ACUPUNTURA: A MEDICINA MILENAR NOS DISTÚRBIOS GINECOLÓGICOS E INFERTILIDADE FEMININA

sexta-feira , 20, setembro 2013 Leave a comment

UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES

MARCELA ADRIANE DE DEUS

PRISCILA RODRIGUES ALVES MOREIRA

ROSEANE VALÉRIA PINHEIRO MISAKI

 

 

 

ACUPUNTURA: A MEDICINA MILENAR NOS DISTÚRBIOS GINECOLÓGICOS E INFERTILIDADE FEMININA 

 

 

 

 

Mogi das Cruzes, SP

2012

UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES

MARCELA ADRIANE DE DEUS

PRISCILA RODRIGUES ALVES MOREIRA

ROSEANE VALÉRIA PINHEIRO MISAKI

 

 

 

 

 

ACUPUNTURA: A MEDICINA MILENAR NOS DISTÚRBIOS GINECOLÓGICOS E INFERTILIDADE FEMININA

 

 

 
 

Monografia apresentada ao programa de Pós Graduação da Universidade de Mogi das Cruzes como parte dos requisitos para obtenção do título de Especialista em Acupuntura.


 

Orientadores: Profª. Luiz Antonio Alfredo e

                        Profº. Bernadete Nunes Stolai

 

 

Mogi das Cruzes, SP

2012

 

MARCELA ADRIANE DE DEUS

PRISCILA RODRIGUES ALVES MOREIRA

ROSEANE VALÉRIA PINHEIRO MISAKI

 

 

 

 

 

ACUPUNTURA: A MEDICINA MILENAR NO TRATAMENTO DOS DISTÚRBIOS MENSTRUAIS E INFERTILIDADE FEMININA

 

 

 

Monografia apresentada   ao  Programa de Pós-Graduação da

Universidade de Mogi das Cruzes, como parte dos requisitos

para   a   obtenção  do  título  de  Especialista em Acupuntura.

 

 

Aprovado em …………………………

 

 

BANCA EXAMINADORA:

  

Prof.  Luiz Antonio Alfredo

                                                                  UMC – UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES     

 

 

 

Profa.  Bernadete Nunes Stolai

UMC – UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES

 

DEDICATÓRIA

 

Dedicamos este trabalho às nossas famílias, em especial aos nossos pais, que nos incentivam, apóiam as nossas decisões e estão sempre ao nosso lado, nos ajudando a realizar nossos sonhos, e acreditando sempre na nossa força de vontade. Também aos nossos amigos, que estão sempre conosco em todos os momentos.

 

 

 

 

 

 

 

AGRADECIMENTOS

 

Agradecemos primeiramente a Deus por nos ajudar durante toda a vida, iluminar nosso caminho durante esta caminhada e permitir que conseguíssemos chegar até aqui;

            Às nossas famílias, em especial aos nossos pais, José e Ana, Paulo e Doraci e Renato e Angélica, por sempre nos apoiarem e estarem ao nosso lado em todos os momentos de nossas vidas;

            Aos nossos amigos e colegas que de uma forma especial e carinhosa nos ajudaram, dando força, coragem e nos apoiando nos momentos de dificuldade;

            Aos nossos orientadores Bernadete e Luiz Alfredo, que nos acompanharam durante todo este período, sendo pacientes e nos ajudando a concretizar nosso trabalho.

 

 

 

 

 

“A dúvida é o início da sabedoria”

 

(Aristóteles)

RESUMO

 

 

A Infertilidade Feminina é definida como sendo uma alteração no sistema reprodutor, diminuindo assim a capacidade de gerar filhos. De acordo com a Medicina Tradicional Chinesa para que haja a gravidez é necessário que a energia da mulher esteja em equilíbrio atuando nas diferentes fases da reprodução. A Acupuntura pode substituir o uso de remédios no tratamento da Infertilidade sendo mais efetiva, rápida, duradoura, sem efeitos colaterais, além de ser considerada uma terapia de custo acessível. A variabilidade normal do ciclo menstrual é importante, pois, o ciclo menstrual em todas as suas fases pode ser um sinal de saúde e de doença para as mulheres. As causas dos Distúrbios Ginecológicos são a disfunção dos órgãos internos, Desarmonia do Qi, Sangue e Fluidos Corpóreos. Os distúrbios mais comuns são: 1º Desarmonia do Fígado, Baço e Rins, que provocam dismenorréia, períodos irregulares, sangramentos abundantes e amenorréia. 2º Padrão de Calor Excessivo, neste estão menstruação intensa, sangramento abundante, dismenorréia, sensação de febre, boca seca, coágulos roxo na menstruação, distensão da mama, dor hipocondríaca ou distensão abdominal. 3º Padrão de Frio Excessivo, período escasso, atrasos, amenorréia e dismenorréia, dor abdominal com períodos e aversão ao frio. Este estudo teve como objetivo analisar a eficácia do tratamento de Infertilidade em mulheres e dos Distúrbios Ginecológicos utilizando-se a Acupuntura como técnica da Medicina Tradicional Chinesa. A metodologia utilizada foi a revisão da literatura científica. Observou-se que embora existam poucos trabalhos que comprovem a verdadeira eficácia, a Acupuntura sistêmica trouxe efeitos satisfatórios principalmente em relação aos fatores que contribuem para a Infertilidade e nos Distúrbios Ginecológicos.

 

Palavras-chave: Infertilidade, Acupuntura, Distúrbios Ginecológicos.

 

 

 

 

 

 

ABSTRACT

 

The Female Infertility is defined as a change in the reproductive system, reducing the ability to bear children. In accordance with the Traditional Chinese Medicine so that there is a need for the pregnancy of the woman is energy balance in the various operating stages of the reproduction. Acupuncture can replace the use of drugs in the treatment of infertility is more effective, fast, durable, no side effects, and is considered an affordable therapy. The normal variability of the menstrual cycle is important, because the menstrual cycle in all its phases may be a sign of health and illness for women. The causes of Gynecologic disorders are dysfunction of internal organs, Disharmony of Qi, blood and body fluids. The most common disorders are: 1st Disharmony of the Liver, Spleen and Kidneys, causing dysmenorrhea, irregular periods, abundant bleeding and amenorrhea. 2 Excessive Heat pattern, this is heavy bleeding, heavy bleeding, dysmenorrhea, feeling of fever, dry mouth, purple clots in menstruation, breast distention, hypochondriac pain or bloating.3 Standard Cold Excessive scarce period, delay, amenorrhea and dysmenorrhea, abdominal pain and aversion to cold periods. This study aimed to analyze the effectiveness of the treatment of infertility in women and Gynecological disorders using acupuncture as a technique of traditional Chinese medicine. The methodology was based on review of scientific literature. It was observed that although there are few studies that prove the true effectiveness, Acupuncture systemiceffects brought satisfactory especially regarding the factors that contribute to infertility and gynecological disorders

 

Keywords: Infertility, Acupuncture, Gynaecological disorders

  

 

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

 

 

 

Figura 1         Vaso Penetrador ……………………………………………………………………

26

Figura 2         Vaso da Cintura …………………………………………………………………….

27

Figura 3         Vaso Diretor ………………………………………………………………………….  27
Figura 4         As quatro fases do ciclo menstrual …………………………………………..

30

Figura 5         Órgãos Internos e a Menstruação …………………………………………….

31

Figura 6         Útero e os Órgãos Internos ……………………………………………………..

33

 

 

 

 

 

SUMÁRIO

 

 

 

1 INTRODUÇÃO ……………………………………………………………………………………..

11

2 METODOLOGIA ……………………………………………………………………………………

13

3 INFERTILIDADE NA MEDICINA OCIDENTAL E PRINCIPAIS CAUSAS ……..    14
4 INFERTILIDADE NA MEDICINA ORIENTAL …………………………………………….

16

5 DIFERENCIAÇÃO SINDROMICA E TRATAMENTO ………………………………….

20

5.1 DEFICIÊNCIA DO YIN E DO YANG DO RIM (SHEN) ……………………..

20

        5.2 DEFICIÊNCIA DO YIN DO RIM (SHEN) ……………………………………….

21

5.3 DEFICIÊNCIA DO YANG DO RIM (SHEN) …………………………………….

22

5.4 DEFICIÊNCIA DO SANGUE …………………………………………………………    22
5.5 FRIO NO ÚTERO ……………………………………………………………………….

23

5.6 UMIDADE NO AQUECEDOR INFERIOR ……………………………………….

23

5.7 CALOR DO SANGUE ………………………………………………………………….

24

5.8 ESTAGNAÇÃO DE QI …………………………………………………………………

24

5.9 ESTASE DE XUE (SANGUE) ……………………………………………………….

25

6 VASOS MARAVILHOSOS E A INFERTILIDADE FEMININA ………………………

26

7 CICLO MENSTRUAL NA VISÃO DAS MEDICINAS OCIDENTAL E ORIENTAL …………………………………………………………………………………………….

 

29

7.1 CICLO MENSTRUAL NA MEDICINA OCIDENTAL ………………………….

29

7.2 CICLO MENSTRUAL NA MEDICINA ORIENTAL ……………………………

31

7.3 OS ÓRGÃOS INTERNOS E A MENSTRUAÇÃO ……………………………..

32

8 DISTÚRBIOS GINECOLÓGICOS NA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA E TRATAMENTO ATRAVÉS DA ACUPUNTURA ………………………………………..

 

35

8.1 ENDOMETRIOSE ……………………………………………………………………….

35

8.2 LEUCORRÉIA …………………………………………………………………………….

36

8.3 DISMENORRÉIA ………………………………………………………………………..

37

8.4 MIOMA UTERINO ……………………………………………………………………….

38

8.5 INFLAMAÇÃO PÉLVICA CRÔNICA ………………………………………………

38

8.6 CERVICITE E VAGINITE ……………………………………………………………..

39

8.7 SÍNDROME DO OVÁRIO POLICÍSTICO ……………………………………….

40

8.8 TENSÃO PRÉ-MENSTRUAL ……………………………………………………….

41

9 A ACUPUNTURA E SUA EFICÁCIA ……………………………………………………….

42

10 CONCLUSÃO ……………………………………………………………………………………..

46

REFERÊNCIAS ………………………………………………………………………………………..

