ACUPUNTURA PARA O TRATAMENTO DA INFERTILIDADE

segunda-feira , 9, setembro 2013 Comentários desativados em ACUPUNTURA PARA O TRATAMENTO DA INFERTILIDADE

UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES

JULIANA SEVERINA DA SILVA

 

 

 

 

 

 

 

ACUPUNTURA PARA O TRATAMENTO DA INFERTILIDADE

 

 

 

 

 

  

 

Mogi das Cruzes

2011

 

UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES

JULIANA SEVERINA DA SILVA

 

 

 

 

ACUPUNTURA PARA O TRATAMENTO DA INFERTILIDADE

 

Monografia  apresentada ao programa de Pós-Graduação da Universidade de Mogi das  Cruzes como parte dos requisitos para obtenção do título de Especialista em Acupuntura.

Orientadores: Profa. Bernadete Nunes Stolai e

    Prof. Luiz A. Alfredo

Mogi das Cruzes

2011

AGRADECIMENTOS

 

 

                Agradeço primeiramente a Deus por me conceder a graça de estar concluindo mais uma etapa da vida, aos meus pais que me concederam a vida e me apoiaram em todos os momentos, a minha irmã pela paciência, por todos os colegas e amigos de caminhada e de vida e pelos professores que se dedicaram ao máximo para passar seus ensinamentos.

 

 

 

 

RESUMO

 

O desejo por uma criança se sustenta pelo pressuposto social de que é natural da mulher, e isso legitima socialmente a demanda, tornando-a incontestável. Deve-se fazer, então, o possível para atendê-la. Para grande parte das mulheres, a maternidade continua sendo a meta da sua vida, sendo assim, muitas mulheres que não conseguem gerar um filho ficam insatisfeitas, sofrem e acabam procurando tratamento. A Infertilidade conjugal é classificada na Medicina Ocidental como incapacidade de  gestação após um ano de atividades sexuais regulares sem o uso de qualquer método anticonceptivo. Cerca de 10 a 15% dos casais apresentam este tipo de problema. Os fatores causais masculinos e femininos contribuem com cerca de 35% das causas, sendo o restante atribuído a fatores sem causas aparentes ou a associação de causas mistas, já a Infertilidade feminina segundo a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) pode ser classificada em três formas diferentes: Plenitude, Vazio e Vazio de Qi e de Xue. A primeira deve-se ao Calor (Fogo) de Fígado (Fígado em Plenitude), a segunda a Deficiência do Rim ou Baço-Pâncreas e a terceira, ao Vazio ou falso Calor desses órgãos isoladamente ou associado com outros órgãos. A Acupuntura, como terapia, é cada vez mais utilizada no tratamento de problemas ginecológicos, dentre eles a menopausa, distúrbios menstruais e Infertilidade. Sua teoria geral é baseada na premissa de que existem padrões de fluxo de energia (Qi) através do corpo, que são essenciais para a saúde, e a desregularização desse fluxo energético resulta na patologia. A técnica corrige os desequilíbrios do fluxo tratando a doença. Compreende a integração mente-corpo como um círculo de interação entre os sistemas internos e os aspectos emocionais, passível de ser concretizado. Verificar a eficácia da Acupuntura no tratamento da Infertilidade Feminina comparada aos métodos convencionais, destacando-se as técnicas e tratamentos abordados, identificando os principais Padrões Desarmônicos e os acupontos mais utilizados para eliminar a desarmonia, foram objetivos deste trabalho. Como metodologia, foi realizado um levantamento literário, através da base de dados dos Periódicos Capes, Pub Med, Web Science, Med Line e das bibliotecas virtuais, Bireme, USP, BVS Temática, Probe. Conforme demonstram as pesquisas a Acupuntura certamente é uma alternativa eficaz, as causas mais freqüentes segundo a MTC, são decorrentes da Estagnação de Sangue, Deficiência do Baço-Pâncreas, Estagnação do Qi do Fígado e Deficiência do Rim, e a mais freqüente na Medicina Ocidental é ovário policístico. Os pontos que mais se destacaram foram BP6, BP9, E36, VC4, CS6, F3, R3 e VG20. Apesar das evidências, ainda é necessário realizar mais pesquisas para analisar os benefícios da Acupuntura sobre a Infertilidade Feminina.

 

Palavras-chaves: Acupuntura, Infertilidade, tratamento.

 

 

 

 

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO…………………………………………………………………………………….. 3
2 METODOLOGIA………………………………………………………………………………….. 6
3 A ACUPUNTURA…………………………………………………………………………………. 7
   3.1 CICLO MENSTRUAL NORMAL NA VISÃO OCIDENTAL…………………….. 9
   3.2 CICLO MENSTRUAL NORMAL NA VISÃO ORIENTAL………………………. 11
   3.3 INFERTILIDADE NA VISÃO OCIDENTAL…………………………………………. 14
   3.4 CAUSAS DA INFERTILIDADE NA VISÃO OCIDENTAL………………………. 15
   3.5 TRATAMENTO NA VISÃO OCIDENTAL……………………………………………. 17
   3.6 INFERTILIDADE NA VISÃO ORIENTAL……………………………………………. 18
   3.7 TRATAMENTO NA VISÃO ORIENTAL……………………………………………… 21
   3.8 RESULTADO DO TRATAMENTO DA INFERTILIDADE COM O USO DA

ACUPUNTURA………………………………………………………………………………………………..24

CONCLUSÃO………………………………………………………………………………………………….26

REFERÊNCIAS………………………………………………………………………………………………..27

 

 

 

 

 

 

 1 INTRODUÇÃO

 

 

O casamento na modernidade passou a ser baseado no amor e na liberdade de escolha e a maternidade converteu-se, então na atividade mais invejável e doce que uma mulher pode esperar (BORLOT e TRINDADE, 2004).

O desejo por uma criança se sustenta pelo pressuposto social de que é natural da mulher, e isso legitima socialmente a demanda, tornando-a incontestável. Deve-se fazer, então, o possível para atendê-la (BRAGA e AMAZONAS, 2005).

Para grande parte das mulheres, a maternidade continua sendo a meta da sua vida, sendo assim, muitas mulheres que não conseguem gerar um filho ficam insatisfeitas, sofrem e acabam procurando tratamento ( BORLOT e TRINDADE, 2004).

A Infertilidade é caracterizada pela não ocorrência de gestação espontânea, após período de pelo menos um ano, com o casal apresentando atividade sexual regular sem uso de métodos contraceptivos (MACEDO, 2002)

É estimado que cerca de 10 a 15% dos casais apresentam problemas para conceber, os fatores masculinos ou femininos contribuem cerca de 35% das causas, sendo o restante atribuído a fatores inexplicáveis, cerca de 15% ou a associação de causas masculinas e femininas, cerca de 20 a 30% ( MOREIRA et al, 2006).

Na Visão Oriental as numerosas causas da Infertilidade ocorrem devido a Síndromes de Vazio, Estagnação ou Plenitude (AUTEROCHE et al, 1987, p. 167).

Na Visão Ocidental uma das causas mais comuns da Infertilidade é a ausência de ovulação causada pela diminuição da secreção dos hormônios hipofisários, ou por anormalidades ovarianas que impedem a ovulação (GUYTON E HALL, 1998, p. 595).

