tratado com a eletroacupuntura no ponto Zusanli (E-36) combinado com o
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antiemético Granisetron, e o grupo controle (119 casos) foi tratado somente com o Granisetron. A taxa total efetiva de 90,5% no grupo de observação, foi superior à de 84,0% no grupo controle, as náuseas e vômitos escores dos dois grupos eram obviamente diminuiu após o tratamento, e o grau de redução do grupo de observação, foi superior ao do grupo controle. Assim a eletroacupuntura no ponto Zusanli (E-36) pode aliviar significativamente os sintomas, como náuseas e vômitos causados pela quimioterapia dos pacientes.
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7 CONCLUSÃO
A Acupuntura é umas das técnicas orientais mais difundidas no ocidente. Sendo utilizada para melhora da qualidade de vida das pessoas.
Este trabalho apresenta a visão oriental embasada nos fundamentos da Medicina Tradicional Chinesa para utilização da Acupuntura no tratamento oncológico, focada no alívio dos sintomas gástricos causados pelos efeitos colaterais da quimioterapia.
Conforme apresenta a literatura científica, para a utilização de técnicas de Acupuntura é necessário uma avaliação individualizada, pois o paciente é tratado como um todo.
De acordo com os dados colhidos deste trabalho, a Acupuntura mostrou bons resultados minimizando, atenuando, modulando e prevenindo as manifestações recorrentes de náusea e vômito em pacientes submetidos a quimioterapia.
A presente monografia sugere novos e mais abrangentes estudos onde se possam demonstrar mais pesquisas para os benefícios no tratamento com Acupuntura. Pois, a Acupuntura como terapia complementar, pode minimizar os sintomas e as manifestações desagradáveis bastante comuns em pacientes que passam por tratamento quimioterapêutico.
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