48

 

 

 

1 INTRODUÇÃO

 

A Infertilidade é conceituada como sendo uma alteração do sistema reprodutor feminino ou masculino, que diminui a capacidade de um casal de ter filhos (SAMBIAGHNI e CASTELLOTTI, 2006, p.15).

            Ela afeta de 10 a 15% dos casais, o que a torna um dos componentes importantes da prática médica. As possíveis causas de Infertilidade são: fatores mas­culinos em 30 a 40% dos casos, 5 a 25% dos casos de causa feminina e 10 a 15% são de causa desconhecida. Apesar dos avanços científicos na área de reprodução assistida, a gestação ocorre em média, em 34% dos casais submetidos aos tratamentos hoje disponíveis.  A falha de implantação embrionária é considerada uma causa relevante de insucesso nos procedimentos de fertilização in vitro (FIV) (GLUECK et al, 2000). 

            Sambiaghni e Castellotti (2006, p.16), relatam que os estudos mostram que até 15% dos casais em idade fértil apresentam dificuldade para engravidar e metade deles terá que recorrer a tratamentos de Reprodução Assistida.

             Segundo Kendall (1999, p. 197 apud FERREIRA, 2003, p. 9), a Infertilidade é considerada primária quando um casal falha em conceber após conviver por um ano, tendo atividade sexual normal sem o uso de contraceptivos, e classificada secundária, se a mulher falha em conceber em até um ano após um aborto ou parto. Existe uma tendência a se pensar que o homem não tem problema, principalmente se não tem impotência.

Já a Medicina Tradicional Chinesa, uma arte milenar que possui mais de 3000 anos de história, tem o objetivo de harmonizar e equilibrar a energia do ser humano tratando o indivíduo como um todo, onde a energia de um ser depende da energia inata e da energia adquirida. A energia inata é recebida da mãe, durante o período fetal e a energia adquirida é obtida através dos alimentos e do ar (WEN, 1989, p.225).

Para ocorrer gravidez é necessário que a energia esteja suficiente e em equilíbrio atuando nas diferentes fases da reprodução, desde o início do processo ovulatório até a implantação do embrião na parede do útero e mesmo depois no desenvolvimento do feto (WEN, 1989, p.225).

Derivada dos radicais latinos acus e pungere, que significam agulha e puncionar respectivamente, a Acupuntura visa à terapia e cura das enfermidades pela aplicação de estímulos através da pele, com a inserção de agulhas em pontos específicos chamados acupontos. Trata-se também de uma terapia reflexa, em que o estímulo de uma área age sobre outra(s). Para este fim, utiliza, principalmente, o estímulo nociceptivo (SCOGNAMILLO-SZABO, 2001).

Há evidências de que a Acupuntura pode substituir o uso de remédios sendo mais efetiva, rápida, duradoura, não causando dependência e sem efeitos colaterais importantes, com menor custo financeiro ao paciente e ao sistema de saúde pública (STUX e HAMMERCHLAG, 2005, p.93-106).

Essa terapêutica estimula as fibras sensitivas do Sistema Nervoso Periférico (SNP) fazendo com que ocorra uma transmissão elétrica via neurônios para produzir alterações no Sistema Nervoso Central (SNC), o qual libera substâncias como o cortisol, as endorfinas, a dopamina, a noradrenalina e a serotonina, que promovem bem-estar, prevenção e tratamento de doenças, sejam elas psicológicas, biológicas e/ou comportamentais (STUX e HAMMERCHLAG, 2005, p.93-106).

Hoje em dia a Acupuntura tem vasto uso no tratamento de diversas afecções. Como qualquer método terapêutico possui limitações e sucessos, mas a quase inexistência de efeitos colaterais, o baixo custo e a fácil administração da terapêutica fazem com que a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) seja uma boa opção para a prevenção de transtornos reprodutivos (CARNEIRO, 2001, p.709).

A Medicina Chinesa é o sistema contínuo mais antigo registrado, onde o acupunturista pode escolher entre dois mil pontos por todo o corpo. Porém, inerente a essa enorme quantidade e ferramentas terapêuticas, é um sistema preciso e previsível de diagnóstico e formulação de tratamento (LYTTLETON, 2006, p.15).

Mais do que rotular as doenças, a Medicina Chinesa descreve e classifica o padrão de sinais e sintomas nos quais um indivíduo se manifesta sob determinadas circunstâncias. O diagnóstico é realizado juntando-se as informações obtidas por meio de características do pulso, exame da língua, pele, etc. e a coletânea de sintomas (LYTTLETON, 2006, p.15).       

Com base nesses dados, este estudo tem como objetivo realizar um levantamento bibliográfico abordando segundo a visão da Medicina Tradicional Chinesa os Distúrbios Ginecológicos e a Infertilidade Feminina, destacando o uso da Acupuntura como tratamento e a eficácia dessa Medicina Milenar.

2 METODOLOGIA

Essa pesquisa foi realizada através de revisão da literatura científica em bibliotecas privadas, públicas e virtuais. Foram utilizados artigos nos idiomas português, espanhol e inglês, sendo que na busca em bases de dados foram acessados os portais: Bireme, Scielo, Lilacs, Medline, Scirius, Capes, PubMed, entre outros.

 

 

 

3 INFERTILIDADE NA MEDICINA OCIDENTAL E PRINCIPAIS CAUSAS

 

A Infertilidade é definida como a incapacidade de uma mulher produzir descendência após ter tentado por um ano, tendo uma vida sexual normal, e cujo parceiro tem, naturalmente, função reprodutiva normal (MACIOCIA, 2000, p.625).

Frederickson (1993, p.113) diz que os mecanismos responsáveis pelo declínio na fertilidade são: o aumento dos índices anovulatórios, o aumento da probabilidade de endometriose, os riscos cumulativos de dano proveniente de infecções pélvicas ou de exposição a toxinas ambientais, e em efeito direto do envelhecimento sobre a qualidade do oócito.

As causas de Infertilidade podem ser divididas em quatro categorias principais: feminina, masculina, combinadas (masculina e feminina) e desconhecida ou indeterminada. É difícil calcular a percentagem exata para cada uma dessas categorias. Aproximadamente 40% das causas de Infertilidade são devidas ao fator feminino e tem sido relatado de que 35% dos casos têm causas múltiplas. Em 2 a 15 % dos casais, o diagnóstico permanece oculto, após uma investigação completa (GIORDANO, 1998, p.173).

Vários inquéritos têm listado as seguintes prevalências de Infertilidade entre mulheres nos diferentes grupos etários: 8% entre 20 e 29 anos e 15% entre 40 e 44 anos. O declínio da fertilidade parece começar após a mulher atingir a idade de 35 anos, a taxa de gravidez é cerca da metade daquelas que ocorrem abaixo da idade de 31, e aos 40 anos, cerca de um terço. Portanto os dois maiores fatores determinantes da taxa de fecundidade parecem ser o tempo durante o qual o casal tem tentado a concepção espontânea, e em casais com Infertilidade inexplicável (GIORDANO, 1998, p.173).

Existe sempre uma causa para a infertilidade e a freqüência com que é encontrada depende até certo ponto da meticulosidade da pesquisa. Em muitos casos, entretanto, vários fatores adversos estão agindo, e quando eles estão distribuídos entre os parceiros, pode ser impossível, mesmo quando desejável, dividir equitativamente a responsabilidade (JEFFCOATE, 1983, p.728).

Em qualquer série de casamentos inférteis o fator etiológico principal é encontrado mais freqüentemente, na mulher que no homem, mas 40% dos maridos podem mostrar, pelo espermograma, ter algum grau de subfertilidade, em apenas 10% entretanto, o parceiro masculino é inteiramente o responsável e a cada 100 homens que se casam um é absolutamente estéril (JEFFCOATE, 1983, p.728).

De acordo com Frederickson (1993, p. 113), embora a freqüência das etiologias reconhecidas da Infertilidade varie entre os diferentes estudos, a relação seguinte pode ser usada como um meio de orientação:

 

Tabela 1- Fatores Etiológicos

Fator Etiológico

Incidência

Fator masculino

40 %

Fator cervical

5 – 10 %

Fator uterino

5 – 10 %

Fator ovulatório

15 – 25 %

Fator peritoneal (endometriose) + tubário

30 – 50 %

Fonte: Frederickson (1993)

 

            Conforme descrevem Corleta, Kalil (2001), as causas da Infertilidade Feminina são: Causa ovulatória, a ovulação não ocorre, existe uma irregularidade do ciclo e tem como causa central a anovulação, e como causa periférica ovário policistico; Causa tubária, as tubas uterinas não funcionam adequadamente e também podem estar obstruídas. Pode ter como causa infecção pélvica; Causas uterinas, ocorrem devido as alterações anatômicas do útero, miomas, pólipos endometriais e infecções uterinas.

 

 

 

4 INFERTILIDADE NA MEDICINA ORIENTAL

 

         A Medicina Tradicional Chinesa que vem sendo cada vez mais utilizada no oriente é uma medicina milenar que através da Acupuntura utiliza-se de agulhas em pontos específicos que regulam o organismo e suas funções. Muito utilizada no tratamento de algias, mas também com eficácia em outros tipos de tratamento (MEDEIROS, SAAD, 2009).

A teoria geral da Acupuntura se baseia em padrões de fluxo de energia (Qi) através do corpo, que são essenciais para a saúde. Acredita-se que o rompimento desse fluxo possa ser responsável pela formação da doença. De acordo com a nomenclatura internacional de Acupuntura o sistema de meridianos consiste em 12 meridianos interligando cerca de 400 pontos de Acupuntura. Estes pontos correspondem a áreas específicas da superfície do corpo, que demonstram maior condutividade elétrica devido à presença de maior densidade de junções ao longo das fronteiras da célula, atuam como pontos de convergência para os campos eletromagnéticos. Uma maior taxa metabólica, temperatura e concentração de íons cálcio, também são observados nesses pontos. Em princípio, a estimulação de um pulso positivo inibe a função do órgão, enquanto que negativos a estimulação do pulso aumenta essa função (CHANG et al, 2002).

Alguns estudos sugerem que os efeitos da Acupuntura estão correlacionados com os peptídeos opióides endógenos no centro do sistema nervoso central que estimulam a secreção de gonadotropina influenciando assim no ciclo menstrual, apresentando um impacto no fluxo sanguineo uterino. A Acupuntura também apresenta um impacto na endorfina que afeta a secreção de GnRH e no ciclo menstrual influenciando na ovulação e na fertilidade (CHANG et al, 2002).