Com o avanço tecnológico, a temática da Infertilidade tem sido bastante abordada e as tecnologias reprodutivas estão sendo utilizadas por um grande número de pessoas (BORLOT e TRINDADE, 2004).

Os principais tratamentos para a Infertilidade são as técnicas de reprodução assistida (KUSSIER e COITINHO, 2008).

Outra linha de tratamento é o uso do citrato de clomifeno que consiste em estrógenos e endógenos, e o uso de gonadotrofinas que estimulam FSH e LH, sendo receitado por cinco dias, começando antes do ciclo menstrual (KUSSIER e COITINHO, 2008).

Para Silva (2007), a Acupuntura para o tratamento de Infertilidade tem uma eficácia de 75% em relação aos tratamentos convencionais.

O uso clínico da Acupuntura tem se tornado comum. Nas clínicas houve um aumento acentuado no número de pacientes com Infertilidade indo se tratar, e algumas clínicas de Infertilidade rotineiramente incentivam seus pacientes a realizarem tratamento com Acupuntura, pois a resposta ao tratamento é rápida (DOMAR, 2006)

A Acupuntura, como terapia, é cada vez mais utilizada no tratamento de problemas ginecológicos, dentre eles a menopausa, distúrbios menstruais e Infertilidade (WHITE, 2006).

Ela influencia o ciclo menstrual melhorando o fluxo sanguíneo para o útero e ovários e prepara o endométrio para receber o embrião (Madaschi et al, 2010).

É uma pérola brilhante na Medicina Tradicional Chinesa, e nos últimos anos tem se expandido pelo mundo que está começando a ver o valor da Acupuntura, a qual os chineses conhecem há milhares de anos (JUNYING et al, 1996, p.10).

É uma antiga Terapia Chinesa de diagnóstico e tratamento, sendo utilizada para aliviar uma grande variedade de condições, incluindo dores durante o ciclo menstrual e Infertilidade masculina e feminina (Victorin e Humaidan, 2006).

Atualmente, a prática existe no mundo inteiro e a procura pela técnica cresceu muito, em virtude, principalmente, da sua simplicidade e eficácia, rapidez e busca do equilíbrio bio-psíquico dos pacientes (VECTORE, 2005).

Sua teoria geral é baseada na premissa de que existem padrões de fluxo de energia (Qi) através do corpo, que são essenciais para a saúde, e a desregularização desse fluxo energético resulta na patologia. A técnica corrige os desequilíbrios do fluxo tratando a doença (CHANG et al, 2002).

Compreende a integração mente-corpo como um círculo de interação entre os sistemas internos e os aspectos emocionais, passível de ser concretizado através de três tesouros, ou seja, a Essência, o Qi e a Mente (VECTORE, 2005).      Chang et al (2002), relatam que o corpo humano é formado por um sistema de doze meridianos que percorre todo o nosso corpo; esses meridianos estão ligados aos Órgãos e Vísceras (Zang e Fu) cada um com sua função específica, sendo composto por aproximadamente quatrocentos pontos (Acupontos).

Na Medicina Tradicional Chinesa, acredita-se amplamente que cada Acuponto (pontos de Acupuntura) tem sua função específica, sendo selecionados de acordo com a patologia instalada (PU et al, 2010).

Através das justificativas citadas acima foi observado à necessidade de ampliar os estudos sobre a área, e também divulgar os vários benefícios que a Acupuntura pode trazer, entre outros, podemos citar o tratamento para Infertilidade, visto que, após realizarem vários tratamentos, muitas mulheres não conseguem obter o desejo de ser mãe, e ainda é desconhecido de muitas pessoas este tipo de tratamento, por esse motivo o desejo de realizar um trabalho científico, foi despertado, além de servir como base de dados para futuras pesquisas.

Esta monografia teve como objetivo verificar a eficácia da Acupuntura no tratamento da Infertilidade Feminina comparada aos métodos convencionais, destacando-se as técnicas e tratamentos abordados, identificando-se os principais padrões desarmônicos e os acupontos mais utilizados para eliminar a desarmonia.

 

 

2 METODOLOGIA

 

 

Foi realizado um levantamento literário, através da base de dados dos Periódicos Capes, Pub Med, Web Science, Med Line e das bibliotecas virtuais, Bireme, USP, BVS Temática, Probe.

 

 

 

 

3 A ACUPUNTURA

 

 

A Acupuntura está inserida no conjunto de técnicas relativas à Medicina Tradicional Chinesa (MTC), que busca compreender e tratar as doenças a partir de uma visão integradora entre o corpo e a mente. A primeira informação sobre a técnica veio através de uma coleção de manuscritos chineses do século XVIII a.C. – O Nei Jing (Nei Ching), conhecido como o Tratado do Imperador Amarelo, uma figura mitológica que conversa com os seus médicos, revelando os dogmas da medicina chinesa (VECTORE, 2005).

É um tratamento baseado na Medicina Tradicional Chinesa, compreendendo na sua forma mais comum a inserção de agulhas em pontos cutâneos específicos, situados em seis pares de canais de energia denominados meridianos. (JOAQUIM, 2007).

Foi o primeiro método de analgesia eficaz no tratamento da dor da história da Medicina, esse método foi utilizado há mais de 3.000 anos na Medicina Tradicional Chinesa para o tratamento de várias doenças, surgiu a partir da observação serendíptica de que os ferimentos à flecha nos guerreiros cicatrizavam mais rápido do que os de espada ou porretes (VALE, 2006).

No período inicial nossos antepassados curavam as enfermidades com agulhas de pedra, na idade neolítica, além das agulhas de pedra, usavam-se também agulhas de osso e de bambu, depois começaram a usar agulhas feitas de barro e com o desenvolvimento social e com o surgimento das metalúrgicas apareceram agulhas de diferentes metais, por exemplo, prata, ouro, ferro e as de hoje de aço inoxidável (CHONGHUO, 1993, p. XXXIX).

É baseada na estimulação de determinados pontos localizados na pele com agulha, ou fogo, com a finalidade de restaurar e manter a saúde (YAMAMURA, 2001, p. LVI).

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o uso da Acupuntura no tratamento de vários tipos de patologias, como, por exemplo, enxaquecas, problemas gastro-intestinais, alergias, Infertilidade e dores diversas. Além disso, vários estudos têm demonstrado que ela apresenta uma influência profunda sobre os problemas emocionais e mentais (VECTORE, 2005).

 Ela estimula as fibras sensitivas fazendo com que ocorra a transmissão elétrica através dos neurônios produzindo alterações no sistema nervoso central que libera substâncias responsáveis por promover o bem estar, o relaxamento, a prevenção e o tratamento de várias doenças, sejam elas psicológicas, biológicas ou comportamentais (SILVA, 2007).

Esta técnica ficou altamente conhecida no Ocidente devido a sua eficiência no tratamento de vários tipos de dores musculoesqueléticas. Porém, existem muitas outras condições clínicas que podem ser beneficiadas com esse tipo de tratamento (MEDEIROS, 2009).

Para Silva (2007), a Acupuntura é uma terapêutica milenar que faz a prevenção, tratamento e cura de patologias através da inserção de agulhas em determinadas regiões do corpo chamadas de pontos de Acupuntura.

Baseia- se na existência de acupontos (pontos de Acupuntura), distribuídos ao longo de doze linhas imaginárias, chamadas meridianos (Coração, Fígado, Baço- Pâncreas, Pulmão, Estômago, Rim, Circulação/Sexo, Intestino Delgado, Vesícula Biliar, Intestino Grosso, Bexiga e Triplo Aquecedor), que percorrem o corpo no sentido vertical, formando assim pares simétricos nas faces dorsais e ventrais do corpo, os quais, devidamente estimulados, normalmente, por agulhas, são capazes de promover uma série de benefícios à saúde do indivíduo (VECTORE, 2005).

Há cerca de quatrocentos Acupontos conectados com doze canais de energia denominados meridianos que estão relacionados com os Órgãos e Vísceras.  Atualmente, esta técnica envolve modos de estimulação, sedação ou harmonização através da Acupuntura Sistêmica, a Acupressão, a Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea, a Moxabustão, a Acupuntura Auricular e a utilização de Lasers (MADASCHI et al, 2010).

Os pontos são locais específicos do corpo localizados nos meridianos onde é aplicada a Acupuntura, podendo causar certas reações nos Órgãos e Visceras específicos de cada Acuponto ou em outras regiões do corpo, obtendo assim resultados favoráveis ao organismo. (CHONGHUO, 1993, p. XXXIX).

Para Yamamura (2001, p. LVII), a inserção da agulha de Acupuntura tem como finalidade promover a mobilização, a circulação e o fortalecimento das energias humanas, e também promove a expulsão de energias perversas que prejudicam um individuo.

 

3. 1 Ciclo menstrual normal na visão Ocidental

 

 

            O período reprodutivo feminino normal é caracterizado por alterações rítmicas mensais na secreção de hormônios femininos e por alterações nos órgãos sexuais, esse padrão rítmico é denominado ciclo menstrual, sua duração é, em média, de vinte e oito dias (GUYTON E HALL, 1998, p. 591).

            Para Isbii, Nisbino e Campos (2009), o ciclo menstrual regular, ocorre devido a variações nos níveis de hormônios ovarianos estrógeno e progesterona, que são controlados pelos hormônios secretados da hipófise FSH e LH.

            O hormônio FSH (folículo estimulante) tem um papel importante na maturação folicular e na manutenção da produção de estrógeno (KOHEK E LATRONICO, 2001)

Para Guyton e Hall (1998, p. 591), os folículos ovarianos começam a crescer quando a hipófise começa a secretar o FSH em grande quantidade.

            O hormônio LH no meio do ciclo menstrual induz uma maior maturação folicular e ovulação, induz a formação do corpo lúteo e estimula a síntese de progesterona (KOHEK E LATRONICO, 2001).

            Para Gyuton e Hall (1998, p. 592), o papel do LH é converter as células granulosas em células luteínicas, após a ovulação, favorecendo o crescimento do corpo lúteo, por isso esse hormônio é chamado de luteinizante.

            O ciclo menstrual dura, em média, 28 dias, podendo ser dividido em três fases, a folicular, ovulatória e lútea (CHAVES et al, 2002).

            A fase folicular, que pode também ser chamada de fase folicular precoce ou menstrual, é caracterizada pelo baixo nível de estrógeno e de progesterona (ISBII et al, 2009).

            Inicia-se no primeiro dia da menstruação e dura entre nove e vinte e três dias (CHAVES et al, 2002).

            A primeira etapa da fase folicular consiste no aumento do próprio óvulo e no surgimento de camadas adicionais de células da granulosa, então o folículo é denominado folículo primário, algumas semanas antes da ovulação surgem várias camadas de células granulosas e de células teçais, esta combinação de células secretam então os hormônios ovarianos, estrogênio e progesterona (GUYTON E HALL, 1998, p. 588).

            Dentre vários folículos que cresceram e se desenvolveram um folículo continua crescendo e os outros param de crescer, esse folículo é estimulado pelo hormônio estrogênio para crescer cada vez mais para que assim possa ser um folículo grande o suficiente para ovular, dando inicio assim a fase de ovulação (KOHEK E LATRONICO, 2001).

            O estrógeno promove principalmente a proliferação e o crescimento de células corporais ligadas ao sexo, sendo responsável pelo desenvolvimento da maioria das características sexuais secundárias femininas, já a progesterona é responsável pela preparação final do útero para a gravidez e das mamas para a amamentação (GUYTON E HALL, 1998, p. 589).

Para Chaves et al, (2002), a fase ovulatória pode durar até três dias e ocorre um grande aumento da secreção do hormônio LH e FSH.

Para Isbii et al, (2009), na mulher que apresenta um ciclo menstrual normal de vinte e oito dias, a ovulação ocorre quatorze dias após o inicio da menstruação.

            Aproximadamente dois dias antes da ovulação, a secreção de LH pela hipófise anterior aumenta acentuadamente, atingindo seu nível máximo cerca de dezesseis horas antes da ovulação (GUYTON E HALL, 1998, p. 592).

            Para o mesmo autor simultaneamente, o FSH aumenta cerca de duas vezes, com o aumento desses dois hormônios ocorre um crescimento rápido do volume do folículo, o que culmina na ovulação.

            A última fase é a lútea, que é caracterizada pelo aumento dos níveis de progesterona, alcançando seu pico máximo logo após a ovulação sendo responsável pelo aumento da temperatura corporal (CHAVES et al, 2002).

            Para Isbii et al, (2009), é na fase lútea que ocorre a maioria das alterações nas mulheres, como retenção de liquido, elevação do peso, dores, estresse, alterações emocionais, dentre outros.

            Nesta fase ocorre uma conversão das células granulosas sob estimulação do hormônio LH, essas células se transformam no corpo lúteo, secretando assim grande quantidade de progesterona, fazendo com que o corpo lúteo cresça aproximadamente 1,5 centímetros de diâmetro, após atingir esse grau o corpo lúteo para de crescer e começa a involuir perdendo sua função secretora e suas características lipídicas (GUYTON E HALL, 1998, p. 589).

            Quando os hormônios estrogênio e progesterona não são mais secretados o útero é levado a menstruar (KOHEK E LATRONICO, 2001).

3.2 Ciclo menstrual na visão Oriental

             

 

            As particularidades fisiológicas da mulher se manifestam através das menstruações, leucorréias, gravidez, parto e lactação, abundância de Qi Xue e o bom funcionamento dos órgãos, uma boa circulação nos vasos sanguineos, permitem assegurar essas atividades (AUTEROCHE et al, 1987, p. 16).

            Qi, Jing, Xue e Jinye consistem as substâncias básicas do corpo e também a base material para as atividades fisiológicas dos Zang-Fu (órgãos internos), tecidos e outros órgãos. A produção de Jing (Essência), Qi (Energia), Xue (Sangue) e Jinye (liquidos orgânicos) é realizada através das atividades dos Zang-Fu (CHONGHUO, 1993, p. 31).

            Para Yamamura (2001, p. LIII), Zang-Fu é a denominação dada aos órgãos e as vísceras do corpo humano, as vísceras (Fu) constituem as estruturas tubulares e ocas que tem a função de receber, transformar e assimilar os alimentos, além de promover a eliminação de dejetos, são a Vesícula Biliar (Dan), Intestino Grosso (Dachang), Intestino Delgado (Xiaochang) e Bexiga (Pangguang)

O Jing (Essência) é a matéria fundamental do ser vivo, da qual constitui o corpo. É, também, a matéria fundamental para a efetuação de diversas funções do corpo. Ele está dividido em duas partes: Jing congênito que provém dos pais (hereditário) e o Jing adquirido que provém das matérias essenciais dos alimentos. Os dois dependem um do outro e se promovem mutuamente (CHONGHUO, 1993, p. 20).