Sambiaghni e Castellotti (2006, p.16) definem que as causas da Infertilidade, na visão da Medicina Tradicional Chinesa, podem ser por fraqueza constitucional causada pela fraqueza da mãe, ou mulher com idade avançada, por excesso de trabalho, sem repouso adequado, excesso de trabalho físico ou prática de esportes de forma extenuante (principalmente quando está na fase mais vulnerável, como na adolescência), atividade sexual precoce e excessiva, invasão pelo Frio (quando a mulher teve muita exposição ao Frio e Umidade durante o período menstrual) e dietas com excesso de alimentos e bebidas geladas, excesso de laticínios e produtos gordurosos.

Para ocorrer gravidez, é necessário que a energia esteja suficiente e em equilíbrio atuando nas diferentes fases da reprodução, desde o início do processo ovulatório até a implantação do embrião na parede do Útero. Nos casos relacionados à Infertilidade, a Acupuntura age no aumento do fluxo sangüíneo dos órgãos reprodutivos femininos, ajudando a normalizar a ovulação. O equilíbrio de energia resulta na melhora de problemas físicos e emocionais, além do paciente referir uma sensação de bem-estar (SAMBIAGHNI E CASTELLOTTI, 2006, p.62).

Embora não se negue o valor das técnicas ocidentais de cirurgia ou medidas farmacêuticas no tratamento de Infertilidade, especialmente em situações de emergências, existem muitos Distúrbios Ginecológicos para os quais essas técnicas são menos adequadas do que se poderia desejar. Para distúrbios como esses a Medicina Tradicional Chinesa apresenta muitos benefícios, sendo mais efetiva, rápida e duradoura (FREDERICKSON,1993).

Segundo Kendall (1999, p. 197 apud FERREIRA, 2003, p. 6), a MTC descreve todos os aspectos da reprodução feminina, os órgãos, as glândulas e suas secreções, bem como a psique, em termos de função do Rim (Shen), função do Coração (Xin) e do Útero, formando o núcleo da atividade reprodutora. Ao descrever o Jing do Rim (Shen), sendo o que a moderna ciência médica ocidental chama de gametas ou óvulos e esperma, o Yin e o Yang do Rim englobam a influência dos hormônios que regularizam as diferentes fases do ciclo.

            De acordo com a MTC as funções reprodutivas dependem de um complexo de funções cooperativas que envolvem os órgãos internos, o Qi-Xue (Energia e Sangue), os meridianos e, especificamente os órgãos do aparelho reprodutor (Útero, Ovários, Trompas de Falópio e Cérvice). Os órgãos internos e seus meridianos, principalmente o Rim (Shen), o Baço-Pâncreas (Pi), o Fígado (Gan)  e o Coração (Xin), abastecem o Útero, o feto, placenta, os ovários, as glândulas mamárias em lactação, os testículos, e o pênis com o Qi-Xue, que por sua vez, é o alimento essencial a todas as atividades orgânicas necessárias à manutenção e perpetuação da vida (KENDALL, 1999, p. 200 apud FERREIRA, 2003, p. 6).   

Os fisiologistas modernos descrevem o ciclo menstrual em termos de hormônios produzidos pelos ovários (estrogênio e progesterona) e hipófise (FSH e LH) e suas ações sobre os folículos, trompas e endométrio ou camada de revestimento interno do Útero (LYTTLETON, 2006, p.25).

            O mesmo autor refere que na MTC o ciclo menstrual é descrito como o efeito de Qi (Energia), Sangue, Yin e Yang sobre o Útero. Em termos mais gerais, o período do ciclo é visto como apenas mais uma das muitas manifestações físicas ou reflexões da redução e aumento do Yin e da energia Yang

O Rim (Shen) é o alicerce da constituição inata do organismo. Entre suas diversas funções, ele domina o Jing (Essência) e domina a reprodução e o desenvolvimento, além de ter um papel importantíssimo no controle do metabolismo para aquecer o corpo. Algumas destas funções são mediadas pelas glândulas adrenais e gônadas, onde as substâncias Yin, incluindo os hormônios sexuais, sustentam a reprodução e o desenvolvimento orgânico. Tanto as deficiências da Essência vital do Rim (Shen), quanto a hipofunção dos Rins (Shen), podem levar a Infertilidade (HAWKINS,1992).

Conforme Kendall (1999, p. 202 apud FERREIRA, 2003, p. 7), o Fígado (Gan) é responsável pelo processamento e dispersão das substâncias básicas necessárias para todas as funções do corpo, segundo a MTC, é o responsável pelo suporte às funções reprodutivas. O Coração (Xin), além de movimentar o Sangue através do sistema vascular, também fornece energia necessária às atividades cerebrais, inclusive do hipotálamo. Diretamente depende do hipotálamo, a hipófise, que secreta os hormônios críticos para o funcionamento orgânico, inclusive da atividade reprodutiva, tem a sua síntese e secreção hormonal controladas indiretamente pela melatonina. Um Coração (Xin) fraco, que não consegue suprir o sistema reprodutor com Sangue e Substâncias Vitais, pode contribuir para o estabelecimento da Infertilidade.

De acordo com o mesmo autor, o Baço-Pâncreas (Pi), que regula o volume do Sangue e é responsável pela digestão, transporte e transformação dos nutrientes, é considerado a fonte do crescimento e das transformações das substâncias refinadas e do Sangue. A insuficiência desse sistema, que é também indispensável ao metabolismo de água e líquidos, pode resultar no acúmulo de Umidade e suprimento insuficiente do corpo com nutrientes, levando a uma falha alimentar do Útero e do feto, no caso de uma gestação e, conseqüentemente, em muitas desordens ginecológicas, que podem culminar com a esterilidade (KENDALL, 1999, p. 200 apud FERREIRA, 2003, p. 6).

De maneira simplificada, as Deficiências de Yin ou Yang de determinados órgãos e/ou funções, que resultem no abastecimento irregular ou insuficiente de Qi-Xue do sistema reprodutor, seriam as causas primárias das lesões ou mau funcionamento destes. Contudo, os problemas de Infertilidade geralmente são multifatoriais e, na maioria das vezes, é o Útero a sede primária da disfunção reprodutiva (KENDALL, 1999, p. 200 apud FERREIRA, 2003, p. 8).

            O Útero descreve o lugar onde tudo ocorre. Quando utilizamos o termo Útero em um contexto de Medicina Chinesa é uma tradução do termo Bao Gong, que engloba todos os órgãos reprodutores. Os caminhos ou canais denominados Bao Mai (Vaso do Útero) e Bao Luo ( Canal do Útero), fornecem o meio de comunicação entre o Coração (Xin), Útero e Rins (Shen) (LYTTLETON,2006, p.10).      

            Além dos meridianos citados, participam também ativamente dos processos reprodutivos, o Vaso da Concepção (Ren Mai), o Vaso Governador (Du Mai) e o Vaso Penetrador (Chong Mai) (KENDALL, 1999, p. 200 apud FERREIRA, 2003, p. 10).

 

 

5 DIFERENCIAÇÃO SINDRÔMICA E TRATAMENTO  

 

Embora as opções de tratamento convencional para Infertilidade Feminina estejam bem estabelecidas, há poucas revisões sistemáticas de abordagens complementares ou alternativas para o tratamento de Infertilidade, sendo necessário rever os fundamentos científicos existentes e com base em dados clínicos mostrar que a Acupuntura pode exercer uma influência sobre o resultado da fertilidade na mulher. Como a Acupuntura não é tóxica e relativamente acessível, é indicada como adjuvante assistida na reprodução ou como uma alternativa para as mulheres que são intolerantes ou em casos de contra-indicado para indução hormonal convencional de ovulação (CHANG et al, 2002).

Há séculos na China a Acupuntura é utilizada para o tratamento do sistema reprodutor feminino agindo na liberação de neurotransmissores, que estimula a secreção de gonadotrofina que influenciam o ciclo menstrual, a ovulação e a fertilidade, estimula o fluxo sanguineo do útero e estimula a produção de opióides endógenos que inibem o SNC na saída e resposta ao estresse biológico (LACEY  et al, 2009).

Ao diagnosticar a Infertilidade deve-se estabelecer claramente a diferença entre Deficiência e Excesso, devemos também estabelecer se precisamos tonificar e nutrir o Qi (Energia) do corpo ou eliminar os fatores patogênicos. Em caso de condições de Vazio, a Infertilidade é causada por falta de Substâncias Vitais que são essenciais para a concepção, ou seja, Sangue e Essência. Para que a fertilização ocorra, os aspectos Yin e Yang da Essência precisam estar equilibrados (MACIOCIA, 2000, p.626).

Os padrões de Vazio são três: Deficiência do Yin do Rim, Deficiência do Yang do Rim e Deficiência do Sangue e os padrões de Plenitude são cinco: Frio no Útero, Umidade no Aquecedor Inferior, Calor do Sangue, Estagnação do Qi e Estase do Sangue

 

5.1 DEFICIÊNCIA DO YIN E DO YANG DO RIM (SHEN)

 

É a associação das duas Deficiências. O Rim armazena o Yin e Yang Primário, ele fornece o Yin e Yang para todos os outros sistemas, o Yin do Rim (Shen) é o fundamento para todo o Qi do Yin do corpo, em especial o do Fígado (Gan), Coração (Xin) e Pulmão (Fei) e o Yang do Rim (Shen) é o fundamento para todo o Qi do Yang do organismo, em especial do Baço (Pi), Pulmão (Fei) e Coração (Xin). Tanto o Yin como o Yang do Rim (Shen) se originam da mesma raiz, sendo então interdependentes, isto é, o Yin do Rim (Shen) fornece o substrato material para o Yang do Rim (Shen), e o Yang do Rim (Shen) fornece o Calor necessário para todas as funções do Rim (Shen). O tratamento consiste no fortalecimento do Yin e Yang do Rim, tonificar o Chong Mai e Ren Mai, acalmar a Mente, utilizando os seguintes pontos: VG20, C6, Yintang, VB13, VG24, R9, PC6, B15, B14, que acalmam a mente; P7, R6, regulam Ren Mai, fortalecem o Útero e nutrem o Yin; R3, BP6, nutrem o Rim; B23, tonifica o Yang do Rim (MASTROROCCO, 2007).