Qi é o substrato material e espiritual da vida humana, dois aspectos do Qi são relevantes na Medicina Tradicional Chinesa. Primeiro, o Qi é uma energia que se manifesta simultaneamente sobre os níveis físico e espiritual, o segundo é que o Qi é um estado constante de fluxo em estados variáveis de agregação, quando o Qi é condensado a energia se transforma se acumulando em forma física (MACIOCIA, 1996, p. 53).

É a forma imaterial que promove o dinamismo, a atividade do ser humano. Manifesta-se sob dois aspectos principais, um de característica Yang, que representa a Energia que produz o calor, a expansão, a explosão, a ascenção, a claridade, o aumento de todas as atividades, e o outro é de característica Yin, energia que produz o frio, o retraimento, a descida, o repouso, a escuridão, a diminuição de todas as atividades (YAMAMURA, 2001, p. LVI).

            Xue (Sangue) para a Medicina Tradicional Chinesa é produzido a partir das matérias substâncias dos alimentos produzidos pelo Estômago e pelo Baço/Pâncreas, tendo como função principal nutrir e umedecer os órgãos e tecidos de todo o corpo (CHONGHUO, 1993, p. 33).

Há um relacionamento muito próximo entre o Qi e o Xue. O Qi gera, controla e movimenta o Xue, e o Xue nutre o Qi, dessa forma se o Qi estiver deficiente o Xue também vai estar, e se o Xue estiver deficiente não irá nutrir o Qi deixando-o mais deficiente (MACIOCIA, 1996, p. 71).

Aos sete anos o Qi do Rim é abundante, ocorre a mudança da dentição e os cabelos se alongam, nesta fase a energia dos Rins se fortalece (AUTEROCHE et al, 1987, p. 16).

            Os Rins situam-se no Aquecedor Inferior, têm as funções fisiológicas de armazenar o Jing (Essência), controlar os líquidos, receber o Qi, controlar os ossos, gerar a medula e chegar ao cérebro (CHONGHUO, 1993, p. 20).

            É referido como a “Raiz da vida”, ele apresenta uma aspecto Yin e outro aspecto Yang, o Yin do Rim é o fundamento essencial para o nascimento, crescimento e reprodução, enquanto o Yang do Rim é a força motriz de todos os processos fisiológicos (MACIOCIA, 1996, p. 123).

            Aos quatorze anos a substância necessária para promover o crescimento, o desenvolvimento e a reprodução, a menstruação (Tian Gui), aparece; o Ren Mai se permeabiliza e o Chong Mai está plenamente desenvolvido, o ciclo menstrual inicia-se regularmente e permite um estado de fecundidade (AUTEROCHE et al, 1985, p. 16).

            Ren significa em chinês “estar encarregado”, situa-se no abdome e no tórax dominando todos os canais Yin do organismo, sendo chamado “mar dos canais Yin”, Ren significa também “engravidar”, pois este canal se inicia no Útero e tem a função de nutrir o feto (CHONGHUO, 1993, p. 107).

            É de importância primordial para o sistema reprodutivo tanto nos homens quanto nas mulheres, mais particularmente nas mulheres, uma vez que regulariza a menstruação, fertilidade, concepção, gravidez, parto e menopausa (MACIOCIA, 1996, p. 467).

            Du significa em chinês “governador”, este canal percorre pela linha média dorso-lombar, o que permite a função de governar todos os canais Yang do corpo, sendo chamado “mar dos canais Yang” (CHONGHUO, 1993, p. 111).

            O Vaso Governador também tem a função de nutrir a coluna vertebral e o cérebro, uma vez que a via interior do vaso penetra no cérebro. Nesse sentido ele pode ser utilizado para nutrir a função do Rim que é nutrir a medula e o cérebro (MACIOCIA, 1996, p. 465).

Aos vinte e um anos, o Qi está parado devido o desenvolvimento dos últimos dentes, sua sexualidade e a fertilidade estão aumentadas e seus olhos são mais brilhantes. Esta é a fase mais propicia para que ocorra a reprodução (AUTEROCHE et al, 1985, p. 16).

            Aos vinte e oito anos, os músculos e os ossos já estão consolidados, os cabelos atingem seu maior comprimento, brilho e vida, e o seu corpo está em pleno vigor, mostrando assim a força da energia (Qi) dos Rins e do Fígado (AUTEROCHE et al, 1985, p. 16).

            O Fígado está situado na região do hipocôndrio direito, possui como funções energéticas armazenar Sangue e regular a distribuição dele por todo o corpo, controlar a drenagem e a dispersão e determinar as condições dos tendões e dos ligamentos (CHONGHUO, 1993, p. 15).

            Aos trinta e cinco anos, o vaso Yang Ming (meridiano composto pelos canais de energia do Estômago e Intestino Grosso, sendo responsável pela circulação de energia por todos os doze canais de energia) perece, o rosto começa a murchar, os cabelos a cair (AUTEROCHE et al, 1985, p. 16).

            Para Maciocia (1996, p. 149), o Baço-Pâncreas tem como função controlar a transformação e o transporte dos alimentos e dos fluidos corpóreos por todo o corpo humano.

            A função do Estômago consiste em receber os alimentos e os liquidos e em realizar as transformações dos alimentos, dando origem ao Qi nutritivo, os alimentos são transformados e distribuídos para o corpo através do Baço/Pâncreas (CHONGHUO, 1993, p. 23).

            Aos quarenta e dois anos os três Yang perecem no alto do corpo, o rosto se resseca e os cabelos embranquecem, a mulher vive sua última fase do período fértil (AUTEROCHE et al, 1985, p. 16).

            Aos quarenta e nove anos, o Ren Mai é flácido, o Chong Mai fica atrofiado, o Tian Gui (menstruação) já está esgotado, as vias subterrâneas são cortadas e a infecundidade surge em resposta a esse esgotamento do corpo (AUTEROCHE et al, 1985, p. 16).    

 

                                  

3.3 INFERTILIDADE NA VISÃO OCIDENTAL

 

 

Para Trindade e Enumo (2002), ultimamente a Infertilidade conjugal é classificada como uma incapacidade de engravidar após um ano de atividades sexuais regulares sem o uso de qualquer método anticonceptivo. Cerca de 10 a 15% dos casais apresentam este tipo de problema. Os fatores causais masculinos e femininos contribuem com cerca de 35% das causas, sendo o restante atribuído a fatores inexplicados (15%) ou a associação de causas masculinas e femininas (20 a 30%).

A fertilidade é descrita como a capacidade de engravidar e gerar filhos, para as mulheres e, para os homens consiste em engravidar uma mulher, este processo é iniciado através do contato entre o espermatozóide e o ovócito e finda com a fusão do material genético contido nestes gametas (Kussier e Coitinho, 2008).

Para Manheimer et al (2008), cerca de 10 a 15% dos casais tem dificuldade de concepção em algum momento de suas vidas reprodutivas e procuram por tratamento especializado em Infertilidade.

A valorização da procriação, principalmente em função de uma necessidade intrínseca à mulher, é antiga, povos antigos valorizavam e enalteciam as mulheres que eram capazes de reproduzir, enquanto as inférteis eram excluídas e a Infertilidade era colocada como castigo (Borlot e Trindade, 2004).

Para Trindade e Enumo (2002), nos estudos históricos e antropológicos, é muito difícil encontrar referências sobre a Infertilidade masculina, o que sugere que os problemas reprodutivos do casal têm sido, atribuídos às mulheres, engendrando metáforas e simbologias pejorativas e humilhantes, principalmente nas sociedades patriarcais.

A idéia de que cabe a mulher a responsabilidade da procriação encontra-se, hoje em dia, presente na sociedade de uma maneira geral e a Infertilidade apresenta-se, como um peso substancial, gerando sentimentos de culpa e auto-conceito negativo, já que seu papel é definido e caracterizado pela maternidade (Borlot e Trindade, 2004).

Na Infertilidade, há um descompasso entre o corpo feminino e o desejo da maternidade. O corpo infértil é o rascunho de um corpo apto a reproduzir-se e, portanto, pede reparo, essa concepção expressa a dualidade eu-corpo e, dessa forma, diante da Infertilidade feminina, o corpo infértil faz eclipse do sujeito infértil (Miranda e Moreira, 2006).

Muitas mulheres que adiaram ou colocaram de lado seus projetos de terem filhos agora se agarram a ele com unhas e dentes, estas mulheres encontraram respaldo nas inúmeras ofertas de tratamentos, o mercado de tecnologias reprodutivas fomenta uma verdadeira obsessão pelo projeto maternidade, reforçando a importância do parentesco biológico e a comercialização das relações pessoais (Borlot e Trindade, 2004).

 

 

3.4 CAUSAS DA INFERTILIDADE NA VISÃO OCIDENTAL

 

 

Uma das causas mais comuns da Infertilidade é a ausência de ovulação causada pela diminuição da secreção dos hormônios hipofisários, ou por anormalidades ovarianas que impedem a ovulação (GUYTON E HALL, 1998, p. 595).

Outro problema que pode ocasionar a Infertilidade consiste na presença de fimbrias e tortuosidades tubais, além da endometriose e adesões peritubais (Kussier e Coitinho, 2008).

Há décadas diversos autores têm destacado o estresse como fator desencadeante de alterações na função reprodutiva, considera-se que um evento causador de estresse pode inibir o hipotálamo inibindo assim, a secreção de hormônios acarretando na irregularidade da menstruação, amenorréia e Infertilidade (MOREIRA et al, 2006).

Pesquisadores estão divididos quanto à hipótese de que a Infertilidade possa ter causas psicológicas ou ser causa de uma variedade de sintomas psicológicos (MOREIRA et al, 2006).

Há muito tempo tem-se pesquisado que miomas uterinos diminuem a fertilidade, e que sua remoção aumentaria as taxas de gestação. De uma forma geral, estima-se que esses tumores estejam associados com disfunção reprodutiva em 5% a 10% dos casos (SILVA et al, 2005).

Os miomas uterinos podem ser também chamados de leiomiomas ou fibromas, eles são tumores benignos e apresentam como principal sintoma a menorragia (menstruação com duração e fluxo sanguíneo aumentado), seu tratamento é feito através de cirurgia ou medicamentos (KISILEVZKY E MARTINS, 2003).

Eles estão associados à Infertilidade em 5% a 10% dos casos, entretanto quando todas as outras causas de Infertilidades são excluídas, os miomas são responsáveis por apenas 2% a 3% dos casos (CORLETA et al, 2007).

Cerca de 70% das pacientes com miomatose são assintomáticas, porém, quando presentes os principais sintomas encontrados são a metrorragia ou menorragia, massa pélvica, dor e Infertilidade (SILVA et al, 2005).

Um distúrbio heterogênico que afeta 47% das mulheres em idade reprodutiva é a síndrome do ovário policístico, caracterizado por não ovulação crônica e hiperandrogenismo (Kussier e Coitinho, 2008).

Para Santana et al (2008), a sindrome dos ovários policisticos é considerada a causa mais comum de Infertilidade, podendo em alguns países, como nos Estados Unidos, representar a principal causa de Infertilidade feminina.

Kussier e Coitinho (2008), explicam esta sindrome como um problema intrínseco dos ovários, excessiva produção de andrógenos pelos mesmos e disfunções hipotalâmicas, hipersecreção de LH, havendo como fator etiológico a resistência à insulina. Geralmente as mulheres que possuem ovários policísticos apresentam um enorme risco de desenvolver câncer no endométrio, ovário e seios.

Com o aumento da idade, a fecundade natural e as taxas de gestação diminuem. A fertilidade feminina declina a partir dos trinta anos de idade e, a partir dos quarenta anos, há redução pela metade da fertilidade. Nas mulheres com mais de quarenta anos, as aneuploidias são mais freqüentes, a taxa de aborto aumenta de duas a três vezes e as taxas de implantação após fertilização in vitro se reduzem (Abreu et al, 2006).                     

            Assim como no homem, na mulher a idade continua sendo um problema muito significante, pois acima de trinta e cinco anos a fertilidade da mulher diminui drasticamente, a idade prolongada pode acarretar falhas na concepção ou ocasionar aborto (Kussier e Coitinho, 2008).

Para Mello et al (2001), o tabagismo na mulher reduz globalmente a fertilidade com evidente atraso da primeira gestação. Podemos verificar também que o tabagismo materno afeta a fertilidade mais que o tabagismo paterno, o que significa que o sistema reprodutivo feminino é mais vulnerável ao tabagismo que o sistema masculino.    

Abuso de álcool, fumo, drogas e exposição ocupacional a substâncias químicas como pesticidas, metais, composto de cloro e substâncias semelhantes a estrógeno que interferem no sistema endócrino (Kussier e Coitinho, 2008).

 

 

3.5 TRATAMENTO NA VISÃO OCIDENTAL

 

 

            Há uma grande oferta de tecnologias médicas de reprodução oferecida aos casais e há ainda uma pressão para o consumo de meios e serviços médicos, com isso a ausência de filhos passa a ser abordada como uma patologia, essa redefinição ocorre devido a novos métodos de tratamentos propostos pela medicina (Borlot e Trindade, 2004).

            Os principais tratamentos para a Infertilidade são as técnicas de reprodução assistida (Kussier e Coitinho, 2008).

            Os mesmos autores ressaltam que independente da técnica utilizada, na maioria das vezes, ocorre na mulher a ovulação induzida, principalmente se ela não está ovulando, ou está mas irregularmente, seu alvo é formar folículos múltiplos com ovos para outorgar e, em mulheres que ovulam, é usada para aumentar o número de óvulos.

            No caso de miomas uterinos o tratamento é realizado através de contraceptivos orais ou histerectomia (CORLETA et al, 2007).

            Uma das linhas de tratamento é o uso do citrato de clomifeno que consiste em estrógenos e endógenos, outra consiste no uso de gonadotrofinas que estimulam FSH e LH, sendo receitado por cinco dias, começando antes do ciclo menstrual (Kussier e Coitinho, 2008).