 

5.2 DEFICIÊNCIA DO YIN DO RIM (SHEN)

 

A Deficiência do Yin do Rim é também da Essência, e leva a manifestações clínicas relacionadas ao Cérebro (o Yin do Rim produz a Medula e controla o Cérebro), resultando em tontura leve, zumbido, vertigem e perda gradativa da memória. Além destas manifestações, esta Deficiência provoca diminuição dos Fluidos Corpóreos levando a um quadro de Secura, podendo se manifestar por boca seca a noite, constipação intestinal e urina escura e escassa, pele, cabelos e mucosas secas. A Deficiência do Yin provoca o surgimento do Calor-Vazio do Rim, que se manifesta clinicamente através do Calor dos Cinco Palmos e da sudorese noturna. Pelo fato da Essência do Rim controlar os ossos é comum observar o aparecimento de lombalgia e dor nos ossos. O tratamento pela Acupuntura se baseia no fortalecimento do Yin do Rim (Shen), dominar o Yang, acalmar a Mente e remover o Calor do Coração, podendo ser utilizados os seguintes pontos (MASTROROCCO, 2007): VG20; C7; Yintang; VB13;. VG24; R9; PC6; B15; B14 que acalmam a Mente; P7; R6 regulam Ren Mai, fortalecem o Útero, nutrem o Yin e R3; BP6; R10 que nutrem o Rim.

  

5.3 DEFICIÊNCIA DO YANG DO RIM (SHEN)

 

Quando o Yang do Rim está deficiente o Rim não apresenta Qi suficiente para fortalecer os ossos e as costas causando lombalgia e fraqueza nas pernas e joelhos. O Yang deficiente falha ao aquecer a Essência e portanto a energia sexual é privada da nutrição da Essência e do aquecimento do Yang do Rim o que resulta em ejaculação precoce masculina e Infertilidade Feminina ou mesmo frigidez. Os sintomas mais comuns desta Deficiência são: lombalgia, joelhos frios, sensação de frio nas costas, calor nas mãos, sudorese pela manhã, calafrios, cefaléia, astenia, fraqueza nas pernas, falta de interesse, depressão, impotência. Pulso Vazio, profundo, Lento. Língua Pálida, de volume aumentado, úmida, saburra branca. Método de tratamento: Fortalecer e aquecer o Yang do Rim, utilizando-se os métodos de tonificação e a moxa e tratar os padrões adicionais, podendo ser utilizados os seguintes pontos (MASTROROCCO, 2007): B23; R3, BP6 tonificam o Rim (Shen); VG4 tonifica o Yang do Rim; P7; R6 regulam Ren Mai, fortalecem o Útero, nutrem o Yin e R7 tonifica o Yang do Rim.

 

5.4 DEFICIÊNCIA DO SANGUE

 

O Coração, entre suas inúmeras funções, governa o Sangue e sua circulação através da transformação do Qi dos Alimentos em Sangue, está conectado com o Útero pelo Canal do Útero, abriga a Mente, além de participar na formação do Qi Celestial, através da presença do Yang do Coração junto a Essência do Rim. Na Deficiência do Yang do Rim observa-se um comprometimento de sua função em transformar os Fluidos Corpóreos (Jin Ye), provocando mudanças em seu fluxo em direção ao topo, causando um padrão chamado de “Água afetando o Coração”. Na Deficiência de Yin do Rim não haverá nutrição do Yin do Coração, levando a uma hiperatividade do Fogo do Coração (MASTROROCCO, 2007).

O Sangue do Fígado nutre e abastece a Essência do Rim, e este contribui para a elaboração do Sangue (pelo fato da Essência produzir a medula óssea que produz o Sangue). O Yin do Rim nutre o Yin do Fígado (que inclui o Sangue do Fígado). A Essência deficiente do Rim leva a Deficiência do Sangue, que por sua vez, irá causar debilidade na Essência do Rim, com sintomas de tontura, visão turva e tinido. Os que sofrem de certa Deficiência de Yin do Rim (talvez atividade sexual excessiva) podem desenvolver ascensão do Calor do Yang (talvez por consumo excessivo de alimentos quentes) e tenderão a desenvolver explosão do Fogo do Fígado, causando visão turva, tinido, tontura, irritabilidade e dores de cabeça (SILVEIRA, 2009).

 

5.5 FRIO NO ÚTERO

 

            De acordo com Maciocia (2000, p. 642), esse padrão é mais comum em mulheres jovens e é uma condição de Vazio de Frio no Útero por Deficiência do Yang do Rim. As manifestações clínicas são: dismenorréia, infertilidade primária, menstruação escassa, coágulos, ciclo atrasado, gosto amargo com calor, maior sensação de frio durante o período da menstruação, palidez facial, dores nas costas. Lingua: pálida, revestimento espesso branco e Pulso: Fraco, Apertado.

            Segundo Maciocia (2000, p. 642), tem como principio de tratamento dispersar o Frio, esquentar o Útero e esquentar e tonificar o Yang do Rim. A moxa pode ser usada no tratamento dos seguintes pontos: VC2 – dispersa o Frio do Útero; VC4 – esquenta o Yang do Rim e tonifica o Útero; VG4 – esquenta o Fogo da Porta da Vida e fortalece o Canal Du Mai; R7 e B23 – tonificam Yang do Rim e fortalecem o Útero;

VC7 e VG4 – combinados, esquentam o Útero e os Rins e dispersam o Frio do Útero.

 

5.6 UMIDADE NO AQUECEDOR INFERIOR

 

            Geralmente a Umidade se desenvolve secundariamente, onde os fluidos se solidificam em alguns locais, prejudicando as funções de determinados sistemas (LYTTLETON, 2006, p.94).

            Maciocia (2000, p. 645), relata que as manifestações clínicas são: ciclo menstrual demorado, menstruações irregulares, dismenorréia, descarga vaginal, infertilidade de longo tempo, obesidade, sensação de peso. Língua: revestimento grudento e Pulso: escorregadio.

            O principio de tratamento constitui em resolver a Umidade e remover as obstruções dos Canais Ren Mai e Chong Mai. Utiliza-se os seguintes pontos para o tratamento (MACIOCIA, 2000, p. 646): VC3 – fortalece o Útero e resolve a Umidade; Zigong (M-TA 18) – remove as obstruções do Útero e das trompas; E28, BP9, BP6 e VC9 – resolvem a Umidade; P7 e R6 – regulam o canal Ren Mai e fortalecem o Útero; E30 – revigora o Sangue ajudando a transformar a Água; R14 – elimina a estagnação da Água; B32 – drena a Umidade do sistema genital; VB41 – no lado direito e TA5 – no lado esquerdo, regulam o canal Dai Mai e drenam a Umidade; VB26 – resolve a Umidade-Calor no sistema genital, deve ser usado em conjunto com os pontos de abertura VB41 e TA5 e B32 e VC4 com estimulação elétrica para obstrução das trompas.

 

5.7 CALOR DO SANGUE

 

            Maciocia (2000, p. 652), descreve que nesse padrão as manifestações clínicas apresentadas são: períodos menstruais adiantados com um ciclo curto, podendo ser acima de duas vezes ao mês, fluxo abundante, sensação de calor durante o período menstrual e inquietude mental. Lingua: vermelha e Pulso: rápido, transbordante.

            O principio de tratamento tem por objetivo refrescar o Sangue e regular os períodos menstruais, utilizando os seguintes pontos (MACIOCIA, 2000, p. 652): IG11 e BP10 – refrescam o Sangue; R2 e F3 – em combinação refrescam o Sangue; BP6 e CS3 – refrescam o Sangue; B17 – refresca o Sangue; VC4 – fortalece o Útero e nutre o Sangue e P7 e R6 – regulam os Canais Ren Mai e Chong Mai e nutrem o Yin.

 

5.8 ESTAGNAÇÃO DE QI

 

Qi é o termo usado pelos chineses à energia que circula pelos canais. Para que ocorra a menstruação o fluxo de energia precisa estar correndo livremente (LYTTLETON, 2006, p. 91).

É o Qi do Fígado (Gan) e seu livre fluxo que se torna importante para a ovulação e a menstruação. A Estagnação do Qi do Fígado obstrui os Canais Ren Mai e Chong Mai, essa Estagnação se dá devido ao estresse emocional. Uma vez essa energia estagnada, poderá afetar a liberação dos óvulos, ocorrerá dismenorréia ou um período menstrual irregular. O tratamento para esse padrão sindrômico visa mover o Qi, eliminar a Estagnação, e regular os períodos menstruais (MACIOCIA, 2000, p.652).

De acordo com Maciocia (2000, p. 652 e 653), os pontos responsáveis para esse tratamento são F3, VB34, TA6 que movem o Qi, fixam a Alma Etérea e eliminam a Estagnação.

VC4 que fortalece o Útero, R14 que é o ponto de reunião dos Canais de Energia Principal do Rim (Shen) com o Canal de Energia Curioso Chong Mai,e move o Qi no abdômen inferior.

BP4 que regula o Canal de Energia Curioso Chong Mai e domina o Qi rebelde.

 

5.9 ESTASE DE XUE (SANGUE)

 

 Podendo provocar dismenorreia, ciclo longo, hemorragias uterinas ou mesmo amenorreia. A Estase de Sangue também provoca o aparecimento de coágulos durante as perdas mensais (MACIOCIA, 2000, p. 656).

A Estagnação de Xue (Sangue) está correlacionada com as dores, fazendo com que ocorra dificuldade na eliminação da menstruação apresentando coágulos (LYTTLETON, 2006, p. 93).

Devido a Estagnação de Xue (Sangue) o ciclo menstrual fica perturbado, pois, o vaso Chong (o mar de Sangue) não será preenchido livremente e não se esvaziará adequadamente (LYTTLETON, 2006, p. 93).

Para tratarmos esse padrão devemos revigorar o Xue (Sangue), eliminar a Estase, e regular os períodos menstruais, sendo que os pontos F3, VB34, B17, BP10 e BP6 tem a função de revigorar o Xue (Sangue), e eliminar a Estase. TA6 / VC6 são responsáveis por moverem o Qi, o que ajuda a revigorar o Xue (Sangue). VC4 fortalece o Útero (MACIOCIA, 2000, p. 656 e 657).