            Devido alguns sintomas psicológicos influenciarem na fertilidade é preciso que a mulher realize um tratamento psicológico, pois a ansiedade e o estresse são causas comuns da Infertilidade (MOREIRA et al, 2006).

            A inseminação intrauterina consiste no posicionamento de esperma concentrado e previamente analisado dentro da cavidade uterina, perto do momento da ovulação (Kussier e Coitinho, 2008).

            Nos últimos cinco anos houve um considerável aumento no número de casais inférteis que procuram tratamentos nas clínicas de reprodução assistida, para a maioria desses casais essa técnica é a ultima oportunidade para concretizar o sonho de gerar um filho biológico e geralmente elas são procuradas após um longo período de tentativas frustradas por meio de outros tipos de tratamentos (Borlot e Trindade, 2004).

            A fertilização in vitro é usada principalmente quando há problemas tubais graves na mulher, a probabilidade de uma gravidez de sucesso depende da idade e estado da fertilidade da mulher. Geralmente, a taxa de sucesso é de 30 a 40% com espermatozóides frescos e de 15 a 20% com espermatozóides congelados (Kussier e Coitinho, 2008).

            A reprodução assistida é definida como um conjunto de técnicas de tratamento médico paliativo, em condições de in/hipofertilidade humana, do qual, visa a fecundação, essa técnica substitui a relação sexual na reprodução biológica, provocando assim mudanças do modo tradicional de ter filhos (Borlot e Trindade, 2004).

 

 

3.6 INFERTILIDADE NA VISÃO ORIENTAL

 

 

            A Infertilidade pode ser decorrente das condições de Vazio, tais como a Deficiência da Essência (Jing) dos Rins ou do Sangue, ou condições de Cheio como, por exemplo, Umidade Calor no Aquecedor Inferior ou Estagnação no Útero (PU et al, 2010).

            Para Auteroche et al, (1987, p. 167 ) a Infertilidade feminina pode ocorrer por vários motivos, porém existem duas categorias que à classifica: a primeira causa, ocorre devido as deficiências congênitas e a segunda ocorre pelas modificações patológicas adquiridas.

            As deficiências congênitas são aquelas que o ser humano já nasce com a doença, sendo uma doença hereditária geralmente o tratamento é cirúrgico, porém em alguns casos a Acupuntura já está se demonstrando eficaz (WESTERGAARD et al, 2006).

As modificações patológicas adquiridas podem ser: Rim em estado Vazio, Sangue em estado Vazio, Baço em estado Vazio, Calor do Sangue, Estagnação do Fígado (Auteroche et al, 1987, p. 167).

Os principais padrões incluem Estagnação de Qi e Sangue, Umidade-Frio ou Calor-Umidade, Deficiência de Qi e de Sangue, Estagnação de Fígado e Deficiência de Rim (PU et al, 2010).

            Já para Yamamura, Tabosa e Yabuta (1999), a Infertilidade feminina segundo a Medicina Tradicional Chinesa pode ser classificada em três formas diferentes: formas de Plenitude, forma de Vazio e forma de Vazio de Qi e Vazio de Xue. A primeira deve-se ao Calor (Fogo) de Fígado, a segunda à Deficiência do Rim ou Baço-Pâncreas e a terceira, ao Vazio ou falso Calor desses órgãos isoladamente ou associado com outros órgãos.

O Rim domina o sistema reprodutivo, o Fígado regula o Qi, o Baço e o Estômago são fontes de Qi e de Sangue, se alguns desses órgãos estiverem em desarmonia irá levar à Infertilidade (WESTERGAARD et al, 2006).

            Segundo Wen (1985, p. 39), a síndrome de Deficiência ou Vazio indica fraqueza do organismo e de seu sistema de defesa ou um desgaste decorrente de uma doença prolongada. Já a síndrome de Excesso indica que há reação vigorosa do organismo e este fica em Excesso.

            A síndrome de Calor no Sangue é causada pelo Calor perverso exógeno ou pelo Fogo que produz a Estagnação de energia do Fígado, este Calor agita o Coração e a Mente e invade o sistema sanguíneo, seu sintoma agrava-se mais a noite devido o Sangue ser de natureza Yin (CHONGHUO, 1993, p. 270).

O Baço Pâncreas é responsável em transformar os alimentos e líquidos ingeridos para deles retirar o Qi, este processo é chamado de Qi dos alimentos, sendo base para a produção de Qi e de Sangue (Xue), além disso, o Baço é responsável em controlar a movimentação, transformação e separação dos fluidos corpóreos e de controlar o Sangue nos vasos sanguíneos (MACIOCIA, 1996, p. 118).

A síndrome de Deficiência de Sangue é causada pela perda excessiva de Sangue, por debilidade do Baço/Pâncreas e do Estômago que leva à má transformação dos alimentos e, pelo excesso de fatores emocionais que consome em demasia o Sangue e o Yin, não nutrindo os vasos sanguíneos (BEIJING, CHONGHUO, 1993, p. 268).

            Segundo Yamamura et al (1999), a Deficiência de energia do Baço/Pâncreas pode ser causada por intemperança na alimentação, pela fadiga mental ou física, por uma diarréia intensa ou por uma afecção energética hepática.

            Os Rins são responsáveis em guardar as características congênitas, onde é armazenada a Essência (Jing), eles determinam as condições dos ossos, produzem a medula e comunicam-se com o cérebro, além disso, controlam a água, líquidos orgânicos (Beijing, CHONGHUO 1993, p. 20).    

            O estado da Essência (Jing) determina o estado do Rim, se a Essência está forte e abundante o Rim será forte e apresentará grande vitalidade, poder sexual e fertilidade, porém se a Essência estiver debilitada o Rim será fraco podendo apresentar pouca vitalidade, Infertilidade e debilidade sexual (MACIOCIA, 1996, p. 57).

O Rim deficiente falha em nutrir os vasos Ren e Chong resultando em menstruação irregular, a insuficiência de Essência e Sangue leva à menstruação escassa e de cor escura, seus sintomas são fraquezas nas pernas, tonturas, dor nas costas, e Infertilidade (Gongwang, 2006, p. 4).

            O Fígado é um dos sistemas mais importantes no armazenamento sanguíneo, por isso sua função é regularizar o volume de sangue de acordo com a atividade física e de regularizar a menstruação (MACIOCIA, 1996, p. 101-102).

            Segundo Chonghuo (1993), a Estagnação de Energia (Qi) de Fígado pode influenciar o Sangue, podendo levar à Estase de Sangue e a alterações nos canais de energia Ren Mai e Chong Mai, ocasionando distúrbios na menstruação e na fertilidade feminina.

            A Estagnação de Qi do Fígado pode dificultar o movimento do Sangue nos Vasos Penetrador e Diretor afetando o Útero, resultando em menstruação irregular e dolorosa, além da tensão pré-menstrual. A Estagnação de Qi do Fígado por um longo período pode induzir a Estagnação de Sangue do Fígado (MACIOCIA, 1996, p. 282).

            Com a Deficiência do Yin dos Rins e do Fígado há um descontrole do Yang fazendo com que ele aumente excessivamente se tornando hiperativo, causando a Hiperatividade de Yang do Fígado. Essa síndrome pode ser causada por irritabilidade, fúria, ansiedade e depressão, que produz a Estagnação de energia que pode converter-se em Fogo, e este consome o Yin, e este não consegue mais controlar o Yang (CHONGHUO, 1993, p. 288).  