 

 

6 VASOS MARAVILHOSOS E A INFERTILIDADE FEMININA

 

            Os Vasos Maravilhosos são meridianos virtuais que se manifestam quando há distúrbios energéticos nos meridianos principais, por excesso ou insuficiência. Estes Vasos Maravilhosos agem como reservatórios de energia (Qi) relativamente aos meridianos principais. A função dos Vasos Maravilhosos, além da de reserva, é a regulação dos meridianos principais. Conduzem a energia ancestral dos Rins (Shen) para as diferentes partes do corpo, inclusive para os meridianos principais, além de receberem e distribuirem as energias de Defesa e Nutridora para os meridianos principais (LIMA  et al, 2009).

            Eles possuem o Qi derivado do Rim (Shen), e todos contem a Essência (Jing) que é estocada no Rim (Shen). Eles circulam a Essência (Jing) ao redor do organismo, contribuindo assim para integrar a circulação do Qi com a da Essência (Jing). Por essa razão os Vasos Maravilhosos são o laço entre o Qi pré-celestial e pós-celestial na medida em que estão conectados aos Meridianos Principais circulando a Essência (Jing) por todo o organismo. Portanto, os Vasos Maravilhosos representam um nível mais profundo de tratamento relacionado ao Qi Celestial e a constituição básica de um indivíduo (MACIOCIA, 1996, p. 462).

            Normalmente, os Canais Extraordinários são utilizados aos pares de acordo com pontos de abertura e fechamento, o que permite tratar de síndromes complexas com poucas agulhas e ótimos resultados. Os objetivos de todos os tratamentos pela Acupuntura são simplicidade e harmonia, tratando com o mínimo de agulhas numa combinação equilibrada e de efeito sinérgico (ANTUNES, 2010).

            Os vasos mais importantes no ciclo menstrual são Chong e Ren que participam da concepção e gestação. O Vaso Chong também conhecido como Vaso Penetrador e é o Mar de Sangue ou Mar dos 12 canais e o Vaso Ren como vaso da Concepção ou Diretor e é o Mar de todo o Yin (LYTTLETON, 2006, p.21).

            Esses Vasos surgem da área entre os Rins (Shen) e passam pelo Útero e períneo, e exercem grande influência sobre o abdome e seus órgãos (LYTTLETON, 2006, p.22).

            O Vaso Penetrador (Chong Mai – figura 1), juntamente com o Vaso Diretor (Ren Mai), regulariza o útero e a menstruação e nutre o Sangue (Xue). Pode ser utilizado para condições como dismenorréia, amenorréia e menorragia. A diferença principal entre ambos com relação a menstruação consiste no fato de que o primeiro controla o Qi e pode ser usado para tonificar e nutrir enquanto o último controla o Sangue (Xue), sendo principalmente utilizado para movimentar o Qi e o Sangue (Xue) e remover obstruções. Ponto de abertura: BP4, Acoplado: PC6 e Ponto Inicial: Ren1 (MACIOCIA, 1996, p. 468).

 

Figura 1 – Vaso Penetrador

 Fonte: Maciocia, (1996, p.468)

 

            O Vaso da Cintura (Dai Mai – figura 2) é o único vaso horizontal do corpo, divide o corpo em duas metades e conecta-se com o Meridiano divergente do Rim (Shen). Influencia o quadril, a genitália e a cintura, podendo ser utilizado para dispersar o Calor-Umidade da genitália. Ponto de abertura: VB41, Acoplado: TA5 e Ponto Inicial: VB26 (MACIOCIA, 1996, p. 469).

 

 Figura 2 – Vaso da Cintura

 Fonte: Maciocia, (1996, p.470)

 

            O Vaso Diretor (Ren Mai – figura 3) exerce influencia sobre todos os meridianos Yin do corpo, origina-se no Rim e flui através do Útero em descendência. Regulariza o Útero e o Sangue, sendo responsável pela menstruação, fertilidade, concepção, gravidez, parto e menopausa. É bastante utilizado no tratamento da Infertilidade, pois, promove o suprimento de Sangue necessário para o Útero, também movimenta o Qi no Aquecedor Inferior e Útero. Ponto de abertura: P7, Acoplado: R6 e Ponto Inicial: VC 1 (MACIOCIA, 1996, p. 467).

       

Figura 3 – Vaso Diretor

 Fonte: Maciocia, (1996, p.466)

7 CICLO MENSTRUAL NA VISÃO DAS MEDICINAS OCIDENTAL E ORIENTAL

 

        A variabilidade normal do ciclo menstrual é importante, pois, o ciclo menstrual em todas as suas fases pode ser um sinal de saúde e de doença para as mulheres (FEHRING et al, 2006).

 

7.1 CICLO MENSTRUAL NA MEDICINA OCIDENTAL

 

Segundo Sampaio (2002) o ciclo menstrual depende de uma interação entre cérebro, glândula pituitária, ovários e endométrio: estímulos ambientais (nutrição, estresse, emoção, luz, odor, som) são transformados pelo hipotálamo em neuropeptídeos; isto leva a glândula pituitária a secretar gonadotrofinas as quais estimularão o ovário; estes secretam estradiol e progesterona que, por sua vez, estimulam o endométrio a se preparar para uma gravidez, se a gravidez não ocorre, o endométrio degenera, há o sangramento, e o ciclo se repete. A duração média do ciclo menstrual é de 28 dias, mas pode variar de 20 a 45 dias. O ciclo é dividido em duas fases: a folicular, compreendendo o período do sangramento até a ovulação, e a lútea, que se inicia logo após, estendendo-se até o início do sangramento. Em relação aos níveis hormonais, a fase folicular caracteriza-se pela presença de hormônio folículo-estimulante (FSH), hormônio luteinizante (LH) e estrógeno, os quais levam ao crescimento do folículo ovariano e à ovulação. A fase lútea é caracterizada pela presença aumentada de estrógeno e progesterona. O decréscimo destes dois hormônios ocorre com a regressão do corpo lúteo (quando não ocorreu fertilização), gerando a degeneração do endométrio – sangramento.

            A função menstrual normal depende das ações coordenadas dos ovários, de hipófise, hipotálamo e sistema nervoso central. Em etapas subseqüentes da puberdade se instalam fatores fisiológicos responsáveis pelos ciclos ovulatórios e as adolescentes normais passam a apresentar ciclos menstruais bifásicos (BEZNOS, 2002).

            Transtornos do ciclo menstrual são alterações que podem ocorrer em qualquer época da vida reprodutiva da mulher, sendo mais freqüentemente observados logo após a menarca ou no período da pré e perimenopausa. As irregularidades menstruais vêm aumentando nas últimas duas décadas, devido às mudanças nas expectativas das mulheres em nossa sociedade, oferecendo novos desafios, como as competições acadêmicas, sociais e atléticas, propiciando aumento das situações de estresse. Desta maneira, vários fatores associados a estresse, exercícios, estado nutricional ou doenças sistêmicas podem ser responsáveis pelas irregularidades menstruais, por disfunção hipotalâmica (BEZNOS, 2002).

            De acordo com o mesmo autor, a classificação das irregularidades menstruais podem ser: Referente à ausência: Amenorréia primária: Menarca ausente aos 16 anos de idade, com desenvolvimento puberal normal; ou Menarca ausente aos 14 anos de idade, sem desenvolvimento puberal; ou Menarca ausente numa adolescente, dois anos após a maturação sexual completa. Amenorréia secundária: Ausência de menstruação há três ciclos, em paciente com oligomenorréia; ou Ausência de menstruação seis meses após a estabilização das menstruações regulares; ou Ausência de menstruação 18 meses após a menarca.

            Referente ao intervalo: Polimenorréia: ciclos com intervalos menores que 21 dias; Oligomenorréia: ciclos com intervalos maiores que 35 dias; Espaniomenorréia: ciclos com intervalos maiores de 45 dias, até 60 dias. Referente à quantidade: Hipermenorréia: é o aumento da duração do fluxo (acima de oito dias); Menorragia: sangramento uterino abundante (maior que 80 ml), a menorragia freqüentemente se associa à hipermenorréia (hipermenorragia); Metrorragia: sangramento uterino que ocorre em intervalos irregulares, prolongado, por vezes profuso, sem caráter rítmico; Hipomenorréia: é a diminuição da duração do fluxo (menor do que três dias) (BEZNOS, 2002).

            Referente a sintomas subjetivos: Dismenorréia; Tensão pré-menstrual. Pseudodistúrbios menstruais (estes podem ocorrer por ocasião da ovulação): Dor ovulatória (Mittelschmerz): refere-se à dor pélvica no meio do ciclo. A dor é aguda, em pontadas, variando de alguns minutos a várias horas, ou até um a dois dias. Pode ser observada do lado esquerdo ou direito da pelve. Pequenos sangramentos genitais (Kleine Regel): também conhecidos por hemorragias do meio-ciclo, são atribuídos à privação estrogênica antes da ruptura do folículo. Na maioria das vezes a hemorragia do meio-ciclo é autolimitada e não necessita de terapêutica (BEZNOS, 2002).

 

7.2 CICLO MENSTRUAL NA MEDICINA ORIENTAL

 

De acordo com Maciocia (2000, p. 9), o ciclo menstrual esta dividido em quatro fases (Figura 4): Fase Menstrual – dura em média cinco dias, é a fase onde o Sangue se movimenta, e depende do livre fluxo de Qi e o Sangue do Fígado; Fase Pós-Menstrual – dura em média sete dias, durante esta fase o Sangue e o Yin estão relativamente vazios e os Canais Chong Mai e Ren Mai estão exauridos; Fase do Meio do Ciclo – dura em média sete dias, é a fase onde o Sangue e o Yin enchem os Canais Chong Mai e Ren Mai gradualmente e Fase Pré-Menstrual – dura em média sete dias, o Qi Yang sobe e o Qi do Fígado se movimenta para preparar o ciclo, a mobilização do Qi do Fígado é essencial para mover o Sangue durante o ciclo menstrual.

 

Figura 4 – As quatro fases do ciclo menstrual

     Fonte: Maciocia (2000, p.10)

7.3 OS ÓRGÃOS INTERNOS E A MENSTRUAÇÃO

 

            Os Rins são a raiz da Essência Pré-Natal e de Qi Original, armazenam a Essência que é a base para formação do Sangue menstrual. Sua Essência origina a formação de Tian Gui, substância material do Sangue menstrual, e é na puberdade que o Gui Celestial é cristalizado originando os ciclos. Os Rins também influenciam os sistemas reprodutivos das mulheres através dos Canais Curiosos Du Mai, Ren Mai e Chong Mai, conforme Figura 5 (MACIOCIA, 2000, p. 10 e 11).

 

   Figura 5 – Órgãos Internos e a Menstruação

    Fonte: Maciocia (2000, p.15)

            O mesmo autor refere que o Fígado é um órgão importantíssimo na menstruação, pois, o Fígado juntamente com o Útero armazenam Sangue. Se o Fígado apresenta Deficiência no Sangue pode ocorrer amenorréia ou períodos menstruais atrasados e se o Sangue do Fígado está quente pode haver menorragia. O Qi do Fígado movimenta o Sangue preparando o período menstrual, se esse Qi fica estagnado pode ocasionar períodos menstruais irregulares, dismenorréia e síndrome pré-menstrual.

            O Baço contribui na formação do Sangue, sendo sua função na menstruação primordial. O Qi do Baço também tem a importante função de manter o Útero no lugar através de seu movimento ascendente, sendo que se houver desmoronamento do Qi pode causar prolapso uterino ou da bexiga, o Qi do Baço também aglomera Sangue, e se ocorrer a sua Deficiência o Sangue pode tornar-se aguado causando menorragia (MACIOCIA, 2000, p. 12 e 13).

            Afirma ainda que o Coração está ligado a menstruação de várias formas, governa o Sangue, está conectado ao Útero pelo Canal do Útero e ajuda na formação do Gui Celestial através do Yang.

            Também refere que o Pulmão é o órgão que apresenta menor influência sobre a menstruação, podendo através de sua Deficiência nos casos em que a tristeza e a magoa induzem a diminuição do Qi ocasionar amenorréia.

            O Estômago está conectado ao Útero pelo Canal Chong Mai, que causa enjôo matinal durante a fase inicial da gravidez. O Estômago é a origem do Qi do Sangue, onde sua Deficiência afeta o Coração e o Baço, podendo causar amenorréia e escassez dos períodos menstruais (MACIOCIA, 2000, p. 13 e 14).

            O “Útero” tem uma vasta definição na MTC, abrange além do próprio útero, trompas de Falópio e Ovários. É um dos seis “órgãos extra de natureza Yang”, têm a forma de um órgão Yang e a função de um órgão Yin. A forma do Útero é uma cavidade e a menstruação e trabalho de parto são expressões da sua função de descarga (como um órgão Yang), mas, armazena Sangue e nutre o feto durante a gravidez (uma função como órgão Yin). Ele se relaciona com os Rins por um Meridiano do Útero (Bao Luo), também está relacionado ao Coração pelo meridiano chamado Canal do Útero (Bao Mai). Conseqüentemente para uma menstruação normal e fertilidade dependem do estado da Essência do Rim e do Sangue do Coração. Se o Sangue do Coração é deficiente, Qi do Coração não desce ao Útero, se a Essência do Rim é Deficiente, não ocorre a menstruação, portanto, a Deficiência tanto do Coração como dos Rins pode causar Infertilidade ou amenorréia. A Figura 6 mostra a conexão do Útero com os Órgãos Internos (MACIOCIA, 2000, p. 8).

 

Figura 6 – Útero e os Órgãos Internos

 Fonte: Maciocia (2000, p.09)

  

 

8 DISTÚRBIOS GINECOLÓGICOS NA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA E TRATAMENTO ATRAVÉS DA ACUPUNTURA

 

            As causas dos Distúrbios Menstruais são a disfunção dos órgãos internos, desarmonia do Qi, Sangue e Fluidos Corpóreos, desequilíbrio dos meridianos Ren e Du e a irregularidade do Rim e da Essência. Os três Distúrbios Menstruais mais comuns são: 1º Desarmonia do Fígado, Baço e Rins, que provocam dismenorréia, períodos irregulares, sangramentos abundantes e amenorréia. A Desarmonia destes órgãos esta ligada as emoções. 2º Padrão de Calor Excessivo, neste estão menstruação pesada, sangramento abundante, dismenorréia com sintomas como ansiedade, sensação de febre, boca seca, coágulos roxo na menstruação, distensão da mama, dor hipocondríaca ou distensão abdominal. 3º Padrão de Frio Excessivo, neste padrão ocorre períodos escassos da menstruação, períodos de atraso, amenorréia e dismenorréia, seus principais sintomas são: Estase de Sangue, com membros frios, dor abdominal com períodos e aversão ao frio (ZHOU e QU, 2009).

Ao longo dos últimos anos, pacientes com doenças ginecológicas sentem dores resistentes aos tratamentos convencionais e são cada vez mais indicados pelos médicos para o tratamento com Acupuntura (HIGHFIELD et al, 2006).

            Estudos recentes indicam que a medicina complementar e alternativa, terapias, incluindo Acupuntura, estão sendo utilizados e bem recebidos pelos adolescentes pacientes entre 10 e 13 anos. A Acupuntura pode ser aceitável, segura e eficaz para o manejo da dor pélvica crônica e sintomas relacionados à endometriose em meninas adolescentes (HIGHFIELD et al, 2006).

         Em qualquer tipo de Distúrbio Menstrual, o Sangue é fundamental. Para a regulação do ciclo menstrual a regulação de Sangue é sempre necessária (ZHOU e QU, 2009).

 

8.1 ENDOMETRIOSE

 

            A endometriose é uma doença progressiva ginecológica que pode ser causa significativa de Infertilidade. A dor pélvica crônica freqüentemente acompanha a endometriose e tem trazido particularmente importantes conseqüências psicossociais e funcionais em adolescentes (HIGHFIELD et al, 2006).

         Na Medicina Tradicional Chinesa, a etiologia da endometriose é a Estase de Sangue. A Estase Sanguínea provoca uma síndrome de Fogo e o acúmulo de Umidade-Calor na parte inferior do corpo, o acúmulo de Calor e Estagnação do Sangue são as alterações patológicas principais (ZHOU e QU, 2009). 

         A Acupuntura tem demonstrado bons efeitos curativos no tratamento da endometriose, evitando gravidez ectópica entre outros. Também com efeitos significativos na dismenorréia, menstruação irregular, lombalgia com grandes melhoras na dor crônica, cefaléia, náuseas e fadiga (ZHOU e QU, 2009).

            Na Endometriose o Sangue se encontra onde não deveria estar, sendo incapaz de ser eliminado do corpo, isto é, Estagnação de Sangue, apresentando como sintomas fluxo menstrual com coágulos e nódulos ou massas palpáveis abdominais. Tem como principio de tratamento a remoção da Estagnação do Sangue e fortalecimento do Yang do Rim (LYTTLETON, 2006, p.170).

            O tratamento é feito de acordo com a fase do período menstrual, no período pós-menstrual, deve-se nutrir o Sangue e tonificar Yin, o tratamento nesse período é importante para melhorar a fertilidade, são utilizados os seguintes pontos: R3, VC7 e R14. Ovulação, nesta fase mantem-se o Qi do Fígado livre nas trompas e abdômen, ajuda a circular o Qi e o Sangue e acalmar o Espírito, utiliza-se os seguintes pontos: F3, F11, E29, BP12, BP13, BP6, BP4, R8, CS6 e C7. Pós-ovulação, deve-se tonificar Yang do Rim através da suplementação do Yin, da promoção do Qi e nutrição do Sangue, os pontos utilizados são: VC4, R3, E29, B23, CS7, F2, BP1 e C7. Período Menstrual, nesta fase faz-se circular o Sangue e nos casos de massas e Estagnação, diminui as dores no período e a menstruação não apresentará mais coágulos, os pontos utilizados são: E28, E29, BP12, BP13, R4, BP6, BP8, BP10, VC6, B31, B34, B26, B28, B22, F2, F8, IG4 e CS5 (LYTTLETON, 2006, p.176-183).

 

8.2 LEUCORRÉIA

 

            A leucorréia é causada devido a fraqueza do Vaso Dai Mai e da disfunção do meridiano Ren, causada por descuido na alimentação ou fadiga excessiva que prejudica as funções do Baço e do Estomago fazendo com que baixe a Umidade acumulada tornando-se leucorréia. Se o corrimento apresentar cor amarelada esta relacionado ao Calor e à Umidade do Baço e se estiver branco é Frio e Deficiência de Baço. Devido a Estagnação do Qi do Fígado pode apresentar-se vermelho ou com um pouco de sangue (PÉREZ et al, 1998).

            Deve-se dispersar o Calor e drenar a Umidade com os pontos Yin (F2) e Yinlingquan (BP9) e nos casos de Umidade, Frio, utilizar Guanyuan (VC4) e Zusanli (E36). Fortalece o Baço, retira a Umidade, regula a função dos meridianos (PÉREZ et al, 1998).

 

8.3 DISMENORRÉIA

 

         A dismenorréia primária é uma queixa ginecológica comum, especialmente entre as jovens mulheres. É o líder em adolescentes e um problema comum em mulheres de idade reprodutiva. Os dados atuais mostram que a produção excessiva e liberação de prostaglandinas endometriais (PGs), durante a menstruação resultam em hipercontratilidade uterina anormal, impedindo o fluxo sangüíneo uterino, resultando em hipóxia no útero e dor (YU et al, 2010).

         A dismenorréia é causada geralmente por fatores emocionais, invasão de fatores patogênicos exógenos, Estagnação do Qi e do Sangue, ou pela retenção de Sangue no Fígado devido a depressão e Estagnação do Qi resultantes de transtornos emocionais, ou pelo Frio Umidade atacando o Jiao Inferior e hospedagem no Paogong devido a andar na água durante a menstruação ou sentada no chão úmido, ou por deficiência constitucional de Qi e Sangue, ou o consumo de Qi e de Sangue devido a doenças graves e de doença prolongada (ZHOU e QU, 2009).

            Baseado na MTC, a dismenorréia surge através de seis fatores patogênicos exógenos (Vento, Frio, Umidade, Secura, Calor e Canícula ou Calor de Verão), danos internos causados por sete emoções (raiva, alegria, preocupação, pensamento obsessivo, tristeza, medo e choque), esforço excessivo de Qi e Sangue, insuficiência constitucional, e assim por diante, resultando num fluxo anormal de Qi, impedido o fluxo de Sangue ou a má nutrição da via (Chong) do Vaso da Concepção (Ren), e do Útero. Clinicamente, os principais padrões de dismenorréia incluem tipos, tais como Excesso de Qi e a Estagnação de Sangue, ou Umidade-Frio, Calor-Umidade; bem como os tipos de Deficiência, tais como Deficiência de Qi e de Sangue ou do Fígado e insuficiência renal (YU et al, 2010).