A Medicina Tradicional Chinesa defende que no caso de distúrbios emocionais especialmente frustrações e raiva, as funções de regulação do Fígado ficam comprometidas e resulta a condição de Estagnação do Qi do Fígado. Quando o fluxo interno de Qi e Sangue se torna desarmonioso os Vasos Extraordinários são afetados e as menstruações não surgirão regularmente resultando em dificuldade na fertilização (Gonwang, 2006, p. 5).

            Quando o Sangue do Fígado fica estagnado, o Sangue dos Vasos Diretor e Penetrador também estagnarão afetando a função menstrual, dentre várias manifestações decorrentes dessa síndrome podemos destacar: fluxo menstrual de coloração escura e em coágulos, atraso do ciclo, cólicas e dificuldades na fertilização (MACIOCIA, 1996, p. 284).

 

 

 3.7 TRATAMENTO NA VISÃO ORIENTAL

 

 

As opções de tratamento para Infertilidade variam, porém existem barreiras aos métodos invasivos, acesso difícil e custo alto para alguns tipos de tratamento. A medicina alternativa existe para casos como estes, e sustentam uma certa popularidade (Park et al, 2010).                             

Estudos recentes demonstram que a Medicina Tradicional Chinesa poderia regularizar o hormônio liberador de gonodotropina para induzir a ovulação e melhorar o fluxo sanguíneo do útero e alterações menstruais, além disso, também tem impactos em pacientes com Infertilidade decorrentes da síndrome do ovário policístico, ansiedade, estresse e distúrbios imunológicos (Huang e Chen, 2008).

            A Acupuntura induz a ovulação com sucesso, tendo sido verificado que seis de treze ciclos anovulatórios responderam positivamento ao tratamento (CHANG et al, 2002).

            Para Gongwang (2006, p. 3), o princípio de tratamento varia de acordo com a natureza da síndrome (Deficiência ou Excesso). As condições de Deficiência devem ser tratadas aquecendo o Rim, reforçando o Fígado e repondo o Qi e Xue de modo a fortalecer os vasos Chong e Ren, enquanto que as condições de Excesso são tratadas resolvendo a Fleuma, dispersando a Umidade, aliviando a Estagnação do Fígado de modo a promover a circulação de Qi e Xue.

            Pu et al (2010), relataram que a proposta principal de tratamento para Infertilidade feminina é fortalecer Baço-Pâncreas, regularizar o Qi e o Sangue, e nutrir o Fígado e os Rins.    

Para Deficiência de Rim e de Baço a proposta de tratamento é a tonificação de ambos utilizando-se os seguintes pontos, C3, BP6, E36, VC4, VC6, E30, VB23, VG4, VB31, lembrando que se não há contra-indicação a moxa pode ser usada nos pontos VC4 e VB23 (KUBLBÕCK, 2008).

Gongwang (2006, p. 7), utiliza os pontos R13, B23, R2, R6, BP6, B18, E36, BP10 e Zigong (ponto extra) em forma de tonificação para o tratamento de Deficiência do Rim.

            Se houver a Síndrome de Deficiência de Sangue é preciso tonificar os pontos VC4, E13, Zigong, BP6 e E36, e harmonizar os pontos C7 e VG20 (Gongwang, 2006, p. 8).  

            No caso de Estagnação de Sangue o principio de tratamento é dispersar a Estagnação com a aplicação dos seguintes pontos, R3, F3, E30, R1, E40, BP9, BP6, CS6 (Gongwang, 2006, p. 9).

             Beijing e Chonghuo (1993, p. 591), descreveram os pontos VC3, IG4, BP10, BP6 e F2 com o método de dispersão usando a Acupuntura Sistêmica para tratar a Estagnação de Sangue, são muito eficazes, pois esta seleção serve para eliminar o Calor e a interrupção, dispersar a Estagnação de Sangue e promover a circulação sanguínea.

Auteroche et al (1987, p. 172-173) descreveram os pontos VC4, F6, F8, F11, BP6, B32, R21 e BP8, para tratar a síndrome de Estagnação do Fígado. Os pontos de Fígado (F) são utilizados com a técnica de dispersão, os de Baço (BP) e Rim (R) técnica de tonificação e os demais a técnica de harmonização.

No caso de Deficiência de Sangue de Fígado os pontos selecionados BP10, B17, B18, E40 (KUBLBÕCK, 2008).

            Auteroche et al (1987, p.169), relataram que os pontos VC4, VC5, R3, R5, R13 e R14 são considerados os seis pontos responsáveis em regularizar e favorecer a circulação de Chong e Ren Mai.

Pu et al (2010), destacaram ainda que o ponto BP6 promove o livre fluxo de Qi e de Sangue nos Vasos Maravilhosos Chong Mai e Ren Mai, tratando as síndromes de Estagnação de Qi e de Sangue nesses canais.

Auteroche et al (1987, p.170), resumiram que os pontos mais utilizados para tratar Infertilidade, são B23, B31, B32, B33, R3, R5, R13, R14, R18, R19, E29, E30, BP5, BP6, F8, F11, VC3, VC4, VC5, VC7 e Zigong. Vários desses pontos são utlizados com freqüência, porém a escolha deve ser realizada conforme a Síndrome apresentada pelo paciente.

Gongwang (2006, p. 10) destacou como pontos específicos ao tratamento da Infertilidade feminina R3, BP6 e R2, sendo utilizada a técnica de tonificação com Acupuntura sistêmica, inseridos 12 dias antes da menstruação e três dias após a menstruação.

Já Jonhson (2006), destacou a técnica de Eletroacupuntura nos pontos VG20, IG4, E29, E36, BP6, F3, CS6, utilizando o método de sedação, deixando o aparelho nas agulhas por cerca de 20 minutos em cada ponto, combinando com os pontos auriculares Shem Men, Útero, Fígado, Baço-Pâncreas, Rim e Ovários, no período de oito semanas.

Foi observado que a Eletroacupuntura para indução de ovulação em mulheres com síndrome do ovário policístico foi eficaz e foi observado que, após três meses de tratamento, o número de mulheres que ovulavam aumentou de 15% para 66% (CHANG et al, 2002).

             O agulhamento dos pontos BP6, BP10, BP8, E29, E36, proporcionam uma melhor perfusão sanguínea e mais energia ao Útero, já o IG4 e o IG3 são usados para eliminar Calor e acalmar a Mente que combinados com o CS6 e VG20 irão relaxar o paciente (WESTERGAARD et al, 2006).

 Segundo Victorin e Humaidan (2006), CS6, BP8, F3, VG20 e E29, são pontos utilizados na melhora da fertilização feminina, além desses podem ser acrescentados os pontos E36, BP6, BP10, IG4, em todos são utilizados a Acupuntura Sistêmica. Eles também utilizaram no seu tratamento a Auriculoterapia e adotaram como pontos auriculares, o Shen Mem, Útero, Rim, Baço Pâncreas, Fígado.

Dieterle et al (2006), consideram os seguintes pontos para o tratamento da Infertilidade F3, R3, E36, IG4, VB31, VB34, TA9, TA12, todos utilizando Acupuntura Sistêmica, e os seguintes pontos auriculares, Shem Mem, Cérebro, Útero, Rim, Fígado, Baço, SNC.

Park et al ( 2010), optaram em utilizar no seu tratamento a Acupuntura Sistêmica nos pontos VC4, B19, B22 por trinta minutos, combinado com a técnica de moxabustão no ponto VC8.

Song, Zheng e Ma (2008), optaram em seu tratamento a utilização da técnica de moxabustão nos pontos, VC3, VC4, Zigong, E36, BP6, para o tratamento de Infertilidade.

 

 

3.8 RESULTADOS DO TRATAMENTO DA INFERTILIDADE COM O USO DA ACUPUNTURA

 

 

            Para um resultado eficaz é preciso que seja realizado uma avaliação para que possam ser identificados os Padrões Desarmônicos, visto que cada pessoa possui uma Síndrome diferente,  e a partir dessa identificação é possível traçar o melhor tratamento para cada pessoa (WEN, 1985, p. 30).

            Identificar o padrão nos permite a localização da natureza, do caráter da condição, da localização da patologia, o princípio do tratamento e o prognóstico (MACIOCIA, 1996, p. 226).

            Jonhson (2006), indentificou três mecanismos principais pelos os quais a Acupuntura é eficaz na fertilidade, o primeiro é que a Acupuntura a partir da estimulação de pontos específicos promove a secreção de hormônios e uma melhora na função do Útero, o segundo é que a Acupuntura aumenta o fluxo sanguíneo para o ovário e para o Útero espessando o endométrio deixando-o mais receptivo a um embrião, e o terceiro é que o tratamento promove um relaxamento ocorrendo diminuição do estresse e da ansiedade, fatores esses considerados importantes na Infertilidade.

            Pu et al (2010), indentificaram que a utilização dos pontos BP6 e VB39 para tratar as síndromes de Estagnação de Qi e de Sangue, Deficiência de Qi e de Sangue, Umidade, Estagnação de Fígado e Deficiência de Rim é eficaz, sendo assim incluídos na proposta de tratamento para todas as enfermidades relacionadas ao distúrbio menstrual.    

            Jonhson (2006), relatou também que após oito semanas de tratamento com Eletroacupuntura o endométrio estava mais preparado para receber um embrião no caso de uma fertilização in vitro.

            Relatou ainda que pacientes que se submeteram ao tratamento com Eletroacupuntura, após 4 semanas de tratamento, obtiveram uma melhora do fluxo sanguíneo, um relaxamento mente-corpo-espírito e uma melhora da taxa de fertilização.

 Park et al (2010), realizaram sua pesquisa com 104 mulheres com a idade variando de 26 a 41 anos, dessas, 55 desistiram da pesquisa ficando somente 49. A quantidade de gestação durante seis meses foi de 14 mulheres, estas, foram acompanhadas durante toda a gestação e tratadas com Acupuntura, do qual, foi observado uma grande melhora da qualidade de vida e de parto.

O mesmo autor descreve que no final de sua pesquisa observou uma taxa de gravidez de 60,9%, demonstrando a eficácia do tratamento

Segundo Victorin e Humaidan (2006), o estudo realizado em um grupo com 114 mulheres demonstrou um resultado significativo, 53 mulheres receberam a Acupuntura (grupo 1) e 61 mulheres não receberam este tipo de tratamento (grupo2). No grupo que recebeu a Acupuntura houve uma taxa de fertilidade de 51% e o outro grupo que não recebeu teve uma taxa de fertilidade de 38%.

             Já Westergaard et al (2006), realizaram um estudo com um grupo de 273 mulheres o qual foi dividido em três grupos: grupo 1 com 95 mulheres, grupo 2 com 91 mulheres, e um grupo controle sem uso de Acupuntura com 87 mulheres. Dentre os resultados foi observado que das 273 mulheres 100 ficaram grávidas (36,6%), sendo que o grupo 1 das 95 mulheres, 40 ficaram grávidas (42,1%), no grupo 2 das 91 mulheres 37 ficaram grávidas (40,6%) e no grupo controle das 87 mulheres, 23 ficaram grávidas (26,4%).

            Domar (2006) apresentou como resultados de uma pesquisa feita com 300 mulheres, com Acupuntura Sistêmica, onde foi observado que a taxa de gestação após uma única sessão foi de 39% para o grupo que recebeu a Acupuntura e 24% para o grupo que não recebeu a Acupuntura, representando assim alguma eficácia no tratamento.

            Dieterle et al (2006) realizaram sua pesquisa com 225 mulheres com dificuldades para engravidar, dessas, 116 receberam a Acupuntura Sistêmica (grupo 1) e 109 pacientes não receberam Acupuntura (grupo 2), no primeiro ciclo menstrual houve uma taxa de gestação de 47,4% nas mulheres do grupo 1 e uma taxa de gestação de 28,9% no grupo 2.

            Chang et al (2002), mostraram um estudo realizado com pacientes com síndrome do ovário policístico através da Eletroacupuntura. A porcentagem de ciclos ovulatórios em todas as mulheres antes do tratamento era de 15%, após três meses de tratamento a porcentagem de ciclos ovulatórios aumentou para 66%. Eles então sugeriram que nesses pacientes selecionados, a Acupuntura pode ser considerada como alternativa de tratamento na indução ovulatória.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

4 CONCLUSÃO

 

 

Quem tenta ter filhos costuma experimentar várias técnicas para tratar a Infertilidade, e a Acupuntura certamente é uma alternativa eficaz, conforme demonstram as pesquisas. As causas mais freqüentes da Infertilidade Feminina segundo a MTC são decorrentes da Estagnação de Sangue, Deficiência do Baço-Pâncreas, Estagnação do Qi do Fígado e Deficiência do Rim, e a mais freqüente na Medicina Ocidental é Ovário policístico. Os diversos tratamentos encontrados são reposição hormonal e fertilização in vitro. Estudos recentes demonstram que a Medicina Tradicional Chinesa poderia regularizar o hormônio liberador de gonodotropina para induzir a ovulação, melhorar o fluxo sanguíneo do útero e alterações menstruais, além disso, também tem impactos em pacientes com Infertilidade decorrentes da síndrome do ovário policístico, ansiedade, estresse e distúrbios imunológicos. A Acupuntura mostra-se eficaz através de três mecanismos principais, o primeiro é que a Acupuntura a partir da estimulação de pontos específicos promove a secreção de hormônios e uma melhora na função do Útero, o segundo é que a Acupuntura aumenta o fluxo sanguíneo para o ovário e para o Útero espessando o endométrio deixando-o mais receptivo a um embrião, e o terceiro é que o tratamento promove um relaxamento ocorrendo diminuição do estresse e da ansiedade, fatores esses considerados importantes na Infertilidade. A literatura pesquisada revelou uma taxa de fertilidade de 51% no grupo tratado com Acupuntura e, em pacientes com síndrome do ovário policístico tratados com Eletroacupuntura, houve um aumento na porcentagem de ciclos ovulatórios de 15 para 66% após 3 meses de tratamento. Dentre os pontos mais citados pelos autores pesquisados os que mais se destacaram foram: BP6, BP9, E36, VC4, CS6, F3, R3 e VG20. Apesar das evidências, ainda é necessário realizar mais pesquisas para analisar os benefícios da Acupuntura sobre a Infertilidade Feminina.

 

 

           

 

 

             

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