            A Acupuntura esta indicada especialmente para tratar dos casos onde os contraceptivos orais são contra indicados ou recusados. A melhora nas dores também são bastante significativas. A Acupuntura aplicada em acupontos, como Baihui (VG20), Hegu (IG4), Zhongji (VC3), Guanyuan (VC4) e Qihai (VC6) também mostrou satisfatórios efeitos curativos no tratamento de dismenorréia, e bons resultados também na combinação de Acupuntura com Tuina espinhal (ZHOU e QU, 2009).

 

8.4 MIOMA UTERINO

 

            De acordo com Zhou e Qu (2009), os miomas uterinos são equivalentes a tumores benignos do músculo liso na parede uterina, e através da Acupuntura pode-se eliminar a necessidade de cirurgia em alguns casos, especialmente se tratado precocemente. Na MTC os miomas uterinos pertencem a categoria “Zheng Xia”, definido como “massas no útero com um sentimento de dor, inchaço ou plenitude, e com sangramento nos casos mais graves”. Os Padrões para o mioma uterino são: Estagnação de Qi e Estase de Sangue, Deficiência de Yin, Estagnação de Qi do Fígado e Deficiência de Baço. O crescimento dos miomas uterinos é regulado pela retroalimentação complexa entre hormônios esteróides sexuais e fatores de crescimento, tendo a Acupuntura um efeito de regular a hipófise, a glândula tieróide e o sistema nervoso central, podendo assim  ser considerada como uma terapia potencial no tratamento de fibróides uterinos.

            São usadas varias técnicas de Acupuntura no tratamento do mioma nos hospitais da China, como: Acupuntura sistemica, Eletroacupuntura e Agulhas de Fogo (ZHOU e QU, 2009).

 

8.5 INFLAMAÇÃO PÉLVICA CRÔNICA

 

            A Inflamação Pélvica Crônica é causada principalmente pelo Calor acumulado no Fígado, Estagnação do Qi do Fígado, que afetam o Baço para resolver a Umidade e a Umidade entrelaçando com Calor. Devido a longa duração, pode obstruir a circulação do Qi e do Xue e bloqueio dos vasos sanguíneos, formando grumos.

O tratamento nos casos leves tem efeitos imediatos. Entretanto, é indicado o tratamento da Acupuntura associado com a Moxabustão para os casos de doença prolongada. Aplica-se sedação: Zhongji (VC3), Guanyuan (VC4) e Zigong (M-TA18), reforçando o método em Zusanli (E36) Sanyinjiao (BP6) e Diji (BP8) e Moxabustão indireta; Shenque (VC8), Sanyinjiao (BP6) mostram-se eficazes para tratar pacientes com dismenorréia primária, e tem também alguns efeitos no alívio da dor pélvica causada por inflamação pélvica crônica e endometriose (ZHOU e QU, 2009).

 

8.6 CERVICITE E VAGINITE

 

            A Cervicite é causada por micoplasma, ocasionando coceira vaginal e leucorréia. A MTC descreve que é devido a uma vida sexual desenfreada, exógenos Calor excessivo, a acumulação de toxinas, Deficiência da Essência, Calor interagindo com acúmulo de toxinas em Jiao Inferior, causando leucorréia avermelhada, corrimento esbranquiçado, coceira e vulva edemaciada (ZHOU e QU, 2009).

            Os mesmos autores afirmam que a vaginite a longo prazo reprimi o Qi do Fígado transformando em Calor, normalmente por Vazio e complicando a movimentação dos fluidos. Quando os fluidos param de correr, eles acumulam-se transformando em Umidade. Calor do Fígado e Baço tornam-se emaranhado, descem invadindo e imergindo na vagina.

O objetivo principal do tratamento da Cervicite e Vaginite através da Acupuntura é aliviar os sintomas e melhorar e restaurar a saúde geral da paciente, melhorando sua qualidade de vida (ZHOU e QU, 2009).

            O principio de tratamento é limpar o Fígado, drenar a Umidade, remover o Calor e parar o prurido, utilizando-se dos seguintes pontos: VC2 e VC3 drenam o Calor-Úmido da área genital e regulam o canal Ren Mai; F5 ponto de Conexão, drena a Umidade do meridiano do Fígado na área da genitália; F4 para a dor e o prurido da genitália; BP9 e BP6 drenam a Umidade do Aquecedor Inferior e da genitália e B33 drena a Umidade da região genital (MACIOCIA, 2000, p. 760).

8.7 SÍNDROME DO OVÁRIO POLICÍSTICO

 

A Síndrome do Ovário Policístico é descrita na MTC como a ausência de períodos menstruais ou Infertilidade, é incluída como uma massa abdominal. Ocorre devido a uma Deficiência do Yang do Rim e a Mucos e/ou Umidade. Quando o Yang do Rim está Deficiente por um longo tempo, pode falhar em transformar, evaporar e transportar fluidos no Aquecedor Inferior, que pode se acumular e formar Mucos e/ou Umidade formando assim os cistos dos ovários, enquanto que a Deficiência do Yang do Rim causa Amenorréia e Infertilidade; em muitos casos também existe Estase de Sangue (MACIOCIA, 2000, p. 734).

            A Síndrome do Ovário policístico é a endocrinopatia mais freqüente em mulheres com idade reprodutiva, é caracterizada por anovulação crônica e hiperandrogenismo, sendo que a Medicina Tradicional Chinesa vem demonstrando ótimos resultados quanto a regularização da menstruação, alivio dos sintomas e na indução da ovulação (ZHOU e QU, 2009).

            Chang et al (2002), relata que a Eletroacupuntura é utilizada para a indução da ovulação em mulheres com Síndrome do Ovário Policístico e que nesses casos pode ser considerada como alternativa de complemento no tratamento da patologia.

            O princípio de tratamento é tonificar o Yang do Rim e resolver a Umidade/Mucos simultaneamente, podendo ser utilizado no tratamento de outros tipos de cistos ovarianos provenientes de Umidade/Mucos e Deficiência do Yang do Rim, apresentando dois padrões: Deficiência do Yang do Rim com Umidade/Muco e Deficiência do Yang do Rim, Mucos e Estase de Sangue (MACIOCIA, 2000, p. 735).

Utiliza-se na Deficiência do Yang do Rim com Umidade/Mucos P7 e R6 regulam o Canal Ren Mai e fortalecem o Útero e ajudam a dissolver as massas; VC3, E28, B32 e B22 resolvem a Umidade do sistema genital; BP9 e BP6 resolvem a Umidade; B23, R3, VC4 e R7 com Moxa tonificam o Yang do Rim e E36 e B20 tonificam o Baço e também ajudam a resolver a Umidade e os Mucos e na Deficiência do Yang do Rim, Mucos e Estase do Sangue P7 e R6 regulam o Canal Ren Mai e fortalecem o Útero, ajudam a dissolver massas; VC3, E28, B32 e B22 resolvem a Umidade; E29, BP10 e B17 revigoram o Sangue e eliminam a Estase; B23, R3, VC4 e R7 com moxa tonificam o Yang do Rim e E36 e B20 tonificam o Baço, que ajuda a resolver a Umidade e Mucos (MACIOCIA, 2000, p. 735 e 736).

8.8 TENSÃO PRÉ-MENSTRUAL

 

            Geralmente causada pela depressão do Fígado e Estagnação de Qi que conduz a transformação do Fogo e do Espírito, ou pela invasão de Qi do Fígado no Baço e Estomago, ou astenia Yin constitucional, ou astenia constitucional do Baço e do Rim. Causada principalmente por uma disfunção do Fígado e está relacionada com o Coração, Baço e Rim. Seus sintomas ocorrem durante a menstruação, manifestando-se com cefaléia, febre, dores no corpo, edema, diarréia, tonturas, alterações emocionais, dor e distensão nas mamas. Está dividida em Excesso e Deficiência. A Deficiência é de Rim e Baço e o Excesso é pela Estagnação do Qi do Fígado, Baço e Rim (ZHOU e QU, 2009).

            Para tratar a Deficiência de Yang do Baço e do Rim utiliza-se os pontos, Taichong (F3), Taixi (R3), Qihai (VC6), Ganshu (B18), Tanzhong (VC17), e Sanyinjiao (BP6); Estagnação do Qi do Fígado, Zusanli (E36), Pishu (B20), Shenshu (B23), Taixi (R3), Sanyinjiao (BP6) e Guanyuan (VC4). Na redução do edema, Zhongwan (VC12), Qihai (VC6), Hegu (IG4), Zusanli (E36), Sanyinjiao (BP6). Na cefaléia, Baihui (VG20), Qihai (VC6), Guanyuan (VC4), Sanyinjiao (BP6) e Zusanli (E36), sendo que utilizando esses pontos ocorre a redução dos sintomas da TPM (ZHOU e QU, 2009).

 

 

9 A ACUPUNTURA E SUA EFICÁCIA

 

Küblböck (2008), realizou uma pesquisa, onde mostra que de 261 pacientes tratadas com Acupuntura nos últimos anos, 93 engravidaram, mostrando uma taxa de sucesso de 35,6%, afirmando assim a eficácia deste tratamento na Infertilidade em mulheres, mesmo após várias tentativas frustradas com outros tipos de tratamento. Neste estudo o autor relata a realização do tratamento de acordo com o diagnóstico chinês, embora a maior parte das mulheres apresente Deficiência de Baço e Rim, pode ocorrer uma Deficiência de Sangue, necessitando tonificar o Fígado, Yin e Yang do Rim, Jing, Calor ou Frio, Fleuma e Estagnação do Qi do Fígado. No tratamento da Deficiência do Rim e Baço, foram utilizados os seguintes pontos: C3, BP6, E36, Ren4, Ren6, E30, B23, Du4, B31, moxabustão no Ren4, B23, e em todos os casos N-DC-8 (Ganre). Foram realizadas de 1 a 2 sessões por semana, totalizando 10, levando em conta a não aplicação durante os três primeiros dias do ciclo menstrual.

            Segundo Lacey et al, (2009) estudos mostram que o uso da Acupuntura aumenta as chances de gravidez em mulheres que se submetem ao tratamento para fertilização in vitro. Além da Acupuntura auxiliar no tratamento da infertilidade, também apresenta outros resultados como aumento da disposição, relaxamento e tranquilidade, redução na dependência de medicamentos, cicatrização mais rápida da cirurgia e aumento da auto-consciência, equilíbrio centrado, bem-estar e as mudanças globais na vida. Esses efeitos indicam uma redução de estresse que por sua vez, pode diminuir o número de ciclos de tratamento necessário para que a gravidez ocorra. Em uma pesquisa específica realizada, as sessões do tratamento duraram cerca de 20-30 minutos, com agulhamento bilateral, foi administrada estimulação manual, e técnicas de tonificação e equilíbrio; mostrando que a Acupuntura é realmente aceita por mulheres inférteis e tem um impacto para a sua saúde, mostrando resultados positivos.

De acordo com Manheimer et al (2008), a Acupuntura tem sido usada durante séculos na China para regular o sistema reprodutor feminino. seus efeitos são classificados em três mecanismos, primeiro a Acupuntura pode mediar a libertação de neurotransmissores,  que por sua vez, estimulam a secreção de hormônio liberador de gonadotropina, influenciando assim o ciclo menstrual, a ovulação e a fertilidade; segundo, a Acupuntura pode estimular o fluxo sanguíneo para o útero através da inibição da atividade do sistema nervoso central;  terceiro, a Acupuntura pode estimular a produção de opióides endógenos inibindo assim o estresse biológico causado pelo sistema nervoso central. Portanto, pesquisas mostram que os resultados da Acupuntura em mulheres inférteis são favoráveis, além da contribuição na fertilização in vitro, melhora o bem-estar, ansiedade, resistência pessoal e social e da identidade das mulheres em relação à sexualidade e reprodução. Também tem implicações para as formas em que preenche a lacuna entre mente e corpo. Estes efeitos benéficos foram descritos por todas as pacientes, independente do número de sessões a que elas haviam sido submetidas.

Segundo Chang et al (2002), a Acupuntura tem apresentado efeitos positivos no tratamento de mulheres inférteis, atuando na disfunção ovulatória associada a síndrome do ovário policístico, melhora no fluxo sanguíneo da artéria uterina tornando o endométrio com uma espessura adequada para a gravidez e auxiliando na implantação da fertilização in vitro, sendo uma técnica alternativa, relativamente acessível e não tóxica, bastante indicada para mulheres que são intolerantes a indução hormonal para ovulação.

De acordo com Johnson (2006), ao acompanhar 22 pacientes em tratamento de reprodução assistida, por um período de 26 sessões semanais de Acupuntura antes e após a Fertilização in Vitro, obteve-se 15 gestações comprovadas com uma taxa de sucesso de 57,7%, sendo que em relação às pacientes não tratadas pela Acupuntura apresentaram 45,3% de taxa de gravidez. O esquema de tratamento de acupuntura para acompanhar fertilização in vitro foi dividido em algumas etapas, sendo que a primeira foi a sessão introdutória: VG20 bilateral e IG4, F3, por 10 minutos. Seguido das sessões completas; Primeira sessão completa: VG20 bilateral e F3, BP6, E36, CS6 e IG4, por 20 minutos. Segunda sessão completa: Os mesmos pontos da primeira sessão completa, com a adição de pontos na orelha (Auriculoterapia),  Shenmen e Endócrino, Zhigong e Cérebro, por 20 minutos. Terceira sessão completa: O mesmo corpo e os pontos auriculares como na segunda, além de E29, novamente por 20 minutos. Os pontos usados nesta terceira sessão são repetidos em qualquer sessão adicional de reforço. No dia da transferência de embriões foram realizadas duas sessões de 25 minutos cada, uma imediatamente antes e uma após a transferência de embriões, usando os seguintes pontos: Antes da transferência: VG20 bilateral e F3, BP8, CS6 e E29 com pontos Shenmen e Neifenmi (endócrino) na orelha esquerda e para a direita Zhigong (útero) e Naodian (cérebro). Após a transferência: Bilateral BP6, BP10, E36 e IG4 com os pontos da orelha invertida: Zhigong e Naodian (cérebro) na esquerda e Neifenmi (endócrino) e Shenmen na direita. Neste estudo foi descrito também que a Acupuntura apresentou efeitos relaxantes que podem ter contribuído para essa taxa de gravidez.

O efeito da Acupuntura aumenta o fluxo sanguíneo do útero e ovários, com melhores resultados quando as agulhas são colocadas nos seguintes pontos VC4, VC6 , E29, E36 , CS6, P6, P8, P10, IG4, BP9, BP12, VB31, VB32, VB34 (músculos abdominais e das pernas) . Na SOP a Acupuntura atua como uma alternativa ou complemento no tratamento induzindo a ovulação sem apresentar efeitos secundários (STENER-VICTORIN e HUMAIDAN, 2006).

A Medicina Tradicional Chinesa pode regular o hormônio liberador de gonadotrofinas para induzir a ovulação e melhorar o fluxo sangüíneo do útero e alterações menstruais do endométrio. Além disso, também tem impactos sobre pacientes com Infertilidade resultante da Síndrome do Ovário Policístico, ansiedade, estresse e distúrbios imunológicos (HUANG e CHEN, 2008).

            Um estudo realizado por Orta et al (1999), comprova a eficácia do uso da Acupuntura no tratamento dos Distúrbios Ginecológicos, onde foram selecionadas 255 pacientes que não apresentaram resultados favoráveis com o tratamento da medicina ocidental, com os diagnósticos de mioma uterino, cisto ovariano, displasia de mama e doença inflamatória pélvica crônica. Essas pacientes foram submetidas há pelo menos 15 sessões de Acupuntura sendo estimulados os seguintes acupontos: BP4, BP6, F2, F3, F14, E30, E36, E40, VG20, VC17 e VB26 . No final das sessões apresentaram os seguintes resultados: na melhora sintomática dos miomas uterinos 42,9%, seguido da doença inflamatória pélvica crônica com 34,8%, a displasia de mama com 29,2% e os cistos ovarianos com 14,3%. Na displasia de mama e de cistos ovarianos, os tumores foram reduzidos em 66,7% e nos casos de miomas reduziram em 49%.

            Muitos estudos têm mostrado que a Acupuntura é eficaz para alívio da dor na dismenorréia. A Dismenorréia é causada pela redução do fluxo sanguíneo uterino, resultando em isquemia uterina, devido à contração do miométrio, que é induzida pela secreção excessiva de prostaglandinas, vasopressina, e ocitocina. De acordo com os princípios da Medicina Chinesa, Sanyinjiao (BP6) é o ponto de junção dos meridianos do Fígado, Baço e Rim. Este fortalece o Baço, regula o Qi e o Sangue, e nutre Fígado e Rins. Além disso, o ponto Sanyinjiao (BP6) tem um ramo interno que atravessa o Útero e, portanto, tem um efeito direto sobre a região pélvica. Por isso, é comumente utilizado para as indicações ginecológicas, especialmente para alívio da dismenorréia. A inserção do Sanyinjiao (BP6) pode afetar e promover o fluxo de Qi e Sangue, de modo a melhorar a nutrição do canal de energia principal, do Vaso da Concepção, e do Útero e, finalmente, pode aliviar a dor menstrual (YU et al, 2010).

           

 

 

 

10 CONCLUSÃO

 

As pesquisas citadas apresentaram efeitos satisfatórios tanto no tratamento dos Distúrbios Ginecológicos e seus desconfortos como na Infertilidade feminina e nos principais sintomas que contribuem para que a mesma ocorra.

Alguns autores descrevem um tratamento bastante eficaz para Infertilidade Feminina utilizando os Vasos Maravilhosos: Vaso Diretor, Vaso Penetrador e Vaso da Cintura. E descrevem também que o tratamento varia de acordo com o padrão sindrômico apresentado pela paciente, como os padrões de Deficiência: Deficiência do Yin do Rim, Deficiência do Yang do Rim, Deficiência do Sangue e Deficiência do Baço; e os padrões de Plenitude como: Frio no Útero, Umidade no Aquecedor Inferior, Calor do Sangue, Estagnação do Qi e Estase de Sangue.

Ficou comprovado que a Acupuntura tem contribuído na área da Ginecologia apresentando efeitos positivos, com vários tipos de técnicas além do tradicional agulhamento, como a moxabustão, a eletroacupuntura e auriculoterapia. Embora existam poucos trabalhos que comprovem a verdadeira eficácia, a Acupuntura sistêmica trouxe efeitos satisfatórios principalmente em relação aos fatores que contribuem para a Infertilidade e nos Distúrbios Ginecológicos.

Estudos recentes comprovam que as terapias da MTC estão sendo bem aceitas por adolescentes e jovens, sendo segura e eficaz na dor pélvica crônica e em sintomas relacionados à endometriose.

A Acupuntura é indicada especialmente para tratar dos casos onde os contraceptivos orais são contra indicados ou recusados, podendo substituir o uso de remédios no tratamento da Infertilidade sendo mais efetiva, rápida, duradoura, sem efeitos colaterais, além de ser considerada uma terapia de custo acessível. Sendo também procurada nos casos onde a medicina ocidental não apresentou resultados satisfatórios ou até mesmo em um tratamento conjunto com a medicina ocidental na Fertilização in vitro, onde tem sido realizada com sucesso.

            O uso da Acupuntura aumenta as chances de gravidez em mulheres que se submetem ao tratamento para fertilização in vitro, aumentando o fluxo sanguíneo do útero e ovários induzindo assim a ovulação. Apresenta também melhora no fluxo sanguíneo da artéria uterina tornando o endométrio com uma espessura adequada para a gravidez e auxiliando na implantação da fertilização in vitro.

            Apresenta outros resultados como relaxamento e tranquilidade, redução na dependência de medicamentos, cicatrização mais rápida da cirurgia, aumento da auto-consciência, equilíbrio centrado, bem-estar, redução de estresse que diminui o número de ciclos de tratamento necessário, tonificação e liberação de neurotransmissores; estimula também a secreção de hormônio liberador de gonadotropina e a produção de opióides endógenos, além das mudanças globais na vida.

 

 

 

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